O mercado dos brinquedos artesanais
Por Thiago Ribeiro
Diante da imensa diversidade de brinquedos eletrônicos presentes nos shopping centers da cidade, as bonecas de pano, os carrinhos de lata e os cavalos-de-pau ainda conseguem encantar crianças e adultos que passam pelos corredores do Mercado Histórico Thales Ferraz.
Os brinquedos artesanais não falam, não piscam nem se movimentam sozinhos como os brinquedos modernos, mas é impossível resistir em passar por um deles sem tocá-los e sentir a nostalgia da infância. Essa magia que só os brinquedos artesanais possuem é o que explica a sua permanência por gerações e mesmo diante de tamanha concorrência tecnológica, os artesão produtores desses brinquedos ainda conseguem se manter uma produção constante.
Segundo os vendedores do mercado, o público dos brinquedos artesanais não se limita as crianças e pais, os produtos são comercializados também para turistas que os utilizam como suvenirs e peças decorativas.
Realidade do Mercado Albano Franco em Aracaju – Se
Por Aryane Henriques
Aracaju a tão falada capital da qualidade de vida tem como um de seus principais pontos turísticos os mercados centrais que se dividem em três: Mercado Albano Franco, Thales Ferraz e Antônio Franco. Os mercados são coordenados e supervisionados pela Empresa Municipal do Comércio Ambulante (EMSURB), órgão da Prefeitura Municipal de Aracaju que tem como papel fundamental garantir aos seus frequentadores um ambiente higienizado.
Digno de um amplo espaço, o Mercado Albano Franco tem como principal atração as feiras livres que se destacam pela diversidade de produtos que podemos encontrar, como: frutas, legumes, peixes, carnes, roupas, eletroeletrônicos, ração, sapatos, etc. É através deste leque de opções que infelizmente tende a surgir desorganização, ocasionando insatisfação e decepção tanto nos funcionários quanto nos clientes.
De acordo com a permissionária e/ou feirante Vânia Dias, 47 anos, com experiência no ramo comercial por 20 anos e funcionária do mercado a 11 anos, “a situação do mercado é pior do que a população imagina, tenho muito tempo aqui e admito que muita coisa mudou, mas ainda precisa mudar bastante, há coisas incorretas e área desativada como a minha e não se sabe o que será feito”, conta a trabalhadora Vânia do Mercado Albano Franco da ala destinada as carnes na parte superior, que hoje encontra-se desativada, e mesmo assim ela continua lá, pois possui seus fieis clientes e afirma não ter embaixo um espaço “grande”, tranquilo e organizado como o que ela pertence agora.
Portanto, notamos que nem tudo são flores e algumas atitudes devem ser tomadas e é exatamente nisso que a EMSURB está investindo, conta o assessor de comunicação, Bruno Antunes, “Há um projeto de melhoria para o mercado, inclusive um projeto para área desativada na parte superior, local onde fica a permissionária Vânia Dias e vale lembrar que aceitamos sugestões e reclamações da população”.
Para ler, contar e cantar poesia
Por Bárbara Juliana
“O Cordel no mundo inteiro
Está chamando atenção
Tese de doutoramento
E de pós-graduação
É nos Estados Unidos
Na Rússia, França e Japão”
Em versos, o cordelista Zé Maria da fortaleza, cantou a importância da cultura de Cordel. Essa poesia popular ficou conhecida como cordel, por conta de uma tradição portuguesa que na antiguidade penduravam os folhetins em cordão feito roupa.
O itabaianense João Firmino Cabral é grande conhecedor dessa arte. História viva da literatura de cordel, começou a escrever aos dezesseis anos, a exemplo de seu pai também cordelista. Quem deseja conhecer mais da cultura de cordel, deve conhecer a banca de seu Firmino no Mercado Artesanal de Aracaju. O cordelista passou a ocupar a cadeira 36 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e diz orgulhoso “Estavam presentes mais de trezentas pessoas em minha nomeação, foi uma honra pra mim”.
A poesia feita pelo povo predomina no nordeste. Conta ‘”causos” que aconteceram na região, contos, lendas folclóricas. São escritas em estrofes com 6 ou 7 linhas ritmadas, métrica do Cordel. As ilustrações de capa dos livrinhos de Cordel são chamadas de xilegrafuras. O desenho é esculpido em madeira. Como um carimbo, passa-se tinta sobre ele e então imprime a imagem no papel.
Na literatura de Cordel, Lampião já foi do inferno ao céu. Tem também jumento que fala como numa estória contada por Seu Firmino: “A profecia do jumento que falou no Nordeste”. Narra sobre um jumento que pede ao seu dono, um fazendeiro avarento, para não ser vendido e parar num açougue :
Seu João por favor me diga
Porque quer me assassinar
Pois me vender pra carreta
É mesmo que me matar
Jesus da eternidade
Me deu toda liberdade
Para hoje eu lhe falar
…
O Cordel esteve presente em outras artes: música, cinema, novela . Exemplo é a música Pavão Misterioso interpretada pela voz de Ney Matogrosso , trilha da novela Saramandaia da Rede Globo. O filme “O Auto da Compadecida”, grande sucesso do cinema brasileiro baseado na obra do escritor paraibano Ariano Suassuna foram inspirações das estórias hilariantes de cordel. Personagens que fizeram parte da trama como João Grilo e Chicó, e, episódios como flauta encantada, o enterro da cachorra, foram baseados na criatividade da literatura popular. “O Homem que desafiou o Diabo” é mais um exemplo inspirado no cordel : o cabra que se revoltou, foi ao cartório mandou o escrivão fazer uma certidão de óbito e outra de nascimento. Morrera Arauju e nascera Ujuara.
A Literatura de Cordel é cultura do povo, assim denomina Seu Firmino. Canta as proezas e mitos de um povo .
Trás poesia, música e cultura
Rima, estória e alegria
Pode ser todo dia
Toda hora
Mas o cordel também tem toda bossa
Pra ler em casa,na rua, na roça
Arte dos bordados
Texto e fotos por: Tiago Almada
Segundo estudiosos o bordado ou algo semelhante a ele foi encontrado por volta de 850 A. C. no que hoje é a Ásia Central, já o ponto de cruz data de pouco mais de 500 D.C. com registros por toda a Europa, Ásia e EUA.
Durante a Idade Média e parte do Renascimento o bordado servia como base para as mulheres aprenderem à arte da escrita, técnica que era passada de mãe para filha. Alguns dos trabalhos encontrados continham data, ano e a assinatura da pessoa que bordou, possibilitando um resgate histórico. Durante muitos anos, o bordar foi uma arte manual, demorada e de muito requinte, mas com a industrialização a sua massificação foi evidente. No século XX com o uso da máquina de costura o processo ficou mais simplificado, mas a atenção ao produzir as peças era a mesma.
A partir de 1980 com o avanço da tecnologia foram criadas máquinas com softwares programados para produzir os vários tipos de desenhos em pouco tempo, trabalhos que demorariam meses poderiam ser realizados em dias ou horas. Mesmo com esse avanço a produção artesanal não foi deixada de lado, em muitas cidades brasileiras o bordar continuará sendo produzido por muitos anos.
Em Sergipe, mais precisamente na cidade de Tobias Barreto podemos encontrar uma indústria artesanal muito atuante, produzindo tanto para o estado como também para o resto do país e do mundo. Parte do material produzido em Sergipe é revendida no mercado histórico Antônio Franco, localizado no centro da capital sergipana.
A vendedora Júcia Valeriano Santos diz que todo o material vendido por ela é produzido no estado, mas reclama do pouco reconhecimento por parte dos sergipanos, ela diz que quem mais aprova o trabalho são os turistas. Júcia comenta também que falta um pouco de apoio do governo para incentivar a produção local, segundo a vendedora o nosso artesanato deveria ter mais incentivos para que além de serem comercializados no estado eles possam também ser exportados.
A arte do Grafite
Por: Iracema Sant´Anna
O grafite, originado de inscrições feitas em paredes desde o Império Romano, é hoje uma manifestação artística em um espaço público. Na idade contemporânea surgiu em 1907 em Nova York, nos Estados Unidos. Está ligado a diversos movimentos em especial o Hip Hop. Para esse movimento o grafite representa a realidade das ruas, a opressão da humanidade, dos menos favorecidos. No Brasil, o grafite surgiu no final da década de 1970. Os brasileiros não se contentaram com o estilo norte-americano e passaram a incrementar com o toque brasileiro, hoje o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores do mundo.
Muitas polêmicas giram em torno desse movimento. De um lado o grafite, do outro, a pichação. Ambos utilizam o mesmo material, o mesmo suporte urbano. O primeiro é carregado com certa plasticidade enquanto o segundo é um monte de letras indecifráveis e sem cor. Alguns pichadores acharam na letra grafitada uma forma de sair da marginalidade e se tornarem “grafiteiros”. Graças às secretarias de cultura que abrem projetos envolvendo grafiteiros, a possibilidade de reconhecimento da arte desses artistas urbanos cresce. O grafite ganha condições de sobrevivência junto com um melhoramento de técnicas e passa a atingir um público cada vez mais amplo. Diversas técnicas foram utilizadas e desenvolvidas por esse movimento, como a utilização de máscaras que servem como molde, ampliações de imagens a partir de xerox, fotografias, slides e projetores. Além das secretarias de cultura, comerciantes, empresas privadas entre outros, também dão apoio a esse movimento. O conhecido Beco dos Cocos situado entre os mercados municipais e a praça General Valadão recentemente ganhou uma nova cara. Antes conhecido por ser um ponto de drogas e prostituição, hoje recebe a simpatia dos aracajuanos e turistas que por ali passam. A transformação fez parte das comemorações da Semana Nacional do Trânsito. Uma mistura de grafite com fotografia e artes visuais.
Literatura de João
Por Talita Moraes
Os mercados Thales Ferraz e Albano Franco, localizados no centro de Aracaju, são uma referência cultural em Sergipe. Não só por serem tema de cartão postal, como ponto turístico, mas por trazerem as manifestações cotidianas de seu povo para o próprio povo. O artesanato, a culinária, as ervas medicinais (para todas as curas), a feira, a literatura expressam as características dos sergipanos.
Dentre essas manifestações, a literatura sergipana e seus autores são pouco conhecidos pelos conterrâneos. A literatura de cordel, vendida nos mercados, por exemplo, tem como maior parte do público turistas e estudantes, informação segundo Joelson Santana Cabral, vendedor da literatura. Mas ainda assim, afirma que os mercados são o melhor local em Aracaju para as vendas, por serem de tradição cultural.
Joelson Santana é filho do sergipano João Firmino Cabral, cordelista há 53 anos. Na barraca onde são vendidos os versos, o colorido das idéias de João chama a atenção dos passantes e convidam-nos para sua literatura com mais de cinqüenta anos de história.
Desde criança Seu João demonstrou interesse pela literatura de cordel, foi com ela que aprendeu a ler, conseqüentemente, a escrever. Mas só mais velho, aos 17 anos, descobriu o talento para a literatura e com esta idade escreveu seu primeiro cordel: Uma Profecia do Padre Cícero. Seu amigo e mestre, o poeta Manoel D’Almeida Filho, o guiou nesta descoberta, descoberta esta que proporcionou outras realizações a Firmino como a fundação da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) no ano de 1988, localizada na cidade do Rio de Janeiro.
Seja a literatura de Seu Firmino, seja a de outro poeta, o fato é que a literatura de cordel sergipana merece atenção de seus conterrâneos. Lembrar que por meio dessas manifestações podemos descobrir e viver as memórias, as opiniões de um povo recriadas com uma roupagem cheia de rimas, ironias e expressões nativas.
Finados: tradição X economia
A homenagem aos mortos, segundo a tradição católica, envolve alguns rituais. Dentre eles está visita à cemiterios, onde familiares enfeitam túmulos com flores.
fotos e texto por Cláudia Oliveira
O Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de novembro, logo a seguir ao dia de Todos -os-Santos. Desde oséculo II, cristãos visitam os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. É um dia de celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. Para este dia é esperado um aumento na procura de flores no mercado florista sergipano, já que seguindo o costume católico, levam-se flores ao túmulo dos que já se foram.
Segundo a vendedora de flores, do mercado municipal de Aracaju, Janeth, as vendas irão cair em relação ao ano passado. Ela atribui essa queda à crise econômica por qual o país atravessa e às chuvas excessivas no perímetro de cultivo de flores (Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Minas Gerais), que ocasionam o rápido amadurecimento dos botões que apodrecem com facilidade.
A vendedora disse que as flores mais procuradas para este dia são as rosas, margaridas e os cravos. Ela ainda disse que as vendas neste período aumentam cerca de 80% em relação a todo o ano.







































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