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APAE: O excepcional cuidado aos excepcionais.

Posted in Cultura by micheletavares on 15/10/2009

Por Maluh Bastos

Foto: Ingrid Araújo

Foto: Ingrid Araújo

Já foi tema em telenovela.  Propagandas com trechos de uma música popular passam 24 horas por dia. A mídia em peso argumenta em prol da inclusão social dos cidadãos ‘especiais’ no Brasil. Porém, será que isso é mesmo o suficiente para mudar a mentalidade dos brasileiros? A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais  (APAE) luta com todas as dificuldades que encontra , na maioria das vezes  financeira, para que essa realidade se transforme através do acolhimento aos excepcionais e conscientização dos pais, parentes e, por extensão, da sociedade.

Entrar em contato com as associações e instituições, tornar-se voluntário e ajudar por meio de doações é bastante simples e os responsáveis por elas são bastante acessíveis. Porém, a procura para ajudar e fazer doações não é comum e, na maioria das vezes, as instituições têm que buscar companheiros e parceiros. Com a APAE não é diferente. Uma associação com um trabalho respeitável e de imensa ajuda aos excepcionais e suas famílias de Aracaju e regiões vizinhas.  Pode-se considerar um contraste muito forte, uma vez que o povo brasileiro é considerado solidário.

Para demonstrar o impacto positivo que a APAE tem na sociedade em geral e as dificuldades que enfrenta, observamos o ponto de vista de uma voluntária, o diretor da escola dos excepcionais e as mães de alguns alunos.  Para a voluntária Ingrid Araújo de 22 anos, que trabalha há sete meses para a Associação, o trabalho emana uma satisfação imensa. “Eu já tinha vontade de fazer um trabalho voluntário. Procurei saber sobre algumas instituições filantrópicas e me identifiquei mais com a APAE. Assim que senti essa identificação, logo procurei saber como me voluntariar”, comenta.

Foto: Ingrid Araújo

Foto: Ingrid Araújo

Trabalhando no turno da manhã e se relacionando constantemente com os alunos da associação, Ingrid mudou de opinião sobre as concepções que carregava antes de trabalhar na APAE como voluntária. “Trabalho das 7:30 às 11:00 da manhã. Com o tempo, percebi que nós que temos que nos adaptar com as diferenças, não eles. Eles são perfeitamente normais, comunicam-se, brincam, conversam, como qualquer um de nós. Tem alguns que eu nem percebo a diferença”, afirma.

Entretanto, o preconceito ainda é claro. As dificuldades são muitas e com a descriminação de algumas pessoas a situação se torna ainda mais difícil. É o que relatam as mães de dois alunos da escola dos excepcionais. A senhora Gidelma Cardoso da Silva, mãe de Fábio, que tem 21 anos e a senhora Kátia Nascimento, mãe de Ítalo, de 7 anos de idade contaram suas dificuldades ao criar e cuidar de filhos com necessidades especiais. Quando o preconceito é citado na conversa elas relatam o quão próximo pode estar a relação de discriminação. “Existe preconceito na minha família”, diz Gidelma. “As pessoas não entendem, já me perguntaram se eu não preferia ter um filho morto do que ‘desse jeito’ que ele se encontra”, complementa.

Ao longo da conversa, Kátia concorda firmemente. “A incompreensão é tanta que vem até dos que eram para nos ajudar. O sistema falha. Um dia desses deu um problema em um carro que era para nos transportar até a APAE. Nós vimos todos os dias de Estância para cá, não somos daqui. Dependemos do transporte e eles ainda falham. Quando ameacei de colocar na televisão, tentaram resolver na mesma hora.”

A APAE tem sido de grande ajuda não apenas para essas mães como para outras famílias. A maior parte ficou sabendo da associação pelo boca-a-boca. “Eu soube por Gidelma” ,afirma Kátia. Já Gidelma, por sua vez, procurou saber se havia a APAE em Aracaju pois sabia da sua existência em Salvador.

Foto: Malu

Foto: Maluh Bastos

Imaginar um possível fechamento da associação é muito doloroso para as duas. “Não sei como ficaria sem a APAE. O desenvolvimento do meu filho é claro. Se não fosse, eu não traria já que nos deslocamos de Estância para cá todos os dias.Ítalo já se comunica muito melhor do que antes. Diz quando um remédio é ruim, o que ele quer e tudo mais”, comenta Kátia. “Já o aparente desenvolvimento de Fábio é na coordenação motora. Consegue segurar as coisas mais firmemente”,diz Gidelma.

A estrutura da APAE

A APAE já passou por momentos com as portas fechadas. A situação financeira, como já é óbvio, pesa bastante. E as famílias lamentam uma vez que a escola de alunos excepcionais ajuda no desenvolvimento dos mesmos, como visto no exemplo das mães de Fábio e Ítalo.

O diretor da escola dos especiais nos cedeu uma entrevista, na qual esclarece alguns pontos sobre a mesma, destacando sua importância para seus alunos. Mário Sérgio dos Santos é pedagogo formado pela Faculdade Pio X e integrante da APAE há dois anos, sendo seis meses como diretor da escola.“Trabalhamos com o que chamamos de currículo funcional natural, as dificuldades que o aluno apresenta e as características de cada um. Não temos disciplinas como em um colégio convencional como português, matemática, etc. Trabalhamos com o que chamamos de AVD e AVP que quer dizer atividade da vida diária e atividade da vida prática, sempre em função do nível do aluno, aprimorando seu raciocínio lógico e motor.”

Os professores que trabalham na associação e dão estas aulas específicas são formados em pedagogia e já exercem a função há algum tempo. Alguns estagiários vêm através de uma parceira com a Secretaria Municipal de Aracaju.

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