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Saúde pública na UTI?

Posted in Saúde by micheletavares on 19/11/2009

Saiba qual a opinião de uma mãe sobre o atendimento em um hospital da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dias após o nascimento de sua filha

Fotos e entrevista por André Teixeira

A pequena Sarah dorme sob o olhar atento da mãe

Algumas manchetes recentes da mídia sergipana sobre a saúde pública: “Bêbes que morrem em Aracaju são transportados inadequadamente”, Cinform online, 27 de outubro; “Estado despreza a saúde de gente pobre”, capa do Cinform, edição de 8 a 14 de novembro; “Médica denuncia 17 mortes de recém nascidos na antiga maternidade Hildete Falcão”, chamada de reportagem veiculada em 10 de novembro, no Bom dia Sergipe 1ª edição; “Entre julho e outubro 102 crianças morrem na maternidade Hildete Falcão”, chamada de reportagem da TV Atalaia, 11 de novembro. Essas manchetes contrastam com a propaganda veiculada em algumas emissoras locais: “Aracaju, cidade da qualidade de vida”. No site da Secretaria Municipal de Saúde, 11 de novembro “Nova urgência pediátrica inicia atividades”. O Quadro de Detalhamento de Despesas da Prefeitura Municipal de Aracaju indica investimentos na Saúde de R$ 270.148.272,00.

Por que, apesar de a propaganda na TV dizer uma coisa, a imprensa diz outra? Através dessa entrevista pretendo colher a opinião da professora Greiceane, mãe de Júnior e Gabriel, dia 6 de novembro teve a pequena Sarah, atendidas na maternidade Santa Isabel,  unidade da Secretaria Municipal de Saúde.


Empautaufs - Gostaria que você se apresentasse aos leitores do Empautaufs.

Greiceane Santos – Oi, eu sou Greiceane Santos, pedagoga, tenho 34 anos.

EPUFS - É o seu primeiro parto?

GS – Não, é o terceiro filho.

EPUFS - Qual a idade deles?

GS – Junior16 anos, Gabriel 14, e dia 6 de novembro tive Sarah Gabriele.

EPUFS - Esses dois partos anteriores também foram realizados pelo Sistema Único de Saúde?

GS – O primeiro foi particular e o segundo sim, foi pelo SUS.

EPUFS – Houve muita diferença dos dois primeiros para esse seu terceiro parto?

GS – Sim. O primeiro, que foi particular, tudo correu muito bem. O segundo, apesar de ter sido pelo SUS, correu bem também. Mas esse terceiro… parece que quanto mais o tempo passa, mais o serviço de saúde pública piora, foi essa a impressão que ficou.

EPUFS - Quais as mais significativas diferenças?

GS – Atendimento, higiene. Vale ressaltar que vimos (Greiceane e outras grávidas) uma placenta sendo examinada para constatar se teria sido de um aborto provocado. Nesse período que fiquei na maternidade, em vários dos partos normais as mães se obravam e os bebês nasciam em meio as fezes, sem contar a brutalidade de algumas enfermeiras e médicos!

EPUFS – Recomendaria para as amigas o atendimento pelo sus?

GS – Nem para os meus inimigos, quem dirá aos meus amigos.

EPUFS - O que foi que mais chamou sua atenção nesse atendimento?

GS – A frieza de alguns profissionais e a insalubridade do ambiente hospitalar.

EPUFS - Sobre o trabalho dos médicos, o que você tem a dizer?

GS – A maioria estressada, sem condições nenhuma para fazer atendimento ao público, e ainda erram em seus diagnósticos, fazendo com que muitas pacientes tenham seus filhos bem depois do tempo, como o caso de uma mãe que julgava está perto dos dez meses de gestação, diagnóstico mais tarde confirmado por outro médico. A criança encontra-se na UTIN, com agua nos pulmões pois, engoliu liquido aminiotico, devido a sua gravidez ultrapassada.

EPUFS - E das enfermeiras?

GS – Elas são tratadas como “simples auxiliares de enfermagem”. Palavras de uma médica. Passam seu estresse para nós pacientes.

EPUFS - Sobre a maternidade, você faria alguma observação quanto à limpeza, conservação do prédio…?

GS – Um ambiente altamente insalubre. Algumas pacientes com quem tive contato vão para a sala de parto sem fazer a lavagem intestinal e sem fazer a tricotomia. Obras em horários inadequados para um hospital e com os operários transitando dentro do hospital com suas ferramentas de trabalho, em meio às pacientes.

EPUFS - Você relataria algum momento bom dessa experiência?

GS – Citaria dois momentos: o segundo, quando percebi que ainda existe profissional sério em meio a esse caos que é a saúde publica e, é claro, o primeiro foi o choro da minha filha quando finalmente fizeram meu parto.

EPUFS - E dos momentos ruins, qual o pior?

GS – A discussão com uma médica que me destratou assim que cheguei na sala de observação, agindo de forma discriminatória com funcionários e pacientes fazendo um verdadeiro terrorismo psicológico, dizendo que deixasse a dor e o choro atrás da porta.

EPUFS – O que você acha que poderia melhorar nesse atendimento?

GS – Uma reciclagem com toda a equipe de saúde,ou mudando a administração e fazendo com que a ouvidoria funcione de verdade.

EPUFS - O Município divulga em campanhas televisivas que Aracaju é a cidade da qualidade de vida. Essa qualidade de vida se reflete no atendimento que você teve na maternidade Santa Isabel?

GS – Não, devido a tudo que eu relatei.

EPUFS - Uma mentira ou uma meia-verdade?

GS – Uma mentira. Garanto que as esposas dos poderosos nunca passarão por isso.

EPUFS - Qual a saúde pública que você espera para sua filha?

GS – Uma saúde publica de qualidade e principalmente de respeito a vida e ao próximo.

Fragilidade aos 6 dias de nascida: delicadeza de uma pequena flor.

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