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Projeto pioneiro expõe mais uma saída para a obtenção de créditos de carbono

Posted in Ciência e Tecnologia by micheletavares on 19/12/2008

Por Nikos Eleftherios e Rafael Freire

 

Em tempos de aquecimento global e, por conseguinte, do Protocolo de Kyoto e do sistema de créditos de carbono, surge uma nova alternativa para os ditos países de terceiro mundo: a descoberta da aglomeração de carbono em formigueiros e a sua obtenção, com um caráter contributivo para o acordo.

Créditos de carbono são certificados que países envolvidos no protocolo, ou outros que queiram seguir o mesmo caminho recebem ao reduzir a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitido na atmosfera. Eles foram criados para suprir a necessidade de países que não conseguiriam cumprir as metas propostas em Kyoto, não prejudicando assim suas economias.

Existem diversas maneiras de se obter estes créditos, que podem ser vendidos para países desenvolvidos por aqueles de menor estatura. Como o Brasil ainda não precisa reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, torna-se interessante para ele a venda desses créditos para outros países.

Segundo o Jornal A Tarde (16/12/2008), nosso país está na terceira posição no ranking de países com mais Mecanismos de Desenvolvimento Limpos (MDL), com 262 projetos, ou 8% do total desenvolvido no resto do mundo. O problema é que as empresas não entendem que o mercado de créditos de carbono e a tecnologia limpa são muito lucrativos, e acabam por não investir na procura de novas formas de obtenção.

Com isso, projetos como ‘O papel ecológico das saúvas no sequestro de carbono’, do professor Leandro Souto, do Laboratório de Entomologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), não recebem a atenção necessária, e com a falta de ajuda dos empresários, tanto a pesquisa como o próprio país sofrem reveses.

Para o professor, alguns grupos de insetos, quase sempre, são vistos de forma negativa, como pragas. De certa maneira esta afirmação está correta, pois vários insetos destroem plantações e pastos mundo afora. Mas quando olhados a partir de uma outra perspectiva, principalmente as formigas saúvas da região neotropical (32°N e 33°S), percebemos que estes insetos podem ser a salvação ecológica e econômica de países nesta área.

Segundo a pesquisa do Prof. Leandro Souto, as formigas desse gênero, ao cortarem as folhas e armazená-las em câmaras subterrâneas, as envolve em um fungo cultivado por esses próprios animais. Este fungo dificulta a decomposição, fazendo com que os rejeitos vegetais continuem degradando-se e liberando carbono durante anos, até mesmo após a morte do formigueiro. Esse processo, além de melhorar a qualidade do solo (por manter grandes quantidades de material vegetal no subterrâneo) ao redor do formigueiro, sequestra grande quantidade do gás. Esse sequestro também seria responsável por ajudar a preservar a camada de ozônio.

Esquema representando o possivel papel ecológico das saúvas no seqüestro de Carbono
Esquema representando o possível papel ecológico das saúvas no seqüestro de Carbono

Segundo estimativas, se utilizarmos o preço de US$10 por tonelada de carbono (um crédito de carbono), o rejeito anual de 80 kg por sauveiro, a densidade média de 1,7 colônias por hectare, chega-se ao resultado de 68 milhões de toneladas de carbono anualmente. Isso seria 13% de todo o carbono seqüestrado pela Floresta Amazônica o que daria, em créditos de carbono, 680 milhões de dólares.

É clara a vantagem financeira e ecológica demonstrada aqui através desta pesquisa que hoje é realizada na Universidade Federal de Sergipe. “Estamos começando agora a fase de captação de recursos através da iniciativa privada, pois um projeto pioneiro como esse (já que se conheçe apenas um trabalho similar com cupins, no continente africano), merece uma atenção por parte de todos”, afirma o pesquisador e autor do projeto.

 “São necessários interesse e divulgação por parte da Universidade, para que projetos inovadores e atuais como este recebam o devido interesse público e privado, elevando o nome da instituição e dos nossos pesquisadores, e contribuindo para um melhor desenvolvimento do país, e sendo otimista, até do mundo”, conclui.

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