Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Cultura e Esporte: Sergipe e Confiança além das quatro linhas

Posted in Cidade, Cultura, Esporte by micheletavares on 20/04/2009

A importância do clássico na cultura do Estado e propostas para promover o Derby Sergipano


Por Gustavo Costa e Carlos Vitor

sergipe-e-confianca-11O que representa um concurso público para você? Pense bem: um ano de estudo, investimento de tempo e dinheiro… E o que o faria mudar de idéia minutos antes da prova? Um emprego melhor? Uma festa imperdível? Que tal uma partida de futebol? Pois foi isso que motivou o membro fundador e ex-presidente da Torcida Trovão Azul, José Paes de Santana Júnior, o Júnior Da Pista, a largar tudo e dar asas à paixão que moveu, e ainda move milhares de corações sergipanos: a espetacular disputa entre Sergipe e Confiança. As ‘pelejas’, como eram constantemente chamados os jogos, começaram há 60 anos, quando a Associação Desportiva Confiança criou seu time de futebol, 33 anos após o Club Sportivo Sergipe. De lá para cá, centenas de partidas foram realizadas e diversos problemas foram, e ainda são, enfrentados por aqueles que amam o futebol nordestino.

Para se ter uma noção do tamanho da importância do evento para a cultura sergipana, é necessário buscar dos torcedores todo o sentimento que ainda os motivam a comparecer nos estádios. Luiz Sacramento, membro há 10 anos da Torcida Trovão Azul, quando questionado sobre o que o clássico representa para ele, a resposta é enfática: ‘Tudo’. Para os clubes, até a preparação é diferente. A parte técnica é a mesma: assistir os jogos dos rivais, escolher o melhor elenco e o esquema tático para o jogo. Mas a parte emocional é exaustivamente cobrada e trabalhada pelos técnicos. Em partidas como esta, não importa o lugar na tabela, mas a vitória sobre o rival. Para alguns, muitas vezes até o título merece menos importância que o clássico. “Ganhar o Campeonato Sergipano é muito bom, mas ganhar do nosso maior rival tem um gostinho especial”, declara Rafael Tavares, torcedor fanático do Confiança.

Apesar de toda a tradição que este clássico tem na cultura sergipana, muitos problemas existem por trás da sua administração e divulgação. Segundo Anderson Machado, assessor de comunicação do Confiança o maior problema enfrentado hoje, é a violência. Mas para ele, o problema não se restringe aos torcedores. “É necessário também uma reforma no Ministério Público, onde o torcedor infrator seja banido dos jogos do seu clube e seja obrigado a prestar serviços à comunidade”, sugere.


A segurança nos estádios


Para este problema, a Polícia Militar do Estado de Sergipe tem tomado medidas como dialogar com as lideranças das torcidas organizadas e cadastrar todos os membros da Torcida Trovão Azul (TTA), Torcida Jovem do Confiança (TJC) e Torcida Esquadrão Colorado (TEC), tudo isso afim de mapear a movimentação dessas torcidas em dias de clássico e de facilitar a identificação daqueles que venham a cometer infrações nos dias de jogo. “Uma coisa eu posso afirmar: a segurança dos clássicos é feita de maneira diferenciada”, afirma o Tenente-Coronel Blauner dos Santos.

sergipe-e-confianca-2Além disso, de duas a três horas antes do início das partidas, cerca de 300 policiais (número aproximadamente três vezes maior que nos dias de jogos comuns) são recrutados para fazerem a segurança nos pontos considerados de maior risco, como os terminais de integração, dentre eles Maracaju, Mercado, Centro, Rodoviária Nova e próximo à rótula do bairro Soledade. Outra recente medida adotada pela polícia, é a solicitação de que os torcedores não se desloquem à pé, e sim de ônibus que vão escoltados por carros da PM.

Durante as partidas, todo o contingente é deslocado para o campo, onde é feito a vistoria de todos os pertences dos torcedores e ronda pelas arquibancadas. Segundo os dados do Major Elisel Rodrigues, chefe de Operações da CPMC, as ocorrências dentro do estádio estão diminuindo gradativamente e quando surgem, são contidas com extrema rapidez. O problema, porém, não acontece nos 90 minutos de espetáculo, mas antes e depois dos jogos. “Diminui dentro [dos estádios] e aumenta fora”, revela o Major.

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Se isso ainda acontece, é porque alguma medida não está funcionando como esperado, ou ainda é preciso pensar outras alternativas. Para a torcida, a ação da polícia muitas vezes é feita de forma extremamente violenta o que tem forte influência no agravamento dos conflitos. Talvez haja necessidade da parte de todos que sejam feitas mais atividades como a da noite de quarta-feira, dia 8 de abril, onde membros das torcidas organizadas desfilaram juntos pelo gramado pedindo paz e da arrecadação de alimentos feita pelo Grêmio Recreativo Esportivo e Cultural  da Torcida Organizada Trovão Azul para as vítimas da seca.

Mas este não é o único problema enfrentado no Estado. O problema da divulgação e do enfoque do evento na mídia também é apontado como fator para a perda de credibilidade do futebol sergipano. Para o Campeonato Sergipano, duas emissoras disputaram os direitos da transmissões dos jogos, a TV Sergipe e a Aperipê TV, sendo que a última venceu a corrida e garantiu uma quantia próxima a R$ 30 mil ao Confiança, Itabaiana e Sergipe, e aproximadamente a metade aos outros clubes. Uma ajuda de custo que num campeonato paulista chegaria à cifra dos milhões.


Futebol x Mídia


Com a exclusividade dos jogos, a transmissão passou a atingir todo o estado, um erro que faz com que todos os torcedores da capital Aracaju, se acomodem nos sofás de suas casas e esvaziem as arquibancadas do Estádio Estadual Lourival Baptista, o Batistão.

Já os problemas de divulgação, sofrem influência da administração da Federação Sergipana de Futebol (FSF). Segundo pesquisa realizada em janeiro de 2005, divulgada no site da Federação, mostra que em Aracaju, 66,9% da população acha que deveria haver uma mudança nos horários dos jogos para não coincidirem com os televisionados. Essa opinião, ainda é maioria entre os entrevistados. “Infelizmente Sergipe ainda tem uma cultura de supervalorizar o sul e o sudeste, por isso a mudança de horário para não coincidirem os jogos é uma boa alternativa”, acredita Luiz Sacramento.

derbysergipe-e-confianca-4O que persiste, no entanto, ainda é a concorrência no dia e horário com outros clássicos como Flamengo e Botafogo, Corinthians e São Paulo, a exemplo do que ocorreu no embate do dia 15 de fevereiro deste ano entre Sergipe e Confiança. Os incentivos que existem por parte da Federação são sorteios de carros durante os jogos, mas ainda não são suficientes. Algo que dá certo e impressionou o assessor de Marketing do Confiança, Felipe Araújo, é a estratégia cearense de exibir propagandas na televisão convidando os torcedores a comparecerem aos jogos do campeonato Estadual.

Talvez para os problemas administrativos, principalmente voltados para o marketing, seriam resolvidos com uma pitada de ousadia da Federação e dos Clubes. A exemplo do que aconteceu em São Paulo, onde Corinthians e Palmeiras fizeram um acordo para promover o ‘Derby Paulista’. A negociação tem por objetivo o aumento da renda por jogo e a celebração da ‘rivalidade saudável’, mostrando que apesar de rivais, os clubes não são inimigos. Esta proposta é vista com bons olhos por todos aqueles que crêem no futebol, como uma forma de lazer, muitas vezes até superando o status de esporte, e se tornando até obra-de-arte. Para o Tenente-Coronel Blauner, o exemplo dos clubes paulistas é algo que deveria ser seguido. “Se num contexto muito mais amplo e complexo que é a sociedade de São Paulo, deu certo, aqui com certeza seria válido.”

A única forma de negociação que havia entre os Clubes antigamente, era o pagamento de 200 ingressos do clube mandante ao time adversário. Hoje, infelizmente, nenhuma forma de negociação existe mais. O que restou foi uma carência no Estado de visão de marketing. Tudo isso, sem contar com a falta de estrutura física que ainda impera sobre os estádios. E no clássico que desde de 1968 contabiliza, numa estatística obscura e má catalogada, mais empates do que vitórias, quem merece os aplausos são aqueles torcedores que ainda vão aos estádios, contribuir para a celebração da paz e da rivalidade saudável, afim de realizar uma bela festa, apesar de todas as dificuldades de estrutura física, administração e segurança.

Está Servido?

Posted in UFS by micheletavares on 20/04/2009

Durante uma semana, a equipe de reportagem do Empautaufs acompanha produção no Resun e apresenta como funciona o setor

Por Juacy Júnior e Pedro Ivo

Distribuição da refeição no Resun (Por Juacy Júnior)

Distribuição da refeição no Resun (Por Juacy Júnior)

Quando o assunto é alimentação na Universidade Federal de Sergipe, a resposta parece unânime: o Restaurante Universitário (Resun) é o último lugar onde seus estudantes preferem comer, segundo enquete disponível no site de relacionamento Orkut. Entretanto, quem busca alimentar-se em outro lugar que não seja o Resun, precisa desembolsar um quantia no mínimo 5 vezes maior. Os restaurantes fora do Campus servem comida ao custo médio de R$ 6 (prato feito) e um lanche simples também dentro da Universidade sai acima do valor cobrado pelo Restaurante Universitário: apenas R$ 1.

E, mesmo com suas imensas filas, ambiente pouco agradável e refeições nada apetitosas, o Resun esforça-se para manter-se aberto. Construído em 1980, através de verbas do antigo Ministério da Educação e da Cultura (MEC), este era um projeto do Governo Federal que visava ajudar aqueles estudantes que possuíam baixa renda, oferecendo-lhes alimentação a um baixo preço. Porém, hoje, o Resun funciona numa ‘legalidade ilegal’, como define o secretário do local, Antônio Reis Andrade, pois desde que Fernando Collor de Melo engavetou o projeto no inicio dos anos 90 é a própria universidade que custea os gastos na manutenção do Resun, estando aos cuidados da a Pro-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proest), já que este não se mantém com o que arrecada mensalmente.  

 

 

 Mão na Massa (por Juacy Júnior)

 

Mão na Massa (Por Juacy Júnior)

Mão na Massa (Por Juacy Júnior)

 O 1º turno das pessoas que trabalham na produção das refeições no Resun começa às 6 e termina  às 14 horas. Já o 2º turno tem seu inicio às 12 e vai até as 20 horas. Estes funcionários enfrentam uma batalha diária para a produção de um almoço estimado para 1000 pessoas e um jantar para 500 pessoas. Para o cozinheiro Manoel Messias de Andrade apesar da correria, o trabalho é prazeroso, o problema mesmo é a falta de pessoal pra ajudar na preparação. Atualmente, no quadro de funcionários do Resun constam 29 nomes, deste quais 9 trabalham na administração e os outros 20 trabalham na produção, o que já seria um número bastante limitado para dar conta da demanda existente.

Mas o que preocupa mesmo é número real de funcionários que exercem suas atividades, apenas sete, pois dested 20 existentes na folha salarial, 10 estão requerendo sua aposentadoria e outros 11 possuem restrições médicas. Outro dado alarmante é que não existe nenhum nutricionista compondo o quadro de funcionários que oriente os cozinheiros na produção do alimento, e que estabeleça um carpádio com valores nutricionais adequados. Entretanto, este acompanhamento é feito de forma voluntária por uma professora de Nutrição, que não quis comentar o fato.

Para a preparação de tantas refeições, é utilizado equipamentos de ponta… Correto? Errado! Apesar da grande quantidade de alimentos utilizados, os panelões já passaram da hora de serem trocados, assim como o equipamento que faz a limpeza das bandejas usadas pelas pessoas que freqüentam o local. Este é todo sucateado e não funciona da maneira correta colocando em risco seu operador. 

Equipe de cozinheiros do Resun (por Juacy Júnior)

Equipe de cozinheiros do Resun (por Juacy Júnior)

A limpeza do refeitório do Resun é feita por uma empresa terceirizada, que também cuida de diversos outros setores do campus, e recebe R$ 560 mil anuais. Já dentro da cozinha, são os próprios funcionários encarregados de toda arrumação, inclusive das bandejas, panelões e talheres. Porém, eles não possuem material adequado para exercer esta função, fazendo um serviço insuficiente e limitado, como José Augusto relata: “O risco de uma queimadura é muito grande já que máquina não esquenta a água e sou eu quem a todo instante abastece com água fervendo, além disso meus braços ficam muito cansados por que a esteira não puxa a bandejas sou eu quem as empurras para dentro da máquina”. Além disto, o pessoal que trabalha na produção não utiliza os equipamentos de segurança, ocorrendo algumas vezes acidentes, em sua maioria queimaduras. A máquina que faz a esterilização dos talheres está quebrada a algum tempo, sendo portanto manual a limpeza dos talheres.

Hora de Reforma

resun-curiosidadesA última reforma feita no Resun aconteceu em janeiro de 2008, porém problemas estruturais já desapontam no local. Há uma parte na entrada do refeitório que falta uma parte do piso, além de alguns ventiladores quebrados, e uma outra área interditada. Na cozinha é preciso modernizar as caixas de gordura, além de reparos hidráulicos e elétricos. Prometida para o mês de julho deste ano, a próxima reforma no Restaurantese concentrará na cozinha e inclui a troca de algumas máquinas e reparos nos problemas estruturais citados. Alguns equipamentos inclusive já foram adquiridos, mas esperam apenas a modernização do local para serem utilizados.

Embora não haja separação nas contas do Restaurante Universitário, os gastos mensais são exorbitantes, folha salarial, limpeza, contas de luz e água, gás, compra de alimentos, fazem com que se eleve os gastos. Uma prova disso é o déficit causado apenas pelos gastos com as refeições servidas em 2008. O custo foi registrado acima de R$ 500 mil e a arrecadação foi de apenas R$ 162.410 deixando a balança no déficit de pouco mais de R$ 375 mil. Segundo informações da Proest, a verba destinada ao Resun é custeada pela própria UFS, que faz o repasse das verbas enviadas pelo Governo Federal.

Antes do ‘rango’

 

 

 

Filas para o almoço (por Juacy Júnior)

Filas para o almoço (por Juacy Júnior)

Para as pessoas que freqüentam o Resun é necessário antes de tudo muito paciência, para adentrar no local é preciso encarar três filas: uma para comprar o ticket, outra para deixar seus livros no guarda-volume e por fim a fila de entrada no refeitório. Para o operador do caixa, Serafim, as filas poderiam ser diminuídas se as pessoas comprassem os ticket com antecedência ou se fizessem grandes recargas para evitar todos os dias essas mesmas filas. “Além disso, um dos caixas está quebrado e isto causa o aumento das filas. Um novo aparelho custa em torno de R$ 2000”, relata.

E, como é proibido entrar no refeitório com bolsas, livros ou outros materiais, antes de entrar no refeitorio o aluno se desloca em direção ao guarda-volumes. As pessoas responsáveis, são os próprios estudantes que são escolhidos pela Proest, de acordo com a comprovação de renda. Estes estudantes recebem bolsas de R$ 250 e trabalham 4 horas diárias. 

Cabe ressaltar que o espaço do Resun é utilizado também para  promover encontros, palestras, debates e shows. Possui sonorização ambiente que transmite a programação de Rádio UFS. É um dos espaços preferidos do Campus para os acadêmicos, como afirma Ramon estudante de Odontologia: “O  Resun é um lugar mais calmo dá para relaxar, conversar e paquerar um pouco”. 

Restaurantes Universitários no Brasil

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Festival de bandas cover rouba a cena em Sergipe

Posted in Cidade, Cultura by micheletavares on 19/04/2009
   

Criado em 2006 e já em sua quarta edição, o Coverama se torna o principal evento alternativo do estado

Por Geilson dos Santos e Jade Libório

O Coverama nasce em 2006 com o intuito de resgatar o público alternativo de Sergipe que havia perdido o interesse por outros eventos como o Punka e Sonorama, eventos que também eram alternativos mas contavam com bandas autorais, inclusive vindas de outros estados. Porém esses festivais fracassaram por carência de público. Com sua proposta diferenciada, dando espaço para bandas novas, o Coverama ganhou a credibilidade de seu público e entrou para o calendário musical do estado. 

 Em suas últimas três edições o evento reuniu mais de 200 bandas e mais de mil músicos inscritos. Se o intuito de resgatar o público alternativo foi alcançado não sabemos de fato, porém o Coverama em suas ultima edições já registrou mais de 25mil espectadores em suas 15 eliminatórias e tornou-se o mais querido evento de Sergipe, como comprova a enquête realizada pela Infonet no final de 2008:

 

: Qual desses eventos é o melhor em sua opinião? Fonte: Infonet – Dez/2008

Enquete: Qual desses eventos é o melhor em sua opinião? Fonte: Infonet – Dez/2008

 

A inscrição para as bandas é gratuita, basta mandar um áudio para avaliação. Nessa fase de eliminatória cabe apenas à produção selecionar os melhores áudios e assim escolher as bandas que competirão pelo gosto dos espectadores no festival. A partir daí as bandas cover passam por uma série de eliminatórias nas quais o voto do público que irá decidir as melhores bandas da noite que passarão para a próxima fase e assim por diante. As bandas finalistas concorrerão a um prêmio de R$ 5mil e a 30 horas de gravação em estúdio.

 

Perfil do público do Coverama

 

O público do Coverama em sua maioria é formado por fãs que não têm oportunidade de ir a apresentações de suas bandas favoritas, já que nosso estado é carente em shows alternativos. Então o público aposta nas interpretações das bandas cover locais. Porém uma parte do publico alternativo do estado, que não se identifica com o festival, alegou que o Coverama está acabando com o cenário alternativo do estado induzindo as bandas a se formarem apenas para fazer cover.

 

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Quanto tempo resta para o RESUN?

Posted in UFS by micheletavares on 16/04/2009
 
RESUN - UFS (Por Eduardo Barreto)
RESUN – UFS (Por Eduardo Barreto)

Construído em 1980, o Restaurante Universitário da Universidade Federal de Sergipe (RESUN), passa por um momento bastante crítico, apesar de ter passado por duas pequenas reformas: em Novembro/1998 e Janeiro/2008

 

Por Barbara Mendes e Eduardo Barreto

 

“O Resun não foge à regra dos restaurantes universitários, não vai durar mais que cinco anos”. A declaração do diretor do restaurante, Jenisson Ribeiro, confirma a atual situação do estabelecimento, a lista de dificuldades destacada pelo presidente  percorre desde a estrutura física até o quadro de funcionários do Resun, que hoje são28 efetivos e apenas um contratado, o restaurante só funciona com apenas 30% do seu efetivo necessário, tendo em vista que muitos deles se aposentaram ou faleceram, nem por isso foi aberto concurso público para o preenchimento dessa lacuna.

 

Em Novembro de 1998, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, foi decretado que não houvesse mais concurso público para trabalhar nos restaurantes universitários. A carência dessa mão-de-obra acarreta no desvio de função de alguns deles: “os cargos de servente foram extintos e agora só existem administrativos, por conta disso, semana passada, na cozinha, Jenisson e eu, tivemos que enxugar bandeja porque faltaram dois funcionários”, lamenta Osvaldo Santos, coordenador financeiro do restaurante.   Jenisson Ribeiro, diretor do Resun 

 
Outros problemas pertinentes são o sucateamento dos utensílios e estrutura física da cozinha. “Os equipamentos estão danificados e caixa de esgoto entope com freqüência”, afirma o coordenador se referindo à máquina que lava os bandejões e à rede de esgoto que passa ao meio da cozinha, a qual não possui um isolamento e com isso o mal cheiro se confunde com o do preparo dos alimentos. Entretanto, apesar da precariedade na estrutura, os funcionários tem zelado pela higiene e limpeza do recinto e dos alimentos. Ainda segundo Osvaldo se continuar do jeito que está a previsão é terceirizar o Resun, porém o preço cobrado pela alimentação será diferente do que é hoje.

 

Jenisson Ribeiro, diretor do Resun

Jenisson Ribeiro, diretor do Resun

 

Custo x Benefício

O valor de R$ 1 cobrado pela refeição é apenas simbólico, como afirma Osvaldo: “O dinheiro pago pelos estudantes na refeição não dá para pagar a farinha que eles comem”. A condição financeira do RESUN é outro problema alicerçado desde a sua implantação, pois sempre tem trabalho no ‘vermelho’, o valor arrecadado pela venda dos tickets aos alunos, funcionários, docentes e visitantes da universidade é depositado diretamente na conta da União e também é feita uma planilha com todo custo. Desde decreto de 1998, não existe repasse por parte do governo que beneficie o restaurante, “o dinheiro arrecadado é retirado do custeio da universidade, são ‘sobras’ de outros setores da instituição. Os estudantes reclamam, mas não sabem das dificuldades que passamos para manter o estabelecimento na ativa”, contesta Osvaldo.

 
Tabela de Custo (Fonte: Resun/UFS)

Tabela de Custo (Fonte: Resun/UFS)

Osvaldo Santos, coordenador financeiro

Osvaldo Santos, coordenador financeiro

 Futuro Incerto

 

“O Resun não acabou por uma questão política, nenhum reitor gostaria de ser responsável pela extinção do mesmo em sua gestão e se o dinheiro pago pelos estudantes fosse investido no restaurante seria ótimo, pois teria um algum retorno para o pagamento dos custos”, ressalva Jenisson.

 

A próxima reforma será na aérea da cozinha e está prevista para o segundo semestre de 2009. “A gente passa horas e horas na fila para poder almoçar, eles deveriam colocar outra catraca”, reclama Daniele Menezes, estudante de Artes Visuais. Respondendo a indagação da aluna, Osvaldo diz que foi solicitado ao Pro – Reitor, a compra de outro leitor de cartão, para que assim diminua o tempo de espera nas filas, tanto de compra como de acesso ao restaurante. Entretanto ainda existe uma incerteza com relação à ‘vida útil’ do Resun, uma vez que ao mesmo tempo em que a universidade não possui condições de mante-lo aberto, busca-se recursos financeiros para realizar reformas.

 

 

 

Bem vindo Audiovisual

Posted in Cultura, Extensão, UFS by micheletavares on 15/04/2009

A expectativa da mudança do curso de Radialismo para Audiovisual no Mercado de Trabalho Sergipano.

 Por Marta Olívia e Andreza Lisboa

Entrada do Núcleo Digital Orlando Vieira por Marta Olívia

Entrada do Núcleo Digital Orlando Vieira por Marta Olívia

 

Acolhendo a solicitação do Programa de Apoio a Planos de  Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), alguns cursos tiveram sua grade modificada e outros simplesmente foram substituídos nos últimos anos no Brasil. Esse é o caso do curso de Comunicação Social com habilitação em Radialismo, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) que foi substituído pelo curso de Audiovisual.

Dentro desse panorama está a extinção do curso de Radialismo em virtude da criação do curso de Audiovisual que surge da idéia de acompanhar as novas tendências nacionais sentidas nas grandes universidades do Brasil. Liderada pela Universidade Federal de São Paulo (USP) a mudança do perfil da habilitação em Radialismo tem como foco alcançar as produções, da qual é chamada hoje mundialmente de Novas Mídias. Diante dessa perspectiva, essa mudança da habilitação contemplaria então as diversas mídias e gêneros agora existentes: cinema digital, televisão de alta-definição, TVs educativas e comunitárias, rádios on-line, educação a distancia, divulgação científica, comunicação institucional, dispositivos móveis de comunicação, Internet 2, Telemedicina.

Esse projeto de mudança do perfil do Radialismo para audiovisual desencadeou diversas pesquisas e estudos. Baseado no plano de diretrizes curriculares aprovado pelo Ministério da Educação (MEC) e nas grades de todas as universidades que possuem o curso de audiovisual no país, esse novo perfil foi criado de acordo com a realidade estrutural e as necessidades da UFS, mas foi centrada principalmente em duas grandes universidades, a Universidade Federal de Brasília (UNB) e a USP. Mesmo levando em consideração todas as dificuldades da instituição, a grade tem como “espinha dorsal”, disciplinas práticas e teóricas desenvolvidas com sucesso nestas instituições diante do mercado de trabalho nacional.

De acordo com professora do Departamento de Comunicação Social da UFS, Lílian França, a grade curricular da UFS está bem planejada e articulada com as demais instituições. “A hora é muito boa para se trabalhar na área de audiovisual em todo território brasileiro, principalmente no estado de Sergipe, onde tem apresentado um crescimento muito significativo nas produções independentes”, defende. Além disso, Lílian também ressalta a necessidade de criação de um mercado local para o audiovisual. “A produção do estado em audiovisual é muito boa e o mercado vem se mostrando bastante amplo e necessitado de profissional com determinadas especialidades na área”, comenta.

A mudança…

O perfil do curso de Radialismo foi mudado  justamente

Professor Jean Fábio Borba por Andreza Lisboa
Professor Jean Fábio Borba por Andreza Lisboa

para alcançar diversas áreas que estavam sendo desenvolvidas em outras entidades, e que o curso de Radialismo não tinha condições de contemplar. Mas como toda mudança, essa implantação de novos cursos deixou várias indagações. Uma delas se estabelece em relação à produção. O curso de audiovisual é voltado para a produção midiática, isto é, qualquer tipo de produção feita com aparelhagem tecnológica, de pequeno a grande porte, com objetivo de veicular mensagens simbólicas como forma de comunicação.

Mas será que a Universidade Federal de Sergipe está preparada para receber a demanda de novos alunos ávidos para ingressar no mercado e na dinâmica da produção audiovisual? Segundo um dos professores responsáveis pela criação do novo curso, Jean Fábio Borba, os alunos terão muitas dificuldades e uma delas, será a falta de estrutura tecnológica. “A expectativa no sentido do que o aluno pode esperar do curso, vai esbarrar na questão da distribuição das disciplinas entre o quadro de professores e da falta dos equipamentos. Existe um projeto de licitação para adquirir novos materiais, mas por enquanto nós estamos brigando por esses equipamentos”, declarou o professor.

Embora a fundação dos novos cursos no Departamento de Comunicação Social da UFS tenha sido vinculada e extraída a partir da existência de um complexo de comunicação, a falta dele implicará certamente na formação dos alunos. A formanda da turma de 2009/1 do curso de Radialismo, Camila Araújo, relata que faltou um maior aparato tecnológico e que isso condenou a possibilidade de aprimorar seus estudos e a técnica da profissão. “De fato, é uma mudança de curso interessante, tendo pontos positivos e negativos. Minha formação acadêmica, por exemplo, não foi horrível, mas poderia ter sido melhor, levando em consideração a não atuação desse complexo’, comenta.

Prováveis parcerias

Coordenadora do NPDOV Maíra Ezequiel por Marta Olívia

Coordenadora do NPDOV Maíra Ezequiel por Marta Olívia

No meio desse cenário da comunicação aqui em Sergipe, podem-se notar algumas contradições. Em 2006, foi criado o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira (NPDOV), integrado à Rede Olhar Brasil, fundado em parceria com a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e com a Prefeitura Municipal de Aracaju, a fim de apoiar a produção independente local. O núcleo é uma das 11 unidades em todo o País que integra o Programa Rede Olhar Brasil, do Governo Federal. O mesmo disponibiliza cursos de formação e capacitação em audiovisual, oficinas, cineclubes, mostras, fórum, workshops, dentre outros.  Salas de aula, DVDteca, ilha de edição de vídeo, ilha de edição de áudio, laboratório de fotografia e sala para preparação de atores e vivência, compreendendo a estrutura física do local.

Por se tratar de um estabelecimento público, o núcleo digital possibilita que pessoas interessadas e com certo conhecimento da área desenvolvam lá os seus projetos. Para a coordenadora pedagógica do NPDOV, Maíra Ezequiel, o núcleo é um lugar de fomento à tímida produção local. “A demanda que já existe demonstra que as pessoas têm vontade de fazer e produzir cada vez mais”, diz Maíra. Então, levando em consideração a ausência de um complexo de comunicação dentro da UFS, por que a universidade ainda não sinalizou nenhum interesse em buscar parceria com o NPDOV, uma vez que este também se trata de um investimento do Governo Federal?

Cabe ressaltar que outras parcerias já foram negociadas

Laboratório do FREMIR na UFS por Andreza Lisboa
Laboratório do FREMIR na UFS por Andreza Lisboa

com a UFS, a exemplo do canal de televisão da Rede Aperipê (do Governo do Estado) e o canal a cabo TV Caju. Além disso, existe uma clara tentativa de amenização da falta desse complexo na UFS com projetos desenvolvidos dentro da instituição, a exemplo do FREMIR, um projeto semindependente de animação produzido por alguns alunos da própria universidade.

Mas qual o motivo de ainda não ter sido feita uma união entre essas duas instituições, já que o núcleo é um espaço aberto para a busca de estudo e criação nessa área?

O núcleo de produção digital serviria como laboratório para esses alunos tão necessitados de um aparato tecnológico. “Tudo aqui é público. O espaço possui cinco ilhas MAC toda equipada, a melhor estação de edição, sem burocracia nenhuma A única burocracia é que traga um simples oficio pedindo a utilização”, explica Maíra. E, acrescenta: “Para quem precisa de áudio, tem sete ilhas MAC também em outro local, o máximo que vai precisar mostrar é que sabe usar os aparelhos”.

Não existem, ainda, turmas formadas em audiovisual no Estado, o que existe é uma demanda de profissionais independentes, ‘amadores’ e alguns profissionais especializados vindos de fora do Estado, atuando hoje no mercado de trabalho sergipano.

A idéia de que a universidade seja um local de troca e aperfeiçoamento de conhecimento, pode estar um pouco ultrapassada, mas é necessário buscar sempre fontes extras curriculares para suprir algumas necessidades surgidas no caminho da formação profissional. A grande sacada do momento é buscar fontes alternativas de conhecimento, ser criativo e ‘ficar de olho’ nas novas tendências de mercado e de aperfeiçoamento. Fica ai a dica!

 

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O REUNI é um programa do governo federal no qual tem um investimento de R$ 64 milhões para custeio com manutenção, pessoal, funções gratificadas e cargos de direção e, ainda, investimento de R$ 81 milhões em novas obras, recuperações e equipamentos, além da contratação de 344 novos professores e 447 servidores técnico-administrativos em todas as universidades brasileiras. É um projeto para ser executado no período de 2008 -2012 e que estabelece também a criação de novos cursos e novas assistências pedagógicas para todo o sistema acadêmico brasileiro.

Artesãos ou Neo-Hippies?

Posted in Cultura, História by micheletavares on 14/04/2009
 
 

Como se autodenominam  pessoas que seguem o estilo de vida propagado pelos Hippies

Por Thayza Darlen Machado

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Através do movimento underground da contracultura eles destruíram inúmeras barreiras morais e ditaram regras que hoje fazem parte da cultura ocidental. Passados quase 50 anos desde que se tem idéia dos primeiros filetes de jovens indignados com o estilo de vida fomentado pelo sistema econômico e social da época, é comum a afirmação de que os hippies não existem mais e de que a sua ideologia se diluiu no tempo.

Datam-se os anos 50 como o marco de origem das iniciativas que posteriormente formaram o movimento. É quando a geração beatnick, jovens rebeldes, contagiados pelo orientalismo, e embalados pelo som do rock and roll,  ‘acorda’ para o condicionamento repressivo que a cultura capitalista propaga. Mas é mesmo durante a década de 60 que os hippies se firmam como grupo revolucionário. Seus adeptos: uma população jovem, de classe média, fruto do baby boom do pós-guerra.

Uma observação pouco acurada do que representou o movimento pode levar a afirmação precipitada de que aqueles jovens eram simplesmente crianças inocentes cheias de ideais utópicos que só pensavam em drogas e sexo. Por outro lado, uma análise aprofundada recairia na compreensão de que aquelas crianças inocentes, que adoravam o sexo e a droga, conseguiram abrir os olhos de toda uma geração através dos seus ideais utópicos. Essa perspectiva é muito bem explicitada nas palavras de Martin Lee, no documentário “Hippies”, produzido pelo canal fechado History Channel: “Havia um tipo de ‘experimento da orgia’ que ia além das drogas e do sexo. Era um experimento sobre um estilo de vida: experimentos em arte, expressão política – como expressar desaprovação pela política governamental, fosse pela guerra do Vietnã ou qualquer outra coisa”.

 

hippies-2-reduzido2Ainda segundo o vídeo, é em 21 de janeiro de 1966 em São Francisco, mais especificamente na rua Haight Ashbury, com a realização de um famoso festival financiado pela mídia, O The Trip’s Festival, que os hippies começam a se organizar em comunidades e chamar a atenção da mídia. Através desse espetáculo o LSD (ácido lisérgico) ganha popularidade e transforma-se no guia de libertação e expansão mental desses jovens. O psicodelismo torna-se característica particular do grupo. As sensações de efeito visual distorcido e do aguçamento das cores provocadas pela droga influenciaram a arte, a música e a concepção de mundo dos hippies. Além disso, como explica o escritor Peter Coyote, “para muitos, a droga era um meio de transcender, de nos fazer ir mais longe do que imaginamos ser capazes. De tentar fazer uma sociedade mais humana e aprazível”.

 

No Brasil, quando da mais intensa propagação dos ideais disseminados pelos hippies, estávamos já sob o domínio do Regime Militar. O veículo mais expressivo que deu voz ao movimento de contracultura foi o jornal O Pasquim, na coluna Underground, escrita por Luiz Carlos Maciel, de 1969 a 1971. Nela o jornalista apresentava artigos e análises sobre os acontecimentos mundiais que propagavam a contracultura. Porém, a parte majoritária do jornal, adepta de uma esquerda tradicional, não compactuava dos mesmos interesses do jornalista em relação ao tema, o que desencadeou a saída do mesmo em 1971.

Foi nessa mesma década de 70 que o cantor John Lennon anunciou o fim do “sonho”. Atualmente acredita-se que a filosofia hippie se esvaeceu. Que, como cita Claudio Prado, presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, em entrevista à jornalista Flávia Pardini: “Desapareceu o hippie de calça rasgada, porque a calça rasgada agora está na boutique”. Enaltecendo a apropriação da vestimenta e estilo hippies pela indústria da moda.

Remanescentes ou  afeiçoados?

Mas, se os hippies não existem mais, o que são aquelas pessoas que ganham a vida vendendo artesanato? Na maioria das vezes, eles se autodenominam artesãos, levam vida parcialmente alternativa, compactuam com a tecnologia e estão sempre atentos à manipulação do sistema. É o que explica o artesão Rodrigo Mago: “As pessoas vê a gente assim de cabelo grande e diz ‘olhe lá, um hippie!’.Eu não sou hippie. Eu não tenho dinheiro, nem uma Combi toda pintada. Eu vendo arte, vivo disso. Os hippies lá daquele tempo eram tudo cheio da grana. No festival lá de Woodstock os cantores mais famosos foram contratados com grana alta; eles bancavam tudo”. Na opinião de Rodrigo, os hippies da década de 60 eram jovens ricos que saíam de casa com seus carros coloridos. E que tão logo se desiludiam com o movimento, retornavam ao aconchego dos seus lares.

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Rodrigo Mago na praça Fausto Cardoso - Centro de Aracaju

Rodrigo começou a questionar-se sobre as imposições da sociedade ainda aos seis anos de idade, quando o seu pai lhe dizia que ele deveria cortar o cabelo porque assim deveriam fazer os homens. “Eu gostava do meu cabelo grande. Se a natureza deixava o meu cabelo crescer mesmo eu sendo homem, então eu não tinha que cortar”.  O seu primeiro contato com hippies deu-se entre os seis e sete anos, na Praça da Catedral, onde a mãe o deixava numa oficina de pintura para poder ir trabalhar: “eu ficava olhando aquele povo do cabelo grande, assim feito o meu. Mas, eu tinha medo de me aproximar. Um dia eu mostrei eles a minha mãe e ela me levou lá e comprou uma pulseira pra mim”, conta.  Rodrigo, hoje com 29 anos, saiu de casa aos 15 e mora na Chapada Diamantina. Acredita que a tecnologia pode ser uma grande aliada para encurtar as distâncias. “A internet é massa, permite que você fale com um monte de gente distante. Eu posso conversar com uma amiga minha lá do estrangeiro. Eu não posso fugir do sistema, eu só tenho que ter consciência do que ele quer de mim de verdade, e fazer com que eu use o que ele me oferece pra poder ferir ele”, defende.

 Outro caso bastante singular é o de Eduardo. Com o seu sorriso leve, barbicha alongada e discurso pacifista, há nove anos leva vida nômade. Habitou países como Bolívia, Peru, Argentina e, atualmente, o Brasil. Não fosse pelos traços andinos, cabelo negro e liso que teima em permanecer ajustado, e a sua posição decidida ao afirmar a morte da ideologia colorida, ele poderia ser encarado como um dos raros remanescentes da tribo revolucionária dos anos 60. Mas, é enfática a sua posição de que hippies não existem mais. “Aquela pureza, aquele amor de antes, não existe mais. As pessoas não miram mais as outras nos olhos. Não há comunidades vivendo em harmonia como houve naqueles tempos”, desabafa.

Por sua vez, o hippie Adriel acredita que os lendários hippies ainda existem. “Mesmo sendo poucos eles existem. Se você vive de arte, não tem uma casa pra morar, acha que a droga ajuda você a abrir a mente, quer um mundo de paz e amor, você é hippie. Eu sou hippie”, comenta.

Se existem ou não, hippies espalhados pelo mundo que compactuam com os mesmos ideais erigidos pelos jovens da década de sessenta, parece ser uma questão de ponto de vista. É fato, porém, que o movimento balançou e destruiu vários dos códigos culturais solidamente construídos pela velha cultura. E suas influências foram ainda mais além. Segundo professor e escritor americano, Stanford Fred Turner, em entrevista à Folha de São Paulo, os hippies, unificados na pessoa de Stewart Brant, tiveram grande influência na construção do modelo de internet: “Vamos imaginar a região de San Francisco em 1971, 1972. A era dos hippies, do rock and roll havia passado e San Francisco era o centro disso. O pessoal do computador, na época, estava fora da contracultura. Eles não eram “os bacanas”. Uma vez perguntei a um deles por que se aproximou de Brand. ‘Porque Stewart Brand arrumava namoradas’, comenta. Assim, Brand e a contracultura trouxeram um valor social que eles não tinham. Queriam ser legais, arrumar namoradas, ter estilo. Mais tarde, no início dos anos 80, quando a contracultura já havia morrido, pessoas como Brand se voltaram para os pesquisadores em computação -que passaram, então, a ser as pessoas “bacanas”- e os ajudaram a recuperar seu status cultural. 

Semana da água: uma tímida mobilização da sociedade

Posted in Cidade by micheletavares on 14/04/2009
 

João Carlos Santos da Rocha por Daniele Melo

João Carlos Santos da Rocha por Daniele Melo

O evento que deveria mobilizar toda uma sociedade ficou reduzido à participação de especialistas da área

Por Daniele Melo e Bianca Oliveira

“Desde 97 quando foi criada a Superintendência dos Recursos Hídricos, a gente vem organizando esse dia da água, que passou agora a ser a ‘Semana da Água’. Era importante que fosse um mês, um ano, que fosse sempre, mas pelo menos a gente conseguiu ampliar esse debate”. Alertou João Carlos Santos da Rocha, integrante da comissão organizadora durante o II Encontro de Recursos Hídricos, na última quinta-feira 26 de março, realizado no auditório da Embrapa.

 

O Encontro é um evento integrante da ‘Semana da Água’ no nosso estado e tem por objetivo ampliar as discussões sobre a água junto às ONGs, aos estudantes, às pessoas com projetos e trabalhos na área de recursos hídricos, estudiosos e a sociedade em geral. A Assembléia Geral das Nações Unidas instituiu em 1993, o dia 22 de março para a comemoração do “Dia Mundial das Águas”. O objetivo é alertar a sociedade em geral, pois as previsões não são as mais otimistas. Segundo relatório da ONU (Organizações das Nações Unidas), em 2050 cerca de dois bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de recursos hídricos, já que somente 3% de toda a água terrestre é apropriada ao consumo humano.

 

Foi para comemorar esse dia que em Sergipe ocorreu, entre os dias 22 e 27 de março, uma semana dedicada inteiramente ao tema. Com o slogan “Protegendo as Águas de Sergipe”, o evento foi oficialmente aberto no dia 23 de março, em solenidade no Teatro Tobias Barreto, mas as atividades iniciaram-se no domingo com uma panfletagem na Orla de Atalaia e prosseguiram durante toda a semana com palestras, mesas redondas e o II Encontro de Recursos Hídricos. O foco desta semana é a maior conscientização de jovens e adultos sobre a atual situação dos recursos hídricos sergipanos. Entretanto, como promover essa conscientização sem que a população esteja envolvida? Para realizar uma ‘Semana da Água’ é necessário a participação massiva da sociedade, uma vez que o evento é voltado para a conscientização da mesma.

 

 

Semana da Água, palestra realizada na AEASE

Semana da Água, palestra realizada na AEASE

O II Encontro de Recursos Hídricos, que ocorreu no auditório da Embrapa no último dia 26 de março, era um espaço reservado para apresentar ao público trabalhos e projetos realizados na área para assim desenvolver uma discussão junto à sociedade, entretanto foi possível perceber o vazio nos espaços voltados para os debates.  

Na ocasião, foram apresentados 46 trabalhos, de várias instituições como a DESO (Companhia de Saneamento de Sergipe), a SEPLAN (Secretaria do Estado do Planejamento de Sergipe), a PRONESE (Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe), a UFS (Universidade Federal de Sergipe) e a própria EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que envolviam questões e problemáticas referentes aos recursos hídricos sergipanos envolvendo diretamente diversas comunidades.

 A representatividade desta parcela da população foi prejudicada pela ausência de seus representantes no evento. Questões importantes como estas devem ser discutidas por aqueles que são diretamente afetados. O mesmo ocorreu na última mesa redonda, dia 27 de março, no encerramento, onde foram discutidas “Ações em Gestão Ambiental e dos recursos Hídricos” no auditório da AEASE (Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe) onde foram apresentados trabalhos importantíssimos por instituições públicas e privadas. A DESO apresentou uma exposição do plano de sua gestão ambiental e empresarial, a CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco) apresentou suas ações para a proteção dos recursos hídricos sergipanos, entre outros trabalhos. Mais uma vez, o auditório estava praticamente vazio. Estavam presentes somente aqueles que apresentariam seus projetos. Onde estariam as pessoas, a comunidade?               

Público durante debate sobre as águas

Público durante debate sobre as águas

No encerramento, o representante do secretário do Meio Ambiente e consultor técnico da Secretaria, Carlos Clériston, ao explanar sobre alguns projetos relacionados à proteção dos mananciais sergipanos, explica que a Semana da Água é uma das iniciativas do governo para incentivar a participação da população. “A gente está agora com as atividades da semana da água, chamando a sociedade para participar, através de campanhas que deverão ser feitas, via mídia seja rádio, televisão e nos fóruns também. Acredito que a sociedade deverá ser chamada a participar, até por que se não participar, com certeza a gente não vai ter o êxito que precisamos para que o rio seja preservado e tenha sua revitalização plena”.

A idéia de promover não só um dia, mas uma semana inteira de discussões é uma excelente iniciativa para promover a conscientização e proteção das águas de Sergipe. Porém, nada disso pode ser promovido sem que a sociedade se envolva nessa luta. É necessário voltar o olhar da sociedade para questões como essas. Talvez uma campanha de divulgação mais eficaz trouxesse, para o do dia-a-dia de cada sergipano, reflexões sobre o uso consciente da água e assim, este pudesse interferir e questionar possíveis soluções junto ao governo.

 

Águas sergipanas: Um motivo de preocupação!

 

O dia 22 de março foi escolhido pela ONU para ser o dia Mundial das Águas. Data mais do que pertinente para abrir a ‘Semana da Água de Sergipe’, evento que chamou a atenção da sociedade civil organizada e não organizada, para atentar para os problemas hídricos no Estado. Entretanto, cuidar das águas sergipanas não é de desígnio exclusivo da população. Segundo Lílian Diniz Vanderlei, diretora de Gestão Ambiental da DESO, essa ação deve estar associada às atividades governamentais, uma vez que atividades ligadas ao saneamento básico são de incumbência dessas autoridades. “A DESO está fazendo a construção de redes coletoras, porque na medida em que se coleta e trata os esgotos, tem-se um despejo de um afluente em boas qualidades ambientais e não vai poluir o corpo hídrico que está recebendo esse esgoto. Isso é uma prova de um programa de revitalização direto, na medida em que se despolui o manancial”, explica.

 

Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe

Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe

Apesar de tantos projetos, as condições das águas sergipanas e das redes de esgotos são um tanto preocupantes. “Aracaju tem uma quantidade enorme de esgotos que não são tratados porque não há rede coletora, as redes não foram construídas, tem sete estações na região metropolitana de Aracaju, mas as redes não abrangem a cidade”, revela Lílian Diniz. Exemplos de abandono e degradação são encontrados não só na capital, Aracaju, mas também no interior. Um caso alarmante é o do Açude do povoado Marcela, na cidade de Itabaiana, que a cerca de um mês atrás amanheceu com sua superfície e margens lotadas de peixes mortos. A região do açude é usada erroneamente como uma espécie de lixão. O lixo acumulado nas proximidades encontrou na chuva uma forma de escoamento para dentro do açude.

 

Com tantas evidências é impossível discordar da necessidade de se adotar uma política ambiental eficaz para reverter a atual situação das águas sergipanas. Quando questionado sobre essa situação, Carlos Clériston, consultor técnico da Secretaria de Meio Ambiente, fez a seguinte explanação: “Estamos construindo a barragem do rio Poxim que vai dá um suporte para o abastecimento de água em Aracaju. Além disso, estamos com o projeto da adutora “Sertão Sertanejo” que também vai injetar água para Aracaju e um projeto para revitalizar o rio Sergipe, em torno de U$127 milhões que vai ser aplicado em esgotamento sanitário, em preservação de nascentes e despoluição do rio”.

 

Sobre os planos do governo para manter a ordem ambiental no estado, o consultor técnico da Secretaria de Meio Ambiente, nos traz uma boa notícia: “Através de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão sendo feitas algumas obras no bairro Santa Maria e em outras localidades de Aracaju que visam exatamente tirar a carga de esgotamento sanitário que é jogada nos rios trazendo, com isso, melhores condições de saúde e de higiene para a população”.

 

 

Rodízio de água em Aracaju continua

Posted in Cidade, Saúde by micheletavares on 14/04/2009

Racionamento força estabelecimentos comerciais a mudarem a sua rotina de trabalho

 

Por João Paulo Leite

Racionamento preocupa comerciantes (Por João Paulo)

Racionamento preocupa comerciantes (Por João Paulo)

 

Devido a uma nova redução no nível de água do rio Poxim, provocada pela falta de chuvas, o rodízio no abastecimento de água na capital, que havia sido interrompido, recomeçou nos dias 23 e 24 de março. Esse esquema de rodízio divide a capital em Zona Norte e Zona Sul. De acordo com este, o fornecimento de água é cortado de dois em dois dias, de forma alternada entre referidas zonas.

 

A Zona Sul engloba os seguintes bairros: Augusto Franco, Castelo Branco, DIA, Grageru, Inácio Barbosa, Jabotiana, Jardins, Jessé Pinto Freire, JK, Loteamento Garcia, Loteamento Tramandaí, Luzia, Médici, Orlando Dantas, Parque dos Coqueiros, Ponto Novo, Santa Lúcia, São Conrado, Sol Nascente, Conjunto Valadares e Marivan.

 

Já a Zona Norte abrange: 13 de Julho, 18 do Forte, Alto da Jaqueira, Centro, Cidade Nova, Cirurgia, Coqueiral, Bugio, Getúlio Vargas, Industrial, Itacanema, Jardim Centenário, Japãozinho, Jetimana, Lamarão, Nova Liberdade, Olaria, Palestina, Pau Ferro, Pereira Lobo, Planalto, Ponta da Asa, Porto Dantas, Salgado Filho, Sanatório, Santo Antônio, Santos Dumont, São Carlos, São José, Sobrado, Soledade, Suíssa, José Conrado de Araújo, América, Costa e Silva, Novo Paraíso, Siqueira Campos, Barra dos Coqueiros e Atalaia Nova.

Segundo a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), o rodízio será mantido enquanto persistir a ausência de chuvas suficientes para recuperar o nível de água do rio. Enquanto isso, os estabelecimentos comerciais têm batalhado para adaptar os dias de racionamento à rotina de trabalho. Muitos já contabilizam perdas.

 

O Salão de Beleza Rita Menezes localizado no bairro Grageru, por exemplo, vem sofrendo grandes prejuízos. De acordo com a proprietária, Rita Menezes, nos dias de rodízio, grande parte dos atendimentos tem sido cancelados.  “Ou eu não atendo, ou peço que a cliente já venha com os cabelos molhados”, afirma Rita Menezes.

 

No bairro Siqueira Campos, a situação enfrentada pelo Bar e Restaurante Costela no Bafo, é semelhante. Eles vêm armazenando água em baldes, para que possam cozinhar, lavar os pratos e ainda utilizá-la para a descarga nos banheiros. No entanto, às vezes a água armazenada não é suficiente para os dois dias e os proprietários se vêm obrigados a fechar o bar e restaurante mais cedo. “Essa é minha única fonte de renda. Eu não quero nem imaginar como a situação vai ficar, se esse rodízio se prolongar”, lamenta a proprietária, Auxiliadora Leite.

 

Por outro lado, nem todos os bares e restaurantes têm tido prejuízos, já que a área onde se localizam a maior parte deles, a Orla de Atalaia, não vem sofrendo o racionamento. A Atalaia e a Zona de Expansão são cobertas pela adutora da Cabrita, que está com os níveis de água em condições aceitáveis.

 

Secretária de Estado da Saúde em alerta

 

Porém um problema ainda maior preocupa as autoridades de Aracaju. Nesses tempos de rodízio, a única saída encontrada pela população, como foi dito, é o armazenamento de água. Baldes, panelas, lavanderias, qualquer recipiente tem sido usado como depósito de água.

 

 É exatamente aí onde mora o perigo. Recipientes como esses sem os devidos cuidados favorecem a formação de focos de dengue. No ano passado, 47 pessoas morreram vítimas da doença em Sergipe, sendo 19 na capital.

 

A Secretaria de Estado da Saúde orienta que a armazenamento de água seja feita de forma correta para evitar a proliferação do mosquito da dengue.

 

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Para mais informações: Ouvidoria da Saúde 0800-286-3000 ou ainda pelo site www.sergipecontradengue.com.br

 

Arthur Bispo do Rosário é homenageado com exposições, oficinas e a estreia de filme no final do ano

Posted in Cultura by micheletavares on 14/04/2009

Por Rebeca Rocha

 

 Artista, esquizofrênico… E uma assumidade. Esses são alguns dos adjetivos que qualificam o lendário Arthur Bispo do Rosário, natural de Japaratuba e figura de imensa expressividade no campo das artes plásticas, nacional e internacionalmente.

Em 2009, Bispo é homenageado pelo seu centenário, além do tributo aos 20 anos do seu falecimento. Não se sabe ao certo sua data de nascimento e, apesar de festivais comemorarem no mês de janeiro, a incerteza quanto à data precisa permite que ao longo do ano várias exposições e manifestações em tributo a ele sejam criadas e abertas ao público.

 

Arthur Bispo do Rosário (créditos: acervo BASE Propaganda)

Arthur Bispo do Rosário (créditos: acervo BASE Propaganda)

A história de Arthur Bispo é curiosa – e ímpar. Nascido em 1909 na cidade de Japaratuba, Sergipe, o artista sergipano de vanguarda muda-se para Aracaju no ano de 1925 e torna-se marinheiro. Sua carreira foi marcante: foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela marinha.

Bispo nem imaginava que seria reconhecido pela sua obra artística, anos mais tarde.  Largando a carreira de marinheiro devido a problemas mentais, muda-se para o Rio de Janeiro e passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e também como lavador de bonde e borracheiro. Após sofrer um acidente de trabalho, contrata um advogado para reivindicar seus direitos contra a empresa e na ocasião começa a trabalhar na casa do advogado, Humberto Leoni, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos.

Em meados de 1938, Bispo procura o patrão, sofrendo alucinações, e lhe disse que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Começa a sua peregrinação por várias igrejas, até chegar ao Mosteiro São Bento, onde afirma aos monges ser um enviado de Deus, e por Ele incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.

 

 

Arthur foi preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício na Praia Vermelha. Um mês depois, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, onde viveu os 50 anos de sua produção artística e boa parte da sua vida. Hoje, o local é o Museu Arthur Bispo do Rosário, que abriga com orgulho a produção de cerca de 800 peças peculiares do antigo paciente.

 

O Manto da Apresentação (créditos: www.proa.org)

O Manto da Apresentação (créditos: http://www.proa.org)

A criação mais famosa é o Manto da Apresentação, que Arthur Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final, e representava o universo. Assim como outras criações dele, no manto existiam frases e pensamentos, além de ser confeccionado com pedaços de pano das roupas, colchas e retalhos. Para ver mais obras de Bispo, clique aqui.

 

 

 

 

 

A escolha entre uma vida normal e o amor pela arte

 

Bispo sofria de esquizofrenia paranoide, e há quem diga que sua loucura é fruto de um desejo maior pela arte de expressar seus pensamentos de uma maneira nunca vista antes. Seu trabalho artístico era motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra, e desde então, Bispo dedicou-se totalmente a ele. Com essa “missão”, surge o artista Arthur Bispo do Rosário (artista que ele próprio jamais julgou ser).  “Para ele, o que fazia era classificar as coisas. Para organizar os pensamentos, ele transformava tudo que via, escrevia no manto. O manto era a memória dele. Quando acabava o espaço, ou quando ele achava que devia, ele desfazia e fazia de novo. Assim como a cabeça da gente, sempre renovando as ideias…”, declara Gustavo Machado, um dos redatores publicitários que se envolveu na confecção do material para a exposição do Banese, um dos patrocinadores do Centenário.

Além das exposições que ocorreram na capital sergipana no Centro de Exposições da Orla de Atalaia e no Shopping Jardins, está previsto para estrear no final do ano o filme Senhor dos Labirintos. Baseado no livro Arthur Bispo do Rosário – O Senhor do Labirinto, e convidados pela autora do livro, Luciana Hidalgo, os diretores de arte Geraldo Motta e Sérgio Silveira mergulharam num universo místico e encantador para reproduzir o mais fielmente possível as obras do protagonista. Foram feitas oficinas de capacitação com artesãs e rendeiras de Laranjeiras, que reconstruíram parte da obra a partir de fotos.

 primeiras tomadas gravadas no prédio do antigo Centro Psiquiátrico Garcia Moreno. “Reconstruímos o manicômio em Socorro, perto de Aracaju. A intenção é mostrar como ele desenvolveu arte absolutamente inovadora naquele momento”, explica o diretor.

Geraldo Motta, diretor dO Senhor dos Labirintos (créditos: infonet)

Geraldo Motta, diretor dO Senhor dos Labirintos (créditos: infonet)

O filme contará a história de Arthur Bispo do Rosário num ponto de vista do discurso dele próprio. “Vai mostrar como ele via a própria produção artística”, adianta o cineasta Geraldo Motta. Algumas cenas foram rodadas em Nossa Senhora do Socorro, e as

O elenco reúne os atores Flávio Bauraque (Bispo), Maria Flor (a estagiária de psicologia pela qual o interno se apaixonou platonicamente) emais de 100 figurantes. Os patrocinadores, Governo de Sergipe, Banese e Celi, estão otimistas. “Decidimos patrocinar o filme porque percebemos que era um projeto muito bom, profissional e que iria significar muito para o nosso estado. Claro que patrocinamos porque faz parte da cultura da Celi ter uma preocupação social, ambiental e cultural. É uma oportunidade de apoiar a cultura no nosso estado”, declara Lívia Filgueiras, do marketing da construtora Celi.

As filmagens serão realizadas 95% em território sergipano e os trabalhos de produção do filme envolvem 80% de mão-de-obra do estado. (informações da agência Sergipe).

O público sergipano também está ansioso para conhecer melhor as obras do artista através do filme. “Quando Bispo, ainda vivo, começou a ser famoso, as pessoas que fossem visitá-lo no hospício só poderiam entrar se adivinhassem a cor da áurea dele. Meio excêntrico, mas incrível”, afirma Matheus Menezes, publicitário, que acompanhou as exposições e aguarda ansioso pelo filme. 

Jornalismo x Comunicação Social

Posted in Educação, UFS by micheletavares on 13/04/2009

Impressões e possibilidades da comissão do MEC

 

Por Vinícius Oliveira e Henrique Maynart

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 A polêmica está lançada. Depois de um longo período de calmaria, o ano de 2009 chega fulminante para o campo da comunicação social no país: O governo federal convocou a primeira Conferência Nacional de Comunicação, a obrigatoriedade do diploma para a profissão do jornalista e a revogação da Lei de Imprensa são julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para endossar o caldo, o Ministério da Educação (MEC) formalizou no dia 19 de fevereiro deste ano, uma comissão de especialistas com o intuito de rever as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.

A grande polêmica desta comissão gira em torno da proposta de criação de um curso de Jornalismo autônomo da Comunicação Social. Apesar de o tema ter sido relativamente divulgado, em especial pela mídia eletrônica, pouco se sabe da constituição e do impacto que seus trabalhos poderão vir a trazer para os cursos de Comunicação Social das universidades Brasileiras.

 

Para que serve a comissão?

 

Formada em fevereiro deste ano pela Secretaria de Educação Superior (SESU) do MEC, através da Portaria SESU nº 203, a comissão é presidida pelo professor da Universidade Metodista de São Paulo, José Marques de Melo, indicado pelo MEC. A comissão totaliza sete professores e uma representante do canal Futura. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a Associação Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor) e o Fórum Nacional de Professores em Jornalismo (FNPJ) puderam indicar um representante cada. A comissão terá um prazo de 180 dias para redigir o relatório e envia-lo ao Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável por aprovar ou rejeitar o documento. Três audiências foram marcadas, sendo que a primeira já foi realizada no último dia 20 de março com setores da academia, na cidade do Rio de Janeiro. A segunda está prevista em abril, na cidade de Recife, com setores do empresariado e a terceira para o mês de maio, com os setores da sociedade civil. O prazo para envio das contribuições para a comissão, seguiria até o dia 20 de março passado, mas foi prorrogado para o dia 14 de abril.

E como surgiu?

 A convocação da comissão pegou de surpresa muita gente diretamente ligada ao tema, tais como professores e estudantes, mas a sua idealização não veio da noite para o dia. Como indica matéria do sítio da FENAJ, a proposta foi apresentada pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad ainda no mês de outubro do ano passado, em audiência com as três entidades que hoje compõem a comissão: FENAJ, SBPJor e FNPJ. Naquele momento, a previsão para a convocação era para janeiro, um mês antes da convocação de fato, e o prazo previsto para os seus trabalhos era de 90 dias, diferente da comissão então formada, cujo prazo é de 180 dias, portanto esta terá mais tempo para desenvolver seu trabalho.

 Nenhum setor de representação estudantil, tal como a Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social, a ENECOS, foi convidado, seja para a audiência inicial, seja para a consulta das comissões. Na mesma matéria, a Federação deixa claro o seu posicionamento contrário a medidas que garantem a integração mínima das habilitações dos cursos de Comunicação Social, tais como o Ciclo básico, experiência ainda aplicada na Escola de Comunicação da Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 O ciclo básico é uma aplicação curricular onde o egresso no curso de Comunicação Social tem acesso ao conteúdo geral a todas as habilitações durante o primeiro ano do curso, ela estava composta nas diretrizes curriculares dos cursos de comunicação social no país  até 2001, ano em que ocorreu uma mudança nas diretrizes, desobrigando os departamentos e colegiados a seguirem este modelo. Bateu a curiosidade? Veja aí: http://www.eco.ufrj.br/portal/academic/habilita.html

A matéria do site da FENAJ está datada no dia 9 de dezembro de 2008, dá uma olhadinha: http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2400

 

AUDIÊNCIA DO DIA 20/03: ACADEMIA

 

A primeira audiência contou com vários setores da academia, dentre ela a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), SBPJor, FNPJ, COMPÓS, INTERCOM, dentre outras. Segundo o relato do professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e presidente do SBPJor, Carlos Eduardo Franciscato, a avaliação da audiência foi positiva, porém a comissão precisa interagir mais com os membros da audiência.  “A audiência teve uma boa representatividade, cada um tinha um tempo de 10 minutos e falaram entre 10 e 15 pessoas, o que acabou gerando um debate espontâneo e muito produtivo. O lado ruim da audiência foi que a comissão apenas ouviu os participantes e não interagiu, ficou apenas registrando e anotando as falas”.

Felipe Melo durante a primeira audiência no Rio de Janeiro

Felipe Melo durante a primeira audiência no Rio de Janeiro

Para Felipe Melo, membro da Coordenação Nacional da ENECOS, a comissão deveria entender a formação do estudante de forma mais ampla. “Discutir o currículo dos cursos de Comunicação Social é importante, mas temos que discutir também a precariedade dos laboratórios dos cursos no país, a falta de verbas públicas para as universidade federais, a falta de democracia nas universidades pagas e a sua abertura sem critérios, e discutir o curso de jornalismo conectado à comunicação social, por isso a ENECOS só apresentará propostas ao currículo junto com os movimento sociais na terceira audiência”, defende.

 

As Contribuições…

 Dentre as contribuições enviadas à comissão até o momento, podemos analisar dois exemplos opostos: a contribuição enviada pela FENAJ e uma outra, formulada pelo Colegiado do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Campus III, situada na cidade de Juazeiro/BA.

 

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 E na UFS ?

 

Uma decisão tomada por esta comissão pode alterar profundamente o curso de Comunicação Social como um todo, em todo o Brasil. Segundo o professor Carlos Franciscato, na Universidade Federal de Sergipe a discussão ainda não foi colocada de forma ampla, mas seus resultados não devem influir significativamente na grade do Departamento de Artes e Comunicação social (DAC). “Qualquer decisão tomada por essa comissão o departamento irá rediscutir e adaptar-se, já que compreende uma esfera de poder acima do nosso departamento, mas acredito que não vêem grandes modificações”, esclarece.

 

Resta saber qual vai ser o posicionamento da estudantada. O estudante do quinto período e membro do Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACS), Pedro Alves sugere uma discussão mais ampla sobre o assunto.“Colocamos a existência e a importância dessa comissão para os calouros e alguns membros do curso, mas avaliamos que talvez seja o momento de rediscutirmos o nosso curso e como ele tem andado ou ‘desandado’ , casado com as discussões nacionais que essa comissão está remetendo”, defende.

Manifestação de estudantes e trabalhadores contra o impacto da crise mundial

Manifestação de estudantes e trabalhadores contra o impacto da crise mundial

Questionado sobre as propostas do diretório, ele responde: “Discutimos isso na vivência, junto com o professor convidado Mário César e pretendemos fazer um seminário público para debater as questões nacionais e locais convidando os professores e estudantes no mês de Maio”.

 

Lembrando Sempre Que…

A discussão sobre os rumos do curso de Comunicação Social do país e sobre o Jornalismo não começou hoje, nem vai se encerrar nos trabalhos desta comissão, mas fica óbvio que para quem deseja contribuir com esta discussão não existe momento melhor.

 

Cabe ressaltar que é necessário lembrar que o curso de Comunicação Social deve estar atento à sociedade, com a tarefa de contextualizar historicamente e analisar a significância dos fatos atuais questionando os rumos da nossa sociedade. Além disso, este debate não deve deixar de discutir qual é o papel dos meios de comunicação e a quem serve a super-concentração da mídia nas mãos de poucas famílias.

 

Lembrar sempre que os estudantes de comunicação serão trabalhadores e estarão cotidianamente sujeitos à ética do lucro do patrão contra a sua ética profissional. Enfim, lembrar que o curso não é apenas jornalismo, publicidade, Relações Públicas… mas  COMUNICAÇÃO SOCIAL.