Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

HQs invadem o mundo do Cinema

Posted in Uncategorized by micheletavares on 07/04/2009

Por Victor Bruno e Rafael Freire

A crescente onda de adaptações das HQs para o Cinema é um fenômeno cada vez mais presente em nosso cotidiano. Mas afinal, qual a causa de tanto sucesso?

Cinema Vue West End, Londres, novembro de 2008. A sala estava lotada e o entusiasmo era perceptível no ambiente. Começam as cenas. Sem desviar os olhos da tela, os jornalistas presenciam seqüências de um filme que promete ser sucesso de bilheteria em sua estréia. E a promessa foi cumprida. Nos três primeiros dias de exibição do filme “Watchmen” foram arrecadados 55,7 milhões de dólares somente nos Estados Unidos. Isso quer dizer que apenas nesse curto período, o equivalente a mais de um terço do valor de sua produção (150 milhões de dólares) foi recuperado.

Primeiros Justiceiros - Watchman

Primeiros Justiceiros - Watchman

Mas isso já era esperado. A Twentieth Century Fox, prevendo a enorme bilheteria, entrou com uma ação judicial em agosto do ano passado para impedir que a Warner Bros lançasse o filme. Mesmo alegando a compra dos direitos cinematográficos da Graphic Novel no final da década de 1980, a Fox foi derrotada nessa disputa. Casos de HQs¹ que fizeram tanto sucesso quanto “Watchmen” são cada vez mais recentes na atualidade. Mas nem sempre foi assim.

Embora o Cinema e as Histórias em Quadrinhos estejam intimamente ligados – palavras e imagens como forma de expressão, recursos de montagem, enquadramento e ritmos visuais muito parecidos – boa parte das pessoas que consomem uma ou outra dessas culturas não percebiam isso.

A semelhança pode ser notada já no momento em que ambas surgiram. No final do século XIX, a sociedade passava por uma grande transformação proveniente da Revolução Industrial. Nessa época, começou a se criar um conceito para as novas formas de entretenimento, conhecido até hoje como “cultura de massa”. Tanto as HQs quanto o Cinema eram frutos dessa cultura, o que ocasionou em um crescente consumo das duas. Uma prova clara da grande relação existente entre elas foi o início das adaptações já na década de 30 com “Flash Gordon” de Frederick Stephani e Ray Taylor (1936), quando grande parte dos filmes produzidos ainda eram “mudos”.Alguns anos se passaram e a falta de adaptações que agradassem ao público em geral causou um retrocesso no consumo desse tipo de filme. Mas foi no final da década de 70, com o lançamento do filme Super-Homem de Richard Donner (1978), que isso mudou. Até aquele ano, nenhum longa-metragem envolvendo super-heróis alcançou tanto sucesso de público e crítica, o que resultou na premiação de um Oscar especial concedido pela Academia devido aos seus efeitos especiais.

Seperman - Sucesso de Bilheteria na década de 70

Seperman - Sucesso de Bilheteria na década de 70

A partir daí, grandes clássicos foram produzidos como Batman de Tim Burton (1989) e Dick Tracy de Warren Beatty (1990) – que conseguiu carregar no filme a essência da história original, com cenas, movimentações e maquiagens impecáveis. Isso fez com que ficasse evidente o fator primordial para o sucesso das adaptações posteriores à década de 78: investimento. Percebendo o gigantesco, quase infinito, potencial em dar vida aos heróis de infância de muitos adultos, as grandes produtoras de Hollywood, como a Warner e a Fox, passaram a injetar maciças quantias de dinheiro nas filmagens de mais e mais adaptações.

Alguns consumidores dessa nova vertente cinematográfica apóiam inteiramente essa ação, como é o caso de Edson Cruz, estudante de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe. “Não importa se a adaptação é fiel ou não, o que importa é a iniciativa de fazê-la, pois assim o universo das HQs fica mais conhecido e nomes como Alan Moore e Nail Gaiman podem ter o prestígio que merecem”, comenta.

Em contra partida, nem todos pensam assim. O próprio Alan Moore faz questão de não ter seu nome nos créditos dos filmes baseados nas obras dele. “Não assisti a nenhuma das adaptações para o cinema e não tenho intenção de fazê-lo. Simplesmente quero distância de tudo isso, porque não foram adaptações fiéis ao meu trabalho, parecem não ter nada a ver com as intenções das minhas obras”, critica e ainda completa: “não estou muito convencido de que adaptações funcionem de modo algum. Sei que há exceções a essa regra. Mas Hollywood e a cultura americana em geral me parecem criativamente falidos”.

Muita gente, talvez a maioria, discorda dessa opinião tão crítica. Segundo Nikos Elefthérios, estudante de Jornalismo também da UFS, as adaptações são válidas desde que sigam fielmente as histórias em que se baseiam. “Não gosto de qualquer adaptação. Pra mim a história que vejo na tela do cinema tem que ser fiel às histórias que o roteirista original criou. Se não for fiel a uma história isolada, que seja pelo menos fiel ao caráter dos personagens abordados como, por exemplo, ‘X-men’ e ‘Batman – Cavaleiro das Trevas’”.

Mas o fato é que mesmo que havendo divergências entre escritores, produtores e telespectadores a indústria cinematográfica lucra mais a cada ano que passa, sempre prometendo excelentes adaptações com revoluções nos efeitos visuais e sonoros.

¹ HQ – Abreviatura de “História em Quadrinhos”

Alguns sites que vale a pena conferir:

Universo HQ

Novidades de Cinema e HQ

As 94 melhores adaptações de HQs para o Cinema

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Uma resposta

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  1. Maíra said, on 11/04/2009 at 4:27 am

    Huuummm gostei dessa pauta hein?!
    🙂
    Parabéns a todos pelos textos


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