Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

O comércio inabalável

Posted in Ciência e Tecnologia, Economia by micheletavares on 08/04/2009

Como o e-commerce se saiu em 2008 e o que o aguarda no futuro

Por Carol Correia (quatrobailarinas@gmail.com) e Elaine Mesoli (elainemesoli@hotmail.com)

Cresce consumo pela internet 

mouse-no-carrinho3A compra e venda de produtos pela internet, o e-commerce, teve um crescimento em 2008 de 39% em relação ao ano de 2007. Cerca de 13 milhões de brasileiros compraram pela rede mundial de computadores em 2008. Para Pedro Guasti, diretor geral da e-bit, empresa que fornece informações sobre esse tipo de mercado, o comércio eletrônico evoluirá ainda mais nos próximos anos.


Os números do aumento de consumo foram dados por meio de um relatório semestral disponibilizado pela empresa, o relatório Webshoppers, que analisa as mudanças de comportamento e preferências dos consumidores que compram pela internet.


Divulgado no dia 17 de março, a 19ª edição do relatório vem mostrando que o volume de consumidores aumentou. Esse aumento tem como contribuição a participação da classe C nas compras on-line. As famílias com renda mensal de até três mil representam 60% dos novos compradores de 2008. O crescimento desta classe foi de 42%, cinco por cento a mais do que o ano de 2007.


Apenas no primeiro semestre de 2008, foram faturados R$ 3,8 bilhões, quase o valor total de todo o ano de 2006, R$ 4,4 bilhões. Os motivos para esta expansão do comércio é que muitos brasileiros fizeram compras desta maneira pela primeira vez. Também aqueles que já compraram e foram atendidos de forma adequada aumentaram a freqüência de compras.

 

O consumidor é atraído pela facilidade de fazer compras sem se locomover até a loja física e pelo financiamento facilitado. A variedade de produtos que podem ser encontrados online faz o comprador ter uma grande possibilidade de encontrar no e-commerce algo que não consegue no comércio da sua cidade. A diversidade de produtos não dificulta a pesquisa de preço. A Internet continua sendo uma ferramenta ágil nesse aspecto e os sites de compra têm procurado cada vez mais dinamizar os seus layouts para melhor servir o consumidor.

 

 Para Gustavo de Azevedo, estudante, o ponto que mais o impulsiona para comprar pela Internet é a facilidade de pesquisar preço sem precisar sair de casa. “Você pode observar vários produtos e preços em vários lugares, sem precisar se deslocar fisicamente de loja em loja para escolher a melhor oportunidade”, diz.

 

 Os preços da Internet também agradam. As lojas, para não ficar atrás da concorrência no meio do e-commerce, frequentemente investem em promoções, cupons desconto e frete grátis. Assim, elas acabam também passando na frente das lojas físicas. Quem fica satisfeito é o consumidor. “Pela Internet, quase sempre ganho descontos por ser usuário de algum cartão ou algo do tipo” comemora Gustavo.

 

Motivos do aumento e ranking de produtos

 

Segundo o relatório, os motivos da mudança do comportamento do consumidor que costuma comprar em lojas físicas são a inclusão digital, incentivada pelo governo Federal e a conveniência. Principalmente nos grandes centros o consumidor não quer perder tempo no trânsito ou em filas, por exemplo. Em lugares afastados desses centros o consumidor poderá ter acesso a um produto que não é encontrado facilmente. Dessa forma, a web se torna uma vitrine mais completa, moderna, colorida e facilitadora.


A confiança dos consumidores também aumentou e fez com que eles comprassem cada vez mais, tornando o que a classe costuma chamar de “heavy users”, e indicassem a boa experiência a outras pessoas de seu convívio social.


Dentre os produtos mais consumidos, quem lidera o ranking são os livros, que respondem por 17% do total de compras. Gustavo de Azevedo está dentro da estatística. ‘Os últimos produtos que comprei foram dois livros, que tinham um bom preço’ diz.

 

Já a categoria saúde e beleza cresceu duas posições em relação ao ano de 2007 e ficou em segundo lugar. Os produtos de informática perderam um posto caindo para a terceira posição no ranking.

Líder em vendas em anos anteriores, os CDs e DVDs saíram de cena este ano, não figurando entre os mais vendidos. Durante todo o ano eles representaram apenas cinco por cento do total do volume de vendas. O diretor da e-bit atribui isso a uma mudança do hábito de consumo. “A realidade é essa. Há um comportamento de compartilhamento entre os consumidores. A indústria deve criar novos modelos para ganhar dinheiro”, afirma Pedro Guasti.

 Heterogeneidade de públicos

 box-elaine

 

 

mulher-comprando1O perfil de e-consumidores também mudou. Ultrapassando o número de homens nesse mercado, as mulheres marcaram presença e agora respondem por mais da metade dos consumidores. Em compensação, o valor médio de compras é inferior ao dos homens. Apesar da fama de gastar muito, elas compram em média R$ 272 reais contra R$ 375 dos homens. Liliana Duarte compra mensalmente pela Internet há um ano e meio e até acha preferível esse meio de compras. ‘As minhas compras feitas na Web nunca deram errado e eu quase sempre encontro os produtos que não tem em Aracaju’ explica.


Já o público mais experiente, com mais de 50 anos, também cresceu e representa 19% de todas as pessoas que consumiram pela Internet no ano que passou. A familiaridade com a tecnologia aumentou e, conseqüentemente, o receio de ser enganado e de informar seus dados pessoais decresceu.

 

O aposentado Francisco Fernandes, 65 anos, disse que aprendeu a “mexer” em computador após ser beneficiado com um incentivo do governo. “Antes não sabia sequer o que era um click, hoje até meus remédios eu compro pela internet! É rápido e eu não gasto gasolina indo de carro até a farmácia.”


Se o volume de compras aumentou é sinal de que o consumidor está satisfeito. Quanto mais comprar por meio de lojas virtuais mais o cliente se tornará exigente. A mudança de “loja” neste ambiente é feita de forma muito rápida: basta um clique. Para a empresa, tal clique representa a perda de uma venda.


Itens como entrega no prazo, qualidade do produto e do atendimento influem diretamente na opinião e no retorno deste cliente. A navegabilidade dos sites também contam. O usuário tem de se sentir confortável e achar todos os atalhos facilmente. “A navegabilidade é de grande importância. Ela pode ser o indicador para sabermos se um determinado portal de compras é seguro”, diz Liliana.

 

Porém, na opinião de Gustavo, a questão fica centrada no valor dos produtos, “Um prazo de entrega rápido é sempre muito bom, mas as empresas têm prazos iguais ou muito parecidos. Uma navegabilidade boa também, mas eu prefiro passar mais tempo procurando um produto em um site de navegação difícil e comprá-lo por um preço melhor” explica.  

 

Expectativas

 

Com a inclusão digital, as classes mais baixas terão uma provável penetração no consumo virtual. A classe C, que já é maioria no setor com 42% do público total, deve, cada vez mais, marcar presença no e-commerce, é uma inserção contínua’ apresenta a empresa E-Bit.

Para quem ainda tem medo de ser enganado nos portais de compra, existem dispositivos de segurança que são grande aliados do “e-shoppers” e continuarão a servir de apoio para a decisão da escolha da loja.

 

A crise financeira mundial afeta a mentalidade e a maneira de comprar da população. Como conseqüência de uma nova forma de pensar, as compras, que eram feitas por impulso, tiveram grande retração e a pesquisa por produtos de menor preço se tornaram fundamentais e freqüentes na hora de adquirir algum bem. Apesar da diminuição no consumo da população, a Internet ganhou ainda mais espaço como ferramenta de aquisição de produtos, já que proporciona maior certeza ao consumidor de que ele está diante de uma boa oportunidade de compra e grande agilidade em suas decisões.

 

Para 2009 a previsão é de que esse mercado fature cerca de 10 bilhões de reais. No final do primeiro semestre, a consultoria espera a ultrapassagem da marca de 15 milhões de e-consumidores. Até o final do ano, a expectativa é de que este número chegue a 17,2 milhões de compradores.

 

Ficar alheio a esse mercado emergente é perder um filão interessante e oportunidade de fazer bons negócios. Além disso, o comércio eletrônico está se tornando mais democrático e acessível a todas as classes sociais.

 

 

 

 

 

 

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: