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E-book tem Futuro?

Posted in Ciência e Tecnologia, Cultura by micheletavares on 13/04/2009

E-book da Amazon.com

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E-books reader, downloads grátis, pdf, palm, livros pra celular. Veja como o mundo tecnológico entrou no meio impresso e as mudanças atuais e futuras que ainda irão provocar

 Por Nikos e Layanna

Você é daqueles que adora sentir o cheiro agradável das folhas de um livro? Sentir a textura do papel nas mãos ao virar as páginas e o seu barulho tão característico? E de tecnologia, você gosta? Pois sim, caro leitor, não estranhe a ligação que acabo de fazer entre tecnologia e o livro impresso. A editoração eletrônica está cada vez mais presente, coexistindo (de forma pacífica ou não) com o livro impresso, e muitos se perguntam se este irá resistir e até quando isso ocorrerá.

 Já antes de 1440, quando o alemão Johan Gutenberg iniciou com suas novas técnicas de impressão (produção de tinta, tipos móveis, emprego da prensa de metal e abastecimento de papel), tal processo já havia surgido na Europa. Antes disso, os chamados manuscritos, eram todos feitos a mão e não circulavam livremente, ficando sob o domínio da Igreja. A Revolução Industrial foi outro fator que contribuiu para a fama dos impressos; nessa época a população começou a se tornar letrada, surgindo os escritores com seus folhetins e nascendo daí um interesse pelo mundo da literatura.

Com o surgimento da televisão, nos anos 50, passou-se a supor que o fim dos impressos estaria próximo. Em meados dos anos 60, Marshall McLuhan, estudioso e pesquisador no campo da comunicação humana, profetizou que o livro impresso chegaria ao seu fim, prevendo o término do pensamento linear introduzido pela escrita e aperfeiçoado na invenção da imprensa. Tal fenômeno não se confirmaria. O velho e bom livro, ao contrário, vem desenvolvendo uma ligação cada vez maior com os avanços da tecnologia.

A televisão, como sabemos, não acabou com os impressos, que passaram e passam por constantes reestruturações para se manter presentes e acompanhar a forte concorrência imposta pelos meios de comunicação eletrônicos; assim como o cinema não impediu o avanço do teatro, nem a televisão substituiu o rádio. Por que, então, acha-se que o meio digital ameaça o futuro dos livros tradicionais.
Uma nova era, um novo público, novas tecnologias
Milhares de títulos, destacando-se as grandes obras clássicas, como a Bíblia, enciclopédia e livros didáticos são disponibilizadas gratuitamente na web por diversos servidores, como é o caso do Programa Gutenberg, que desenvolve um projeto de digitalização eletrônica. Já os livros mais atuais, que ainda rendem dinheiro com suas vendas, são mais difíceis de serem encontrados. O que não significa que mesmo assim não circulem na rede; iniciativas individuais de tradução ou disponibilização online já são muito comuns. Basta o livro ser lançado em inglês que logo, logo alguém com fluidez no idioma iniciará o processo de tradução e postará online.  

O fato é que qualquer leitor deseja conforto e praticidade na hora da leitura, e isso as novas tecnologias têm muito a oferecer, o que talvez faça com que aqueles seguidores do impresso repensem suas preferências. O implicante neste caso torna-se o acesso, que tratando-se de tecnologia, não fica a preço de banana. Esta, portanto, se mostra uma era acessível aos digitalizados e mais favorecidos economicamente.

Para poucos

Apenas cerca de 20% da população brasileira têm acesso a internet. Os consumidores das novas tecnologias digitais necessitam não só de capital para adquirir os suportes e ter acesso a rede, como capacitação, o que torna o caso ainda mais crítico. A nova era, que por um lado se mostra democrática ao possibilitar uma infinidade de formas de acesso a literatura, por outro se mostra completamente elitista e excludente.

Livraria Cultura

Livraria Cultura

 

As formas de acesso à literatura se ampliaram nitidamente. A participação do consumidor, ao que parece, também; poder de baixar, gravar aonde quiser, ler no suporte que desejar, dá ao leitor uma grande liberdade. Os audiobooks beneficiaram os deficientes visuais. Mas e aqueles que ainda não tinham conseguido nem ter acesso ao livro tradicional?

O governo Federal executa e apóia algumas ações de inclusão digital por meio de diversos programas e órgãos, que parecem não andar a passos largos, mas dizem estar em vigor. É o caso do Programa Computador para Todos, Estação Digital e outros. Sem o incentivo do governo, 80% da população não terá nem a possibilidade de ter acesso a esse novo mundo literário.

E os direitos autorais?

De um lado o interesse individual do autor pela proteção de sua obra. De outro o interesse público de livre acesso.

 

“O grande ponto negativo da internet, no que diz respeito aos livros, é a possibilidade de que pessoas utilizem a rede para praticar a pirataria, violando direitos autorais e desestimulando a criação intelectual e artística.” A afirmação do diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, resume a opinião do setor sobre a disponibilização de obras não autorizadas na rede mundial de computadores.

 

paulo_coelhoJá o escritor Paulo Coelho defende o oposto e, inclusive, disponibilizou no seu site todas as traduções encontradas de seus livros como uma forma de “ajudar na pirataria”. “É uma forma de divulgar o trabalho.”, disse ele em uma entrevista feita por email pelo escritor Fernando Morais, autor de sua biografia.

 

O importante é lembrar que nem sempre um aumento da restrição autoral da obra significa um benefício para o autor. A participação do público, seja como for, fortalece sua marca e o vínculo com a obra. A questão do direito autoral não deve deixar de funcionar como estímulo de criação para ser um entrave para a criação de novas tecnologias e de utilização de obras possibilitadas pela tecnologia digital. E é por isso que as indústrias estão se mostrando cada vez mais interessadas em abrir o uso dos seus direitos autorais para que fãs criem seus próprios conteúdos. Ao que tudo indica, a postura de defesa de direitos autorais terá que mudar.

 

Quanto ao futuro do nosso livro impresso, não precisamos ser tão catastróficos assim, ele não deve sumir do mapa. As novas tecnologias vêm para somar, trazer mais opções de suportes de leitura, facilitar e dar mais conforto. Quem sabe até para ser um incentivo àqueles que nunca gostaram muito de literatura, mas são seguidores fiéis da tecnologia. Até por que quem determina essas mudanças é você, público e mercado consumidor. A escolha é toda sua, leitor.

“O foco agora está em histórias contadas por vários tipos de veículos, conhecidas como transmidiáticas – em cada mídia diferente a história ganha uma nova camada…”, é o que afirma o americano Hennry Jenkins, professor de estudos de mídia do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT). De acordo com ele, estamos na era da cultura de convergência, com uma interação cada vez maior entre os diferentes tipos de mídias e uma grande participação do consumidor no processo de produção e difusão da informação. A internet, os e-books, audiobooks, palms, celulares que suportam livros estão aí para comprovar esta nova tendência.

 

O público também é outro. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada pelo Ibope revela que, atualmente, cerca de 7% da população brasileira que costuma ler livros já baixam as obras gratuitamente pela internet. A porcentagem que parece pequena na verdade representa uma mudança bastante considerável. Não é a toa que os downloads gratuitos fazem tanto sucesso.

Uma resposta

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  1. Sonia Maria de Souza Cavalcante said, on 21/02/2010 at 10:28 pm

    Tenho muito interesse em participar doas palestras no espaco da Livraria. Grata,


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