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Semana da água: uma tímida mobilização da sociedade

Posted in Cidade by micheletavares on 14/04/2009
 

João Carlos Santos da Rocha por Daniele Melo

João Carlos Santos da Rocha por Daniele Melo

O evento que deveria mobilizar toda uma sociedade ficou reduzido à participação de especialistas da área

Por Daniele Melo e Bianca Oliveira

“Desde 97 quando foi criada a Superintendência dos Recursos Hídricos, a gente vem organizando esse dia da água, que passou agora a ser a ‘Semana da Água’. Era importante que fosse um mês, um ano, que fosse sempre, mas pelo menos a gente conseguiu ampliar esse debate”. Alertou João Carlos Santos da Rocha, integrante da comissão organizadora durante o II Encontro de Recursos Hídricos, na última quinta-feira 26 de março, realizado no auditório da Embrapa.

 

O Encontro é um evento integrante da ‘Semana da Água’ no nosso estado e tem por objetivo ampliar as discussões sobre a água junto às ONGs, aos estudantes, às pessoas com projetos e trabalhos na área de recursos hídricos, estudiosos e a sociedade em geral. A Assembléia Geral das Nações Unidas instituiu em 1993, o dia 22 de março para a comemoração do “Dia Mundial das Águas”. O objetivo é alertar a sociedade em geral, pois as previsões não são as mais otimistas. Segundo relatório da ONU (Organizações das Nações Unidas), em 2050 cerca de dois bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de recursos hídricos, já que somente 3% de toda a água terrestre é apropriada ao consumo humano.

 

Foi para comemorar esse dia que em Sergipe ocorreu, entre os dias 22 e 27 de março, uma semana dedicada inteiramente ao tema. Com o slogan “Protegendo as Águas de Sergipe”, o evento foi oficialmente aberto no dia 23 de março, em solenidade no Teatro Tobias Barreto, mas as atividades iniciaram-se no domingo com uma panfletagem na Orla de Atalaia e prosseguiram durante toda a semana com palestras, mesas redondas e o II Encontro de Recursos Hídricos. O foco desta semana é a maior conscientização de jovens e adultos sobre a atual situação dos recursos hídricos sergipanos. Entretanto, como promover essa conscientização sem que a população esteja envolvida? Para realizar uma ‘Semana da Água’ é necessário a participação massiva da sociedade, uma vez que o evento é voltado para a conscientização da mesma.

 

 

Semana da Água, palestra realizada na AEASE

Semana da Água, palestra realizada na AEASE

O II Encontro de Recursos Hídricos, que ocorreu no auditório da Embrapa no último dia 26 de março, era um espaço reservado para apresentar ao público trabalhos e projetos realizados na área para assim desenvolver uma discussão junto à sociedade, entretanto foi possível perceber o vazio nos espaços voltados para os debates.  

Na ocasião, foram apresentados 46 trabalhos, de várias instituições como a DESO (Companhia de Saneamento de Sergipe), a SEPLAN (Secretaria do Estado do Planejamento de Sergipe), a PRONESE (Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe), a UFS (Universidade Federal de Sergipe) e a própria EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que envolviam questões e problemáticas referentes aos recursos hídricos sergipanos envolvendo diretamente diversas comunidades.

 A representatividade desta parcela da população foi prejudicada pela ausência de seus representantes no evento. Questões importantes como estas devem ser discutidas por aqueles que são diretamente afetados. O mesmo ocorreu na última mesa redonda, dia 27 de março, no encerramento, onde foram discutidas “Ações em Gestão Ambiental e dos recursos Hídricos” no auditório da AEASE (Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe) onde foram apresentados trabalhos importantíssimos por instituições públicas e privadas. A DESO apresentou uma exposição do plano de sua gestão ambiental e empresarial, a CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco) apresentou suas ações para a proteção dos recursos hídricos sergipanos, entre outros trabalhos. Mais uma vez, o auditório estava praticamente vazio. Estavam presentes somente aqueles que apresentariam seus projetos. Onde estariam as pessoas, a comunidade?               

Público durante debate sobre as águas

Público durante debate sobre as águas

No encerramento, o representante do secretário do Meio Ambiente e consultor técnico da Secretaria, Carlos Clériston, ao explanar sobre alguns projetos relacionados à proteção dos mananciais sergipanos, explica que a Semana da Água é uma das iniciativas do governo para incentivar a participação da população. “A gente está agora com as atividades da semana da água, chamando a sociedade para participar, através de campanhas que deverão ser feitas, via mídia seja rádio, televisão e nos fóruns também. Acredito que a sociedade deverá ser chamada a participar, até por que se não participar, com certeza a gente não vai ter o êxito que precisamos para que o rio seja preservado e tenha sua revitalização plena”.

A idéia de promover não só um dia, mas uma semana inteira de discussões é uma excelente iniciativa para promover a conscientização e proteção das águas de Sergipe. Porém, nada disso pode ser promovido sem que a sociedade se envolva nessa luta. É necessário voltar o olhar da sociedade para questões como essas. Talvez uma campanha de divulgação mais eficaz trouxesse, para o do dia-a-dia de cada sergipano, reflexões sobre o uso consciente da água e assim, este pudesse interferir e questionar possíveis soluções junto ao governo.

 

Águas sergipanas: Um motivo de preocupação!

 

O dia 22 de março foi escolhido pela ONU para ser o dia Mundial das Águas. Data mais do que pertinente para abrir a ‘Semana da Água de Sergipe’, evento que chamou a atenção da sociedade civil organizada e não organizada, para atentar para os problemas hídricos no Estado. Entretanto, cuidar das águas sergipanas não é de desígnio exclusivo da população. Segundo Lílian Diniz Vanderlei, diretora de Gestão Ambiental da DESO, essa ação deve estar associada às atividades governamentais, uma vez que atividades ligadas ao saneamento básico são de incumbência dessas autoridades. “A DESO está fazendo a construção de redes coletoras, porque na medida em que se coleta e trata os esgotos, tem-se um despejo de um afluente em boas qualidades ambientais e não vai poluir o corpo hídrico que está recebendo esse esgoto. Isso é uma prova de um programa de revitalização direto, na medida em que se despolui o manancial”, explica.

 

Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe

Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe

Apesar de tantos projetos, as condições das águas sergipanas e das redes de esgotos são um tanto preocupantes. “Aracaju tem uma quantidade enorme de esgotos que não são tratados porque não há rede coletora, as redes não foram construídas, tem sete estações na região metropolitana de Aracaju, mas as redes não abrangem a cidade”, revela Lílian Diniz. Exemplos de abandono e degradação são encontrados não só na capital, Aracaju, mas também no interior. Um caso alarmante é o do Açude do povoado Marcela, na cidade de Itabaiana, que a cerca de um mês atrás amanheceu com sua superfície e margens lotadas de peixes mortos. A região do açude é usada erroneamente como uma espécie de lixão. O lixo acumulado nas proximidades encontrou na chuva uma forma de escoamento para dentro do açude.

 

Com tantas evidências é impossível discordar da necessidade de se adotar uma política ambiental eficaz para reverter a atual situação das águas sergipanas. Quando questionado sobre essa situação, Carlos Clériston, consultor técnico da Secretaria de Meio Ambiente, fez a seguinte explanação: “Estamos construindo a barragem do rio Poxim que vai dá um suporte para o abastecimento de água em Aracaju. Além disso, estamos com o projeto da adutora “Sertão Sertanejo” que também vai injetar água para Aracaju e um projeto para revitalizar o rio Sergipe, em torno de U$127 milhões que vai ser aplicado em esgotamento sanitário, em preservação de nascentes e despoluição do rio”.

 

Sobre os planos do governo para manter a ordem ambiental no estado, o consultor técnico da Secretaria de Meio Ambiente, nos traz uma boa notícia: “Através de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão sendo feitas algumas obras no bairro Santa Maria e em outras localidades de Aracaju que visam exatamente tirar a carga de esgotamento sanitário que é jogada nos rios trazendo, com isso, melhores condições de saúde e de higiene para a população”.

 

 

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