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Bem vindo Audiovisual

Posted in Cultura, Extensão, UFS by micheletavares on 15/04/2009

A expectativa da mudança do curso de Radialismo para Audiovisual no Mercado de Trabalho Sergipano.

 Por Marta Olívia e Andreza Lisboa

Entrada do Núcleo Digital Orlando Vieira por Marta Olívia

Entrada do Núcleo Digital Orlando Vieira por Marta Olívia

 

Acolhendo a solicitação do Programa de Apoio a Planos de  Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), alguns cursos tiveram sua grade modificada e outros simplesmente foram substituídos nos últimos anos no Brasil. Esse é o caso do curso de Comunicação Social com habilitação em Radialismo, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) que foi substituído pelo curso de Audiovisual.

Dentro desse panorama está a extinção do curso de Radialismo em virtude da criação do curso de Audiovisual que surge da idéia de acompanhar as novas tendências nacionais sentidas nas grandes universidades do Brasil. Liderada pela Universidade Federal de São Paulo (USP) a mudança do perfil da habilitação em Radialismo tem como foco alcançar as produções, da qual é chamada hoje mundialmente de Novas Mídias. Diante dessa perspectiva, essa mudança da habilitação contemplaria então as diversas mídias e gêneros agora existentes: cinema digital, televisão de alta-definição, TVs educativas e comunitárias, rádios on-line, educação a distancia, divulgação científica, comunicação institucional, dispositivos móveis de comunicação, Internet 2, Telemedicina.

Esse projeto de mudança do perfil do Radialismo para audiovisual desencadeou diversas pesquisas e estudos. Baseado no plano de diretrizes curriculares aprovado pelo Ministério da Educação (MEC) e nas grades de todas as universidades que possuem o curso de audiovisual no país, esse novo perfil foi criado de acordo com a realidade estrutural e as necessidades da UFS, mas foi centrada principalmente em duas grandes universidades, a Universidade Federal de Brasília (UNB) e a USP. Mesmo levando em consideração todas as dificuldades da instituição, a grade tem como “espinha dorsal”, disciplinas práticas e teóricas desenvolvidas com sucesso nestas instituições diante do mercado de trabalho nacional.

De acordo com professora do Departamento de Comunicação Social da UFS, Lílian França, a grade curricular da UFS está bem planejada e articulada com as demais instituições. “A hora é muito boa para se trabalhar na área de audiovisual em todo território brasileiro, principalmente no estado de Sergipe, onde tem apresentado um crescimento muito significativo nas produções independentes”, defende. Além disso, Lílian também ressalta a necessidade de criação de um mercado local para o audiovisual. “A produção do estado em audiovisual é muito boa e o mercado vem se mostrando bastante amplo e necessitado de profissional com determinadas especialidades na área”, comenta.

A mudança…

O perfil do curso de Radialismo foi mudado  justamente

Professor Jean Fábio Borba por Andreza Lisboa
Professor Jean Fábio Borba por Andreza Lisboa

para alcançar diversas áreas que estavam sendo desenvolvidas em outras entidades, e que o curso de Radialismo não tinha condições de contemplar. Mas como toda mudança, essa implantação de novos cursos deixou várias indagações. Uma delas se estabelece em relação à produção. O curso de audiovisual é voltado para a produção midiática, isto é, qualquer tipo de produção feita com aparelhagem tecnológica, de pequeno a grande porte, com objetivo de veicular mensagens simbólicas como forma de comunicação.

Mas será que a Universidade Federal de Sergipe está preparada para receber a demanda de novos alunos ávidos para ingressar no mercado e na dinâmica da produção audiovisual? Segundo um dos professores responsáveis pela criação do novo curso, Jean Fábio Borba, os alunos terão muitas dificuldades e uma delas, será a falta de estrutura tecnológica. “A expectativa no sentido do que o aluno pode esperar do curso, vai esbarrar na questão da distribuição das disciplinas entre o quadro de professores e da falta dos equipamentos. Existe um projeto de licitação para adquirir novos materiais, mas por enquanto nós estamos brigando por esses equipamentos”, declarou o professor.

Embora a fundação dos novos cursos no Departamento de Comunicação Social da UFS tenha sido vinculada e extraída a partir da existência de um complexo de comunicação, a falta dele implicará certamente na formação dos alunos. A formanda da turma de 2009/1 do curso de Radialismo, Camila Araújo, relata que faltou um maior aparato tecnológico e que isso condenou a possibilidade de aprimorar seus estudos e a técnica da profissão. “De fato, é uma mudança de curso interessante, tendo pontos positivos e negativos. Minha formação acadêmica, por exemplo, não foi horrível, mas poderia ter sido melhor, levando em consideração a não atuação desse complexo’, comenta.

Prováveis parcerias

Coordenadora do NPDOV Maíra Ezequiel por Marta Olívia

Coordenadora do NPDOV Maíra Ezequiel por Marta Olívia

No meio desse cenário da comunicação aqui em Sergipe, podem-se notar algumas contradições. Em 2006, foi criado o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira (NPDOV), integrado à Rede Olhar Brasil, fundado em parceria com a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e com a Prefeitura Municipal de Aracaju, a fim de apoiar a produção independente local. O núcleo é uma das 11 unidades em todo o País que integra o Programa Rede Olhar Brasil, do Governo Federal. O mesmo disponibiliza cursos de formação e capacitação em audiovisual, oficinas, cineclubes, mostras, fórum, workshops, dentre outros.  Salas de aula, DVDteca, ilha de edição de vídeo, ilha de edição de áudio, laboratório de fotografia e sala para preparação de atores e vivência, compreendendo a estrutura física do local.

Por se tratar de um estabelecimento público, o núcleo digital possibilita que pessoas interessadas e com certo conhecimento da área desenvolvam lá os seus projetos. Para a coordenadora pedagógica do NPDOV, Maíra Ezequiel, o núcleo é um lugar de fomento à tímida produção local. “A demanda que já existe demonstra que as pessoas têm vontade de fazer e produzir cada vez mais”, diz Maíra. Então, levando em consideração a ausência de um complexo de comunicação dentro da UFS, por que a universidade ainda não sinalizou nenhum interesse em buscar parceria com o NPDOV, uma vez que este também se trata de um investimento do Governo Federal?

Cabe ressaltar que outras parcerias já foram negociadas

Laboratório do FREMIR na UFS por Andreza Lisboa
Laboratório do FREMIR na UFS por Andreza Lisboa

com a UFS, a exemplo do canal de televisão da Rede Aperipê (do Governo do Estado) e o canal a cabo TV Caju. Além disso, existe uma clara tentativa de amenização da falta desse complexo na UFS com projetos desenvolvidos dentro da instituição, a exemplo do FREMIR, um projeto semindependente de animação produzido por alguns alunos da própria universidade.

Mas qual o motivo de ainda não ter sido feita uma união entre essas duas instituições, já que o núcleo é um espaço aberto para a busca de estudo e criação nessa área?

O núcleo de produção digital serviria como laboratório para esses alunos tão necessitados de um aparato tecnológico. “Tudo aqui é público. O espaço possui cinco ilhas MAC toda equipada, a melhor estação de edição, sem burocracia nenhuma A única burocracia é que traga um simples oficio pedindo a utilização”, explica Maíra. E, acrescenta: “Para quem precisa de áudio, tem sete ilhas MAC também em outro local, o máximo que vai precisar mostrar é que sabe usar os aparelhos”.

Não existem, ainda, turmas formadas em audiovisual no Estado, o que existe é uma demanda de profissionais independentes, ‘amadores’ e alguns profissionais especializados vindos de fora do Estado, atuando hoje no mercado de trabalho sergipano.

A idéia de que a universidade seja um local de troca e aperfeiçoamento de conhecimento, pode estar um pouco ultrapassada, mas é necessário buscar sempre fontes extras curriculares para suprir algumas necessidades surgidas no caminho da formação profissional. A grande sacada do momento é buscar fontes alternativas de conhecimento, ser criativo e ‘ficar de olho’ nas novas tendências de mercado e de aperfeiçoamento. Fica ai a dica!

 

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O REUNI é um programa do governo federal no qual tem um investimento de R$ 64 milhões para custeio com manutenção, pessoal, funções gratificadas e cargos de direção e, ainda, investimento de R$ 81 milhões em novas obras, recuperações e equipamentos, além da contratação de 344 novos professores e 447 servidores técnico-administrativos em todas as universidades brasileiras. É um projeto para ser executado no período de 2008 -2012 e que estabelece também a criação de novos cursos e novas assistências pedagógicas para todo o sistema acadêmico brasileiro.

2 Respostas

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  1. caio said, on 18/08/2009 at 8:23 pm

    bem queria saber se as oficinas da ufs e aberta para não alunos e a taxa para se escrever dos cursos neste segundo semestre ok?

  2. Arthur Pinto said, on 11/11/2009 at 12:36 pm

    o que mudou desde essa época pra agora!? nada!!!


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