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Está Servido?

Posted in UFS by micheletavares on 20/04/2009

Durante uma semana, a equipe de reportagem do Empautaufs acompanha produção no Resun e apresenta como funciona o setor

Por Juacy Júnior e Pedro Ivo

Distribuição da refeição no Resun (Por Juacy Júnior)

Distribuição da refeição no Resun (Por Juacy Júnior)

Quando o assunto é alimentação na Universidade Federal de Sergipe, a resposta parece unânime: o Restaurante Universitário (Resun) é o último lugar onde seus estudantes preferem comer, segundo enquete disponível no site de relacionamento Orkut. Entretanto, quem busca alimentar-se em outro lugar que não seja o Resun, precisa desembolsar um quantia no mínimo 5 vezes maior. Os restaurantes fora do Campus servem comida ao custo médio de R$ 6 (prato feito) e um lanche simples também dentro da Universidade sai acima do valor cobrado pelo Restaurante Universitário: apenas R$ 1.

E, mesmo com suas imensas filas, ambiente pouco agradável e refeições nada apetitosas, o Resun esforça-se para manter-se aberto. Construído em 1980, através de verbas do antigo Ministério da Educação e da Cultura (MEC), este era um projeto do Governo Federal que visava ajudar aqueles estudantes que possuíam baixa renda, oferecendo-lhes alimentação a um baixo preço. Porém, hoje, o Resun funciona numa ‘legalidade ilegal’, como define o secretário do local, Antônio Reis Andrade, pois desde que Fernando Collor de Melo engavetou o projeto no inicio dos anos 90 é a própria universidade que custea os gastos na manutenção do Resun, estando aos cuidados da a Pro-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proest), já que este não se mantém com o que arrecada mensalmente.  

 

 

 Mão na Massa (por Juacy Júnior)

 

Mão na Massa (Por Juacy Júnior)

Mão na Massa (Por Juacy Júnior)

 O 1º turno das pessoas que trabalham na produção das refeições no Resun começa às 6 e termina  às 14 horas. Já o 2º turno tem seu inicio às 12 e vai até as 20 horas. Estes funcionários enfrentam uma batalha diária para a produção de um almoço estimado para 1000 pessoas e um jantar para 500 pessoas. Para o cozinheiro Manoel Messias de Andrade apesar da correria, o trabalho é prazeroso, o problema mesmo é a falta de pessoal pra ajudar na preparação. Atualmente, no quadro de funcionários do Resun constam 29 nomes, deste quais 9 trabalham na administração e os outros 20 trabalham na produção, o que já seria um número bastante limitado para dar conta da demanda existente.

Mas o que preocupa mesmo é número real de funcionários que exercem suas atividades, apenas sete, pois dested 20 existentes na folha salarial, 10 estão requerendo sua aposentadoria e outros 11 possuem restrições médicas. Outro dado alarmante é que não existe nenhum nutricionista compondo o quadro de funcionários que oriente os cozinheiros na produção do alimento, e que estabeleça um carpádio com valores nutricionais adequados. Entretanto, este acompanhamento é feito de forma voluntária por uma professora de Nutrição, que não quis comentar o fato.

Para a preparação de tantas refeições, é utilizado equipamentos de ponta… Correto? Errado! Apesar da grande quantidade de alimentos utilizados, os panelões já passaram da hora de serem trocados, assim como o equipamento que faz a limpeza das bandejas usadas pelas pessoas que freqüentam o local. Este é todo sucateado e não funciona da maneira correta colocando em risco seu operador. 

Equipe de cozinheiros do Resun (por Juacy Júnior)

Equipe de cozinheiros do Resun (por Juacy Júnior)

A limpeza do refeitório do Resun é feita por uma empresa terceirizada, que também cuida de diversos outros setores do campus, e recebe R$ 560 mil anuais. Já dentro da cozinha, são os próprios funcionários encarregados de toda arrumação, inclusive das bandejas, panelões e talheres. Porém, eles não possuem material adequado para exercer esta função, fazendo um serviço insuficiente e limitado, como José Augusto relata: “O risco de uma queimadura é muito grande já que máquina não esquenta a água e sou eu quem a todo instante abastece com água fervendo, além disso meus braços ficam muito cansados por que a esteira não puxa a bandejas sou eu quem as empurras para dentro da máquina”. Além disto, o pessoal que trabalha na produção não utiliza os equipamentos de segurança, ocorrendo algumas vezes acidentes, em sua maioria queimaduras. A máquina que faz a esterilização dos talheres está quebrada a algum tempo, sendo portanto manual a limpeza dos talheres.

Hora de Reforma

resun-curiosidadesA última reforma feita no Resun aconteceu em janeiro de 2008, porém problemas estruturais já desapontam no local. Há uma parte na entrada do refeitório que falta uma parte do piso, além de alguns ventiladores quebrados, e uma outra área interditada. Na cozinha é preciso modernizar as caixas de gordura, além de reparos hidráulicos e elétricos. Prometida para o mês de julho deste ano, a próxima reforma no Restaurantese concentrará na cozinha e inclui a troca de algumas máquinas e reparos nos problemas estruturais citados. Alguns equipamentos inclusive já foram adquiridos, mas esperam apenas a modernização do local para serem utilizados.

Embora não haja separação nas contas do Restaurante Universitário, os gastos mensais são exorbitantes, folha salarial, limpeza, contas de luz e água, gás, compra de alimentos, fazem com que se eleve os gastos. Uma prova disso é o déficit causado apenas pelos gastos com as refeições servidas em 2008. O custo foi registrado acima de R$ 500 mil e a arrecadação foi de apenas R$ 162.410 deixando a balança no déficit de pouco mais de R$ 375 mil. Segundo informações da Proest, a verba destinada ao Resun é custeada pela própria UFS, que faz o repasse das verbas enviadas pelo Governo Federal.

Antes do ‘rango’

 

 

 

Filas para o almoço (por Juacy Júnior)

Filas para o almoço (por Juacy Júnior)

Para as pessoas que freqüentam o Resun é necessário antes de tudo muito paciência, para adentrar no local é preciso encarar três filas: uma para comprar o ticket, outra para deixar seus livros no guarda-volume e por fim a fila de entrada no refeitório. Para o operador do caixa, Serafim, as filas poderiam ser diminuídas se as pessoas comprassem os ticket com antecedência ou se fizessem grandes recargas para evitar todos os dias essas mesmas filas. “Além disso, um dos caixas está quebrado e isto causa o aumento das filas. Um novo aparelho custa em torno de R$ 2000”, relata.

E, como é proibido entrar no refeitório com bolsas, livros ou outros materiais, antes de entrar no refeitorio o aluno se desloca em direção ao guarda-volumes. As pessoas responsáveis, são os próprios estudantes que são escolhidos pela Proest, de acordo com a comprovação de renda. Estes estudantes recebem bolsas de R$ 250 e trabalham 4 horas diárias. 

Cabe ressaltar que o espaço do Resun é utilizado também para  promover encontros, palestras, debates e shows. Possui sonorização ambiente que transmite a programação de Rádio UFS. É um dos espaços preferidos do Campus para os acadêmicos, como afirma Ramon estudante de Odontologia: “O  Resun é um lugar mais calmo dá para relaxar, conversar e paquerar um pouco”. 

Restaurantes Universitários no Brasil

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