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Além de poeira e traças

Posted in Uncategorized by micheletavares on 25/05/2009

Em 2009 a Biblioteca Central da Universidade Federal de Sergipe comemorará 30 anos de fundação. Fomos lá conversar com uma figura ilustre e popular da BICEN, a diretora Rosa Gomes Vieira. Conhecedora como poucos das históricas transformações e descasos sofridos pela nossa trintona, Rosa não exitou em responder uma pergunta sequer: desde os descuidos dos estudantes com o livro até o atual processo da Reforma Universitária.
                                                                                                                                                   Por  Jean Christian e Irlan Simões
ilustrativa

  

  

 

EmPauta: Rosa, há quantos anos senhora já trabalha na Biblioteca Central da UFS?
Rosa: Já são 8 anos como dire- tora. Na instituição são 34 anos.

EmPauta: Só na BICEN?
Na Biblioteca da UFS, mas não na BICEN, porque ela só veio a existir na década de 80 [veja o box ao lado explicando a história da Biblioteca Central da UFS].

EP: Quanto ao processo de  admissão de funcionários pa- ra a BICEN, como é feito?
R: Antigamente era feito por cur rículo, hoje é por concurso público, mesmo. Antes num processo de enquadramento, você apres- sentava seu currículo com a sua formação e mudava de cargo.  Hoje, mesmo que você tenha qualificação, só por concurso. 

EP: Quantos são os funcioná- rios da BICEN?
R: Hoje 23 bibliotecários para to- das as bibliotecas. A BICOM tem apenas 1 funcionário, BISAU 2, a de Laranjeiras tem 1, a de Itaba- iana 2… Vagas disponibilizadas pelo MEC.

EP: Isso inclui bolsistas?
R:Não, esses são os concursados. Temos 18 bolsistas, 19 auxiliares e 7 terceirizados. Parece ser um quadro grande,  mas é pequeno porque são três turnos. Para o número de alunos, todo trabalho que temos…

EP: Em relação aos concursos, são abertos todos os anos?
R: Não. Os concursos esse ano vieram de acordo com a expan- são da universidade. Foram realizados para os técnicos com as vagas já determinadas para  alguns cargos, como bibliotecário, administrador, box(1)arquiteto. O que não quer dizer que daqui para o próximo ano o MEC abra de novo  esses concursos e disponibilize mais vagas. Acredito que não. A maioria das vagas é geralmente para professores, o quadro de técnicos é muito reduzido.  

EP: Quais os artifícios a senhora, aqui na biblioteca, se utiliza para requisitar da reitoria melhorias?
R: A gente faz o planejamento e um ofício. Inclusive já fiz vários pedindo e informando a atual situação da biblioteca. Muita fila, equipamentos antigos… e a gente vai mostrando a  administração e a reitoria que há uma necessidade de investimento na biblioteca. A gente tem lutado muito por aqui. Se a gente não  reclamar, ninguém vem ver como é a situação da biblioteca.

EP: Quanto aos livros e materiais em geral, a biblioteca tem uma relação , faz um levanta- mento de dados?
R: A biblioteca dispõe de cerca de 150 mil exemplares e mais ou menos uns 43 mil títulos de livros, isso espalhado por todas as bibliotecas. 

EP: Anualmente quantos livros são adquiridos em média?
R: Na base de 5 mil volumes, es- se ano vieram na base de 10 mil.

EP: Sempre naquele processo de cada departamento requi- sitar, via biblioteca?
R: É. O departamento deve en- trar no site da biblioteca e requisitar os livros. Claro que ele deve estar sempre dentro do valor da verba que foi disponibilizada pelo ProQuali. É a questão do valor “aluno x curso”. Para o MEC cada curso tem um valor, por isso eles têm uma tabela. Disso é feito um cálculo e desse cálculo eles destinam o valor do dinheiro.

EP: E mesmo assim muitos livros não são adquiridos…
R: É porque algumas vezes,
principalmente professores 
das áreas de ciências huma-
nas,  requisitam livros que não são mais achados. Daí não há como ser adquirido  mesmo. E  esse dinheiro não vol-ta.

EP: Com relação ao número de livros danificados pelos estu-dantes, é um numero muito grande?
R: É muito grande o número. Acho que o aluno perde por não preservar o livro. Acho uma falta de consciência de cidadania es- tragar um patrimônio que é pú-blico e que poderia ficar aqui e ser passado de geração em gera-ção. Muitos alunos chegam a  rasgar duas ou três folhas do li-vro só para não precisar tirar  uma fotocópia ou até mesmo fa-zer o resumo da idéia da folha. 

EP: Os livros danificados voltam para prateleiras ou são retirados?
R: São retirados e jogados fora porque já não passa a servir pa- ra os alunos um livro sem uma folha ou ate mesmo um capítulo. E a gente só vai saber disso  quando algum aluno leva para  casa e volta fazendo a reclama-ção.

 

EP: São catalogados quantos livros são danificados por ano?
R: Não porque esses livros dani- ficados geralmente são percebi- dos por alunos que levam para  casa e volta reclamando que o livro ta sem tais capítulos ou sem tal folha.

EP: E de livros não devolvidos, é grande o número?
R: Na verdade quase não há es-se número porque os alunos são obrigados a devolver por motivos trancamento, transferência de curso, diplomas, etc… para que eles consigam alguma dessas funções é preciso primeiro pos-
suir o “nada consta” no registro da biblioteca.

EP: Em relação ao espaço físico da BICEN, é ideal pro número de livros da biblioteca?
R: Não é. Inclusive já está sendo feita uma reforma de 300 m² de ampliação na sua estrutura. E um mezanino das mesmas di-mensões.


EP: O espaço destinado a área de estudo aqui na biblioteca é suficiente para esse número crescente de alunos?
R: Não, o espaço está muito a-pertado para que um aluno pos-sa estudar confortavelmente. Dependendo da hora em que o aluno venha a estudar irá faltar cadeira, mesa, o ar já não será tão agradável… devido à quan-tidade de pessoas muito grande, sem contar que são aparelhos antigos e sem manutenção peri-ódica.

 

EP: Foi alegado recentemente por uma professora do De-partamento de Artes e Comu nicação que muitos livros requisitados em anos anteriores haviam sido re     quisitados, mas por falta de espaço físico, prateleiras e estantes, não foram      ainda catalogados
R: O espaço da BICEN suporta sim, o que não ajuda muito é a falta de mão-de-obra mesmo. Mas os livros de 2008 já estão terminando de ser catalogados.

EP: Então o problema não é espaço…
R: Isso aí dá jeito, a gente dá uma apertada. O problema é que o trabalho é muito grande. Tem que registrar, colocar no sistema, códigos de barra… Com equipa-mentos danificados, piora tudo. Falta mesmo é pessoal.



R:A obra começou em janeiro, de lá para cá eles tem um ano  para conclusão, porém as obras estão em um ritmo muito lento e se continuar assim só mesmo  daqui a uns dois anos ou mais.

EP: Qual a previsão para a con-clusão das obras que estão  sendo feitas na biblioteca?

 

EP: Como o REUNI (Programa de Reforma Universitária) vem a influenciar na BICEN?
R: O REUNI vem influenciar em toda a universidade. A partir do momento que ele abre mais cur-sos e dobra o numero de alunos ele vem influenciar em todo o campus, restaurante, biblitote- ca… Todo o complexo que envol- ve a universidade, porque nos e-xige cobrir essa demanda, e o trabalho agora é dobrado (risos).

EP: Para senhora o problema maior então é…?
R: Aqui na BICEN nós temos um problema com esse numero de alunos. Porque temos carência  de recursos humanos para que possamos atender esse numero cada vez maior de estudantes,  que vem repercutir em filas para empréstimos de livros. A univer-sidade está crescendo, os alunos estão aumentando, mas o núme-ro de funcionários e equipamen-tos para que seja feito o trabalho aqui na BICEN continua o mesmo e antigos (sucateados). A Uni-versidade tem crescido de um la- do mas não tem dado atenção ao lado dos técnicos. Disponibilizou muita vaga pra professor e es-queceu da parte do apoio. Tem que equilibrar, o espaço, com os materiais, com a mão-de-obra.

box

EP: Quanto aos equipamentos da biblioteca o qual a sua  avaliação?
R: É preciso ter uma moderniza-ção e manutenção desses apare-lhos. Temos aqui na BICEN, para trabalharmos, computadores de 10 anos atrás que não pega nem pendrive, nem cd, funcionam só com disquetes! Temos uma sala com acesso a internet, que foi a partir de um acordo da Frente de Paralisação [amplo  processo de mobilização estudantil ocorrido em 2007] mas não temos manu-tenção desses aparelhos e com o uso continuo esses computado-dores acabam quebrando.

EP: E nesse caso, pra requisi-tar a manutenção ou recolo-cação desses equipamentos já é um novo processo…
R:Ah, é. Nisso eu tenho que enviar a planilha de planejamen-to à COGEPLAN [Coordenação
Geral de Planejamento]
. Inclusive eles até me convidaram para pegar essa planilha de volta e cortar alguns materiais que eu pedi, porque não vai dar pra cobrir tudo

EP: Mas a BICEN não tem um orçamento próprio?
R: Não tem. A gente sabe que a BICEN é um órgão suplementar, mas a gente não tem orçamento. A gente trabalha no escuro sem saber quanto vai dar. Ano passa-do ela me deu de equipamento 20 mil reais!

EP: E a senhora já ta aqui há 8 anos…
R:É, de ano pra ano não muda muito não. E o pior é que vem  quase todo dia gente aqui recla-mar que falta isso, que falta  aquilo… Eu digo “vá reclamar com o reitor que é quem pode mudar alguma coisa aqui, eu já tentei de tudo” (risos). Pra mim é isso, é o estudante. Ele é o porta-voz para melhorar essa universidade.
EP: Uma ótima mensagem para encerrar a entrevista, por sinal…
R: Pois é… Se você for ficar parado esperando que os diri-gentes daqui te dêem uma por-ta, e digam que isso aqui tá ruim… Porque aqui quem recla-ma fica de lado, né? Professor mesmo pensa as vezes que a  instituição gira em torno dele. E em certos momentos gira mes-mo, mas ele não dá contribuição quase nenhuma aqui. Vai na aula quando quer, as vezes nem apa-rece, vem aqui dá uma palavri-nha e vai embora, acha que é a estrela da universidade…. Tá recebendo, né? Pra que questio-nar? A partir do momento que você questiona você dá espaço para lhe questionarem. Pra mim é isso aí: o estudante  tem mesmo é que se organizar e cobrar uma universidade melhor.

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