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VIDA LONGA AO ROCK SERTÃO!

Posted in Cultura by micheletavares on 25/05/2009

Por Marta Olivia e Rebeca Rocha


camisa

Rock Sertão 2009

Durante os dias 15 e 16 de maio, o rock inundou a capital do sertão. A Praça Antônio Alves Oliveira em Nossa senhora da Glória, 126 km de Aracaju, foi mais uma vez palco da sétima edição do conceituado festival de rock do estado: o Rock Sertão. Nesta edição do Rock Sertão (R.S.) contou com a presença de 13 bandas regionais. Mesmo com várias dificuldades os organizadores da festa atenderam a todas as expectativas. E as bandas mostraram mais uma vez que Sergipe tem muita música de qualidade. Os estilos musicais foram bastante diversificados, o público prestigiou do calmo indie-rock ao turbulento thrash metal.

O Rock Sertão é um evento que tem como objetivo incentivar e divulgar a produção musical do Estado. E já passaram nele várias bandas regionais como Tchandala, Alapada, Maria Scombona, Naurêa, Plástico Lunar e até o artista nacional Zeca Baleiro.    O diferencial do Rock Sertão da maioria dos outros festivais é que ele é criado exclusivamente por sergipanos.  E com a seguinte pretensão: atender o público sergipano, gratuitamente. Foram sete edições. A primeira delas foi realizada em 2001 e desde então o evento e o público não param de crescer.

Produzido pela banda local Fator RH, o festival, que mistura o bom e velho rock´n’ roll com música alternativa, tem uma história bastante peculiar.  É essa história que Kleberson Santos, o famoso Binho, cantor da banda e idealizador do festival, nos conta agora numa gostosa entrevista a tragetória do festival, as expectativas e a dificuldade de colocar em funcionamento esse evento já consagrado, que faz parte do calendário cultural não só de Glória mais de todo o Estado.

EmpautaUFS: O que é o Rock Sertão?

Binho: É um evento democrático sem fins lucrativo, que tem como objetivo apresentar artistas locais que possuem bons trabalhos musicais que por motivos financeiros ou por falta de espaço não tem como emergir e reagir ao mercado musical.

EmpautaUFS: Há quantos anos ele existe?

Binho: A idéia do Rock Sertão é mais antiga, sempre tive vontade de fazer um festival de rock, mas coragem só consegui em 2001(risos). Ao todo o R.S. tem nove anos de produção, no entanto só foi possível a realização de sete edições. Os anos de 2002 e 2003, não tivemos nem grana e nem patrocinadores pra que o evento fosse executado.

EmpautaUFS: O número de parceiros e organizadores é o mesmo desde a primeira edição?

Primeiro Rock Sertão

Primeiro Rock Sertão

Binho: Com muita certeza não. O primeiro Rock Sertão foi na verdade uma brincadeira. Uma de minhas “loucuras”.  Montamos uma banda, a fator RH, e não tínhamos onde tocar e decidimos ir a praça a procura de fãs. Naquela edição eram apenas duas pessoas: eu e Jeferson, antigo guitarrista da banda, e o pessoal da banda mesmo.

EmpautaUFS: Qual o seu objetivo?

Binho: Naquela época era só tocar. Tocar e tocar. Vontade de mostrar que a gente tinha capacidade de produzir algo de boa qualidade. A medida que o evento foi crescendo e que a gente tinha contato com outras bandas a vontade de apresentar outras produções também foi crescendo junto. E hoje temos um grande projeto que é o R.S.

EmpautaUFS: Como o evento se mantêm financeiramente?

Binho: Então, como eu falei o Rock Sertão não tem fins lucrativos e o objetivo é propagar música de qualidade nos quatro cantos do estado. O dinheiro que financia o evento é todo de patrocinadores tanto locais quanto estaduais. Ao longo dos anos conseguimos várias parcerias. Umas mais duradouras que outras. Outras passageiras, mas o evento não tem nem partido político, nem gosto, nem sexo. Toda ajuda é bem vinda, o que importa é a boa vontade de ajudar a festa.

EmpautaUFS: O que os patrocinadores ganham com isso?

Binho: Boa pergunta. Na verdade nem eu sei. Ás vezes acho que esse povo também é louco (risos). Na verdade, acredito que é vontade de conhecimento, vontade de cultura, de inovar. Na verdade todos ganham. Em dias de festival todo o movimento do comércio gloriense aumenta, a cidade vira atração turística. A população se empolga e a cidade fica em clima de festa, é impressionante!

EmpautaUFS: Como é estruturado o evento?

Binho: Em 2005, no Rock Sertão Três, o festival ganhou vários adeptos e foi criado um projeto próprio, desses escritos no papel mesmo, cheio de burocracias. Foi a partir desse projeto que começamos a criar regras e estruturar melhor o evento. Na verdade, temos mantido quase a mesma estrutura sempre, o que muda são as bandas e os transportes para mesmas, alimentação e hospedagem.

EmpautaUFS: As bandas são remuneradas?

Kleberson Santos, o Binho

Kleberson Santos, o Binho

Binho: Ainda não, Infelizmente. O sonho do Rock Sertão é um dia pagar pelo talento e pelo esforço das bandas que participam do evento. Só quem está dentro de uma organização como essa sabe como é difícil não ter grana para pagar. Ninguém gosta de trabalhar de garça, mas a vontade de ser reconhecido nesse cenário ainda é maior, é por isso que o R.S. ainda dá certo.

EmpautaUFS: Como as bandas fazem pra chegar no local do evento? São elas que são responsáveis pelo deslocamento?

Binho: Nem sempre. Todos os anos o dinheiro dos patrocinadores é destinado a pagar os transportes para as bandas. Para pagar também o palco, o transformador, o som, e outras necessidades que aparecem em dias de festivais, tipo quebra de equipamentos por exemplo. Antes do apoio da Prefeitura Municipal o evento também pagava hospedagem e alimentação, mas nos últimos eventos a Prefeitura esta ajudando muito nesse quesito.

EmpautaUFS: Em 2002 e 2003 o festival não aconteceu por quê?

Binho: Muito simples: falta de dinheiro. Depois da primeira edição do Rock Sertão, a idéia era amadurecer o festival, tentar expandir o mais longe que podíamos. Mas a falta de patrocinadores e verba para o evento dificultou e impossibilitou a realização do evento.

EmpautaUFS: E como foi o rock sertão dois?

Binho: Melhor que o primeiro, mas ainda muito amador. Não tínhamos experiência nenhuma com nada. Pedindo ajuda de um e de outro, e conseguimos fazer um festival humilde, mas com boa música.

EmpautaUFS: Podemos dizer que o R.S. é um evento que deu certo?

Binho: Com certeza. E a nossa esperança é que dê mais certo ainda. O que não falta no Rock Sertão são pessoas com muita vontade para  que Sergipe desencadeie cantores, músicos, artistas em geral.  Que nosso estado se mostre. Tem muita gente boa aqui, tem muito som bom, que precisa de um estimulo de um espaço e o Rock Sertão é com certeza mais que absoluta esse espaço.

EmpautaUFS: Como o Rock Sertão mantém sua identidade?

Binho: O ano passado, a festa teve uma grande atração de renome nacional. E o festival foi muito alvo de criticas. Questionamentos de várias partes. As próprias bandas indagaram sobre para quem era o espaço rock sertão e qual era sua identidade. E eu respondo agora: o Rock Sertão é, e sempre será, um espaço para Sergipe. Mais isso não quer dizer que tenhamos que nos fechar pra novas oportunidades. Ás vezes um artista nacional faz com que outras bandas tenham a oportunidade de abranger um publico diferente do seu que é atraído pelo famoso. É assim que acontece. Bandas desconhecidas abrem shows de bandas conceituadas e ganham na maioria das vezes mais adeptos por isso. Mas concordo com as bandas no seguinte ponto: na remuneração. As bandas “patrocinadas” (as bandas que recebem cachê) não são pagas com o dinheiro do festival, são acertos com outras entidades que nos beneficiam. Como eu já disse qualquer ajuda é bem vinda, não temos nenhum tipo de preconceito. Para nós da produção todos são profissionais, todos são iguais e infelizmente não temos como pagar pelas apresentações.

EmpautaUFS: O que falta para solidificar o nome do evento no calendário festivo do Estado?

Binho: Interesse. O festival é conhecido em todo o estado. Para vocês terem uma idéia esse ano recebemos material artístico de quase todo o Sergipe. De norte a sul, da capital ao interior mais distante. Isso que dizer que pelo menos os artistas do Estado já sabem onde podem se apresentar. E acredito que a população sergipana pelo menos já tenha ouvido falar do festival.

EmpautaUFS: Como é a seleção das bandas?

Binho: Desde a quarta edição, a organização disponibilizou endereços para que as bandas interessadas pudessem enviar seus materiais. Tanto endereços normais quanto virtuais foram fornecidos. Nós ouvimos as bandas e as encaixamos. De vez em quando o horário ou o dia não bate, mas sempre dá certo. O único pré requisito é que a banda tem que ter produções próprias.

EmpautaUFS:Fazer rock’roll” no interior onde é tão caracterizado pelo forró, um ritmo tão distante do proposto pela festa, e num cenário tão inusitado, gera espanto por parte da população?

Binho: Gerou muito. Agora mais não. A população se aderiu ao rock. Todo mundo gosta, incentiva. Lógico que houve uma conscientização. Nas primeiras edições havia pouco conhecimento do estilo, como você mesmo disse, por causa da cultura do forró, mas o R.S. ganhou seu espaço e respeito da população.

EmpautaUFS: Quem prestigia hoje o rock sertão?

Binho: todos. O rock sertão não tem idade, nem sexo nem cor, nem  divisão de classes. O som é para todo mundo que tem vontade de  conhecer e gosta de boa música ou de algo inusitado. Só posso dizer  que quem vai ao Rock Sertão certamente não esquece jamais.

Roqueiros organizadores

Roqueiros organizadores na 7ª edição

Zeca Baleiro na 6ª edição

Zeca Baleiro

Público da 6ª edição

Público da 6ª edição

Fator RH na 7ª edição

Fator RH

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