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Um papo sobre educação pública

Posted in Uncategorized by micheletavares on 27/05/2009
 

 

 

 

 

Profª. Maria Cristina Santos

Profª. Maria Cristina Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por Matheus Albuquerque Fortes

e Carlos Vitor Torres Martins

 

A Profª. Maria Cristina Santos é diretora da unidade escolar Colégio Estadual Barão de Mauá, situada a Rua José Araújo Neto, 119, no Conjunto Residencial Jornalista Orlando Dantas. Diretora há dois anos e meio e trabalhando no ensino público há quase 20 anos, a profª Maria Cristina, em uma breve conversa, falou sobre como é ser gestora numa unidade pública de ensino, os lados positivos e negativos da profissão, suas perspectivas com a política de cotas e a educação pública no estado de Sergipe.
 

 

 

 

 

 

 

Como é trabalhar como diretora numa escola pública? Quais os lados positivos e negativos dessa ocupação?

O lado positivo é que você tenta desenvolver um projeto de melhorias para contribuir com o aluno. O lado negativo é você ter que enfrentar muitos obstáculos para fazer seu trabalho de forma satisfatória. Aqui, a escola funciona como um grande sistema e quando algum item falta, todo o sistema se prejudica. Um exemplo comum é quando algum professor falta, e é um desafio manter os alunos na sala de aula.

 

 

O que levou a senhora a trabalhar na área de educação?
Quando eu ainda era estudante, consegui um emprego no MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Fiquei apaixonada pelo compromissso e o trabalho que aquelas pessoas desenvolviam. Gostei tanto, que descobri minha vocação lá. Deixei de fazer o vestibular para Economia e fiz para Pedagogia, me formando pela UFS em 1984 e desde então trabalhando na área de educação.
 

 

Houve algum momento na sua carreira profissional, que a senhora pensou em abandonar essa área de ensino?
Já houve sim, mas nunca levei a sério a idéia de abandonar. Todos os dias há problemas que eu, como diretora, tenho que enfrentar, como a falta de algum professor ou desentendimentos dos alunos com funcionários entre muitos os outros. Mas no dia seguinte, esses mesmos meninos que me deram dor-de-cabeça no dia anterior, me fazem um agrado que me fazem sentir muito feliz de trabalhar aqui. Acho que realmente tenho vocação para a Educação, mesmo que ainda queira deixar de trabalhar como diretora.
 

 

Como a senhora vê o panorama do ensino público no estado de Sergipe?
Acho que atualmente, a escola pública começa a aparecer com certo destaque. De uns cinco anos para cá, começou a se investir mais na educação pública, e isso é visível no índice de aprovação da UFS, que nós usamos como principal medidor. Ano passado, 21 alunos foram aprovados no vestibular da UFS, alguns deles em cursos concorridos como Enfermagem ou Administração. O maior problema na educação pública hoje em dia, é a desvalorização da mesma. Deve-se valorizar mais os profissionais dessa área e fazer constantes avaliações dos servidores. Quando falo servidores, não me refiro somente aos professores, mas a todos que trabalham no colégio. Desde a diretora, passando por aqueles que trabalham na secretaria, na coordenação indo até os professores. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas devo admitir que tivemos muitos êxitos nesses últimos anos.
 

 

Como a senhora vê a política de cotas que estará sendo instalada na UFS a partir desse ano? Quais são os erros e acertos dessa política, para a senhora?
Para mim é um mal-necessário. As cotas só existem devido as deficiências do ensino público. Enquanto não houver uma política de melhorias do ensino realmente eficaz, essa será a única alternativa que os alunos daqui terão para serem incluidos no ensino superior. Deve-se dar oportunidades a esses meninos, pois se não há algo que levante sua estima, eles serão levados por outros caminhos mais perigosos que os levará a criminalidade, entre outros problemas sociais. Porém, eu não defendo as cotas raciais, somente aquelas que beneficiem os alunos da escola pública como um todo, sem distinção de cor.
 

 

O colégio Barão de Mauá desenvolve algum tipo de atividade extra-classe exclusivamente para os alunos?
 
 

 

Trabalhamos com três programas do Governo Federal que a escola adotou: o “Escola Aberta” é um programa que funciona nos finais-de-semana no qual há oficinas de full contact, capoeira, futsal e arte em graffiti. O objetivo é desenvolver o espírito de solidariedade e afastar os alunos da violência urbana além de criar um vínculo maior com eles; o “Mais Educação” é desenvolvido com alunos da 7ª e 8ª séries. Eles retornam ao colégio no 2º turno para desenvolver atividades recreativas e reforço escolar; e também temos o programa “Cidadania e Paz” que desenvolve conferências e palestras voltadas para os alunos que tem o objetivo de discutir a civilidade e trabalhar melhor o comportamento do aluno. Nosso colégio foi pioneiro na implatação dos três programas. Além desses, há passeios que leva os alunos para a Fazenda Caju (para estudo do meio ambiente), entre outros patrocinados pelo governo.

 

 

 

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