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Por Trás do Picadeiro

Posted in Cultura by micheletavares on 29/05/2009

A Alegria não pode parar…

  

Margaret Pereira Costa - diretora geral do Circo Estoril

Margaret Pereira Costa - diretora geral do Circo Estoril

A atividade circense diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Muitos circos faliram, outros tantos fecharam suas portas. A Internet, o vídeo-game e a televisão foram fatores que contribuíram para a queda na procura pelo circo. Para nos falar sobre o mundo circense conteporâneo e discutir como ainda é possível manter a alegria do espetáculo no picadeiro, entrevistamos a mineira de Uberlândia, Margaret Pereira Costa, cuja idade mantém em segredo, mas que está à frente na produção do espetáculo do circo português Estoril há sete anos, como diretora geral, desde a vinda deste ao Brasil.

 Por Juacy Castro e Pedro Ivo

 

EmPauta UFS: O que o “Estoril” representa na sua vida?

Margaret: Minha vida… [pausa]. Pois eu estou com ele desde que veio para o Brasil, há sete anos, e criei uma ligação familiar com ele.  Hoje eu não me vejo fora do Estoril.

EmPauta UFS: Qual a responsabilidade de estar há sete anos à frente na produção de um espetáculo circense?

Margaret: A responsabilidade é muito alta. Eu sou médica, eu sou delegada, eu sou prefeita, eu sou tudo!

EmPauta UFS: O circo ainda é uma atividade rentável?

Margaret: Hoje em dia não. Hoje é mais amor, porque as grandes empresas não nos dão suporte para trabalhar. Não temos isenção de nada, pelo contrário, por sermos procurados tudo é mais caro.

EmPauta UFS: Existe alguma forma de incentivo do Governo Federal com o circo?

Margaret:  Desde Tancredo (Neves) não. Agora se você chegar com um circo de fora, do exterior, eles te ajudam, te dão apoio, te dão tudo.

EmPauta UFS: Você entra ou já entrou em cena nos espetáculos ou trabalha apenas nos bastidores?

Margaret: Já entrei… eu era domadora de cachorros.

EmPauta UFS: É mais fácil trabalhar nos bastidores ou lá dentro do picadeiro?

Margaret: Lá dentro, lógico! Embora eu tivesse vergonha do público, aqui é muita correria, tem que controlar o orçamento, os gastos, o que se torna difícil quando não se tem um incentivo, um patrocinador.

EmPauta UFS: Existe alguma dificuldade em ser responsável por tantos artistas? Existem problemas com ego ou relacionamento?

Margaret: Não, aqui todos nós somos uma família, 24 horas por dia a gente convive junto, mas existem algumas briguinhas em vez de quando que passam rapidinho, coisa de 10 minutos no máximo.

EmPauta UFS: Em sua opinião o artista circense é valorizado? Seus salários são condizentes com seu desempenho no picadeiro?

Margaret: A maioria, principalmente no Globo (da morte)…

EmPauta UFS: Quais são as principais dificuldades enfrentadas pela atividade circense atualmente?

Margaret: Existe muita burocracia, principalmente para conseguir um espaço. Nós precisamos de um espaço 2500 metros quadrados e em espaço público fica muito difícil. Em particular é um gasto absurdo.

EmPauta UFS: E o mercado circense… O que falta para chegar ao ideal?

Margaret: Falta valorizarem mais. Pois o mundo circense muda, se torna diferente e está sempre trazendo novidades.

EmPauta UFS: Qual o público que ainda costuma frequentar o Circo?

Margaret: Crianças, idosos, jovens, todas as idades, toda faixa etária. Hoje em dia, no mundo mesmo, entretenimento para família mesmo não tem.

EmPauta UFS: Nos últimos anos a atividade circense caiu consideravelmente. Muitos circos faliram e outros fecharam suas portas… Qual é a perspectiva do “Estoril” para o futuro?

Margaret: [Pausa] É pedir a Deus que a televisão, a Internet, o vídeo game, não acabem com a cultura milenar que gera alegria à família. E que o publico valorize mais, não só o “Estoril”, mas os outros circos que também estão abandonados. 

EmPauta UFS: Com shoppings centers, vídeo game, Internet e TV a procura pelo circo caiu nos últimos anos. Quais são as estratégias para atrair o público?

Margaret: O globo (da morte) com 5 motos. O público adora.

EmPauta UFS: Já aconteceram falhas no durante espetáculo? Comente…

Margaret:  O espetáculo circense por ser ao vivo está sujeito a erros. Você ensaia e à noite, às vezes, acontece algum deslize. O menino errou as três voltas (triplo mortal no trapézio) ontem (quinta-feira, 14), quando acabou o espetáculo ele foi ensaiar e acertou todas suas tentativas.. mas pode na hora do espetáculo errar novamente.

EmPauta UFS: O circo para sustentar-se precisa estar sempre inovando. Como é feito a renovação do espetáculo?

Margaret: Procurando dar dinamismo, mostrar um espetáculo agradável, dar oportunidade ao público de ver um espetáculo que não pára. Circos em que os números demoram não são bons, então “Estoril” sempre quer ser rápido, dinâmico, jovem.

 EmPauta UFS: Existem ONG’s que tentam proibir o uso de animais nos espetáculos… O que você tem a dizer sobre isso?

Margaret: Eles são ridículos, eles acham que é fácil sustentar um elefante. Dando amor! Porque esse elefante cresceu junto com a gente, ela tem a idade do meu sobrinho. Eles acham que a gente maltrata, por exemplo, esse cachorro (o Nike) aqui… Se a gente fosse bater nele, não ficaria aqui (ela alisando o cachorro), mas se você dá amor, comida, carinho, água, tudo certinho para ele, qualquer animal por mais feroz fica pianinho.

EmPauta UFS: Neste atual espetáculo vocês contam com animais, como é feito o treinamento com eles?

Margaret: Eles não ensaiam, já sabem tudo. Os meninos sim ficam ensaiando durante o dia malabares, o trapézio, as meninas alguma dança, mas eles não… Teve um dia que mudaram a ordem de chamada, e o domador não estava pronto, ainda estava sem se vestir, quando o locutor chamou, ela (elefanta) entrou sozinha, fez tudo certinho, sem ninguém ali mandar nada.

EmPauta UFS: E existe algum tipo de cuidado especial na segurança do público?

Margaret: O público não corre risco que exija uma segurança especial, pois nós não temos animais selvagens, temos apenas animais exóticos. Quando se fala em animal selvagem pensam logo no leão, este por ser um animal carnívoro precisa de carne, e isso é ruim para o público, então nós temos, só temos animais exóticos…

EmPauta UFS: O que é feito depois que as cortinas se fecham e as luzes se apagam?

Margaret: Os meninos vão jogar bola, as meninas pegam alguns dvd’s para assistir, outros fazem comida, alguns jogam baralho.

EmPauta UFS: A vendagem de bilheteria é o suficiente para manter o Circo?

Margaret: Não, o circo não consegue se manter apenas com bilheteria, por isso nos intervalos gente vende refrigerante, pipoca para completar a renda.

EmPauta UFS: Como você vê essa concorrência com o ‘Circo da China – Piratas’ aqui em Aracaju sendo mais divulgados na mídia?

Margaret: Parabéns ao Ricardo Douglas (diretor) que fez um lançamento do Circo da China muito bonito!

EmPauta UFS: Esse número do globo da morte… Vocês realmente são os melhores do mundo?

Margaret: Somos! Inclusive recebemos esse premio nos Estados Unidos em 2004, por ser o primeiro circo do mundo a rodar com seis motos no globo da morte com diâmetro de 4,30m.  Hoje tem até com oito motos, mas o globo é enorme cabe até dez.

 EmPauta UFS: Ao longo dos sete anos que você está na direção teve alguma fase que marcou mais?

Margaret: Varias épocas, vários lugares. Em Foz do Iguaçu foi o lugar em que eu ganhei o título de cidadã, em Salvador foi o terreiro que eu lutei para conseguir, em Ilhéus o prefeito foi muito rude comigo e isso também marcou, enfim todas as cidades sempre marcam…

EmPauta UFS: Você não tem vontade de criar raízes no local só, sem ter que estar saindo de cidade em cidade?

Margaret:- Não. Todo dia fazer a mesma coisa, ir nos mesmos locais, eu não me acostumaria mais com isso.

EmPauta UFS: Algum integrante do circo já quis ficar em alguma cidade?

Margaret: Não. Pelo contrario tem uns que querem ir embora com a gente e eu não levo.

EmPauta UFS: Por quê?

Margaret: Alguns por serem menores de idade, outros por virem apenas por causa das meninas e não por vocação.

EmPauta UFS: Existem atividades sociais prestadas pelo “Estoril”?

Margaret: Sim. Aqui mesmo em Aracaju ontem (quinta-feira, 14) a gente foi ao Hospital de Câncer fazer malabares. Essas iniciativas trazem uma paz muito grande.

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