Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Alceu Valença e suas influências

Posted in Jornalismo, Perfil by micheletavares on 23/06/2009

Alceu Valença. Disponível em: www.olindaurgente.blogspot.com

Por Allana Rafaela

O dia 1 de julho de 1946   poderia ter sido mais um dia qualquer, mas não no agreste pernambucano, na cidade de São Bento do Una (na Fazenda Riachão). Para Décio e Adelma era um dia especial, nascia seu filho Alceu de Paiva Valença, este que anos mais tarde se tornaria para a música brasileira um grande cantor e compositor, para o Nordeste um sinônimo, além de receber de todas as classes e em todas as regiões do país admiração e carinho.

Autor de canções como: “La Belle de Jour”, “Morena Tropicana”, ”Anunciação”, “Como Dois Animais” e “Coração Bobo”. Desde cedo começou a se apresentar. Em 1950, (tendo então quatro ou cinco anos) ficou com o segundo lugar em um Concurso Infantil no Cine Teatro Rex de Capiba cantando “É Frevo Meu Bem”.  Daí em diante não parou mais. A partir de 1968 começa a participar de festivais de MPB em Recife e no Rio de Janeiro. Forma-se em Direito (1969), mas abandona a carreira de advogado para se dedicar à música.

Em 1979, faz apresentações na Escola de Artes Visuais (RJ) intitulada “Alceu Valença em noite de au revoir”, logo depois segue para uma temporada de shows na França, gravando informalmente em Paris o disco “Saudades de Pernambuco” (ainda permanece inédito no Brasil). Percorre cidades européias como Lyon (França), Nyon (Suíça) e o interior da Alemanha. Regressa ao Brasil e apresenta o show “O Cantador” no Teatro Ipanema (RJ).Discografia

Em 1980, lança o LP “Coração Bobo” que revela seu nome para o grande público no Brasil com a música de mesmo nome do disco, que “estourou” nas rádios do país. Mas é com o disco “Cavalo de Pau” que o sucesso é confirmado. Mais de 500 mil cópias em poucos meses, sendo o primeiro estouro de vendas em sua carreira.

Dono de uma voz incomparável, Alceu Valença em suas canções, mistura influências dos negros maracatus, cocos e repentes de viola, além de utilizar guitarra, baixo elétrico e mais tarde o sintetizador eletrônico em suas canções, dando vida nova aos ritmos regionais, como o baião, coco, toada, maracatu, frevo, caboclinhos e embolada e repentes cantados com bases rock’n’roll.

Alceu é um artista simples, em seus shows utiliza roupas leves, quase sem adereços (exceto o chapéu que já é marca registrada), interage e alegra o público que responde às brincadeiras, canta, dança, se diverte e quando se despede deixa a platéia emocionada e pedindo “bis”. Porém, diferente de muitos artistas, ele é engajado, se preocupa com questões ambientais e culturais. Em entrevista para o jornal O Estado de Mato Grosso do Sul em dezembro de 2007 ele se diz preocupado com o meio ambiente, e cita o disco “Espelho Cristalino” (1977) que “foi inspirado nos rios que não corriam mais por causa da seca. Me preocupo muito com isto ainda.”  . E cita a música ‘Papagaio do Futuro’, que foi “criada por causa da crise no petróleo na época”.

Quanto à parte cultural ele critica certas bandas de forró “porque fazem um forró que não é forró. São estas bandas que misturam um nome com outro, como ‘alhos com bugalhos’ entende?”, analisa sobre as modas que aparecem diariamente na mídia. “ficam querendo vender que a moda é ser ‘emo’, ser triste. Eu acho que deveriam aproveitar e se suicidarem todos. Porque no Brasil tem que ser o contrário. Ter alegria e cumplicidade. Isto sim é a música brasileira.” E finaliza fazendo comparações entre bandas: ”Hoje comparam a banda Calypso com a Nação Zumbi, que é muito melhor e uma das maiores bandas de rock do Brasil. Mas no nosso país o que é bom tem que ser imitação”

Visite http://allanandrade.blogspot.com/2009/06/o-motorista-do-taxi-lunar.html e saiba como foi o show de Alceu Valença em Aracaju no último dia 20.

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Você e DEXTER MORGAN!

Posted in Perfil by micheletavares on 23/06/2009

Por Vinícius Oliveira

Dexter Morgan. Nome anglo-saxônico que deixa um imaginário de pacifismo. Para os adoradores de desenhos infantis diria que é nome de cientista.

Sangue. Essa é a sua especialidade. Ele é um personagem ilustre e pacato de quase trinta anos que trabalha na pericia da polícia de Miami. Sempre com um sorriso no rosto traz “donuts” para seus colegas de trabalho e policiais. Tem um irmã extremamente impulsiva,  “Debra” que é policial e depende de seus conselhos para ter segurança na vida pessoal e profissional.

Anjo. Essa é a definição que sua namorada “Rita” e os seus filhos dá à Dexter. Sempre com alma caridosa e empenhada ajuda sua linda namorada na criação de seus filhos. Mas o que ele gosta mesmo é de curtir a solidão em seu apartamento fazendo pesquisas na internet, e admirando seu ar-condicionado.

Vicio. Mas o que ninguém sabe é que Dexter tem um vicio. Seu vicio é MATAR. Foi encontrado num galpão cheio de sangue onde havia três vitimas de morte por serra elétrica.Eram seus pais. Ele tinha apenas 3 anos.Foi achado por um policial Harry Morgan o qual o adotou como filho.

Desde pequeno Dexter tinha manias estranhas de matar animais e mesmo sendo uma pessoa pacata era vingativo. Ao perceber sua compulsão por matar seu pai o repreendeu. Mas devido à sua frustração com a justiça, e perceber que o vicio de Dexter era incontrolável seu pai percebeu que pelo menos podia usar isso para uma boa causa.

Serial killer de serial killers. Essa é uma parte sombria e oculta de Dexter. Qualquer criminoso de Miami segue risco com Dexter. Seu treinamento com o pai e o fato de ser perito em crimes, o torna um especialista em esconder rastros. Sempre antes de matar suas vitimas ele mostra o porquê, e conversa com a mesma sobre o seu vicio de matar.

Bizarro? Talvez. Mas quem nunca quis acabar com as injustiças com as próprias mãos? Quem sabe dentro de cada um de nós exista um pouco de Dexter Morgan.

DO IÊ-IÊ-IÊ AO BREGA.

Posted in Perfil by micheletavares on 22/06/2009

r. rossi

Por Bárbara Nascimento

(babi_nascoli@yahoo.com.br)

O recifense Reginaldo Rossi e suas composições atuais nem de longe lembram as suas canções na época da Jovem Guarda – Ao cantar ‘O Pão’ num bom ritmo iê-iê-iê, Reginaldo Rossi lançou seu nome no eixo sul-sudeste do país; com ‘Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme’ entrou de vez pra turma da Jovem Guarda. Mas o seu melhor estilo ainda estaria por vir.

Em meados dos anos 70, Rossi abandona a cena do Rock e desponta na música popular. A mistura de breguice e piada fez o seu repertório cair na boca povo. O que lhe conferiu o título de ‘Rei do Brega’.

Rossi – O personagem

“Se o Elvis fosse vivo teria raiva de mim” – trecho da música The king.

Uma combinação discrepante de estampas e cores, cabelo da década de 70 e óculos Ray-Ban compõem o loock brega do cantor. A sua voz fanha parece se encaixar perfeitamente bem à proposta de ser o ‘King’ do nordeste.  Com direito, inclusive, a ser comparado a outros reis da música, como por exemplo, ao Roberto Carlos por alguns críticos musicais.

 

 

Reginaldo, a dor de cotovelo e as mulheres

Uma constante. As canções de Rossi quase sempre se dedicam a comentários acerca da desilusão amorosa, dos chifres e da efervescência das paixões. Mas, há um diferencial: a figura masculina aparece muitas das vezes como a vitimada pelas traições femininas. O que não significa dizer que o tratamento dispensado às mulheres seja desprovido de comentários chulos e machistas, ao contrário.  Em seus shows e CDs ao vivo, Rossi refere-se à mulher como se ela fosse dependente do homem, que por não completá-la como deveria merece a traição e ‘prejuízos’ financeiros: “A mulher deve mesmo ter o dinheiro de seu marido para gastar” (R. Rossi).

 O Corno e a cachaça

cricatura - rossi.Com composições como ‘Garçom’ e ‘Leviana’ o Rei do ‘B’ ganha um público ainda maior e volta nos anos 90 a ocupar um espaço na cena musical nacional. Chifres e embriaguez – temáticas exploradas freqüentemente em seu repertório têm o apelo popular necessário para que o cantor permaneça até hoje no imaginário de várias mentes brasileiras e ostente o título de Rei do Brega.

 

 

Quem é Rupert Murdoch?

Posted in Perfil by micheletavares on 22/06/2009

Você pode não ter ouvido falar dele, mas com certeza já consumiu um dos seus produtos.

Por Gustavo Costa

Rupert Murdoch, CEO da News Corp. e quase dono do mundo

Rupert Murdoch, CEO da News Corp. e quase dono do mundo

Nascido em Melbourne, Austrália, Rupert Murdoch aos 68 anos é um dos mais influentes empresários do mundo. Do seu quartel-general baseado na 6ª Avenida em Manhattan, Nova York, Murdoch comanda a News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. O New York Post e o The Sun, os maiores tablóides dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente, são dele. São dele também a Fox Network (e junto com ela o MySpace e mais 35 canais de televisão), a 20th Century Fox, o jornal The Times de Londres, a DIRECTV, a editora Harper Collins Publishers, a Sky Italia e mais recentemente a Dow Jones & Company e junto com ela o jornal americano The Wall Street Journal. Além de tudo, ele afirmou em setembro do ano passado que tem um grande interesse em comprar o consagrado The New York Times. Ao todo são 789 empresas em 52 países, em cinco continentes. A qualquer hora do dia ou da noite uma a cada cinco casas americanas estão ligadas em algum programa produzido ou transmitido pela News Corp.

Você pode estar pensando que o Sr. Murdoch é um grande privilegiado (o que é verdade), mas todo seu império começou no pequeno jornal australiano de seu pai, o “The Adelaide News” que cobria as notícias da cidade de Adelaide. Rupert, ao assumir o controle do jornal, o transformou em algo rentável o suficiente para começar a adquirir novas empresas e fazê-las crescer ao ponto de levá-lo ao patamar dos grandes magnatas da mídia do século XX.

Atualmente, ele vê o futuro dos jornais impressos sem tintas nem papel, mas com conteúdos atualizados constantemente e enviados para aparelhos portáteis, com um serviço obviamente cobrado a um preço suficiente para manter sua fortuna de aproximadamente US$ 7 bilhões.

O visionário

Contrariando sua visão de um ano atrás, Murdoch se pronunciou ainda este mês dizendo que os jornais impressos estão com os dias contados. Para ele, dentro de 20 anos, os jornais estarão “muito diferentes” dos atuais, já que os mais jovens não querem mais os jornais convencionais. Assim sendo, as empresas deverão se adaptar, afim de transmitir suas notícias em aparelhos digitais. Algo semelhante já aconteceu nos Estados Unidos com os jornais Seattle Post Intelligencer e o Boston Christian Science Monitor que fecharam as portas, mas continuaram com a versão online.

Quanto às finanças, o empresário naturalizado americano diz que a forma de arrecadação dos veículos de informação, que é feita exclusivamente por receitas geradas pela publicidade, não é mais rentável. Para isto, o dono do MySpace pretende cobrar pelo acesso às informações. Já nesse viés, o site do jornal The Wall Street Journal disponibiliza suas notícias somente para assinantes. Segundo Murdoch, o “apetite por notícias” que existe na sociedade deveria ser aproveitado para aumentar a renda das suas empresas.

Sr. Murdoch e sua esposa Wendy Deng

Sr. Murdoch e sua esposa Wendy Deng

O polêmico

Fama, dinheiro, intrigas e polêmicas são assuntos íntimos de qualquer empresário bem sucedido, principalmente quando se fala do barão da mídia, Rupert Murdoch.

Conhecido por todos devido a sua postura política de extrema-direita, o australiano coleciona controvérsias. Uma delas é de ser um capitalista ferrenho que defende o regime comunista da China. Isso se deve ao fato de que este playboy da terceira idade defende, acima de tudo, seus próprios interesses. E Murdoch poss

ui muitos interesses no país vermelho. Ele possui um acordo de TV via satélite com o Governo Chinês, o que o levou a recusar a proposta de sua editora HarperCollins publicar uma biografia que denegria a imagem de um ex-líder do Partido Comunista. Ele ainda acusou a imprensa internacional de estar “atacando o regime chinês gratuitamente”.

Sobre a guerra no Iraque, o controverso empresário disse à imprensa que a melhor coisa que se poderia esperar da invasão americana, seria o barril do petróleo cotado a 20 dólares. Além disso, durante o governo Bush ele defendeu o presidente americano dizendo que o republicano é um homem “de grande caráter e profunda humildade”.

Essa visão conservadora, que dizem estar impregnada nos seus veículos de comunicação, cometeu uma gafe em fevereiro deste ano ao publicar uma charge que aparentemente comparava o presidente Barack Obama a um macaco. A piada racista obrigou o CEO da News Corp a se desculpar sobre o ocorrido e anunciou este mês a criação de um grupo antirracista que fiscalizará os conteúdos para que não haja novamente um desrespeito às minorias dentro de suas empresas.

Nos últimos dias, a mais nova polêmica que Rupert se envolveu foi devido à sua influência nos canais de televisão a cabo da Itália. O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi acusou Murdoch de estar por trás das acusações do envolvimento do premiê com uma jovem de 18 anos chamada Noemi. Berlusconi diz que o magnata está se vingando do fato de que o governo italiano elevou as taxas cobradas aos canais pagos de 10% para 20%. A Sky Italia de Murdoch é concorrente da Mediaset de Berlusconi, sendo que a Mediaset possui hegemonia nos canais abertos, enquanto que na área de TV’s por assinatura, a empresa do australiano domina uma fatia de 90% do mercado.

O magnata se pronuncia no Fórum Econômico Mundial

O magnata se pronuncia no Fórum Econômico Mundial

O egocêntrico

Muitas pessoas acham Rupert Murdoch um sujeito difícil de ser entendido, mas a verdade é que ele é um apaixonado pelo dinheiro. Suas atitudes e ideologias se adaptam aos interesses do seu conglomerado a fim de atingir cifras cada vez maiores.

Rupert pode não estar certo, mas ele não está errado por defender seu ponto de vista a qualquer custo. E seu ponto de vista diz que ele deve conquistar mais.

Um fato curioso que demonstra sua visão política “maleável”, se deu quando o jornalista Michael Wolff, que recentemente escreveu uma biografia sobre Murdoch, se encontrou com o magnata antes das prévias democratas em Nova York. Wolff disse que não sabia em quem votar e pediu uma opinião. A resposta não poderia ser diferente: “Obama – ele venderá mais jornais.”

Quem foi João Bebe-Água?

Posted in Cultura, Educação, História, Política by micheletavares on 22/06/2009

“O seu feito grandioso

Não se passou por banal

Mas morrera obcecado

Por um retorno irreal

São Cristóvão nunca mais

Seria a capital…”

(Francisco Passos Santos – Chiquinho do Além-Mar)

Por Joanne Mota

Morador do quarteirão nº 19, da São Cristovão Capital, o lendário João Nepomuceno Borges nasceu em São Cristóvão, no ano de 1823, era filho do capitão Francisco Borges da Cruz e tinha um irmão de nome Silvério da Costa Borges. Sua escolaridade é desconhecida, mas sabia ler e escrever e exerceu durante muito tempo cargos de grande representatividade na sociedade. A história conta que João Bebe-água foi escrivão interino da Alfândega e Mesa de Rendas, de Santo Amaro; vereador; Juiz de Paz na cidade; fiscal da Câmara em 1872; e também foi “patrão-mor” da Mesa de Rendas da Barra da Cidade, hoje Barra dos Coqueiros.

Foi o homem que arregimentou 400 homens em protesto contra a transferência da Capital para o povoado Santo Antônio do Aracaju. Historiadores destacam que essa figura, que se tornou folclórica, publicou trabalhos no Pasquim do partido sob pseudônimo de ‘Nunes Machado’. João escolheu este pseudônimo inspirado na Revolução Praieira, já que Nunes Machado era, à época, o principal ícone do partido liberal no Brasil, desde que fora assassinado a frente dos revoltosos da Rua da Praia, em Recife, na eclosão da Revolução Praieira, em 31/12/1848.

Casou-se aos 50 anos, não temos ciência do nome da esposa, segundo o seu contemporâneo, Serafim Sant’iago,  em publicação no  ‘Annuario Christovense’, ele morreu viúvo. Durante os anos que sucederam a transferência da capital o “jacobino sancristovense”, como ficou conhecido, manteve o juramento de não pisar em Aracaju, período que observou piamente suas obrigações religiosas. Além disso, guardava sempre atrás da porta de sua casa foguedos que seriam usados quando a Capital voltasse a São Cristovão.

Nepomuceno Borges era componente da Irmandade do Amparo dos Homens Pardos, frequentando a igreja regularmente. Nessa irmandade, ele exerceu quase todas as funções: foi sineiro, zelador, sacristão, tesoureiro, avalista e procurador.

Sobre as suas peculiaridades físicas, a história conta que era de baixa estatura e um  tanto gordinho; tinha a cor de um pardo amarelado em tom bilioso, cabelos amealhados; trajava jarreta e trazia sempre um lenço de rapé e uma catarina, como ele titulava uma figura preta feita de ponta de boi, onde guardava fumo torrado .

Entre torrados e doses de aguardente que faziam parte do cotidiano de muitos naquela época, inclusive de Dona Maria Paiva Monteiro, mais conhecida como ‘Dona Marinete’, que cuidava da quitanda de seu pai, conheceu bem o João. Segundo ela, desde pequeno João Bebe-Água sofreu com o desprezo, inclusive de seu pai, e a transferência só foi mais um fato que contribuiria para a vida melancólica desta figura, fato que o levaria a se entregar ao álcool.

 No entanto, essa constatação não é universal, segundo historiadores a nominação “bebe-água”, foi conseguida graças a exibição da peça teatral “João Bebe-Água”, exibida na abertura do IV Festival de Arte de São Cristóvão (1975), de José Severo dos Santos e Alberto de Souza Oliveira.

 Sobre sua morte, existem várias histórias e controvérsias. Os autores modernos se atrapalham e não conhecem ao certo como discorrer sobre esse assunto. De acordo com pesquisa realizada por João Pires Wynne, o enterro desta figura data de 1896, por outro lado, Sebrão Sobrinho chegou a assegurar que o rebelde de São Cristóvão morrera em 1890. O historiador Pedro Machado, que ignora o ano de morte, apenas localiza sua última residência e destaca que João Bebe-Água morreu em sua residência ainda existente em 1938, disjunta e construída ao da ladeira de São Francisco, perto do convento deste santo.

Contudo, todos os historiadores concordam com uma coisa: João Bebe-Água morreu pobre, sozinho e desacreditado, mas nunca desistiu do sonho de ver São Cristovão voltar a ser Capital e tampouco saiu de São Cristovão para conhecer a nova Capital que crescia em Aracaju. 

Fontes:

‘João Bebe-Água o rebelde de São Cristóvão’ – De Autoria de Francisco Passos Santos – Chiquinho do Além-Mar 

http://thiagofragata.blogspot.com/2007/09/joo-bebe-gua-o-mito-em-carne-e-osso.html – Blog de Tiago Fragata

Spider Jerusalem, o maior jornalista dos quadrinhos

Posted in Jornalismo, Perfil by micheletavares on 22/06/2009
O Famigerado Spider Jerusalem

O Famigerado Spider Jerusalem

Por Nikos Eleftherios

Para se falar de Spider Jerusalem, devemos também falar sobre o jornalismo em si. Isso é necessário, pois um não pode ser visto mais sem o outro, em uma atualidade em que os jornais são apenas porta vozes do governo e das grandes corporações, Jerusalem escapa à regra, trazendo vergonha, choque e até arrependimento para a sociedade, pois segundo suas próprias palavras “Abrir a barriga do mundo e farejar as entranhas, é isso que fazemos”.

Um grande inimigo da polícia violenta e intransigente de nossos dias, curiosamente queria ser um atirador de elite quando criança “E não queriam todos?”. Spider cresceu nas docas da Cidade, onde teve uma infância difícil, com pais bêbados e lagartos como café da manhã, almoço e jantar todos os dias. Seu pai era motorista de ônibus e sua mãe dona de casa. O colunista para o jornal diário da Cidade The Word também lembra que na sua juventude não podia tomar banho de chuva “Era ácida, derretia você todo até o esqueleto” e dificuldades de aprendizado “Tínhamos que construir nossas próprias armas, para não dar uma vantagem injusta aos professores”.

Em busca Da Verdade 

Tendo uma estranha e controversa carreira profissional, Jerusalem afirma já ter sido prostituto e revela que foi stripper com apenas oito anos de idade, é estranho imaginar Jerusalem como o mais próximo a um jornalista, no termo romântico da palavra, na imprensa atual.

Um guerreiro e um aventureiro – respectivamente protegendo e indo em busca à verdade – o colunista é um misantropo declarado, pois procura defender sua audiência de figuras de autoridade opressoras e injustas, o público apenas têm que seguir suas determinações, que mesmo assim devem ser questionados, não aceitos imediatamente.

Nada escapa às suas críticas e, como já foi dito, o próprio jornalismo é sua vítima. “Você não aprende jornalismo na escola, você aprende escrevendo a merda do jornalismo” e “Jornalismo não é sobre planos e cartilhas, é sobre reação humana e iniciativa criminal” são algumas das declarações feitas para sua assistente Channon em seu primeiro dia sob a tutela de Spider.

Um verdadeiro bastardo

De acordo com o editor do The Word Mitchell Royce “Spider precisa ser odiado para poder funcionar”.

Não se pode esperar coisas muito boas de alguém movido por ódio.

Spider em seu apartamento

Spider em seu apartamento

Rabugento, mal-humorado, pavio-curto, violento, viciado, beberrão, fumante ávido e boca-suja. Ele é odiado por quase toda A Cidade, e amado pela pequena parte restante.

Mesmo desprezando todos aqueles ao seu redor, Jerusalem sabe ser bastante leal aos poucos que considera amigos e sempre procura defender essas pessoas daqueles que pretendem machucá-las.

Apenas uma figura contraditória

É o que se pode falar sobre Spider Jerusalem. Jornalista que não segue o manual, defensor dos injustiçados e um opressor, crítico da alienação, porém viciado em drogas de todos os tipos de cores. E ele seguirá assim, procurando A Verdade a todo custo, abrindo o caminho a tiros se necessário.

*Spider Jerusalem é o personagem principal da HQ Transmetropolitan, escrita por Warren Ellis e desenhada por Darick Robertson. Mais informações em http://anodobastardo.wordpress.com/2008/02/20/licoes-de-spider-jerusalem-sobre-jornalismo-essa-coisa-ingrata-com-a-qual-pretendo-um-dia-me-torturar/ .

A Arte de Gilberto Gil na Política

Posted in Perfil by micheletavares on 22/06/2009

 

Por Adriana da Rosa e Samara Menezes
 
Cantor Gilberto Gil

Cantor Gilberto Gil

Gil nasceu no bairro do Tororó, em Salvador. Seu pai, o médico José Gil Moreira e sua mãe Claudina, em busca de uma vida melhor, mudam do bairro pobre da capital baiana para o interior do Estado, em Ituaçu, à época um lugarejo com cerca de 800 habitantes. Ali, Gil passou os primeiros oito anos de vida. Deste período, o artista registra a influência das músicas ouvidas, sobretudo no rádio.

Nos tempos da faculdade de Administração, Gil conhece Caetano Veloso, sua irmã Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Realizam a primeira apresentação na inauguração do Teatro Vila Velha em junho de 1964 – com o show “Nós, Por Exemplo“. Formou-se em 1965 e muda-se com a esposa Belina para São Paulo.

Política

Em 1989, mesmo gravando, fazendo espetáculos e se envolvendo em causas sociais, elegeu-se vereador em Salvador, sua cidade natal, pelo Partido Verde (PV).   Em janeiro de 2003, quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva tomou posse, nomeou-o para o cargo de Ministro da Cultura, nomeação que originou severas críticas de personalidades como Paulo Autran e Marco Nanini em entrevistas à Folha de São Paulo.

No seu discurso na solenidade de transmissão do cargo o ministro Gilberto Gil justificou a escolha do presidente:

 “(…) escolha prática, mas também simbólica, de um homem do povo como ele. De um homem que se engajou num sonho geracional de transformação do país, de um negromestiço empenhado nas movimentações de sua gente, de um artista que nasceu dos solos mais generosos de nossa cultura popular – e que, como o seu povo, jamais abriu mão da aventura, do fascínio e do desafio do novo. E é por isso mesmo que assumo, como uma das minhas tarefas centrais, aqui, tirar o Ministério da Cultura da distância em que ele se encontra, hoje, do dia-a-dia dos brasileiros”.

Entretanto, permaneceu no cargo de ministro por cinco anos e meio. Deixou o ministério em 30 de julho de 2008 para voltar a dedicar-se com maior exclusividade à sua vida artística. Em 28 de agosto participou da solenidade de posse oficial de seu sucessor no ministério, Juca Ferreira. “Ele teve uma recaída e quer voltar a ser um grande artista. Gil não é imprescindível apenas para a política” — Presidente Lula ao comentar a saída de Gil do ministério.

Gilberto Gil afirmou que o presidente Lula, pela primeira vez, se mostrou sensível e mais tranqüilizado ao seu pedido. “O presidente Lula já percebeu que, agora, nós temos condição de nos afastar sem dificuldades maiores para ele, tanto do ponto de vista político quanto do desempenho técnico do ministério”, acrescentou.

Quando questionado sobre as críticas que sofreu por estar negligenciando o Ministério da Cultura para privilegiar a carreira artística, Gil afirmou que não se sente responsabilizado. “Não me incomodam muito as críticas porque não me sinto responsabilizado

Ministro Gilberto Gil

Ministro Gilberto Gil

por uma atitude negativa em relação a isso. Conciliar as duas coisas teve vantagens no Brasil, pela projeção do Ministério da Cultura no exterior. Houve sinergia entre o trabalho do artista e do ministro. Foi uma coisa positiva e não um estorvo”, argumentou.

Com Gilberto Gil, o Ministério da Cultura começou a existir. Criada em 1985, a pasta, antes integrada à Educação, foi sempre uma espécie de patinho feio do governo. Para a sociedade, era uma entidade sem rosto e sem nome. Com Gil, escolhido no primeiro mandato do presidente Lula, a contragosto de petistas que haviam idealizado o programa cultural, essa história começou a mudar. Mudou a ponto de, cinco anos e meio depois, sua saída virar manchete. 

Segundo Jorge da Cunha de Lima, Gil conceituou em seus discursos escritos sua concepção sobre as várias atividades do Ministério, mas dava liberdade a seus dirigentes para que tocassem e aperfeiçoassem os projetos. Seu prestigio era nacional. Deixou um ministério ajustado e teve até a competência de produzir um sucessor, o Juca.

Cargos

  • De 1989 — 1992 foi vereador na Câmara Municipal de Salvador (teve exatos 11.111 votos)
  • De 2 de janeiro de 2003 — 30 de julho de 2008 foi ministro da Cultura.
 

MAIS DO QUE LATAS, SUSTENTO

Posted in Economia, Perfil by micheletavares on 22/06/2009

MAIS DO QUE LATAS, SUSTENTO

Por Elaine Mesoli

Seu Manoel Messias da Silva tem 48 S7300224anos e ganha a vida catando latinhas nas ruas e nos eventos que acontecem na Grande Aracaju, principalmente durante o Forró Caju. As rugas em seu rosto curtido pelo sol, pelas noites perdidas e também pela cachacinha tomada vez ou outra, mostram todo o sofrimento de uma vida incerta. “A gente nunca sabe quanto vai ganhar. Nessa época de forró a gente ganha mais um pouquinho. Em compensação, os donos de ferro velho baixam o preço do quilo”, comenta.

A família inteira trabalha no mesmo ofício que Seu Manoel. A esposa e mais seis filhos. O mais novo tem seis anos. Por ser mais ágil na atividade de recolher as latinhas espalhadas entre as pernas dos forrozeiros em meio à maior festa popular de forró do Estado, ele acompanha o pai.
O trabalhador sabe que é um trabalho pouco reconhecido, mas essencial para o bom andamento da folia. “Imagine, dona, o que teria de sujeira se não  nós, para retirar essas latinhas?”

A vida de Seu Manoel é difícil, pois ele tira do lixo seu sustento. Entretanto, tem pessoas que ajudam já deixando separado o lixo reciclável para ele, que passa, uma vez por semana para pegar. A essas pessoas que doam o seu lixo, Seu Manoel chama de “parceiros”. Mas a maioria da população não tem a decência de separar e coloca no mesmo saco o que pode e o que não pode ser reaproveitado.

Apesar da falta de estudo, da exclusão da sociedade, dos problemas de convívio, enfrentando dia-a-dia o dilema da sobrevivência com a falta dinheiro para o alimento, ele e sua família vivem, exatamente, dos restos do nosso cotidiano. E, mais ainda, seu Manoel sabe que contribui para o nosso meio ambiente ajudando na sustentabilidade do planeta. “Tem essa palavra difícil aí que dizem, mas eu sei que eu não sei o que é. O que sei é que, mesmo ganhando pouco, ajudo a natureza”.

Mas tem uma coisa que ele não sabe: que sua profissão foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho em 2002, podendo agora ser considerado trabalhador autônomo. Também não sabe que faz parte de um contingente de mais de 300 mil trabalhadores ou que ajuda o Brasil a se manter em 3º lugar no ranking mundial de reciclagem de alumínio. “Se já considera isso profissão, poderia ter empresa para contratar a gente, ?”, indaga.

Permaneci com Seu Manoel durante duas horas no segundo dia da festa e, nesse meio tempo, ele e seu filho, conseguiram juntar mais de 300 latinhas. Cerca de cinco quilos do alumínio. Com o saco onde junta o material já cheio, eles levaram para onde estava o restante da família, no estacionamento do local. Ao redor deles havia mais cinco sacos iguais ao que Seu Manoel estava usando todos cheios. “Estes dois dias foram muito bons. Se continuar assim vai dar para ganhar um dinheirinho maior”.

A esposa, Dona Joséfa Cristina, amassava as latas para que coubessem um número maior nos sacos e chamou o marido de bobo. “Eu já disse pra ele para que a gente não vendesse tudo agora que eles tão pagando barato. O bom mesmo vai ser quando acabar a festa, daí o preço vai para quase o dobro. Mas ele é teimoso que nem mula.”
Seu Manoel ouve e manda a esposa ficar quieta, porque ele sabe o que faz. Se vai vender agora ou depois é um problema dele. Aproveitou e contou à Dona Cristina, como prefere ser chamada, que agora é trabalhador autônomo e que ajuda o Brasil.

Dona Cristina retrucou que de nada adiantava ajudar o Brasil, se quem governa não ajuda a eles.

As muitas faces do maldito

Posted in Cultura by micheletavares on 22/06/2009

Por Talita Moraes

Em 10 de novembro de 2003, dois dias antes de completar 43 anos, faleceu o sergipano Newman Sucupira da Fonseca de um câncer no sistema linfático que o consumiu em dois anos. Em sua breve existência, Newman Sucupira construiu para si uma personalidade complexa, fruto de seu profundo conhecimento naquilo que o interessava, tornando-o não só um ferrenho crítico social como também um agnóstico maldito.

disponível na internet

Newman Sucupira disponível na internet

 

Newman ensinou inglês e português – línguas que dominava bastante- tanto em escolas como em aulas particulares, além de dar aulas de fotografias em sua própria residência. E dessas aulas, amizades. Um desses amigos o chamava de “o grande mestre”. Wellington Mendes, outro grande amigo, então o apelidou. Wellington, a pedidos de Newman, reproduzia pinturas do italiano Caravaggio, pintor aclamado por Newman Sucupira. Um admirador, ou melhor, um apaixonado e profundo conhecedor da cultura clássica e dos malditos: na música, Bach e Beethoven, na literatura, Edgard Alan Poe, Dostoiévski, Camões e Augusto dos Anjos, para o cinema o representante era o franco-suíço Jean-Luc Godard.

Seu meticuloso conhecimento, não só o fazia rejeitar a música popular como rendeu artigos sobre música e literatura para O Capital, jornal para o qual contribuiu também com fotografias, desde 1992 até o ano de sua morte. Com vasto conhecimento sobre música, colaborou com a academia Studium

 

Matéria de Newman para O Capital      foto: Talita Moraes

Matéria de Newman para O Capital foto: Talita Moraes

Danças preparando trilhas sonoras. Mas sua sabedoria também o deixou sem interlocutor. Não tinha paciência com aqueles que diziam conhecer sobre cultura erudita, quando na verdade eram apenas conhecedores superficiais. A essas pessoas dava-se mesmo ao escárnio, sem meias palavras, em tom pornofônico. De uma personalidade irreverente para com o mundo, Newman Sucupira adquiriu muitas inimizades.

Contraditório ou não com a cultura que atribuiu para si, Newman empreendeu um trabalho fotográfico chamado A cara do meu tempo. Com um fusca, uma máquina fotográfica, que não era digital, viajou pelo interior de Sergipe em busca de registrar os traços da “sergipanidade” de seu povo. Fotografou mulheres, crianças, homens, velhos, adultos, sem distinção. Um trabalho que, se tivesse apoio de algum órgão de cultura, poderia representar e referendar a identidade sergipana. Seu trabalho fotográfico está exposto em sites na internet, intercomunicados com textos que produziu, criticando – como de praxe à sua personalidade – nossa sociedade.

por Newman Sucupira

por Newman Sucupira

 

Apesar de erudito, era uma pessoa simples: desde suas vestes, uma blusa, as velhas calças jeans e seu chinelão franciscano, até suas atitudes. Era avesso à idéia de competições, concursos, não por se julgar incapaz, mas por não gostar de disputas. Não se importava com o que os outros pensavam. Ilma Fontes, jornalista e grande amiga de Newman Sucupira, entretanto, o inscrevera em um concurso literário de contos oferecido pelo Cultart, visando a publicação de livro inédito. Newman só soube que fora inscrito quando selecionado para receber o prêmio de primeiro colocado. Isso foi muito importante para que encetasse a publicação de seu primeiro e único livro, Contos malditos e histórias de mim.

Esse trabalho contou com o apoio do escritor e poeta Wagner Ribeiro, da Academia Sergipana de Letras e da União Brasileira de Escritores. Já que durante os trâmites de publicação do livro Newman adoeceu. A primeira edição saiu com 300 exemplares. A segunda, com cerca de 100, passou a circular um mês antes de sua morte. A venda de seus livros rendeu, financeiramente, o pagamento de seu tratamento.

Contos Malditos e Histórias de mim        foto: Talita Moraes

Contos Malditos e Histórias de mim foto: Talita Moraes

Seus prazeres, a música, a literatura, a comida, a bebida, a fotografia e as mulheres alimentavam sua alma. Em meio a esses prazeres, esse comer e beber, esse revelar de fotos, durante esse ouvir de música, chegava a escrever uma ode sobre as imagens de suas fotografias. Newman Sucupira, não só um maldito, mas um verdadeiro epicurista.

 

 

 

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Newman na internet:

http://sucupira.home.sapo.pt/index.htm

http://www.pontosdevista.net/expog.php?id=136

*A equipe do empautaufs agradece a sensibilidade da jornalista e grande amiga de Newman, Ilma Fontes, por nos ajudar a ressuscitar o maldito incompreendito Newman Sucupira.

Quem foi Julinho de Adelaide?

Posted in Perfil by micheletavares on 21/06/2009
Por: Henrique Maynart

Capa do Jornal Ultima Hora. setembro,1974

Capa do Jornal Ultima Hora. setembro,1974

Morador do morro da Rocinha, o filho de dona Adelaide sempre teve problemas com a polícia. Boêmio e extrovertido, o sambista sempre foi dado aos vícios do morro, regando a vida na base do batuque, da cachaça com os amigos e um “tapinha” quando em vez, contemplando a vida entre as pernas de uma boa mulata. Seguia pela vida em ziguezague para escapar da polícia e dos olhos de dona Jurema, sua senhora, que sofria constantemente com as fotos de seu marido estampadas nos cadernos policiais, sem falar nos comentários das vizinhas faladeiras, em constante serviço à tristeza e a desgraça alheia.

Quem poderia imaginar que este personagem, tão vadio e controverso, teria parte de sua origem fincada nas canetas perversas dos censures da ditadura? Claro que a censura não criou Julinho de Adelaide por si mesma, como uma “produção independente”, nenhum órgão ou instituição desta natureza seria capaz de realizar este grande feito. O que poderíamos afirmar é que “Julinho” foi o resultado, a síntese entre a coerção de um estado repressor e a pulsação criativa, a saída poética de um dos maiores compositores da música brasileira, Chico Buarque de Holanda.

Após a censura de suas canções que criticavam o regime no inicio da década de setenta, tais como “Apesar de Você” e “Cálice”, nenhuma composição seguida da sua assinatura teria a autorização para ir a público, independente da essência de sua letra, Chico não viu outra saída. Diante dos fatos, se fez necessário criar um pseudônimo para assinar as suas composições, e desta necessidade surge o nome de Julinho. Chico Buarque não se contentou em criar um simples pseudônimo e dá vida a um personagem do morro carioca, completamente distante de sua origem e história, ele que era filho de intelectuais da aristocracia da Guanabara.

O sambista recém-criado compôs e gravou apenas três canções em toda a sua carreira, “Milagre Brasileiro”, “Jorge Maravilha” e “Acorda Amor”, todas em tom crítico ao quadro de perseguição e silêncio no qual vivia o Brasil do AI-5. Julinho chegou a dar entrevista ao jornal Última Hora em meados de 1974, a única em toda a sua vida. Vinte e quatro anos depois, o jornalista e escritor Mário Prata relembra o episódio único em sua carreira “ O Chico já havia topado e marcado para aquela noite na casa dos pais dele, na rua Buri. Demorou muitos uísques e alguns tapas para começar. Quando eu achava que estava tudo pronto o Chico disse que ia dar uma deitadinha. Subiu. Voltou uma hora depois.Lá em cima, na cama de solteiro que tinha sido dele, criou o que restava do personagem.Quando desceu, não era mais o Chico. Era o Julinho. A mãe dele não era mais a dona Maria Amélia que balançava o gelo no copo de uísque. Adelaide era mais de balançar os quadris.”

Um ano depois da publicação da entrevista, o Jornal do Brasil faz uma reportagem “furo” revelando a “farsa” do personagem de Chico Buarque, e Julinho de Adelaide sai dos holofotes da fama e retorna ao morro da Roçinha, voltando a rotina de malandragem, dos vícios e das mulatas, das aparições nas páginas policiais. Trinta e cinco anos depois do feito fica o desejo futuro de nunca mais, na história do país, precisarmos criar nomes, personagens e histórias que não são as nossas para expressar nossos anseios, nossas indignações e nossos amores.