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As feiras livres por quem a vivencia

Posted in Cidade by micheletavares on 01/06/2009

Entre as inúmeras barracas cobertas com lonas azuis, as cores vivas e os cheiros que exalam das mercadorias está seu Zé, como é conhecido na feira do Augusto Franco que acontece nas quartas e domingos à partir das 16h. Ex-pedreiro nascido em Itabaiana, morou até os 18 anos em Malhador e durante 5 anos em São Paulo. De volta a Aracaju já trabalha há 6 anos como feirante. Aos 52, casado e com filhos já criados, com cabelos brancos mas fisionomia jovial, que se confirma com sua vivacidade de jestos e tom de voz, percebidos já num primeiro contato, ele nos conta um pouco da sua história e visão sobre as feiras livres em Aracaju.

Feira livre do Augusto Franco

Feira livre do Augusto Franco

Por Layanna Machado

EmPauta Ufs: O que lhe motivou a trabalhar como feirante?

Zé: A idade, né? Ela vai chegando e a gente tem que procurar uma coisa que seja melhor. Eu trabalhava de pedreiro antes mas é um trabalho muito pesado, o que eu ganhava era até melhor, mas quando se passa dos 40 o melhor mesmo é arranjar uma coisa menos cansativa pro corpo. E o que eu ganho aqui mais o que minha esposa ganha no Hospital João Alvez também dá pra se sustentar…os filhos já são todos casados, então dá. No inverno, como agora mesmo, fica mais complicado. Eu que vendo melancia acabo perdendo muito da produção por causa das chuvas. Mas no verão é tranquilo.

EmPauta Ufs: O senhor já presenciou algum caso de assalto nas feiras que participou? Ou já foi vítima de algum?

Zé: Não, eu nunca passei por isso, Graça a Deus. Mas já vi, sim; um dia eu tava lá na feira do Santo Antônio, que eu também já trabalhei lá por um tempo mas não deu certo então fiquei só nessa do Auguto Franco mesmo. Mas um dia eu tava lá e logo depois que eu saí teve um assalto, depois me contaram. E outra vez foi aqui; assaltaram a barraquinha de queijo, uns dois ou três homens armados com revólver chegaram e levaram o dinheiro, com o vendedor não aconteceu nada. Mas é assim mesmo, às vezes acontece, depois que eles vão embora a feira volta ao normal.

EmPauta Ufs: Há fiscalização nessas feiras? Policiamento, fiscalização sanitária?

Zé: O que mais tá faltando aqui é polícial! Pelo menos três; um ali, outro lá e um na entrada (ele gesticula informando os locais), e não tem. Fiscais sanitários até tem, trabalham todos direitinho na honestidade, sem enrolação. Mas eles não podem lidar com esses assaltantes. Eles armados, os fiscais sem arma nenhuma vão fazer o que? Morrer..O que falta mesmo é o policiamento que aí vai poder andar armado e dar proteção tanto a nós como aos fregueses. Ainda mais a feira sendo até as dez da noite, tem iluminação mas mesmo assim não há segurança.

EmPauta Ufs: O senhor teria alguma reclamação a fazer em relação a estrutura das feiras?

Zé: A maioria delas necessita de algum reparo. Essa aqui precisaria de uma reforma geral espaço, que desde sempre falam em uma reforma e até o momento nada foi feito. Essas lonas mesmo, quando chove é um desastre, molha tudo, não adianta de nada. Isso aqui devia ser era coberto, mas aí é com o prefeito…quem sabe em época de eleição, que é quando eles lembram da gente. E tem os buracos também, que os fregueses reclamam bastante, principalmente quando chove. Dependendo da chuva a água chega a cobrir o pé, que também espanta o freguês. Fora o problema do policiamento. E outro é o preço das bancas; nós aqui pagamos seis reais pelo aluguel delas, que não são do governo, elas são alugadas, e agora fui avisado que vai passar pra sete reais. É um absurdo!

EmPauta Ufs: Desde que o senhor trabalha no ramo as condições da feira têm piorado ou estão melhorando?

Zé: Acontece que nem piora nem melhora, está tudo parado e na base da promessa, como a reforma que desde que eu comecei a trabalhar por aqui o governo promete.

EmPautaUfs: O senhor tem pretensão de largar a vida de feirante?

Zé: Pra falar a verdade não. Eu tô satisfeito, tô acostumado. É bom o trabalho aqui, eu tenho muitos amigos, meu irmão mais velho também vende aqui, e a gente se diverte, brinca com um, brinca com outro…é um trabalho bom e eu pretendo continuar nisso até quando puder.

*Ao final da entrevista ele, muito simpático, ofereceu-me um pedaço de melancia, produto do qual tira seu sustento, e faz questão que eu aceitasse.

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Uma resposta

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  1. claudia said, on 10/08/2009 at 11:49 pm

    Boa nOITE, gostaria de saber em que data foi feita esta reportagem? por que meu marido tambem é feirante, e tenho algo a mais a acrescentar, ele agora é associado pela Associação de Defesa dos Feirantes, e quero falar que depois dessa Associação o Augusto Franco e outras feiras melhorou muito, infelismente falta mais coisa, por exemplo: a Segurança e a reforma do mercado que tem 05 anos que saiu a verba para reforma e até agora nada, o que o Prefeito fez com a verbA? em maio, a Associação Ccomemorou 1 ano de escuro, até bolo e candieiros tinha, eu fiquei emprecionada, pela atitude do presidente dessa Associação, ele também é feirante e eu só ajudo meu marido quando estou de folga, outra coisa que o feirante cadastrado pela Associação tem: é uma carteirinha de feirante, coisa que ninguem nunca se preocupou! este senhor que deu a intrevista, nen é associado, nem a carteirinha mostrou e falou aos senhores! eu sempre vejo e ate encentivo aos feirantes amigos de meu esposo a se cadastar é muito importante. um abraços , aguado resposta.


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