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Além de poeira e traças.

Posted in Uncategorized by micheletavares on 04/06/2009

Em 2009 a Biblioteca Central (BICEN) da Universidade Federal de Sergipe irá comemorar 30 anos de fundação. Em sua história, a BICEN sofreu várias transformações em diferentes gestões da Universidade. Mas quais foram as suas mudanças? Continua a mesma? Acompanhe a cobertura que fizemos da nossa trintona.

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Por Irlan Simões e Jean Christian

Não é novidade que as Instituições Federais de Ensino (IFE’s) há muito tempo sofrem por falta de estrutura. Por serem um órgão suplementar das Universidades, as Bibliotecas não deixam de passar pelos mesmos problemas e precariedades de outros setores, como o restaurante e os laboratórios. Fomos até a UFS conferimos como a única universidade pública de Sergipe tem tratado a sua biblioteca. E a impressão não foi nada boa.

 Criada em 1979, a BICEN foi parte do processo de fundação da Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos. O novo campus foi responsável pela centralização dos cursos da UFS que até aquele ano eram espalhados por Aracaju, cada um com seu prédio e cada um com sua biblioteca. “Tínhamos as bibliotecas dos cursos de Ciências Econômicas, Químicas, Direito e Filosofia e de Serviço Social, que vieram aqui para São Cristóvão. Só a de Medicina que continuou lá no Hospital Universitário”, nos explicou Rosa Vieira Gomes, diretoria da Biblioteca Central da UFS e funcionária da casa há 34 anos (e principal contribuinte da nossa reportagem).

   Antes de saber dos problemas da BICEN, é importante compreender o tamanho da sua importância para os estudantes. Principalmente por ser pública, a biblioteca tem o papel de fornecer material didático para quem a freqüenta, independente da sua classe social. Nas universidades, as bibliotecas (pelo menos na teoria) conseguem diminuir as diferenças de condições de estudo entre o estudante de boas condições financeiras e o estudante mais necessitado. Por isso a BICEN faz parte do processo de assistência estudantil: contribue com a manutenção desse estudante mais pobre e impede a sua evasão, que é no fim das contas um fenômeno dos mais absurdos que se pode imaginar de uma universidade que tem um processo vestibular tão concorrido e que tem o papel de formar profissionais que retribuam à sociedade um exercício de profissão qualificado e formação de conhecimentoboxxx1.

   No comentário anterior, colocamos em destaque a expressão “pelo menos na teoria”. E o consideramos justificável. Hoje o grau da precariedade das bibliotecas públicas (dentro e fora das IFE’s) é tão grande que ela se torna insuficiente para as necessidades do estudante atual. Basta considerar que hoje a dinâmica de ensino mudou muito, o ritmo do estudo é mais acelerado, o conhecimento da informática se tornou praticamente indispensável e mesmo assim são poucos os exemplos de laboratórios de computação com internet dentro desses espaços.

   Não há como desvincular a situação atual da BICEN do modelo de educação publica levada pelos governos federais ao longo do tempo. Após a redemocratização do Brasil e com os governos neoliberais Collor e FHC, que chegaram a tentar privatizar o ensino publico, sendo barrados por resistentes protesto, as IFE’s sofreram um processo absurdo de precarização da sua estrutura. Novas tecnologias eram requisitadas enquanto os equipamentos já existentes se tornaram sucateados e obsoletos. “É preciso ter uma modernização e manutenção desses aparelhos. Temos aqui na BICEN, para trabalharmos, computadores de 10 anos atrás que não pega nem pendrive, nem cd, funcionam com disquetes!”, nos exemplifica, Rosa Vieira Gomes. Um projeto “silencioso” para acabar gradualmente com o ensino público em detrimento das instituições privadas.

   Já no segundo governo Lula, um projeto polêmico do Programa de Reforma Universitária (REUNI) veio a dividir os setores que discutiam e lutavam por uma universidade melhor. Com um projeto de expansão, o REUNI trouxe para as IFE’s um estímulo para uma ampliação de vagas  e de cursos, mas pouco se preocupou com a qualidade e estruturação dos antigos cursos, problema já apontado por todos desde os antigos governos. A verba da educação seria quase que exclusiva agora para os novos cursos que seriam criados. Ou seja, um programa que estimularia o nascimento de novos problemas.

   Independente da posição que você leitor leve em relação a tal reforma, é claro e evidente que a verba disponibilizada para a educação no Brasil passa longe de ser a ideal. E esse problema também foi independente da política levada por qualquer dos três diferentes governos que assumiram a presidência brasileira. A educação, sempre apontada como uma das poucas soluções para transformar a nossa sociedade em algo um pouco mais igualitário, é colocada em segundo plano pelos grandes cabeças do poder.

   Quem não nos deixa mentir em relação a isso é exatamente a BICEN. “A gente sabe que a BICEN é um órgão suplementar, mas a gente não tem orçamento. A gente trabalha no escuro sem saber quanto vai dar”, nos responde Rosa, desestimulada quando questionada se a BICEN possuía um orçamento próprio e uma garantia da Coordenação Geral de Planejamento (COGEPLAN) de verbas fixas todo ano. “Ano passado ela [COGEPLAN] me deu para equipamento apenas 20 mil reais. E de ano para ano isso não muda muito, não”, completa. Os problemas também envolvem falta de recursos humanos, já que os pouco mais de 30 funcionários (entre concursados, bolsistas, auxiliares e terceirizados) não são suficientes para atender as demandas da BICEN e de suas bibliotecas setoriais.aaaaaaaaaaarrrrrrrrrqqqqq

    Ao mencionar a COGEPLAN, Rosa se referiu a verba disponibilizada pelo programa do Programa Ensino de Qualidade (PROQUALI). O programa foi criado visando descentralizar as decisões sobre aquisições de equipamentos e livros de cada departamento ou setor da universidade. Nesse ponto, positivo, por permitir uma autonomia maior a essas estâncias. Seria lindo, caso essa verba não fosse insuficiente ano após ano. Além dos critérios de divisão dessa grana serem equivocados e não avaliarem de fato quais as necessidades de cada curso. Meras migalhas diante da atual conjuntura.

  A BICEN da UFS hoje aguarda uma obra de ampliação da sua estrutura. Com o numero cada vez maior de estudantes, a biblioteca passou a receber enormes filas na recepção e lotação nas áreas de estudo, gerando falta de mesas, além da já antiga falta de volumes de um livro. Segundo Rosa Vieira Gomes nos informou, foram repassados pelo MEC uma verba para uma ampliação de 300m² na área da BICEN, além de uma estrutura metálica que seria o mezanino.

   Hoje o futuro da Biblioteca Central, assim como de toda a UFS e outras IFE’s brasileiras é meio incerto. De fato o REUNI é um projeto que, para os que acreditam nele, trará benefícios a longo prazo. Para outros, que consideram-no um programa irresponsável e equivocado, a tendência das universidades brasileiras é sucatear cada vez mais, enquanto as prioridades não forem atentidas.

 

Confira a entrevista completa com Rosa Vieira Gomes para o EmPauta no link abaixo:
http://www.empautaufs.wordpress.com/2009/05/25/alem-de-poeira-e-tracas/

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