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Educação nos tempos atuais

Posted in Educação, Política by micheletavares on 05/06/2009

 

Por Victor Bruno e Rafael Freire

Como anda a educação em nosso País? Os programas governamentais estão mesmo sendo eficazes para a construção do conhecimento dos nossos jovens?   Rita de Cássia, professora formada pela Universidade Federal de Sergipe em Letras-Português, fala sobre a qualidade do ensino fundamental nas escolas públicas do Brasil, baseada em sua experiência de mais de vinte anos em sala de aula.Rita de Cássia - Professora de Português

EmPautaUFS: Durante todos esses anos como professora no ensino público, algumas coisas mudaram. Em sua opinião, quais as mudanças mais relevantes até hoje?

Rita de Cássia: Pra ser sincera não aconteceu nenhuma mudança tão significativa assim. É claro que a uns anos atrás havia toda aquela história de “trem da alegria”, por exemplo. Só bastava ter um diploma na mão e ter contatos na política que a vaga de emprego era garantida. Claro que hoje, com os concursos públicos, esse tipo de coisa não acontece mais. Digamos que a seleção para a vaga de professor ficou mais honesta e democrática. Entretanto, quem tem amigos na política ainda consegue ter certas regalias no setor público. Creio eu que isso não acontece apenas na área da educação, mas é um tumor que toma conta de quase todas as áreas relacionadas ao serviço público. Nas escolas em si, as mudanças quase inexistem.  É claro que não é sempre culpa do governo. Pensar dessa forma seria um equívoco. Boa parte da culpa no quesito “má educação” é dos pais. Lido com todos os tipos de pessoas todos os dias. Gente que acompanha a vida estudantil dos filhos, o que é raro de se encontrar, gente que não está ligando muito, mas ainda se faz presente de alguma forma, nem que seja pra cobrar as boas notas no fim do ano e, é claro, gente que não liga e nunca ligou pra nada, que são a maioria dos casos). Minha maior opinião sobre isso é que se a educação na escola e na casa de cada aluno não andarem de mãos dadas, qualquer lição dada na sala de aula se perderá no meio do caminho.

Em PautaUFS: Então é possível acreditar na educação básica de qualidade se houver a ajuda da família?

Rita de Cássia: Com certeza. O problema é que isso está longe de acontecer. Existem alguns poucos alunos com uma família em condições financeiras razoáveis, mas praticamente todos os alunos de escola pública têm famílias muito humildes. Isso influencia e muito na hora de educar a criança. Primeiramente porque famílias muito humildes não têm tempo para se dedicar à educação dos filhos. Os pais trabalham fora o dia todo ou então fazem “bico” para poder dar o mínimo de sustentação ao núcleo familiar. Quer dizer que a criança passa a maior parte do dia na rua, sem o mínimo de restrições dos pais. Todos nós sabemos que estabelecer alguns limites são importantes para educar qualquer pessoa e infelizmente a palavra “limite” não existe no comportamento desses alunos.

EmPautaUFS: E quanto ao governo, o que falta para ajudar na educação básica de qualidade?

Rita de Cássia: Eu acho que a educação em si é algo que envolve todos os níveis, desde a básica até a superior.  Em minha opinião, o que o governo federal faz ao investir pesado nas expansões das universidades, colocando em segundo plano a educação de base é um erro fatal. Na verdade é mera estratégia política, porque se disponibilizam um bom número de vagas nas universidades privadas e outras tantas nas universidades públicas, ficando evidentes os resultados a curto prazo. Entretanto, investir na educação básica é algo mais complicado. O resultado aparece bem depois que o mandato de determinado político acaba, mas para o futuro do Brasil é infinitamente melhor. Por isso um investimento realmente relevante no ensino fundamental seria essencial se quiséssemos nos orgulhar da educação brasileira daqui a uns quinze ou vinte anos.

EmPautaUFS: E enquanto as suas aulas em particular, qual a maior dificuldade?

Rita de Cássia: A estrutura. A matéria “Língua Portuguesa” não necessita tanto de apetrechos materiais para um bom aproveitamento em sala de aula, o que para mim é um alívio. Mas sempre existem algumas atividades extra-classes que seriam boas para a melhor absorção do conteúdo e que infelizmente faltam espaços físicos para realização delas.

EmPautaUFS: E quanto as outras disciplinas?

Rita de Cássia: Aí a história é outra. Nas disciplinas de Física, Química e Biologia, por exemplo, seria muito bom um laboratório a fim de auxiliar na compreensão do assunto discutido em sala de aula. A falta de computadores também é algo que poderia ser mais cobrado, uma vez que sabemos que hoje em dia a informática é parte integrante de nossas vidas, seja qual for sua profissão. Existe na verdade uma infinidade de coisas que poderia ser mudado e melhorado na rede pública. Coisas que o governo promete e até se propõe a realizar. Mas o que eu aprendi ensinando todo esse tempo em colégios públicos é que da proposta pra prática existe um abismo gigantesco.

EmPautaUFS: Referente ao quando de professores, qual sua opinião sobre a qualidade do ensino passado em classe?

Rita de Cássia: Há muitos colegas meus bons no que fazem, mas eu acho que uma reciclagem no conteúdo de cada um é primordial. Até porque os assuntos, não importa que disciplina seja, são dinâmicos. Uns mais, outros menos, mas ainda assim dinâmicos. E não é só no conteúdo em si, mas na forma em que é transmitida a matéria. A didática do ensino é algo que evolui com o tempo e persistir no passado sem olhar para um futuro que abre infinitas possibilidades na forma de ensinar é persistir em algo ultrapassado e obsoleto.

EmPautaUFS: Então qual sua visão geral do ensino público no Brasil?

Rita de Cássia: É como eu já disse. O Brasil tem muito que melhorar. Os governantes têm que parar de colocar a educação em quarto ou quinto lugar no “ranking” dos maiores problemas e elevá-la a nível prioritário, pois todos nós sabemos que o investimento na educação hoje é a base futura para menos violência urbana, maior qualidade da saúde pública e o mais importante: maior consciência na tomada de decisões importantes que construirão uma história mais digna ao nosso amado país.

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