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CARE- O lixo que recicla vidas

Posted in Uncategorized by micheletavares on 10/06/2009

Por Andreza Lisboa

Asfalto. Terra batida. Asfalto. Terra batida.

Esse é o caminho percorrido todos os dias pelo caminhão da Cooperativa de Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (CARE) na busca de lixo ou materiais que para algumas pessoas são somente restos descartáveis e sem utilidade, e para outras se transformam em uma fonte de dinheiro capaz de trazer melhores condições de vida.

Distante aproximadamente 3,5 km do centro da capital Aracajuana e localizado no escondido bairro Santa Maria, ainda conhecido por muitas pessoas como o bairro Terra Dura, A Cooperativa de Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (CARE) nasceu há cerca de 10 anos atrás como uma instituição sem fins lucrativos e com o único propósito de oferecer melhores condições de renda e emprego para famílias carentes que sobrevivem da coleta de materiais recicláveis.

Inicialmente o projeto, que foi criado através da parceria do Ministério Público com a Unicef, tinha como objetivo principal retirar as crianças que trabalhavam na antiga lixeira da Terra Dura. Aproximadamente 240 crianças, com uma faixa de idade variando entre 4 a 7 anos, coletavam materiais recicláveis junto com seus pais e familiares e continuamente estavam expostas aos diversos tipos de doenças e males possíveis.

Após a instalação da Cooperativa, a retirada das crianças deste local tão insalubre e perigoso foi finalmente possível. Sendo que, hoje, 60 delas participam do Projeto Recriarte que é um espaço destinado a promover a inclusão social dos jovens e adultos através de aulas do ensino fundamental e reforço, como também por meio de oficinas de artesanato, pintura e cuidados com a saúde.

Por mês, a Cooperativa recebe e recolhe cerca de 20t de lixo. Todo este material é alocado em um galpão de 300 m² com capacidade para receber 100 t de lixo. As duas máquinas da Cooperativa- a de papel e prensa- têm, respectivamente, a capacidade de comprimir 100kg/h e 450kg/h de material reciclável.

Atualmente, 45 famílias da localidade são beneficiadas com todo o lucro obtido da venda de materiais como papel, metal, madeira e vidro que seguem uma rigorosa etapa de seleção e limpeza antes de serem transformados. Aliás, a palavra desperdício não faz parte do vocabulário dos membros da Cooperativa, pois eles reaproveitam de alguma forma os materiais não utilizados durante o processo de reciclagem.

O semblante de satisfação pelo dever cumprido é visto de longe nos rostos dos cooperados. De acordo com a ex-presidente e atual tesoureira da Cooperativa, Vaneide Ribeiro Santos, a CARE significa muito mais do que um local que transforma lixo em material reutilizável. Para ela, acima de tudo, a instituição transforma e dignifica as vidas de todos os seus membros e familiares. “A melhor coisa de reciclar é o ser humano. Imagina você encontrar uma pessoa na rua toda maltrapilha e sem esperança e dá-la uma vida mais digna e humana. Este é o melhor sentimento que sinto quando penso na CARE e no seu papel de transformar e melhorar a vida de todos nós”, finaliza ela.

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