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O fenômeno Chico Xavier

Posted in Perfil by micheletavares on 10/06/2009
Chico Xavier psicografando um dos seus livros

Chico Xavier autografando um dos seus livros

 Por Daniele Melo

 

Berço e Túmulo são simples marcos de uma condição para a outra” disse o revolucionário e marcante Chico Xavier.

Dois de abril de 1910 nascia, em Pedro Leopoldo, cidadezinha modesta de Minas gerais, o mineiro que em tão pouco tempo se tornaria o ícone do espiritismo no Brasil, Francisco Cândido Xavier.

Sua infância não foi fácil. Primeiramente por perder sua mãe, Maria João de Deus, com apenas cinco anos de idade. Depois por enfrentar tanto preconceito e discriminação daqueles que não conheciam ou não compreendiam o seu dom, até mesmo seu pai começa a crer que seu filho teria sido trocado, dizia “Aquele meu filho é estranho!”. Desde os cinco anos de idade estabelecia contato não só com sua “mãezinha querida” (como assim se referia) desencarnada que estabeleceu comunicação pela primeira vez no quintal de casa, como também com “vozes confortadoras”, espíritos desencarnados como são chamados pelo espiritismo. Segundo o menino Francisco, sua mãe estava sempre com ele, ajudando nas tarefas e dificuldades na escola. Em alguns anos, o tímido e doce menino Chico se tornaria o mais famoso e estudado espírita em todo o Brasil.

Oito de julho de 1927, o ano em que teria início publicamente, o mandato mediúnico de mais de sete décadas de trabalho incessante. Com apenas 17 anos, receberia, naquela noite memorável, as primeiras páginas mediúnicas de sua vida. Com ajuda dos espíritos, Chico Xavier, na ocasião, preencheu rapidamente dezessete páginas com pensamentos e deveres do espírita-cristão, não sentia estar em seu corpo, revelando que a sensação era que tudo que limitava o espaço físico parecia ter desaparecido, como revela na descrição da sala onde se encontrava “A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora do meu próprio corpo físico, embora junto dele. As paredes que limitavam o ambiente desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite”. Iniciava-se naquele magnífica e iluminada noite, a vida pública do médium Chico Xavier. Apenas cinco anos depois, 1932, publica seu grande sucesso “Parnaso de Além-Túmulo” pela Federação Espírita Brasileira (FEB), vendendo milhares de exemplares. Chico Xavier psicografou exatamente 416 livros, vendendo exatamente 12 milhões de exemplares só pela FEB, que foram traduzidos pra diversas línguas como castelhano, francês, inglês, japonês, grego, entre outras, lembrando que alguns de seus livros foram adaptados também para tele e radio novelas.

Sua postura diante de qualquer lucro de suas produções era totalmente firme, todo o dinheiro arrecadado com as vendas eram destinados a instituições de ajuda aos pobres, jamais usufruiu de qualquer lucro ou vantagem provenientes de suas práticas mediúnicas. Seu posicionamento em relação as especulações sobre sua vida privada e pública, como também as críticas recebidas era de absoluta passividade, sua moral era ilibada.

Chico Xavier escreveu também romances históricos que conseguiam descrever com exímia precisão detalhes da vida e costumes da época após o nascimento de Cristo em um de seus mais famosos romances históricos “Há dois mil anos atrás” que remonta o cenário da civilização romana após a morte de Cristo, Chico através de sua psicografia faz com riqueza raríssima de detalhes, a descrição de aspectos fundamentais daquela sociedade.

Sem dúvidas naquele oito de julho nasceria para o mundo o grande missionário e pregador do pensamento cristão, um dos grandes disseminadores do espiritismo no mundo, um exemplo de caridade e trabalho pelo próximo, naquela noite “quase gelada” nascia sim o “irmão em Cristo” Chico, aquele que 1997 completaria seus incessantes setenta anos de trabalho mediúnico em prol da humanidade. Chico Xavier que teve a vida em uma disciplina rígida de trabalhos, fez somente um desejo aos seus mentores espirituais, queria desencarnar em um dia que todos os brasileiros estivessem em festa. Seu pedido foi atendido, e em 30 de junho de 2002, quando o Brasil festejava a conquista da Copa do mundo, Francisco Candido Xavier desencarna com uma parada cardíaca aos noventa e dois anos de idade.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”

 

Francisco Cândido Xavier

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