Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

“O teatro é uma arma e é o povo que deve manejá-la!”

Posted in Perfil by micheletavares on 11/06/2009

Por Geilson Santos

Pensar a arte como um meio de transformação social se torna cada vez mais difícil quando olhamos para o mundo cultural e nos deparamos com a força que o capitalismo vem exercendo sobre ele. A indústria cultural transforma as produções artísticas em meros produtos de mercado, reduzindo seu poder de transformação sobre homem e a sociedade.

Contrariando essa lógica imposta do capital, o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal criou um novo teatro, aliando o teatro ideológico à ação social. Boal enxergava o teatro como instrumento de emancipação política como também nas áreas de educação, saúde mental e sistema prisional.

Boal nasceu no Rio de janeiro, filho de padeiro. Desde pequeno se interessava pelo teatro, mas se graduou em Engenharia Química pela UFRJ. Em 1950, enquanto realizava estudos em nível de Ph.D nos Estados Unidos começa a estudar dramaturgia. Seis anos depois volta ao Brasil e deixando a Química, passa a integrar no Teatro de Arena.

Nessa época o teatro que se conhecia no Brasil, era um teatro altamente burguês. Feito e visto por burgueses. O teatro de Arena porém veio na contra mão, constituído um teatro voltado para classes populares, que além de se apresentar no teatro, também se apresentavam em escolas, fábricas e nos bairros populares.

Dessa lógica de teatro para o povo, Boal cria um teatro inspirado nas propostas de educação de Paulo Freire. Ele criou novas técnicas de encenação e interpretação denominada de Sistema Coringa, no qual, qualquer pessoa podia ser um ator e todos os atores poderiam representar todos os personagens, caindo por terra o teatro elitista ou das estrelas.

Com a repreensão da ditadura, Boal é torturado e preso. Depois de liberto vai para a Argentina, voltando com suas atividades teatrais, agora pondo em prática um novo projeto: o Teatro do Oprimido. O Teatro do Oprimido alia as artes cênicas e as lutas dos oprimidos pela sua libertação. Ele mesmo dizia que: “Penso que todos os grupos teatrais verdadeiramente revolucionários devem transferir ao povo os meios de produção teatral, para que o próprio povo os utilize à sua maneira e para os seus fins. O teatro é uma arma e é o povo que deve manejá-la!”

Augusto Boal faleceu no dia 2 de maio de 2009, e o que mais o caracterizou foi a sua crença inabalável na força da arte teatral para conscientizar o público, no seu poder para mobilizar os trabalhadores e os oprimidos para à luta.

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