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E o tempo não parou!

Posted in Cultura by micheletavares on 15/06/2009

Por Rebeca Rocha e Marta Olívia

fonte: foradesinc.wordpress.comCertamente você nunca ouviu falar do Agenor de Miranda Araújo Neto, mas era fã ou pelo menos já ouviu alguma música do Cazuza. Pois é, o próprio Cazuza demorara anos para reconhecer o nome herdado do avô, e isso só aconteceu quando descobriu que o nome de um dos compositores que mais admirava, o Cartola, levava o mesmo nome que o seu.

Cazuza cresceu no bairro de Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio (Rio de Janeiro) até ser expulso. De lá, estudou no colégio Anglo-Americano. Quando seus pais saíam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, com quem começou a partilhar suas primeiras letras e poemas.

No início dos anos 80, o garoto dourado do sol de Ipanema surpreendeu o cenário musical brasileiro. O cantor, compositor e poeta carioca, filho do produtor fonográfico João Araújo, da Som Livre, cresceu ouvindo música, principalmente brasileira. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, como Caetano, Elis Regina, Gal, Gil, João Gilberto e Novos Baianos. A veia artística da família pulsava forte: a mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos. Cazuza fez seu próprio estilo, despojado e autêntico, e encantou a todos, surpreendendo até mesmo seu pai quando o ouviu pela primeira vez na rádio, sem ter percebido imediatamente o sucesso e talento daquele que elogiou sem saber que era seu filho.

O céu é o limite

Se tem algo extremamente antônimo ao modo de vida de Cazuza, são as fonte: vaca.tipos.com.brregras. Dono dos seus limites e de toda audácia e independência, abandonou a faculdade depois de um mês de aulas e passou a ter uma vida noturna de boêmio. Depois de trabalhar algum tempo na gravadora Som Livre, foi para os Estados Unidos.  Voltou em 1980, e, através do cantor Leo Jaime, passou a ser vocalista da banda de rock Barão Vermelho, com artistas que até hoje fazem fama, como Frejat, que foi parceiro compositor de Cazuza. Começou a dar voz aos impulsos de uma juventude ávida de novidades. Ele, Cazuza, era a grande novidade.  O Barão Vermelho se tornou rapidamente uma das maiores da década, em parte graças às composições de Cazuza. Dentre as composições famosas junto ao Barão Vermelho estão Todo Amor Que Houver Nessa Vida“, Pro Dia Nascer Feliz“, “Maior Abandonado“, “Bete Balanço” e “Eu Queria Ter Uma Bomba“. A carreira com a banda durou 5 anos, e terminou para dar início a uma promissora carreira solo, que teve 5 discos lançados em 4 anos.

A carreira solo

Com a sua carreira solo confirmada, Cazuza vira alvo de polêmicas por assumir ser bissexual. Em agosto de 1985, Cazuza é internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, para ser tratado por uma pneumonia. Cazuza exigiu fazer um teste de HIV, do qual o resultado foi negativo. Em novembro de 1985 foi lançado o primeiro álbum solo, Exagerado. “Exagerado”, a faixa-título composta em parceria com Leoni, se torna um dos maiores sucessos e marca registrada do cantor. Também destacam-se “Mal Nenhum” (composta em parceria com Lobão) e a obra-prima “Codinome Beija-Flor”. A canção “Só As Mães São Felizes” é vetada pela censura.

Cazuza gravou o segundo álbum no segundo semestre de 1986. Como a Som Livre terminou com o cast, Só se For a Dois foi lançado pela PolyGram (agora Universal Music Group) em 1987. Logo depois a PolyGram contratou Cazuza. Só Se For A Dois mostra temas românticos como “Só Se For A Dois”, “O Nosso Amor A Gente Inventa (Uma História Romântica)”, “Solidão Que Nada” e “Ritual”.

O início de um drama

Em 1989, Cazuza descobre ser soropositivo. Declara ao público e a seus fãs que é portador, para conscientizá-los em relação à doença e aos efeitos. Em 1989, a doença já o fazia definhar. O seu último disco, Burguesia, foi gravado como cantor numa cadeira de rodas e com a voz nitidamente mais fraca e vendeu 250 mil cópias. Recebeu o prêmio Sharp póstumo de melhor canção com “Cobaias de Deus”. Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza parte novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990. No dia 7 de julho de 1990, Cazuza morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela Aids. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho: Roberto Frejat, Maurício Barros, Dé, Guto Goffi e o produtor Ezequiel Neves. Cazuza foi enterrado no cemitério  São João Batista, no Rio de Janeiro, para se tornar imortal na história da música brasileira.

Em 1999, a Som Livre fez o Show em Tributo a Cazuza, posteriormente lançado em CD e DVD, e contou com a participação de Ney Matogrosso, Barão Vermelho, Zélia Duncan, Kid Abelha, Sandra de Sá, Arnaldo Antunes e Leoni.

E Viva Cazuza

Após a sua morte, os pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças portadoras do vírus da AIDS e auxilia suas famílias, além de ser um Site educativo e informativo sobre Aids, com objetivo de trazer informações científicas atualizadas para o português e esclarecimento de dúvidas; e mantém um Projeto de Apoio Social visando adesão ao tratamento para pacientes adultos em tratamento em dois hospitais da rede pública do Rio de Janeiro. Dentro da Sociedade Viva Cazuza foi criado um espaço chamado Projeto Cazuza, que é um acervo de seus pertences, revela curiosidades sobre o artista, enfim, funciona como um pequeno museu.

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