Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Quem é Rupert Murdoch?

Posted in Perfil by micheletavares on 22/06/2009

Você pode não ter ouvido falar dele, mas com certeza já consumiu um dos seus produtos.

Por Gustavo Costa

Rupert Murdoch, CEO da News Corp. e quase dono do mundo

Rupert Murdoch, CEO da News Corp. e quase dono do mundo

Nascido em Melbourne, Austrália, Rupert Murdoch aos 68 anos é um dos mais influentes empresários do mundo. Do seu quartel-general baseado na 6ª Avenida em Manhattan, Nova York, Murdoch comanda a News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. O New York Post e o The Sun, os maiores tablóides dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente, são dele. São dele também a Fox Network (e junto com ela o MySpace e mais 35 canais de televisão), a 20th Century Fox, o jornal The Times de Londres, a DIRECTV, a editora Harper Collins Publishers, a Sky Italia e mais recentemente a Dow Jones & Company e junto com ela o jornal americano The Wall Street Journal. Além de tudo, ele afirmou em setembro do ano passado que tem um grande interesse em comprar o consagrado The New York Times. Ao todo são 789 empresas em 52 países, em cinco continentes. A qualquer hora do dia ou da noite uma a cada cinco casas americanas estão ligadas em algum programa produzido ou transmitido pela News Corp.

Você pode estar pensando que o Sr. Murdoch é um grande privilegiado (o que é verdade), mas todo seu império começou no pequeno jornal australiano de seu pai, o “The Adelaide News” que cobria as notícias da cidade de Adelaide. Rupert, ao assumir o controle do jornal, o transformou em algo rentável o suficiente para começar a adquirir novas empresas e fazê-las crescer ao ponto de levá-lo ao patamar dos grandes magnatas da mídia do século XX.

Atualmente, ele vê o futuro dos jornais impressos sem tintas nem papel, mas com conteúdos atualizados constantemente e enviados para aparelhos portáteis, com um serviço obviamente cobrado a um preço suficiente para manter sua fortuna de aproximadamente US$ 7 bilhões.

O visionário

Contrariando sua visão de um ano atrás, Murdoch se pronunciou ainda este mês dizendo que os jornais impressos estão com os dias contados. Para ele, dentro de 20 anos, os jornais estarão “muito diferentes” dos atuais, já que os mais jovens não querem mais os jornais convencionais. Assim sendo, as empresas deverão se adaptar, afim de transmitir suas notícias em aparelhos digitais. Algo semelhante já aconteceu nos Estados Unidos com os jornais Seattle Post Intelligencer e o Boston Christian Science Monitor que fecharam as portas, mas continuaram com a versão online.

Quanto às finanças, o empresário naturalizado americano diz que a forma de arrecadação dos veículos de informação, que é feita exclusivamente por receitas geradas pela publicidade, não é mais rentável. Para isto, o dono do MySpace pretende cobrar pelo acesso às informações. Já nesse viés, o site do jornal The Wall Street Journal disponibiliza suas notícias somente para assinantes. Segundo Murdoch, o “apetite por notícias” que existe na sociedade deveria ser aproveitado para aumentar a renda das suas empresas.

Sr. Murdoch e sua esposa Wendy Deng

Sr. Murdoch e sua esposa Wendy Deng

O polêmico

Fama, dinheiro, intrigas e polêmicas são assuntos íntimos de qualquer empresário bem sucedido, principalmente quando se fala do barão da mídia, Rupert Murdoch.

Conhecido por todos devido a sua postura política de extrema-direita, o australiano coleciona controvérsias. Uma delas é de ser um capitalista ferrenho que defende o regime comunista da China. Isso se deve ao fato de que este playboy da terceira idade defende, acima de tudo, seus próprios interesses. E Murdoch poss

ui muitos interesses no país vermelho. Ele possui um acordo de TV via satélite com o Governo Chinês, o que o levou a recusar a proposta de sua editora HarperCollins publicar uma biografia que denegria a imagem de um ex-líder do Partido Comunista. Ele ainda acusou a imprensa internacional de estar “atacando o regime chinês gratuitamente”.

Sobre a guerra no Iraque, o controverso empresário disse à imprensa que a melhor coisa que se poderia esperar da invasão americana, seria o barril do petróleo cotado a 20 dólares. Além disso, durante o governo Bush ele defendeu o presidente americano dizendo que o republicano é um homem “de grande caráter e profunda humildade”.

Essa visão conservadora, que dizem estar impregnada nos seus veículos de comunicação, cometeu uma gafe em fevereiro deste ano ao publicar uma charge que aparentemente comparava o presidente Barack Obama a um macaco. A piada racista obrigou o CEO da News Corp a se desculpar sobre o ocorrido e anunciou este mês a criação de um grupo antirracista que fiscalizará os conteúdos para que não haja novamente um desrespeito às minorias dentro de suas empresas.

Nos últimos dias, a mais nova polêmica que Rupert se envolveu foi devido à sua influência nos canais de televisão a cabo da Itália. O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi acusou Murdoch de estar por trás das acusações do envolvimento do premiê com uma jovem de 18 anos chamada Noemi. Berlusconi diz que o magnata está se vingando do fato de que o governo italiano elevou as taxas cobradas aos canais pagos de 10% para 20%. A Sky Italia de Murdoch é concorrente da Mediaset de Berlusconi, sendo que a Mediaset possui hegemonia nos canais abertos, enquanto que na área de TV’s por assinatura, a empresa do australiano domina uma fatia de 90% do mercado.

O magnata se pronuncia no Fórum Econômico Mundial

O magnata se pronuncia no Fórum Econômico Mundial

O egocêntrico

Muitas pessoas acham Rupert Murdoch um sujeito difícil de ser entendido, mas a verdade é que ele é um apaixonado pelo dinheiro. Suas atitudes e ideologias se adaptam aos interesses do seu conglomerado a fim de atingir cifras cada vez maiores.

Rupert pode não estar certo, mas ele não está errado por defender seu ponto de vista a qualquer custo. E seu ponto de vista diz que ele deve conquistar mais.

Um fato curioso que demonstra sua visão política “maleável”, se deu quando o jornalista Michael Wolff, que recentemente escreveu uma biografia sobre Murdoch, se encontrou com o magnata antes das prévias democratas em Nova York. Wolff disse que não sabia em quem votar e pediu uma opinião. A resposta não poderia ser diferente: “Obama – ele venderá mais jornais.”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: