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A venda de Automóveis e a redução do IPI

Posted in Economia by micheletavares on 13/10/2009

E você? Já comprou seu carro novo?

Por Eloy Vieira

Ano de crise global, bancos quebrando, países entrando em recessão, milionários perdendo fortunas e o brasileiro comprando carro novo. É isso mesmo! Com a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), muitos brasileiros, incluindo os sergipanos, foram atrás do sonho do carro zero.

Daisy Pequeno, bancária, foi mais uma dentre as pessoas que compraram seu carro zero durante esse período, ela alega que já estava com vontade de trocar de carro, mas, só concretizou quando viu na redução do imposto uma oportunidade de adquirir um veículo com mais opcionais, como ar-condicionado e direção hidráulica. “Eu nem ia trocar de carro, não pesquisei antes, mas decidi aproveitar a redução”, comentou.

A bancária acredita que o governo influenciou o consumo, facilitando a venda dos carros novos impulsionando a economia. Mesmo assim, quando questionada sobre a compra de um próximo carro, Daisy não foi otimista: “Não tenho planos para o próximo carro gastei boa parte de minhas economias”.

Mas afinal, o que é o IPI?

O IPI, instituído desde 1965, é um imposto brasileiro de responsabilidade do Poder Executivo, ou seja, é um imposto federal. Ele incide tanto em produtos nacionais quanto em estrangeiros. Além disso, é considerado um ‘imposto seletivo’, pois o governo, através de suas políticas econômicas, pode taxar um produto a fim de incentivar ou refrear o consumo.

Traduzindo do ‘economês’, o formando em Ciências Econômicas e já graduado em Ciências Contábeis, Emilton Vieira, esclarece que todo produto industrializado traz este imposto imbutido. “Em alguns produtos (esse imposto) pode chegar a 50%. Para o governo, isso é uma fonte de receita, para o consumidor é mais um item que encarece o preço final”, explica.

Carro com IPI reduzido e emplacamento grátis numa concessionária em Aracaju (Foto: Normélia Vieira)

Carro com IPI reduzido e emplacamento grátis numa concessionária em Aracaju (Foto: Normélia Vieira)

A venda de carros e a redução do IPI

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), só no primeiro semestre de 2009 foram vendidos quase 1 milhão e meio de veículos, o que representa um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desde o começo deste ano, o imposto sobre a produção de automóveis ficou reduzido a zero, mas essa redução estava somente prevista para o primeiro trimestre do ano, justamente quando a indústria automobilística diminuiu sua produção (temendo a crise econômica) e quando as pessoas começaram a correr atrás de seu carro zero.

Apesar de nosso presidente ter anunciado que a crise era só uma marolinha, segundo Luiz Claudio Oliveira, gerente de concessionária em Aracaju, atuante no ramo há 18 anos, enfatiza: “A crise nos afetou e (…) o governo foi muito rápido, parabéns ao governo, botou um soro pro veneno, ou seja, ele veio com a redução do IPI”.

Já no segundo semestre deste ano, com a prorrogação depois da correria no trimestre anterior, as vendas continuaram subindo e então se prorrogou mais outra vez, durando até o último mês de setembro. De acordo com Luiz Claudio, o governo fez a coisa certa, pois, mesmo que beneficiasse a todos, outra prorrogação poderia trazer desconfiança por parte dos consumidores.

Ele ainda destaca que mesmo que o governo tenha anunciado que o IPI vá recuperando seu patamar de 7% sobre o produto, lembra que 2010 é ano de eleição, e deixar um imposto que atue diretamente sobre o cidadão comum é uma medida muito impopular. “Minha opinião é: antes do final do ano a isenção (do IPI) volta, ou, ele (o governo) define novas alíquotas com valores menores para que os preços reduzam”, alega Luis quando questionado sobre as expectativas sobre as vendas em 2010.

Segundo Emilton Vieira, esperar que o governo conceda outro período de redução não faz muito sentido, pois, mesmo sendo eleição, acredita que o poder executivo não abriria mão de um imposto tão significativo como este. Mas em um ponto ambos concordam, a redução da taxa foi importante.

Eles reconhecem que de fato as vendas de automóveis foram alavancadas, garantindo muitos empregos, tanto no setor industrial quanto no setor comercial, tentando assim afastar o fantasma da crise que tanto assombrava o mundo até pouco tempo atrás. Emilton vai além, ressalta que apesar de positiva, a medida é uma renúncia fiscal, ou seja, o governo federal reduz sua arrecadação, logo, de algum modo esse rombo tem que ser coberto. “O Brasil se beneficiou, mas na economia tudo tem dois lados, o ônus e o bônus, por isso o governo não vai devolver o Imposto de Renda agora, (…) quem paga é o contribuinte”, conclui.

Por Eloy Vieira

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