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ARROZ E FEIJÃO: De vilões a heróis

Posted in Economia by micheletavares on 16/10/2009

por Danilo Trindade

Certamente você lembra que no ano passado o preço do arroz e do feijão assustavam os consumidores. Hoje é surpresa entrar no supermercado e perceber que esses mesmos produtos são heróis na cesta básica nacional. Em setembro de 2008, a crise mundial atingia os países ricos, enquanto isso o presidente do nosso país dizia que a crise era apenas uma marola. Na virada do ano, a crise aperta o nosso país ao invés dos preços dos alimentos subirem eles caíram e continuam caindo.

 A trajetória da quedaDSC01573

 “A crise mundial não influência diretamente na queda do preço dos alimentos. A influência que ela tem é pequena e mesmo assim em produtos de exportação”, explica o economista Rosalvo Ferreira Santos. No caso do arroz, um dos principais produtos de exportação nacional, a queda foi inevitável. Mas, qual seria a razão para a queda do preço do feijão?

Segundo o economista, fatores como, a proximidade com a produção, superprodução e renda baixa da população local seriam as possíveis causas da queda do preço do feijão. “Outro ponto é o fato da livre concorrência do campo até as feiras livres e supermercados em que contribui para a queda do preço”, explica.

 

  Setembro 2008 Janeiro 2009 Julho 2009 Agosto 2009 Setembro 2009
1 kg Feijão R$ 4,40 R$ 3,32 R$ 2,07 R$ 2,02 R$ 1,94
1 kg Arroz R$ 2,40 R$ 2,48 R$ 1,93 R$ 1,83 R$ 1,70
Cesta Básica R$ 176,05 R$ 184,48 R$ 173,47 R$ 168,06 R$ 164,50

Fonte: DIEESE (Departamento intersindical de estatística e estudos socioeconômicos)

As pessoas estão aproveitando?

Um gerente de uma rede de supermercados de Aracaju, que não quis identificar-se, explicou que mesmo os produtos em baixa não existe um acréscimo na quantidade de vendas do supermercado e sim uma manutenção da demanda.  “É muito raro produtos da cesta básica sofrerem algum tipo de promoção. Uma vez ou outra um item pode ir a promoção. Pois esses produtos são tidos como o carro chefe da rede de supermercado”, comenta.

A manutenção na compra desses produtos pode estar ocorrendo por parte dos consumidores, mas esse barateamento na cesta faz com que as pessoas procurem outros itens no supermercado. “Quando sobra um dinheiro acabo comprando outros produtos, como um chocolate e outras coisinhas mais”, avalia a Dona de casa Delma Maria dos Santos.

Entretanto, o consumidor pode exagerar um pouco na compra de outros produtos, mas o senso de pechincha não se perde. “Posso exagerar quando sobra um dinheiro, mas pesquiso na feira e no supermercado. Quando não posso ir à feira e só compro no supermercado e percebo que as coisas estão caras eu só levo a quantidade que estou precisando no momento e uma semana depois retorno para buscar o resto”, defende Dona Delma.  

 O atual vilão

Nem tudo são flores. O preço do açúcar atualmente está bem amargo, e isso tanto o gerente do supermercado e a dona de casa Delma Maria perceberam. Comparado com o mesmo período do ano passado segundo dados do DIEESE, um quilo de açúcar custava R$ 1,49, hoje custa R$ 1,91.

A dona de casa aponta o açúcar como o principal vilão. Já o gerente do supermercado afirma que além dele outros produtos como, carne e farinha também podem ser considerados os vilões da cesta básica. “O aumento do preço do açúcar a população percebeu facilmente porque foi uma mudança bruta, enquanto a carne e a farinha sofrem oscilações”, disse.

 

  Julho 2009 Agosto 2009 Setembro 2009
1 kg Açúcar R$ 1,69 R$ 1,66 R$ 1,91
1 kg Carne R$ 11,90 R$ 11,76 R$ 12,28
1 kg Farinha R$ 2,01 R$ 2,00 R$ 1,95

Fonte: DIEESE

Um banho de água fria

Hoje o feijão e o arroz são heróis, porém quando a exportação do arroz voltar a ser significante e o tempo não ajudar, é promessa do arroz e do feijão retornarem a lista dos grandes vilões. “A cesta básica pode estar relativamente barata, mas é o preço do arroz e do feijão subir que desestabiliza tudo. Os dois são os principais itens para uma redução ou não da cesta básica”, explica o gerente.

Enquanto esse banho de água fria não chega, as pessoas aproveitam para encher o carrinho de supérfluos e torcem para as coisas se manterem como estão. Mas de quem é o prejuízo? “Se os agricultores cobrirem o valor investido na produção, ninguém tem prejuízo, mas caso contrário, eles estão no prejuízo”, finaliza o economista.

2 Respostas

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  1. Eloy Vieira said, on 16/10/2009 at 4:58 pm

    Gostei da matéria, conseguiu bastante destalhes e ficou bem construída, gostei do título tb, mt boa.

  2. Diana said, on 22/10/2009 at 2:01 am

    Feijão tava caro demais. affe. Matéria interessante.


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