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Insegurança nos Transportes Públicos Continua

Posted in Segurança Pública by micheletavares on 22/10/2009

Por Gustavo Carvalho

foto buzuDe acordo com matéria divulgada no dia 17 de setembro de 2009, pela Agência Sergipana de Notícias (ASN), os índices de assalto a ônibus caíram 50,59% este ano em Aracaju. Segundo a Secretaria de Segurança Publica (SSP), medidas foram tomadas, investimentos em tecnologia foram feitos e ações foram criadas para que pudessem chegar a este resultado.  Por outro lado, a população continua a sentir-se insegura mesmo com as medidas tomadas e com os índices apresentados. O medo de serem assaltados em determinadas linhas dos ônibus coletivos continua tanto para passageiros quanto para motoristas e cobradores.

O patrulhamento em zonas específicas de planejamento, a cooperação de passageiros, cobradores e motorista prestando queixas e ajudando nas ações policiais, a implantação de câmeras de segurança que causam inibição e possibilitam a identificação de criminosos e a criação de um núcleo especializado para monitorá-las e para investigar e cuidar desse tipo de crime são os fatores que, segundo o Secretário de Segurança Pública, João Eloy, em depoimento a ASN contribuíram para os bons resultados na segurança dos transportes públicos.

A delegada responsável pelo Núcleo de Assalto a Ônibus, Nalile Bispo, acredita na importância da ajuda da população e afirma que a Policia Civil tem uma equipe especializada que faz investigações diariamente buscando provas para poder encontrar e prender os assaltantes.  No mês de Agosto desse ano, foram presos seis homens que admitiram participação em mais de 20 assaltos a ônibus. Esses são os fatores que apresentaram resultados de queda por mais da metade nos índices de criminalidade nos transportes coletivos.

A população ainda insatisfeita não acredita que os índices apresentados sejam motivo pra criar tranqüilidade. A aflição é presente no cotidiano das pessoas que dependem desse tipo de transporte público. O medo de serem vitimas é constante, principalmente em linhas como Augusto franco/Bugio, Fernando Collor/Atalaia, Circular Cidade 1 e 2. Os passageiros querem a polícia mais próxima e presente no dia a dia. As câmeras que ainda não estão presentes na maioria dos ônibus não são bem monitoradas, não resolvem grandes problemas e não intimidam os assaltantes a agirem nos ônibus. Outras medidas precisam ser tomadas.

A universitária Anna Paula Aquinno, usuária do transporte coletivo assiduamente, se sente totalmente sem segurança no percurso da faculdade para casa. “Diariamente acontecem assaltos, já fui roubada em ônibus e é realmente traumatizante. Pagamos caro pela passagem, e além do transporte coletivo ser de péssima qualidade, a segurança é quase nenhuma”, desabafa Anna Paula. Segundo a estudante, as câmeras instaladas em apenas alguns ônibus parecem não adiantar de nada, pois os assaltantes não se intimidam e os cobradores ainda facilitam, permitindo a entrada de pessoas pelas portas traseiras quando o veículo já se encontra lotado. “Já que o transporte é para o povo, deveria ser de qualidade, com agentes de seguranças nos terminais e pessoas qualificadas na análise das imagens capturadas pelas câmeras”, finaliza Anna Paula.

cobradorOs cobradores apresentaram resistência para conversar com a equipe de reportagem do Empauta Ufs, mas em condições de não serem fotografados e comprometidos eles falaram sobre a realidade de trabalhar diariamente nos ônibus coletivos da Capital.

Joana Darc, cobradora há seis meses linha Circular Praias II, da empresa Progresso, relata que nunca foi assaltada trabalhando, porém o medo dos furtos é constante, devido os inúmeros casos de colegas que forem vítimas de assaltos, tanto da mesma empresa quanto de outras. Segundo a cobradora, os veículos da Progresso não possuem câmeras, só os da empresa VCA e Halley. Motivo que amedronta mais ainda, não só os funcionários quantos os usuários. “Tenho sorte de trabalhar em uma linha boa, onde a maioria das pessoas utilizam o ônibus são pescadores, funcionários de obras, pessoas de bem, além da quantidade de usuários serem menores que as outras linhas”, explica Joana.

Já para Hermes da Silva, cobrador da linha Fernando Collor/Atalaia, da empresa VCA não vê diferença alguma em ter câmera ou não no veículo. “Não muda em nada, não intimida ladrão nenhum, os roubos acontecem mais no período da noite, mas mesmo assim esse ‘carro’ já foi assaltado em plena luz do dia, às 13 horas, eu às vezes acredito que essas câmeras foram colocadas apenas para enfeitar, pois os assaltos acontecem da mesma maneira”, desabafa Hermes. O funcionário da VCA afirma que para ser cobrador tem que ser muito guerreiro e ter fé em Deus, pois os assaltos estão cada vez mais perigosos.

Uma resposta

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  1. Monique said, on 23/10/2009 at 2:45 am

    Se for depender da segurança, estamos ferrados. Como diz o cobrador, a única alternativa mesmo é ter fé.


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