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Renantique: O antigo é bom

Posted in Cultura by micheletavares on 22/10/2009
Grupo reunido antes da apresentação. Foto por Mariana Viana
Grupo reunido antes da apresentação. Foto por Mariana Viana

Por: Mariana Viana

Fiz uma pesquisa de uma hora e cheguei a conclusão que não seria fácil cobrir uma matéria sobre o Renantique. Um grupo de música antiga medieval, completamente fora da realidade e do nosso contexto atual. Fui então, ao Teatro Tobias Barreto, no dia primeiro de outubro, dia no qual eles realizariam uma apresentação ao público aracajuano naquela noite, munida de gravador e de preconceitos debaixo do braço.
Ao chegar me deparo com músicos caracterizados e instrumentos antigos, o que reforçava ainda mais a minha tese. A entrevista ocorreu bem, mas eu queria de fato ver para crê.
Quebrei a cara.Começou a apresentação e eu, assim como todos os presentes, fiquei extasiada com a qualidade musical, me senti como num filme. Entendi que o figurino e os instrumentos antigos ajudam a contextualizar a época, dando uma maior veracidade ao espetáculo que naquela altura, já tinha conseguido mudar completamente a minha opinião.
O atual trabalho do grupo é sobre mulheres renascentistas que eram musicistas e trovadoras da época. Os temas musicais freqüentes nesta temporada são lamentos, que tratam do abandono dos maridos, amores não correspondidos.
Segundo Emanuel Vasconcelos, integrante do grupo, o objetivo é mostrar o trabalho das trovadoras provençais, cortesãs, freiras medievais, servas, mulheres de todas as classes, trazendo à tona a temática feminina que transcendem o tempo. “Tínhamos algumas partituras, daí eu resolvi pesquisar a fundo sobre a participação das mulheres na música medieval”, conta.
Os instrumentos e a técnica vocal são os mais idênticos possíveis com a época, tudo com o intuito de transpor aquele tempo para o palco, embarcando o espectador numa verdadeira viagem no tempo. Com a estrutura de Broken Concert, que é a junção de vários instrumentos de famílias diferentes, o Renantique realiza um trabalho único no Estado. “Quando começou, não pensávamos em dinheiro, nem em obter lucro com as apresentações”, explica Vasconcelos.
O grupo, composto por seis integrantes – Emanuel Vasconcelos, Marcus Everson, Pedro Marcelo, Gustavo Adolfo, Ednei Amon e Juliana Almeida, não costuma cobrar em suas apresentações o que garante um público fiel, mas ainda sonham com um apoio maior que possibilite o lançamento de um cd próprio. “O governo às vezes, oferece apoio em forma na publicidade gráfica ou em passagens nos cursos de especialização que fazemos. Tirando isto, somos independentes”, conclui.
Realizar um trabalho assim dentro de um Estado que não dá muito apoio, não é fácil. Por se tratar de musica antiga, as pessoas costumam olhar torto (experiência desta própria repórter), mas é preciso ampliar os horizontes e vê o que de bom os artistas sergipanos têm a oferecer. Se permita.

Confira as próximas apresentações do Renantique:

– 24/10 – Praça São Francisco em São Cristovão, às 19 h;
– 26/10 – Abertura do “Sétimo Encontro Nordestino de História Oral”, no auditório da reitoria da Universidade Federal de Sergipe, às 19 h;
– 28/11 – Espaço Cultural Arte Nova, no restaurante Ágape Natural, às 18h.

2 Respostas

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  1. Monique said, on 23/10/2009 at 2:27 am

    Gostei muito da sua percepção.
    Que bom que você mudou o seu ponto de vista, o renantique realmente é um grupo muito bom e merece apoio sempre. (:

  2. david said, on 06/11/2009 at 9:46 pm

    clap clap clap!


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