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Greve dos Bancos causa transtorno à população.

Posted in Cidade by micheletavares on 23/10/2009
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Por Catarina Schneider

Por Catarina Schneider

No dia 23 de setembro, a população brasileira foi surpreendida com mais uma greve. Dessa vez a paralisação dos bancos tirou todos da rotina, causou transtornos, mas, por outro lado, fez com que a situação dos bancários fosse reavaliada. Diante das reivindicações solicitadas pelos grevistas, como o aumento do número de funcionários nas agências e 10% de reajuste salarial, as negociações foram satisfatórias o que levou as agências a voltarem seu funcionamento normal no dia 13 de outubro, concluindo assim 21 dias de paralisação. Porém, não foram todas as agências bancárias que tiveram as suas reivindicações atendidas, como é o caso do Banese, BNB e Caixa Econômica*, fazendo com que a greve continue nessas três instituições.

A situação da profissão de bancário hoje em dia é muito diferente da que tínhamos há 30 anos. Hoje ela é tida como uma passagem para outra profissão, como se o trabalho no banco fosse só um degrau para algo maior e melhor, diferente de antigamente quando as pessoas ingressavam como bancários e faziam projetos de vida apoiados na idéia de que esse era o seu trabalho.

O presidente do Sindicato dos Bancários, José Souza de Jesus, encara essa mudança sem nenhum romantismo. “Devido ao desenvolvimento do país, a sociedade está mais complexa, logo, não cabe mais ficar desejando que esses 30 anos voltem, pois essa é a realidade hoje”, afirma ele. Por ser uma profissão que não é regulamentada, tendo como único pré-requisito para ingressar nela ter qualquer tipo de formação- preferência direito, economia e administração contando também com a elevação da escolaridade, a seleção de bancários ficou mais complexa o que dá o luxo do patrão querer um jovem que tenha um nível escolar avançado pagando em torno de três salários mínimos.

Para Wendel de Morais, bancário do Bradesco, a situação dos bancários hoje é degradante. A classe não tem o devido reconhecimento, a remuneração é muito baixa para todas as funções exercidas já que os bancos não querem contratar a quantidade de funcionários necessária, deixando todos sobrecarregados levando a ocorrer acidentes de trabalho devido a esse acúmulo de função-como é o caso da Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Portanto, apesar de reconhecer que essa classe tem sido reparada pela lei quando é necessário, como é o caso de acidentes, ele espera uma melhora como o acréscimo de funcionários, uma remuneração mais digna, com pagamento de hora extra.

Foi devido a reavaliação das condições desse grupo de trabalhadores que houve a paralisação dos bancos. A campanha foi preparada com antecedência, sendo elaborada uma pauta de reivindicações que teve mais de cem cláusulas sindicais, econômicas e sociais e que foi entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenabam) em 10 de agosto.

No dia 17 de setembro, quando a Fenabam disse que tinha uma resposta final para as reivindicações, uma vez que essas respostas não foram aceitas pelos banqueiros, começaram as paralisações. Foi no dia 23 de setembro que houve a paralisação dos bancos sendo feita no dia seguinte a greve de fato, que se prolongou até o dia 6 de outubro “Pedimos um reajuste salarial de 10%, que significa a inflação mais ganho real, participação nos lucros maior e mais justa, fim de assédio moral, contratação de mais empregados para atender melhor a população”, diz o presidente do Sindicato dos Bancários.

O resultado dessa greve foi satisfatório. No primeiro momento houve a greve porque os pedidos dos bancários não foram atendidos, por exemplo, a FENABAM querer cortar a participação dos lucros e só querer aumentarem 4,5% do salário, que mal garantia a inflação do período e acabaria não tendo nenhum ganho real. Porém, diante da paralisação, a Fenabam passou a reavaliar e atender numa proposição muito próxima aos pedidos. “A negociação foi exitosa porque a categoria tava mobilizada. Nós somos um sindicato que acreditamos no sucesso da negociação se a categoria estiver mobilizada, a base tem que estar envolvida, inserida, participando, e isso que representa a riqueza da categoria.”, resume Souza.

A sociedade, a prejudicada por essa greve, só soube dela quando se dirigiram aos bancos pela manhã e viram que estavam fechados e em greve devido aos cartazes colados na porta. Essa paralisação gerou revolta daqueles que precisavam dos bancos para fazer seus pagamentos e transações, que reivindicaram o atraso do salário, a dificuldade de realizarem os pagamentos que só podendo ser feito em cash.

De acordo com o Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon), o cliente tem que tentar de alguma forma obter o boleto, o código de barra ou segunda via, seja ligando pra empresa ou em site na internet. Segundo Marisa Penalva, a advogada do estabelecimento, caso a empresa ofereça uma segunda opção de pagamento e esse não seja efetuado, a cobrança de juros é totalmente correta. “Caso não seja dada nenhuma alternativa para que o consumidor quite o pagamento, é só guardar a fatura e retirar a cobrança de juros no próximo mês”, recomenda ela. Caso haja penalização pelo atraso do pagamento o procedimento é juntar as provas da lesão que a greve causou e entrar com uma ação de danos morais e materiais tanto no juizado quanto no Procon, sendo que neste só cobre danos materiais.

Na visão do presidente do Sindicato, ele vê a reação da sociedade brasileira diante da greve, bastante compreensiva. “Eu sou daqueles que percebo que já há uma assimilação muito significativa da população, com relação à greve, embora a sociedade ainda tenha uma consciência burguesa, com idéias individualistas, mas o que se vê é uma mudança significativa na postura das pessoas”, analisa. Ele diz que durante esse tempo de paralisação, espera ter contado com o apoio da população trabalhadora e pede pra que ‘vejam a greve dos bancários hoje podendo ser a de cada um amanhã’. “O trabalhador do ramo financeiro é um dos poucos que mantêm uma cumplicidade tão grande com a população e vice-versa, assim, nesse momento de greve é que há o respeito e a compreensão da população, não vendo grandes problemas incontornáveis de estabelecer uma greve”, finaliza.

*Matéria fechada em 21 de outubro de 2009

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