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Opiniões sobre o Enade

Posted in Educação by micheletavares on 05/11/2009

O que pensam os envolvidos nessa avaliação do ensino superior em Sergipe

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Por Manoela Veloso

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, Enade, avalia a evolução do conhecimento programático referente às diretrizes curriculares dos estudantes de cursos de graduação das universidades brasileiras. Entre os alunos que iniciam e concluem seus cursos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Inep, seleciona os indicados a fazer a prova. Os indicados devem comparecer ao exame obrigatoriamente, pois a falta pode resultar em problemas para concluir burocraticamente o curso. Há uma iniciativa de alguns grupos de estudantes que não concordam com o formato do exame. Eles sugerem um boicote que consiste em comparecer ao local, assinar a prova e não respondê-la.

“No meu ponto de vista o Enade serve para que se tenha uma noção do quanto bom está o curso, fazendo com que haja certa mobilização por parte dos componentes daquele curso, que vai desde os alunos até os professores”. Essa é a opinião de Yuri Oliveira, estudante da Ufs do curso de física, que acha que esta avaliação serve, tal como o projeto de expansão do governo federal, como “tapa-buraco”.

 

Questionado sobre o Enade, Thiago, aluno de direito na Universidade Federal de Sergipe, UFS, se posiciona contrariamente ao exame e argumenta. “Primeiro porque não compreende as particularidades de Sergipe, você não pode fazer uma avaliação nacional e não compreender as diferenças regionais”. Fala ainda sobre a situação em que a avaliação se insere, como parte do projeto de expansão universitária, e afirma que este tem o papel de legitimar essa iniciativa, defendendo o caráter quantitativo que assume em detrimento da real qualidade da educação que proporciona.

Outra estudante da UFS, Ana, lembra criticamente o método da avaliação, “ela é centrada no desempenho do estudante, a gente acredita que uma avaliação de verdade leva em consideração outras coisas como estrutura, capacidade dos docentes”. Comenta sobre a forma pontual como o Enade examina os alunos. Ela apóia a continuidade que deveria existir no processo, ou seja, alunos de todos os períodos deveriam ser examinados. Ana é contra a obrigatoriedade e a favor de que os estudantes pudessem decidir a própria participação, lembrando os que não são convocados.

As alunas Márcia Helena e Débora Barreto, também da UFS, que irão fazer a prova no próximo domingo, também não acham que a avaliação seja eficaz, por razão da dificuldade em se medir conhecimento. Márcia defende que o Enade, em específico, é problemático, pois vai cobrar tanto dela, que entrou agora, como de alunos que em breve se formam o mesmo conteúdo, que inclui matéria de disciplinas que ela ainda não estudou. Quando se falou em obrigatoriedade, Débora ressaltou que “se não fosse obrigatório não ia ter como avaliar, porque se você não obrigar ninguém faz”, e juntas ela comentam que é assim por não haver uma política de conscientização da população brasileira.

Para os alunos de universidade particulares, como a Universidade Tiradentes, Unit, a situação é diferente. Pouco tem acesso a uma discussão ampla sobre a forma de avaliação posta em prática pelo Enade. Erick Torres, estudante desta instituição, irá fazer a prova, pois ela é obrigatória. Sobre as informações que recebeu sobre o exame, diz que “a única coisa foi ‘tentar’ estimular os alunos dando um carro pro primeiro colocado”. Já Gustavo Bonfim, estudante de história da Unit, tem uma opinião sobre o assunto, “acho que uma prova não é suficiente pra avaliar o que um aluno universitário aprende”. Confessa que não sabe muito sobre o Enade, mas tem uma imagem clara do papel da universidade como local de produção, e não reprodução, de conhecimento, e salienta que a prova não avalia esse aspecto do ensino.

enade 003Quanto ao boicote, a aluna Marta defende que ele é uma forma do estudante se auto-prejudicar. “Uma nota ruim no Enade, prejudica os cursos, justamente pelos recursos que não virão”. Para ela, não serve como forma de saber como os cursos estão, é uma avaliação defasada.

A professora do departamento de administração da UFS, Ana Luiza, vê como necessário e bastante útil uma avaliação dos cursos, lembra que as notas do curso no exame são usadas como critério por várias instituições para admissão de empregados ou estudantes de mestrado, por exemplo. Também defende o não-boicote. “O Enade não é a melhor forma de reivindicar”. Faz referência também ao programa de expansão pela qual as universidades estão passando, e “não tem como, por ser uma instituição federal, ter toda a estrutura pronta pra receber posteriormente a população.”

Como representante da coordenação regional do Enade, Lilian França falou sobre alguns aspectos do exame como a importância dele enquanto nacional, lembrando a possível diligência em caso de mal desempenho de um curso. Além de citar a possibilidade de “se o exame permitir identificar pontos fracos que cruzados com as demais formas de avaliação realizadas pelas instituições interna e externamente, podem ser tomadas medidas corretivas. Acredito num sistema de avaliação que incorpore diversas variáveis e formas de avaliar. Aí sim poderemos encontrar diagnósticos e planejar ações”. Para falar sobre a obrigatoriedade, lembrou que essa prática está presente em nossa sociedade inevitavelmente, através das eleições, por exemplo, e não se sabe até onde são ruins. Fechou a conversa levantando a questão que o Enade pode um dia servir como critério único de admissão de cursos de mestrado ou até mesmo concursos públicos, mas que “isso é especulação, pois não existe nada definido a esse respeito”.

Uma resposta

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  1. dNemo said, on 06/11/2009 at 12:09 am

    Me pergunto três coisas:
    O que esse tal “boicote” pode acarretar para a universidade? (Até onde sei cursos com notas baixas são fechados e essa estratégia de ir e não responder rebaixaria as notas drasticamente)
    Não tem ninguém, professor ou alunos, a favor da prova?
    Essa prova é parte da avaliação da universidade, porque não se falou disso?
    Achei que essa matéria foi tendenciosa, não deixa margem para o leitor escolher se a prova é “boa” ou não.


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