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ENADE: AVALIAÇÃO QUE PRETENDE MELHORAR A EDUCAÇÃO SUPERIOR DO PAÍS

Posted in Educação by micheletavares on 07/11/2009

Por Julie Melo

enadeO Enade – Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – é uma prova aplicada a cada curso superior de três em três anos e avalia o curso e o conhecimento que o estudante adquiriu durante seus anos de faculdade. A partir do resultado do exame, o Ministério da Educação (MEC) pode ter uma ideia de como foi passado esse conhecimento. A prova, constituída de dez questões de formação geral e trinta de formação específica da área, é a mesma para alunos ingressantes e concluintes, além de ser obrigatória, portanto, só pode receber seu diploma o aluno que a realizou quando selecionado. Este ano, a prova acontece no dia 08/11, às 13h (horário de Brasília) e é a vez dos cursos de Administração, Arquivologia, Biblioteconomia, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Design, Direito, Estatística, Música, Psicologia, Relações Internacionais, Secretariado Executivo, Teatro, Turismo. A novidade é que também passam a ser avaliados cursos tecnólogos, hoje considerados de nível superior, começando por Design de Moda, Gastronomia, Gestão em Recursos Humanos, Gestão de Turismo, Gestão Financeira, Marketing e Processos Gerenciais.
O exame revela bons e maus resultados, embora estes últimos tenham o reforço do boicote de muitos alunos, que não fazem a prova e levam a nota do curso para baixo, o que nem sempre corresponde a realidade. O boicote prejudica não só a instituição e o curso, que ficam com uma imagem ruim, mas também o próprio aluno, que, como integrante dos mesmos, pode ser profissionalmente desvalorizado. “Em 2005, o curso de Engenharia Civil conseguiu a nota máxima. No ano passado, teve uma das mais baixas. Como é que um curso sai da nota mais alta para a mais baixa? Por conta do boicote dos estudantes, que passa a ideia de que o curso não tem qualidade”, relata o Professor Sandro Rodrigues, pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Com os outros cursos da UFS acontece o mesmo. Obtêm, quase sempre, boas notas, quando há participação do aluno, e quando não há, têm suas notas rebaixadas. No entanto, um mau resultado pode ser bom, na medida em que ajuda os institutos de ensino superior e os cursos a apresentarem melhorias no corpo docente e na infraestrutura, permitindo, consequentemente, a melhoria do ensino nas faculdades.
Para conscientizar os alunos da importância do exame e tentar impedir o boicote, chefes de departamentos, coordenadores dos cursos e professores da UFS se reúnem a fim de mobilizá-los para a participação na prova. Mas, apesar da relevância do Enade para o Brasil, ainda há pouca informação sobre o exame. “Eu sei que o Enade mede o desenvolvimento dos alunos nas universidades e ingressantes e concluintes fazem a mesma prova, mas só fui saber disso este ano, por isso não sei se a avaliação, realmente, contribui para melhorar as faculdades” confessou Caroline Machado, estudante ingressante do curso de Psicologia da UFS, inscrita no exame. Também é preciso que os estudantes, não só os da UFS, mas de todas as instituições de educação superior, se convençam de que o resultado do seu curso interfere em sua futura vida profissional, uma vez que sua nota conta para a seleção de um emprego, por exemplo. A avaliação é importante, pois eleva o ensino superior do país e, por conseguinte, repercute positivamente em outros setores da sociedade brasileira.

MEC mantém data do Enade
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as provas do Enade foram encontradas em caixas sem lacre e com notas fiscais trocadas, sendo transportadas por uma caminhonete, no último dia 20. Já a versão dos homens que transportavam as provas diz que as caixas tiveram seus lacres rompidos pela própria PRF para conferir seu material. Apesar do ocorrido, o Ministério Público Federal (MPF) concluiu que, por enquanto, não há provas de que houve vazamento das questões e, portanto, o MEC decidiu manter a data do exame. Quanto a isso, o professor Sandro prefere não se posicionar. “Não posso fazer nenhuma afirmação sobre isso. O Enade é da alçada do Ministério da Educação e nós das universidades não temos controle desse tipo de situação. Mas acredito que a solução para isso deve ser simples. Se o MEC manteve a data, é porque ele conseguiu contornar o problema a tempo. O Enade tem outro enfoque. Não é como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que vale vaga em universidade” declara.

Uma resposta

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  1. Jr. said, on 11/11/2009 at 2:49 am

    Excelente tema. A notícia foi trabalhada de forma exemplar. Interessante a ressalva aos alunos que “boicotam o exame” porque, na verdade, eles boicotam a própria Universidade, o próprio curso, a própria formação acadêmica e, consequentemente, o próprio currículo. Com efeito, é bastante interessante a nova posição do MEC ao testar o conteúdo passado pelos respectivos cursos aos alunos, em observância à obrigatoriedade da prova. Contudo, discordo do método de avaliação, prova unitária, porquanto as regiões possuem culturas próprias (fora as culturas particulares de cada estado) e realidades diferentes. Ainda, que no próximo exame “eles” tomem mais cuidado com as provas, sob pena de extinção do crédito da avaliação.

    Em síntese, o necessário.

    Parabéns, Julie, pela notícia e pela integração das novas normas da Língua Portuguesa!

    “Língua” continua a receber acento agudo? Hummm…terei que passar por uma atualização também!!!


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