Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

De volta aos anos 70

Posted in Cultura by micheletavares on 12/11/2009

Cover do Abba revive sucessos da década de 70 e é destaque na grande final do coverama 2009

                                                                                                                  Por Igor Almeida

 A década de 70 ficou marcada na história como sendo um período de grandes agitações em vários segmentos da sociedade. A economia e a política internacional passavam por intensas mudanças devido à crise mundial do petróleo, a qual levava os Estados Unidos a mais uma recessão. No meio cultural, as revoluções comportamentais da década de 60 continuavam constantes e cada vez mais fortes, revoluções estas que atingiam até o cenário musical.

Os anos 70 foram palco para muitos movimentos musicais e de experimentações dentro do cenário clássico. Bandas como Pink Floyd, The Rolling Stones, The Beatles, Jimi Hendrix, Sex Pistols, dentre outras protagonizaram uma explosão de novas formas de se fazer música em conseqüência da inquietação cultural evidenciada no período. Revolucionar, progredir, mudar. Essas eram as regras que comandavam a produção fonográfica daquela época.

Nesse contexto surgiu o Abba, grupo musical sueco, que alcançou o prestígio e o reconhecimento do público devido às inovações no figurino, bastante modernos para época e às músicas animadas que conquistaram a todos, configurando as primeiras posições entre as mais ouvidas

coverama

Fonte: Igor Almeida

durante muito tempo. 23 anos após a separação dos integrantes, a banda ainda faz sucesso entre aqueles que acompanharam a trajetória do grupo e até mesmo entre aqueles que nunca os viram tocar. Existem hoje várias bandas covers pelo mundo que mantém viva a memória de um dos maiores destaques musicais de todos os tempos. E uma delas se apresentou no último final de semana, 7 de novembro, na grande final do Coverama – concurso de covers – que aconteceu no BNB clube, em Aracaju. 11 bandas, dentre elas o cover do Abba, disputaram o prêmio de R$ 5.000,00, vários instrumentos musicais e 50 horas de gravação grátis, o que só fez aumentar ainda mais a qualidade do evento. Melhor para o público, que presenciou um verdadeiro show durante as apresentações o que garantiu o brilho da festa, colocando assim o Coverama de vez no roteiro cultural sergipano.

Quem levou a melhor nessa disputa foi o cover do Guns ‘N Roses, com uma performance bastante elogiada e aplaudida pelo público. Mesmo não vencendo, o cover do Abba não decepcionou e fez uma apresentação que mereceu destaque, alcançando a 5ª colocação. Dois dias antes do evento uma das vocalistas, Lis Barreto, concedeu uma entrevista exclusiva em uma pizzaria da capital durante a festa de aniversário da própria cantora, onde estavam presentes também alguns dos integrantes e amigos. Em uma conversa bem descontraída e entre um presente e outro, Lis falou sobre a banda e sobre as expectativas para a grande final.

coverama

Fonte: Igor Almeida

Empautaufs: Por que fazer cover do Abba? Algum motivo especial na escolha?

 

 Lis: As coisas começaram assim. Minha mãe sempre cantava Mamma Mia em casa, mas eu nunca soube o que era Abba. Então eu fui procurar no youtube para saber quais eram as músicas e comecei a ouvi-las. Encontrei muitas músicas que eu já conhecia, mas não sabia de quem eram e achei muito legal. No dia seguinte, eu cheguei ao colégio e sugeri a minha amiga, que canta comigo na banda. Ela disse que o pai dela também sempre ouvia Abba em casa e também gostou da idéia. Foi aí então que começamos com o cover.

 Empautaufs: Essa formação já existia ou foi montada exclusivamente para o concurso? Vocês já tinham participado de outras edições com esse cover?

 Lis: Não. Foi montada exclusivamente para o concurso. Alguns integrantes como Matheus já tinham participado em anos anteriores, mas para mim, Fernanda, Pablo é tudo novidade.

 Empautaufs: Como funciona a rotina de ensaios?

 Lis: A gente marca os ensaios sempre que pode. Alguns integrantes trabalham, outros trabalham e estudam. Os nossos horários de estudo são completamente opostos. Geralmente a gente marca os ensaios às 22 horas porque é o único horário que todos têm disponibilidade, mas mesmo assim não são regrados. Só marcamos mesmo quando há essa possibilidade.

 Empautaufs: Os ensaios são abertos para quem quiser assistir ou vocês preferem fazer um trabalho mais reservado?

 Lis: São abertos sim. A gente não vê problema quanto a isso mesmo porque as pessoas nunca vão assistir. Alguns amigos já foram, mas na maioria das vezes não vai ninguém. Isso porque a gente não tem um horário certo para ensaiar e repetimos muito as músicas também. Não é toda aquela animação que o pessoal quer ver.

 Empautaufs: Você considera o coverama uma “vitrine” para quem quer se estabelecer no cenário musical?

 Lis: Eu não posso afirmar isso, mas o coverama é bom porque você está fazendo uma coisa nova. Imitar uma banda é muito difícil e talvez seja por isso que você ganhe visibilidade.

 Empautaufs: Qual a sua avaliação da banda até agora no concurso?

 Lis: Nós entramos na disputa apenas para nos divertirmos mesmo. A gente nem imaginava que iria passar na eliminatória e ainda mais como primeiro colocado. Muita gente gostou do primeiro show, mas eu acho que tinha muita coisa para ser melhorada naquela apresentação, principalmente a minha expressão de preocupada [risos]. Não foi um show precisamente técnico, mas foi muito divertido.

 Empautaufs: Quais as expectativas do grupo para a grande final?

 Lis: A gente vai continuar trabalhando em cima da animação do público. O repertório está basicamente composto por músicas animadas, algumas “baladinhas” e muitas músicas famosas. O público vai dançar, cantar e se divertir muito. Sabemos que temos chances de ganhar, mas também temos consciência de que existem muitas bandas de qualidade na disputa.

 Empautaufs: Já pensaram no que farão com o dinheiro do prêmio?

 Lis: Se a gente ganhar, vamos dividir o dinheiro. Aproximadamente R$ 600 pra cada um. Vou gastar uns R$ 200 e o resto vou guardar para ajudar nas despesas da minha viagem de conclusão de curso [risos].

 Empautaufs: Caso a banda não vença a disputa, vocês continuarão com essa formação? Investirão no Abba mais uma vez?

 Lis: O coverama é estressante. É muito bom, mas também é bastante cansativo. Eu não planejaria nada agora para o ano que vem, mas Matheus tem uma idéia de fazer o cover do Queen para 2011. Repetir a banda para a próxima edição não é legal, nem mesmo se a gente ganhar. O público cansa.

 

Abba

Fonte: orkut Lis Barreto

6 Respostas

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  1. Lucas Peixoto said, on 12/11/2009 at 11:21 pm

    A contextualização da matéria foi maravilhosa! Voltar aos anos 70 até trazer o texto para hoje foi muito bom. E bem escrito.

  2. Lis said, on 13/11/2009 at 12:56 pm

    dá-lhe igor! dá-lhe igor! :p

  3. Matheus said, on 13/11/2009 at 4:55 pm

    ninguem mencionou que fui obrigado a participar? tudo bem entao haahauh
    muito bom Igor! parece que um curso superior ajuda mesmo um jornalista eim??😀

  4. Yasmine said, on 14/11/2009 at 12:43 am

    Parabéns, Igor.. tá mt legal a matéria!
    e as perguntas da entrevista tb foram boas!!
    mt bom mesmo!!

    =]

  5. Bruno Macaé Melo said, on 14/11/2009 at 4:50 am

    O conteúdo foi muito bem abordado! -Cof Cof…!
    Impressionante a facilidade que Igor Almeida tem em retratar os anos 70, incorporados ao mundo contemporâneo…..(*.* Olhares deslumbrantes de admiração a estrutura e organização da matéria)
    Convidaria o autor a traduzir o texto para inglês em prol de ser divulgado no Aberdeen Times!
    =P
    Muito boa a matéria rapaz, parabéns!

  6. Anna karla Massud said, on 14/11/2009 at 11:49 pm

    Querido Igor, não sei se a pauta foi livre ou direcionada, mas o produto final ficou realmente interessante para um foca. Sugiro apenas mais leveza e descontração quando o assunto for cultura. Conceito A+ pra vc. bjs


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