Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

O SUCESSO CHAMADO COVERAMA

Posted in Cultura by micheletavares on 12/11/2009

Por Catarina Schneider

Desde 2006, Aracaju é palco de uma festa que foge dos padrões de Aracaju: o Coverama. Com a proposta de trazer bandas covers formadas por músicos sergipanos, ela se tornou o evento de música “rock” do Estado. A festa é voltada para um público mais alternativo e é durante o ano que há as eliminações deixando as melhores bandas para disputar na final. A final aconteceu nesse sábado, 7 de novembro, com muito agito e torcida,com as bandas CPM 22, The Beatles, Spice Girls e Gun’s and Roses, a vencedora.

 O responsável por essa idéia é Alexandre Hardman Cortês, de 28 anos, formado em Administração na UFS, Pós Graduado em Gestão Empresarial pela FSL, Pós Graduação em Marketing pela UFS/Fapese, cursa graduação em Direito (7° período) pela UNIT e Relações Internacionais pela UFS (1° período). Como é possível perceber, Alexandre não consegue ficar parado. Já atuou em várias empresas como administrador, mas desde 2007 decidiu se dedicar à produção como carreira.

 

                                                                                                                                                                                                             

Alexandre Hardman

1) EmpautaUFS: Como surgiu a idéia de fazer essa festa?                         

Alexandre: A idéia do Coverama surgiu de um pequeno evento que fiz há muito tempo com bandas covers em um bar que não existe mais. Daí em 2004 com o fim do Punka, tinha que criar um novo evento, e a idéia do festival de covers voltou como uma opção. A partir daí, o formato e o nome foi desenvolvido.

 

2) EmpautaUFS: Por que bandas covers?

Alexandre: Por que o público não estava dando a devida importância à produção autoral.

 

3) EmpautaUFS: Quais as maiores dificuldades que encontrou para realizar o evento?

Alexandre: A cultura do fomento e do marketing cultural é inexistente no nosso Estado. As empresas particulares e os órgãos públicos não dão o devido valor aos eventos culturais, e a pouca verba existente é mal aplicada em projetos que não valorizam a cultura ou que não tem o devido critério para ser selecionado, mas serve de fonte de corrupção e de enriquecimento de determinados grupos políticos, já que nenhum grande evento sobrevive sem patrocínio. E o Coverama vive exclusivamente da arrecadação com ingressos e vendas no bar, eu poderia dizer que esse é o maior problema.

 

5) EmpautaUFS: O coverama é um evento de música rock. Como avalia este cenário no Estado?

 Alexandre: É um cenário que tem bastante potencial, mas tem um público muito restrito e descriminado. As pessoas que não conhecem os eventos têm medo e preconceito de freqüentar eventos de rock. Mas acredito que eventos como o coverama, tiram um pouco esse medo das pessoas, e mostra a verdadeira cara do público “underground”

 

6) EmpautaUFS: O seu foco sempre foi o público alternativo…

Alexandre: Sim, sempre. É o meio que eu me identifiquei desde adolescente e as músicas que eu gosto fazem este meio. Sempre trabalhei por prazer e espero nunca ter que fazer algo que não goste por dinheiro.

 

7) EmpautaUFS: Houve mudanças do público durante as edições do Coverama?Por quê?

Alexandre: Muitas, pois o evento conseguiu quebrar preconceitos e atrair novos públicos que nunca tinham freqüentado eventos deste tipo.

 

8)  EmpautaUFS: O evento está crescendo cada vez mais.Existe a possibilidade de expandi-lo para outros estados?

Alexandre: Não só existe como já está expandindo. O Coverama no estado do Ceará já começou e estou tentando fechar com Alagoas.
9) EmaputaUFS: Mas, a idéia do Coverama foi só sua ou teve influencia de mais alguém?

Alexandre: Foi minha, e quando mostrei a proposta a outros produtores, todos disseram que não iria dar certo. Então, produzi o evento sozinho.

 

10) EmpautaUFS: Como é que faz para participar do Coverama?

Alexandre: Existem regras expostas em um regulamento, que mostram como a banda deve se inscrever. Onde determinamos quais bandas podem tocar e como formar a banda. Para seleção, exigimos os requisitos do regulamento atendidos e gravações de áudio e vídeo para avaliação da banda.
11) EmpautaUFS: Qual é o premio dado a banda vencedora?

Alexandre: Este ano, o prêmio é de R$5.000, além de uma guitarra, um baixo, uma caixa de bateria e horas de gravação em estúdio. No ano que vem, esse prêmio dobra pra 10.000 além de muito mais instrumentos e horas de estúdio.

 

12) EmpautaUFS: Quais são os critérios utilizados para uma banda ser escolhida para a final?

Alexandre: O único critério é ter a aprovação popular durante as eliminatórias, através do voto.

 

13) EmpautaUFS: Há alguma seleção das bandas para participar da festa?

Alexandre: Sim. A procura é muito grande. Este ano mais de 110 bandas se inscreveram, e selecionei as 45 melhores.

 

14) EmpautaUFS: Há quantidade limite para a participação?

Alexandre: Sim, existem regras que restringem a participação de músicos em muitas bandas, para dar oportunidade a mais pessoas.

 

15) EmpautaUFS: Como vê a sua contribuição para uma alternativa de lazer na capital?

Alexandre: Acredito, modestamente, ter uma grande contribuição neste sentido, pois, os eventos que promovo são bastante elogiados, e para este nicho de mercado, é o único.

 

16) EmpautaUFS: Por que acha que o Coverama faz tanto sucesso?

Alexandre: Porque quando uma pessoa vai ao Coverama, tem a sensação de estar vendo o show de seu ídolo verdadeiro, que em muitos casos, nunca poderá ver.

 

17) EmpautaUFS: O que tem a dizer com relação ao uso de drogas que ocorre durante o show?
Alexandre: Sou totalmente contra, inclusive mantenho uma fiscalização severa para coibir o uso de drogas.

 

18) EmpautaUFS: Então, como é feito o controle com relação a isso?

Alexandre: O evento é fiscalizado pelo juizado de menores e policias militar, civil e federal como todo grande evento. A fiscalização e feita na entrada, através de uma revista a todos que entram, e nas dependências, existem seguranças contratados e policiais a paisana.
19) EmpautaUFS: Qual seu gosto musical?

Alexandre: ROCK

 

20) EmpautaUFS: E sua banda preferida…

Alexandre: Não seria minha banda preferida, mas umas das bandas que eu gosto muito e que escuto muito são Aerosmith, The killers, Pink Floyd, Angra…

 

21) EmpautaUFS: Se fosse pra escolher uma banda cover que tocou durantes esses quatros anos, qual banda escolheria?

Alexandre: The Doors, sem dúvida.

 

22) EmpautaUFS: O que acha da idéia de que o cover inibe o desenvolvimento de artistas autorais do estado?

Alexandre: Pelo contrário. Todo grande artista começou tocando cover. É como os primeiros passos de uma criança. E o Coverama esta ensinando muita gente a “andar”.

 

23) EmpautaUFS: É difícil conseguir local e equipamento par a realização do evento?

Alexandre: Não. Pagando, se consegue tudo. (risos)

 

24) EmpautaUFS: O fato da escolha das bandas serem feitas pelo próprio público, não é um pouco injusto já que o público é constituído principalmente por amigos dos integrantes das bandas?

Alexandre: Pelo contrário, os resultados são justos, e isso é democracia. O problema é que os “amigos” dos que não ganham, criam estes boatos como forma de justificar um desempenho ruim. Acho que se a democracia fosse injusta, não teríamos o sufrágio universal e participação política indireta no país.

 

 

25) EmpautaUFS: Quem faz parte dos integrantes do evento?

Alexandre: A produção é composta por várias pessoas em várias áreas como marketing e comunicação, publicidade e design, logística, apoio etc. Mas a produção executiva é feita apenas por mim.

 

26) EmpautaUFS: Você desenvolve alguma outra atividade profissional além do Coverama?

Alexandre: Sou administrador, estudante de direito e relações internacionais. Já atuei em várias empresas como administrador, mas em 2007 decidi me dedicar à produção como carreira. E foi a melhor decisão que já tomei na vida, pois faço o que gosto e sou reconhecido pelo meu trabalho.

 

27) EmpautaUFS: Já houve alguma situação embaraçosa durante algumas das edições?

Alexandre: Sempre acontecem situações complicadas que criam um embaraço. Poderia passar horas contando situações engraçadas e “trágicas”, mas cômicas que acontecem nos shows. E só quem está no backstage fica sabendo. Mas só pra relatar um fato que ocorreu agora na final que apareceu duas mães evangélicas na porta do show dizendo que as filhas estavam lá dentro e mentiram dizendo que uma ia dormir na casa da outra. As mães entraram, procuraram as meninas e tiraram elas lá de dentro pelos cabelos (risos).

 

28) EmpautaUFS: Em relação aos outros eventos que acontecem na cidade, qual o diferencial apresentado nas suas produções?

Alexandre: Falta de dedicação, profissionalismo, entendimento de mercado e planejamento nesses eventos. Eu acho que é esse o meu diferencial.
29) EmpautaUFS: Por que o aumento do preço dos ingressos?

Alexandre: O aumento do preço do ingresso desde sua primeira edição é insignificante com o crescimento do evento e de sua estrutura. Hoje em dia, existem cargos e impostos a serem pagos e os custos o aumento de custo é expressivo. Esses custos são repassados para os clientes, ou seja, o público pagante. A edição 2006 do Coverama teve um orçamento de 10 mil reais com 10 pessoas participando diretamente para acontecer. O evento e a edição 2009 custaram 160 mil e tem mais de 100 pessoas envolvidas em todas as áreas de produção. O valor do ingresso é até muito barato comparado a qualquer outro evento que acontece na cidade com muito menos estrutura e atrações

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