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Música em Sergipe: Forró? Não… Aqui tem muito além de forró!

Posted in Cultura by micheletavares on 17/11/2009

por Manoela Veloso

por Alex Sant’Anna

É importante falar sobre música sergipana. Assim como observá-la através de um olhar de quem também a faz. Para isso, e para conhecer uma forma de pensar sobre música em geral, conversamos com Alex Sant’Anna.

A música sergipana tem muitas caras, ele é uma delas. Como a música é um reflexo dos sujeitos que a fazem, vale conhecer mais sobre um deles para ampliar nossas possibilidades com nova opinião. Alex é músico, e praticamente sergipano (não o é de nascença). É vocalista e toca o triângulo na banda Naurêa, que você deve, se não já conhece, conhecer, pois é uma banda sergipana que toca algo diferente do forró e outros ritmos que estamos acostumados. A banda também mostra caras nossas fora do estado, e até mesmo do país.

No começo da conversa, Alex mandou um “Pode fazer pergunta besta… Se preocupe não. Pergunta besta tem: Por que Naurêa? Já ouvi muito isso… Tem dessa?” E assim começamos a adentrar sua subjetividade musical.

EmPautaUfs – Alex, quais são as suas bandas preferidas?

Alex – Tem banda pra caramba, deixe eu vê. É porque uma coisa que eu gosto muito de fazer é ta tocando música nova e tem umas bandas que eu estou sempre ouvindo como Tom Waits, U2, Radiohead, Cake, Beirut também, que eu fui pro show em Salvador. Eu baixava tanta coisa, tanta coisa que eu não tinha tempo de ouvir, aí eu conhecia as bandas pelos nomes, mas passava uma música e eu não sabia se eu já tinha ouvido ou não. Por exemplo, eu ouvi falar sobre uma cantora chamada Fiona Apple, aí na revista dizia que quem gostou de Fiona também podia ouvir Regina Espektor. Outra coisa que eu fazia, pegava uma banda tipo Arcade Fire, uma banda canadense, botava no submarino e eles mostravam ‘quem comprou Arcade Fire, comprou também não sei o que não sei o que’, aí eu baixava uma porrada de banda. Teve uma hora que eu tava cheio de música e não tinha tempo de ouvir. Parei, comecei a ouvir e acho que até hoje estou ouvindo essas bandas. A última foi uma cantora baiana Márcia Castro…

EmPautaUfs – Queria saber sobre a evolução do seu gosto musical, se quando você era mais novo você gostava das mesmas coisas…

Alex – Quando eu era mais novo, gostava muito de rock anos 80 mesmo, Paralamas, Legião Urbana… De Legião Urbana nunca gostei muito não. Gostava mais de Titãs, Ultraje a Rigor, sempre gostei muito. Paralelamente a isso, em casa, sempre tinha minha mãe e meu pai que ouviam muito MPB, essa galera toda que vai de Milton Nascimento a Zé Ramalho, a Geraldo Azevedo, Caetano. Ela ouvia muito. Aí foi passando, fui crescendo, continuei ouvindo isso por muito tempo, acompanhando as bandas, crescendo junto com as bandas. Depois que eu comecei a tocar mesmo, que eu comecei a me interessar aí chegou a época do Nirvana, que eu já tocava numa banda de rock, era mais pesado, e tal. Gostava muito de Pearl Jeam… Aí veio Chico Science que mudou minha vida. Chegou com aquele som, com aquela mistura do rock que eu tava ouvindo e apontando para uma música brasileira que eu não conhecia, como Jackson do Pandeiro, que eu só ouvia como todo ouve e conhece as músicas, mas não parava para ouvir de verdade. A partir daí eu ouvi as referencias que eles puxavam, e a música de Chico Science sempre foi muito inovadora mesmo.  Na época que vinha se fazendo um rock que já estava esgotado, aquele rock dos anos 80, ele vinha com aquele som que foi um dos discos “Da lama ao caos” que mudou minha vida musical mesmo. Nessa fase eu criei uma ojeriza a música de fora do Brasil. Não queria ouvir nada em inglês mais. Só ficava pesquisando música brasileira, Luis Gonzaga, Jackson, músicas dessa nova MPB de Lenine, Zeca Baleiro, tal tal tal. Mas aí eu comecei a ouvir “Ok Computer” do Radiohead, mudou minha vida de novo. (gargalhadas) De lá pra cá eu ouço tudo, gosto tanto de música brasileira, como não só música americana, mas música européia, música cubana, música africana, música do leste europeu, que aí foi quando veio a Naurêa e foi abrindo mais os horizontes.

EmPautaUfs – Os outros integrantes da banda Naurêa tem, cada um, um estilo diferente…

Alex – No início, a gente era muito diferente, mas com o tempo andando muito junto acaba ouvindo as mesmas coisas, um vai contaminando o outro. Claro que tem coisas que eu gosto que Márcio ainda não gosta, mas acaba que hoje em dia o gosto.. Aliás, não. Acho que eu, Márcio e Aragão, mais. Léo é mais roqueiro. Pois é o sanfoneiro é o mais roqueiro. Gosta dessas bandas de rock mais alternativo que eu não tenho muita paciência. Abraão gosta muito de música instrumental, de guitarrista, mas também gosta de música popular brasileira… Babão eu nem sei do que gosta, entrou agora, acho que ele gosta de banda que tem baterista bom. No geral, a gente consegue fazer uma viagem, passar trinta dias juntos ouvindo as mesmas músicas sem ninguém ta reclamando. A gente conseguiu um meio termo que consegue se entender bem legal.

EmPautaUfs – Você não trabalha com música…

Alex – Apenas com música, não.

EmPautaUfs – Como é que a música está em seu convívio? Fora do show, você escuta…

Alex – O tempo inteiro. Se eu vou trabalhar, to com fone de ouvido, to ouvindo música. Quando eu estou trabalhando, como eu trabalho na rádio, tenho que ficar ouvindo a rádio o tempo inteiro, porque se der algum problema tenho que ir lá resolver. (Ele é coordenador de IPI, área de informática, da fundação Aperipê) Fica o rádio ligado na minha sala o dia inteiro que estou trabalhando. Quando volto, volto ouvindo música. Quando eu chego em casa, a maioria das vezes eu boto no computador e vou ouvir música, então… Fico ouvindo música muito tempo mesmo. Não ouço muito as minhas músicas, da minha banda, mas outras músicas, eu ouço!

EmPautaUfs – Falando de profissão, dá para viver só de música profissionalmente?

Alex – Tem muita gente que vive só de música aqui em Aracaju. Não sei até que ponto, qual a qualidade de vida que essas pessoas pretendem, mas tem músicos profissionais, que trabalham com várias bandas; músicos de estúdios, que gravam com muita gente; eu não tenho condições hoje em dia porque escolhi, apesar de eu achar que a Naurêa é muito pop, não são projetos tão populares assim. É claro, que se você está vivendo de música, tem que ter uma agenda para estar tocando constantemente pra poder entrar dinheiro. Nenhum dos meus projetos, nem o Naurêa, nem meu trabalho solo, ocupam minha agenda com, sei lá, 10 shows por mês! Não faz. Se eu fizesse, com certeza eu largava meu diploma de analista de sistemas de lado e ia viver de música. Mas tem muita gente que vive de música aqui e… Essas bandas cover…Tem gente que faz barzinho. Tem muitos profissionais mesmo aqui, tem muita gente bacana.

EmPautaUfs – Então tem que dispor de muito tempo…

Alex – Assim como qualquer trabalho, como se você quiser viver de jornalismo, vai ter que trabalhar muito. Informática também é uma coisa que eu gosto, então não me sinto tão lesado em ter que ir trabalhar, mas eu acho que vai chegar um momento em que eu vou ter que escolher só a música. Quem sabe quando eu pagar minhas dívidas todas…O problema é que a gente nunca paga as dívidas né? Cria novas… Aí não tem jeito!

EmPautaUfs – Como foi que você começou a escrever?

Alex – Desde a primeira vez que eu peguei o violão, aprendi a tocar violão, meu interesse foi compor.

EmPautaUfs – E como você aprendeu a tocar violão?

Alex – Ah! Bem… Não foi em aula, não foi nada. Um colega meu tinha um violão, a gente começou a aprender, uns amigos, todo mundo fazia no violão o tema de um filme… É antigo, não sei nem se você vai lembrar, se bem que já passou em sessão da tarde quinhentas vezes… Aquele “Top Gun” com Tom Cruise, com aquela “Tan-dan-dan-Dan Tan-dan-dan-Dan […] Tan-dan-dan-dan-Dan Dan […]”(Take My Breath Away) Aí todo mundo aprendia isso, era bom pra arranjar namorada também, tocar violão sempre ajuda. Mas eu não quis aprender, fui o único que não quis aprender isso, eu já quis logo aprender uma música na época “Camila, Camila”, “Nenhum de nós”, e a partir daí eu já comecei a fazer música mesmo. Tinha um colega meu que escrevia, no inicío, quando eu não escrevia, eu pegava as coisas que ele escrevia, fazia música em cima das poesias que ele escrevia.

EmPautaUfs – Mas não é mais difícil fazer música do que escrever?

Alex – Eu não acho, acho que os dois são difíceis… Na verdade eu acho fazer música muito fácil! Fazer música que eu goste que eu acho difícil… Faço várias músicas! Mas a maioria não conto pra ninguém. (há-há-há!) Eu acho fácil. Meu censo crítico é que não deixa eu mostrar! Se eu fosse mostrar… Ave Maria! O tempo inteiro eu estou pensando em música, tava ouvindo uns barulhos lá, peguei a bombinha e fiquei fazendo “tchin-tchin tchin-tchin!”

EmPautaUfs – O massa é que a Naurêa permite usar isso tudo.

Alex – É, eu acho que a Naurêa é bem libertadora assim, que a gente pode experimentar. Quando você não tem um trabalho dito comercial, quando você é artista sem gravadora, sem ter que lançar sucesso todo ano, você acaba tendo mais liberdade pra experimentar várias coisas na sua música, que você não teria se fosse um contratado de alguém pra fazer música, como muita gente é. É claro que é bom, tem a parte boa, dinheiro certo no final do mês… Mas também você não vai fazer o que quiser. Aí cabe eu trabalhar com informática e fazer o que eu quiser com música. Aí eu não fico frustrado duas vezes, a música vai me satisfazer por completo. Aí dá pra ficar usando essas experiências, algumas não, claro que vale como experiência, mas muita coisa  dá errado, e umas ficam idéias até bem interessantes.

EmPautaUfs – O que e como você vê a música de Sergipe?

Alex – Eu falei nestante de Patricia Polayne, tá lançando um disco bem bacana. Eu gosto de muita coisa, como também não gosto de muita coisa. Vou falar sobre as que eu gosto. Gosto de Patricia Polayne, muito de Vilane que não tá aqui, mas é um artista daqui. Gosto muito da Plástico Lunar. Gosto da The Baggios, gosto da Maria Scombona, acho a banda bem bacana. Tem muita banda legal, tem essa gurizada nova, aí tem Daysleepers, tem Elisa, gosto da Snooze também. Tem muita banda bacana. Tem muita coisa que eu não gosto, mas muita banda bacana. Gosto muito do primeiro disco de Chico Queiroga, acho aquele disco muito bacana, assim como outros trabalhos dele também. Amorosa tem um trabalho de forró muito bacana. Acho que de várias gerações aí tem artistas que eu gosto. Posso não gostar de tudo de cada um, mas eu gosto, costumo ir pro shows.

EmPautaUfs – Você acha o ambiente musical sergipano é democrático?

Alex – Tem oportunidade para quem quiser produzir coisas diferentes, se você tiver uma banda e quiser produzir seus eventos tem espaço. Cê vai e produz, seja em teatro, seja… Você tem espaço. Muita gente reclama, até reclama da Naurêa, e eu acho que a culpa não é da Naurêa, se tiver que reclamar é com quem contrata a gente, que a gente sempre toca nesses eventos do governo, da prefeitura, aí sempre que chamar a gente pra tocar a gente vai, tem gente que acha que a gente tira o espaço do povo. Eu não acho, eu acho que espaço você tem que criar, tem que trabalhar, tem que mostrar que merece tá tocando nos eventos, e quando não está tocando nos eventos, tem que tá produzindo seus próprios eventos e tocar. Nesse sentido, acho que é democrático, como em qualquer lugar. Agora, artista que acha que vai compor, vai gravar e vai ficar em casa esperando que alguém vá chamar pra tocar, não vai tocar em lugar nenhum. E eu tenho o exemplo mais forte disso que é a minha carreira solo, que eu não me esforço muito e eu passo muito tempo sem tocar, mas eu faço isso porque estou satisfeito tocando muito com a Naurêa. Então, mas eu sei que se eu não fizer, ninguém vai me chamar pra tocar.

EmPautaUfs – Como aconteceu de ser você a tocar o show de abertura de Tom Zé?

Alex – Alguém indicou, agora não to lembrado. Vou cometer uma injustiça, mas não sei como foi, acho que não lembro não como foi a história. Minha memória, apesar de lembrar muita coisa aqui, a maioria das vezes me trai. Lembro não, só sei que ligaram pra mim e eu só faltei dá uns gritos na hora. Tom Zé, eu falei das coisas que eu gosto e não falei de Tom Zé. É um dos que eu mais gosto assim… Tem um site, chamado Last.fm, fica até no cantinho, quando eu coloco uma música ele aparece, que tudo que você vai ouvindo, ele vai catalogando, cria seu perfil lá no Last.fm que você vê tudo que você anda ouvindo. Por semana, por mês, semestre, ano. Aí o que eu mais ouvi no último ano foi Tom Zé e Tom Waits, coincidentemente dois Tom’s. Tom Waits é americano, e Tom Zé. Tom Zé eu demorei pra assimilar, Tom Zé. Porque é muito estranho, assim, mesmo nos discos estranhos tem sempre algumas músicas mais fáceis de assimilar, mas tem muita coisa que é estranha. Quando eu não estava acostumado… Mas depois aos poucos foi gostando, gostando e entendendo. Entendendo ele assim, e depois que eu conheci ele é que eu gosto mais ainda. O cara é muito massa, muito massa.

EmPautaUfs – Sobre investimento, incentivo à cultura aqui…

Alex – Com relação ao governo, até… Vamo ver, até então não tinha tido nenhum tipo de iniciativa bacana em relação a cultura, agora o governo de Deda ta, espero que vá pra frente, tendo uma iniciativa, tendo reuniões com a secretaria de cultura pra discutir algumas coisas, como o fundo nacional de cultural, o fundo de cultura estadual, e eles já começaram, montaram umas  oficinas de música, agora vai entrar na feira, como a  Feira Música Brasil que vai tocar, eles vão tá lá com um stand… Lá em Recife. E promete, até o fim dessa gestão, que é no ano que vem, ta criando esse fundo, e criando uns editais, tals. Eu espero, eu até acredito, tenho tendência a não estar acreditando… Mas dessa vez eu até acredito, pelas conversas que a gente anda tendo, depois que Eloísa entrou, vamo ver né? Eu espero que aconteça, eu acho que o fundo de cultura é bacana.

EmPautaUfs – E, em sua opinião, é disso mesmo que está precisando?

Alex – Eu sei lá, tem tanta coisa que precisa! Acho que precisa coisas mudarem ainda por parte dos artistas, precisa também de postura mais profissional. Não de todos, acho que tem muita gente que tem postura profissional. Aí tem o lado do governo pode ajudar na profissionalização. Pode ter editais, porque queira ou não queira, no Brasil, a gente, os artistas… Caetano Veloso tava reclamando de Lula por causa de mudança em leis de incentivo a cultura. Maria Bethania diz que precisa de editais pra poder ta circulando com a turnê dela que é um show muito caro. Imagine a gente que não tem nem onde gravar, nem nada. A gente precisa também delas leis, e como existe lei de incentivo à agricultura, incentivo a todo e qualquer tipo de produto, a arte pode ser tratada como um produto também. Pode ter linhas de credito pra cultura, como existe até no BNB, e foi tratado isso como cultura, a arte pode trazer turismo pra Sergipe. Pode trazer muito dinheiro pra cá, então tem que ser tratado como instrumento, como qualquer profissional de qualquer área. E a gente precisa de algumas intervenções mesmo do Estado. 

EmPautaUfs – A música da Naurêa mudou com a ida à Alemanha?Alex – Acho que a nossa música vem mudando com o tempo, mas não necessariamente por causa da ida pra Alemanha. Acho que a ida pra Alemanha fez a gente conhecer algumas músicas que a gente não tava ouvindo na época. Mas não acho que foi a viagem que fez com que nossa música mudasse. A música mudou agora muito com a saída de Patrick, que entrou outro músico que tem outro estilo de tocar, e vem mudando com o tempo, com o que a gente vai ouvindo, a gente vai tendo influencia, a gente vai assistindo coisas, vai ta sempre mudando. A idéia é essa mesmo, ta sempre procurando coisas, um disco novo pra gente tem que, mesmo que quem esteja ouvindo, não esteja preocupado com isso e não perceba, a gente ta procurando propostas, estéticas novas. Se você pegar o primeiro disco é uma coisa, baixo, muita guitarra, pesada talz, não sei o que, pegando alguns ritmos do interior de Sergipe, que é uma coisa que a gente explora mais, tem a música “Bonfim”, tal tal tal. Aí no segundo disco a gente já olha muito pra uma guitarra, pra umas coisas mais cubanas, mais latinas, que é “Álcool ou acetona”, “Compay Segundo”, a gente acabou com a guitarra distorcida, aí a batida, já virou outra coisa, o que é realmente, chamou de sambaião, que no primeiro a gente não consegue fazer, tem essas influências africanas e latinas. No Babelesko a gente já mistura tudo, já entra músicas com outros ritmos sem ser, entra uma coisa mais dub que é “Nossa Senhora do silêncio”, é um xote meio brega, meio… Aí a gente abre mais pro leste europeu, aí já foi estruturado mesmo naquelas fanfarras do leste europeu, aquelas coisas lá. E o Algazarra, a gente ta definindo algumas coisas, a gente ta buscando, ta tentando, mas gente vai amadurecer ainda, que esse a gente não tem pressa pra gravar. Então a gente vai mudando com o tempo. Agora, ir pra Europa muda muito a gente, como muda a gente pode ir consequentemente, quando você conhece outra cultura, outro país, ta nos mudando de alguma maneira, e acho que consequentemente vai acabar mudando a Naurêa.

EmPautaUfs – Você viu muita diferença entre aqui e lá, em relação a política de incentivo a cultura?

Alex – Eu não sei dizer sobre políticas culturais da Europa, eu não sei dizer. Eu sei de coisas assim, bacana que tem lá, é uma rádio pública nacional muito forte, a maior rádio lá é uma rádio pública. Quando você tem uma rádio pública como a maior nacional você acaba um negócio chamado jabá, que é aquele pagamento pra impor que aqueles arrochas, aqueles axés da vida fiquem tocando massivamente, e você acaba com isso. Uma rádio sim muito democrática, que toca muita coisa, toca inclusive nossa música, música, sim, da Alemanha, mas música de outros lugares do mundo, então você já tem uma rádio forte que está do seu lado. Agora, em relação a essas políticas públicas, não sei lhe dizer assim. Eu sei que na Europa, tem alguns países que assim, na França tem lei lá que se a gente fizer um festival aqui e quiser algumas bandas de lá, o governo de lá ajuda também, essas bandas a virem pra cá. Assim como tem lei federal aqui que se com três meses de antecedência você tiver confirmado, eles mandam a passagem pra gente viajar também. Mas mais a fundo sobre essas leis lá, eu não sei.

EmPautaUfs – Comparando o primeiro grande show aqui, e o primeiro show lá, em relação a atenção, aceitação do público…

Alex – Aqui é o seguinte, como um time de futebol que joga em casa, então você tem já uma torcida vibrando mesmo quando você joga mal, mesmo quando você erra, se bem que no futebol o povo começa a vaiar, nossa torcida não vaia, não. Então, pra gente sempre foi muito bacana, antes de chegar nesses eventos grande, a gente tocou muito aqui em Aracaju, tocou muito, muito mesmo. Se a gente ganhasse com todos esses shows que a gente fez, a gente tava bem. Tocou muito na universidade, tinha uma época que tudo quanto era calourada na universidade tinha Naurêa. Hoje o povo não chama, porque acha que nosso cachê é caro, não sei por que, mas tudo bem. Tocava muito no Cultart, aí tinha Muquifo, a gente tocava muito mesmo, e isso foi criando que quando a gente foi tocar no evento grande mesmo, que talvez tenha sido até o programa Bem Brasil, foi muito bacana assim, todo mundo lá e as pessoas cantando as nossas músicas, “Bonfim” já era sucesso, o povo já gostava e gosta até hoje. Na Europa eles tem uma cultura musical muito forte assim, estudam música desde pequeno, todos gostam de ouvir música, a gente já fez show que, começou o show, todo mundo calado estava, calado ficou, a gente terminou a música… Tudo mundo Ahhh! Aplausos! Porque eles estavam ouvindo a música realmente. Claro que daqui a pouco, começam a dançar, feito umas catengas alucinadas. (há-há-há!) Que eles não saibam… E é outra coisa legal, eles não tem essa preocupação ‘ah eu não sei dançar, não vou dançar, não’, todo mundo dança do jeito que vier, do jeito que o corpo balançar, eles dançam e não tão nem aí! Depois a gente aprendeu a achar isso interessante, assim. Então, em todos os lugares, a gente já fez shows pra muita gente, esse show, o primeiro show, na verdade foi o segundo, grande lá, sei lá pra quantas mil pessoas, parece que tinha Jorge Ben também tocando com a gente, o povo gostou muito, a gente desceu do palco, fez roda, aplaudiu pra caramba. Como a gente, no outro dia, tocou no mesmo horário que tava tendo jogo da Alemanha, na mesma cidade. Ou seja, deu oito pessoas que não gostam de futebol. Não, deu umas quinze pessoas que provavelmente não gostam de futebol. A gente fez o show, voltou, fez bis, fez o show completo, depois teve bis, o povo pediu, a gente ficou lá dançando, ficou lá com o pessoal, foi muito legal! Tanto que o dono do bar depois veio pedir desculpa pra gente, ele sabia que aquele horário não ia ter muita gente, mas que depois a gente voltaria lá pra tocar. A gente não voltou porque nos dias que a gente tava livre ele não tava com a agenda livre, se não a gente tinha voltado pra tocar lá. As pessoas gostam, a gente não teve muito o que falar não, a maioria, todos os shows que eu lembre foi muito bacana, até quando tem aqueles shows que a banda não ta bem, a banda erra, ou acabou de brigar, que a gente briga pra cacete, mas a maioria eles aceitam muito bem. Acho que é mais difícil no Brasil, nos lugares que a pessoas não conheçam a gente, interior de Sergipe. Acho o interior daqui muito difícil, mesmo sempre tendo algumas pessoas que vão lá parabenizar, compram cd, eu acho muito difícil porque eles não estão acostumados a isso. Eles estão acostumados a ouvir o que é imposto, é o que ta na rádio, é o que tem que tocar, é o que tem que fazer sucesso. Claro que tem sempre exceção, que não pensa assim, que acaba gostando. Mas é um show mais difícil, mas é um lugar que a gente gosta, a gente acha que é importante ta tocando também no interior, porque toda vez tem a alguém que gosta, na segunda esse alguém já falou pra mais alguém, aí vai multiplicando, e a gente tem que estar nesses espaços também!

EmPautaUfs – O que achou da passagem pelo Rio de Janeiro, durante o Pan-americano?

Alex – Foi muito bacana, a gente já tinha tocado no evento oficial da Copa do Mundo, e tocar num evento oficial do Pan-americano, a meta agora é Copa do Mundo do Rio de Janeiro, né? E a Olimpíada do Rio. Foi assim, a gente foi na Emsetur pedir apoio pra ir pra Alemanha, eles não podiam dar esse apoio, disse que não tinha dinheiro, aí na saída, tava Márcio e Nadja, na saída, conversando com as meninas, secretárias, ela falou do Pan-americano ‘queria tanto que tivesse alguém de Sergipe lá!’, mas eles não tinham como pagar nada. Aí Márcio falou ‘a gente vai!’. (há-há-há!) ‘Mas não tem cachê, não tem…’ ‘Mas a gente vai assim mesmo!’ Qual foi o raciocínio? A passagem do Rio de Janeiro era mais barata pra Alemanha, a gente já economizava na passagem, na data já dava pra gente ir, e a gente conseguiu capitalizar mais dinheiro pedindo apoio pra ir pro Pan, do que pra Europa. Porque pro Pan era mais interessante pras empresas locais, até indo pra lá, a gente foi de ônibus, a Emsetur acabou dando pra gente só o ônibus, então a gente não gastou dinheiro com passagem e fez uma economia boa com a passagem pra Alemanha. E foi bom ter tocado três shows seguidos em Copacabana, num palco em Copacabana, é bacana.

EmPautaUfs – Quais são suas expectativas para o Circular BR?

Alex – Ah! Esses shows aqui em Aracaju, e principalmente em lugares abertos, pra gente é sempre legal, porque tem a certeza que vai ter muita gente, e vai ser show bem bacana como é, como a ultima vez que a gente tocou lá que foi no aniversário da Aperipê FM, junto com os mutantes. E ta tocando com Jair Rodriguez que é um artista que a gente gosta bastante também, acho que já vai ser uma noite bem bacana. E em Aracaju, como eu já falei, é como jogar em casa torcida do lado da gente, a gente joga a vontade, e vai fazer muitos gols lá! A gente ta ensaiando música nova, mas a gente na vai tocar música nova nesse show. Acho que não pra esse show, mas pro outro show, que a gente toca no aniversário da Rua da Cultura dia 30, a gente ta pegando música dos outros discos que a gente não toca pra começar a tocar. Dessa vez a gente quer guardar as músicas novas pra quando lançar o disco. A gente sempre toca boa parte do disco antes de lançar o disco, aí dessa vez a gente não quer fazer isso, quer guardar, ir trabalhando as músicas pra depois lançar.

EmPautaUfs – Mas se divulgassem logo, não seria mais fácil de vender os discos depois?

Alex – É, mas também é bacana a surpresa, as pessoas pegarem como eu vejo os discos assim ‘ó que música bacana!’ E depois, talvez, a gente toque no show, experimente. Ou ao mesmo tempo. Fazer um show de lançamento de músicas novas, ao mesmo tempo que ta vendendo o disco ali, aí você vai lá e compra, tal. Mas comprar disco é outra coisa que não existe, hoje em dia, ninguém compra mais disco, é uma indústria que ta falindo. E disco é mais cartão de visita. Disco é mais cartão de visita que fonte de renda.

por Aragão

2 Respostas

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  1. Julie said, on 18/11/2009 at 2:03 am

    Adooooooooooooooro Naurêa!!!!! to c saudades…=/

  2. Julie said, on 18/11/2009 at 2:03 am

    Adoooooooooooooro Naurêa!!!!!! =)


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