Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

O CÉU É O LIMITE PARA OS AMANTES SERGIPANOS DE AEROMODELISMO

Posted in Uncategorized by micheletavares on 18/11/2009

Por Julie Melo

                Apesar do pouco apoio e da pouca visibilidade, os praticantes de aeromodelismo, prática de voo de modelos de aeronaves em miniatura, de Sergipe não desanimam e encontram chão – e céu – para exercitar seu hobby. No estado, a prática ainda não tem muitos adeptos nem divulgação, mas a união dos aeromodelistas já fez surgir o Clube de Aeromodelismo de Sergipe (CAS), onde eles se reúnem para discutir sobre a aviação, regras etc. Márcio Santana, secretário do CAS e praticante assíduo, busca promover a atividade através da internet (o aeromodelismo de Sergipe possui um site e uma comunidade no Orkut) e acredita na difusão da prática dentro do estado. Ainda que em terreno improvisado, os amantes das miniaturas “voam” todos os fins de semana e estão na luta para conquistar seu devido reconhecimento e espaço. Há também a chance de Sergipe ganhar, no ano que vem, competições da modalidade, caso haja patrocínio. Além de não terem um local oficial para pilotar seus aviões, o pequeno grupo também tem o acesso ao material necessário limitado, pois, em Aracaju, há apenas uma loja do ramo. Sem dúvida, são muitos os impasses diante destes aeromodelistas, mas eles não desistem e seguem fiéis ao amadorismo de seu exercício. O céu é seu limite.

Márcio Santana, Secretário do CAS. (Foto: Arquivo Pessoal)

Empautaufs: Em Aracaju, qual a categoria de aeromodelismo praticada?

Márcio Santana: Embora haja várias categorias, aqui em Aracaju é praticada o aeromodelismo via rádio-controle.

E. P.: Quando e como surgiu esta prática aqui?

M.S.: Surgiu por volta da década de 70 e 80, com os modelos a cabo, quando não se utilizava o rádio-controle.

E. P.: Quando se iniciou a atividade em Aracaju, os praticantes sofreram algum tipo de restrição por parte das autoridades ou até mesmo rejeição por parte dos cidadãos?

M.S.: Felizmente, não houve restrição.

E. P.: E como surgiu o seu interesse por esta atividade?

M.S.: Desde criança a aviação me chamou a atenção. Sempre gostei de ir ao aeroporto, de ver aviões cruzando o céu, dos eventos aeronáuticos etc. Após anos, essa vontade aumentou e, há dois anos, conheci os praticantes na Orla, que me indicaram um modelo para começar e daí realizar o sonho de voar com os pés no chão.

E. P.: Em que áreas de Aracaju ocorre a prática?

M.S.: Na orla de Atalaia, em Aracaju, foi construída uma pista para a prática do aeromodelismo, em geral, com pista asfaltada e sinalizada. Mas, 30% dessa pista foi destruída pelo avanço do mar e ainda a maresia destruiu a cerca de segurança, permitindo que pessoas transitassem na pista a pé e com veículos, gerando risco de acidentes. Mesmo assim, o helimodelismo continua sendo praticado lá. Já o aeromodelismo é praticado na Praia do Jatobá, no município de Barra dos Coqueiros. Lá, existe uma área, onde seria construído o Polo Cloroquímico, mas que, atualmente, está abandonado, então aproveitamos o terreno para fazer uma pista improvisada. Como não existe casas por perto o risco de acidentes e incômodo por causa do som dos motores é quase nulo.

E. P.: Os locais mais afastados são escolhidos apenas para evitar acidentes?

M.S.: Sim. Utilizamos muito o litoral sergipano.

E. P.: Quais os aeromodelos mais usados?

M.S.: O modelo treinador, para iniciantes, é o mais usado. Depois, acrobáticos para os mais experientes e o modelo em escala reduzida da aeronave real para os que gostam de voo clássico.

E. P.: Que tipo de motor há neles?

M.S.: Há modelos com motores elétricos com várias potências, que são mais limpos, porém o tempo de voo é bem reduzido. Já os motores à combustão, possuem potências relativas ao tamanho do aeromodelo.

 E. P.: Qual o material utilizado na fabricação de um aeromodelo?

M. S.: Há modelos fabricados em madeira, isopor, plástico polionda e fibra.

 E. P.: E que tipo de combustível é utilizado?

M.S.: Os modelos elétricos funcionam com baterias de alta capacidade, os motores à combustão utilizam metanol e gasolina comum.

E. P.: Então, esse combustível é prejudicial ao meio ambiente?

M.S.: Como todo combustível quando é queimado, emite gases que acabam poluindo o ar. É por isso que a regulamentação não permite o acionamento dos motores na frente da corrente de ar, porque a fumaça acabaria indo para o público ou pilotos.

E. P.: Através de que o aeromodelo é controlado?

M.S.: É utilizado um transmissor de sinais por ondas eletromagnéticas em uma determinada frequência e um receptor (módulo) é colocado dentro do aeromodelo, onde os sinais do rádio transmissor são interpretados. 

E. P.: E quais são os tipos de rádio-controle mais utilizados?

M.S.:  Atualmente, temos rádios simples de apenas dois canais e outros com mais dez canais. Cada canal é responsável por uma determinada função no modelo. 

E. P.: É preciso de instrução para pilotar um aviãozinho?

M.S.: Sempre que alguém se interessa em praticar o hobby, este é apresentado a um instrutor, que passará informações básicas, desde noções de mecânica no motor até de aerodinâmica.

E. P.: Já ocorreu algum acidente nas áreas de voo?

M.S.: Já houve quedas de aeromodelos, mas sem danos pessoais ou a terceiros.  

E. P.: Os aeromodelistas de Sergipe criaram o CAS (Clube de Aeromodelismo de Sergipe). De quem foi e como surgiu a ideia de criar o clube?

M.S.: Acredito que uma só pessoa não foi responsável pela criação, mas sim a união de alguns que perceberam a necessidade de criar um clube a fim de praticar a atividade com responsabilidade.

E. P.: Quantas pessoas estão envolvidas neste projeto?

M.S.: São cinco pessoas responsáveis pela nova gestão do CAS.

E. P.: E o que você faz como secretário do CAS?

M.S.: É realizado um trabalho em conjunto com os outros integrantes da direção, desde o controle dos praticantes até a discussão, votação e aprovação das normas.

E. P.:  O CAS  tem apoio do Governo ou de empresas?

M.S.: Nunca houve apoio de nenhum governo. De empresas particulares sim, mas hoje está mais difícil, pois não temos uma área definida para pedir apoio. Somente quando tivermos um local adequado é que teremos um apoio mais forte das empresas.

E. P.: Existem normas de segurança para o exercício do aeromodelismo?

M.S.: O Clube de Aeromodelismo, além de ser regido pela Confederação Brasileira de Aeromodelismo (COBRA), possui também normas locais que foram discutidas, avaliadas e aprovadas para o correto exercício da prática nos locais de voo.

E. P.: Há competições no estado ou os praticantes levam a atividade apenas como hobby?

M.S.: A maioria dos pilotos pratica apenas com hobby, mas, no início deste ano, tentou-se organizar competições, que, devido à mudança de gestão do CAS, ficarão para o ano de 2010.

E. P.: Para a aquisição de novos modelos, peças de reposição e acessórios, existem lojas, em Aracaju, especializadas no ramo?

M.S.: Em Aracaju, existe uma loja oficialmente funcionando. É onde encontramos combustível, algumas peças de reposição e novos aviões.

E. P.: Qual é o custo para exercer a prática?

M.S.: O custo inicial gira em torno de R$ 1.500,00, fora os custos com o instrutor. 

E. P.: No estado, quantas pessoas em média praticam o aeromodelismo?

M.S.: Há uma média de 18 praticantes cadastrados, mas somente uma média de oito pessoas pratica fielmente.

E. P.: Com que frequência os praticantes se reúnem para pilotar seus aviões?

M.S.: Todos os finais de semana, no Jatobá e na Orla.

E. P.: Como é a relação entre vocês (praticantes)?

M.S.: É harmoniosa.  

Márcio abastecendo o aeromodelo.

Márcio abastecendo o aeromodelo. (Foto: Arquivo Pessoal)

 E. P.: Qual o tempo médio de voo dos aeromodelos?

M.S.: Depende do tipo de motor, tamanho do aeromodelo, a velocidade do vento e o tipo de combustível. Isso determina o tempo de voo de cada modelo.

E. P.: Há um órgão de regulamentação da prática?

M.S.:  Sim. A Confederação Brasileira de Aeromodelismo (COBRA).

E. P.: A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) interfere de algum modo na prática do aeromodelismo?

M.S.: Sim. Ela determina e delimita leis e normas de segurança em conjunto com a COBRA.

E. P.: Hoje, como o aeromodelismo é visto dentro do nosso estado?

M.S. Há pouco tempo, houve uma reportagem em uma emissora local. Isso ajudou um pouco a mostrar que a prática do hobby existe no estado, embora com pouca visibilidade. Enquanto não tivermos uma área específica para a prática, ficaremos sem ter muito que divulgar, mas, a partir dos eventos que forem criados e, consequentemente, divulgados, o aeromodelismo sergipano será mais reconhecido.

 

2 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Márcio Santos Santana said, on 22/11/2009 at 9:49 pm

    Ficou muito boa a matéria, agradeço em nome de todos os pilotos de aeromedelismo de Sergipe pois aqui é mais um importantíssimo canal de divulgação, não este tipo de hobby, mas para todos tipos de informação que nos ajuda a conhecer melhor tudo que existe em nosso pequeno estado.
    Parabéns pela iniciativa e o profissionalismo que você está seguindo! Sucesso!!!!

  2. JOALDO ROCHA said, on 27/03/2010 at 6:25 pm

    Parabens pela matéria de cunho informativo.Sou adimirador do aeromodelismo,desejo fazer parte do CAS.Como faço para contact-los.Grato


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: