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Naurêa: a banda que não deixa ninguém ficar parado

Posted in Cultura by micheletavares on 23/11/2009

Por Monique Garcez

Banda Naurêa foto: Monique Garcez

Naurêa é uma banda sergipana que há oito anos vem se destacando, tanto no estado de origem, quanto fora dele. Formada por nove músicos, já se apresentou em diversas cidades do país e já realizou algumas turnês pela Europa.

 Assim como o nome da banda, o estilo das músicas também é diferente, pois mistura vários ritmos musicais. As roupas dos integrantes sempre possuem estampas alegres e seu estilo irreverente e alegre de tocar encanta vários tipos de público e não deixa ninguém ficar parado na hora do show.

 Com o intuito de conhecer um pouco mais sobre a banda, a equipe do Empautaufs entrevistou Aragão, integrante da Naurêa que toca cavaquinho e é formado em Rádio e TV pela Universidade Federal de Sergipe. Ele se mostrou muito simpático em contribuir conosco e nos contou desde características da essência da banda até histórias inusitadas que eles já viveram.

Agora, com vocês a banda Naurêa por Aragão…

 EmpautaUFS: Como surgiu a banda Naurêa?

Aragão: No shopping. Eu não tava nesse momento embrionário; quem estava era Márcio, Alex e Patrick. Márcio já

Aragão Foto: André Teixeira

tinha uma banda chamada Popcorn, Alex tinha um trabalho solo e Patrick era DJ. Márcio disse que estava a fim de fazer uma banda de forró, mas não um forró tradicional, e sim um ritmo mais urbano, com elementos eletrônicos e músicas de várias partes do mundo. Ele perguntou o que Alex e Patrick achavam de montar uma banda e eles toparam na hora; ai cada um foi chamando os agregados. Márcio chamou Abraão, Alex chamou Leo, que tocava teclado e passou a tocar acordeão, e Patrick me chamou. O primeiro show foi no antigo Tequila e foi horrível, uma catástrofe. O engraçado foi que o atual secretário de comunicação, Cauê, estava no primeiro show e escreveu uma matéria detonando a banda. Mas isso é normal, porque a banda tava no início e os aspectos que ele observou foram bons. Foi uma crítica construtiva, não foi uma coisa pra botar pra baixo. Foi aquela coisa: tipo, a idéia é boa, mas está muito mal executada.

EPUFS: E o nome da banda?

Aragão: Naurêa é uma junção das palavras na e orelha, só que quando ditas rapidamente fica “naurea”, especialmente por conta do sotaque daqui de Sergipe. E tem também uma música do folguedo do Lambe-sujo em Laranjeiras que canta: essa nega tá com brinco naurea, tá danada, tá com brinco naurea.

É isso. É um tapa na orelha o som da Naurêa. Uma forma nossa de dizer essas palavras e uma referência ao folguedo Lambe-sujo de Laranjeiras.

EPUFS: Quantos anos de carreira a banda possui?

Aragão: 8 anos.

EPUFS: A banda recebe apoio do governo ou de alguma empresa?

Aragão: Depende. Quando a gente começou a gravar, foi tudo por nossa conta. Gravamos o primeiro disco, Circular Cidade, aí fomos distribuindo e depois gravamos o segundo, O Sambaião e então foram aparecendo os convites. A gente tocou no festival de Garanhuns, na Feira da Música em Fortaleza, no Mercado Cultural e cada evento foi abrindo portas pra banda, mas em nenhum desses momentos a gente pediu apoio. Até que quando a gente tocou no Mercado Cultural em Salvador, fomos convidados a participar do Festival Rec-Beat em Recife, então tocamos lá e um cara de uma rádio, que estava atrás de bandas pra tocar num festival que ia acontecer no meio da copa na Alemanha, gostou da banda e convidou a gente. Quando ele fez o convite nós aceitamos antes mesmo de ver se possuíamos condições; depois a gente começou a perceber que não iríamos conseguir bancar um evento desses, então a gente precisou montar um projeto e começar a pedir apoio. Montamos um projeto e levamos para empresas e pro estado. Nenhuma empresa demonstrou interesse, só a prefeitura.

 A banda não tem um apoio fixo, ela recebe apoio relacionado a um projeto. Por exemplo, na viagem do ano passado, a gente pediu apoio a Petrobras.

Quanto aos cachês, a maioria que a gente recebe, investimos na banda. Sempre temos um dinheiro guardado porque se pintar alguma coisa, a gente vai lá e banca.

EPUFS: E como foi a última turnê pela Europa?

Aragão: Foi ótima.

EPUFS: O público europeu acolhe bem a banda?

Aragão: Muito bem. É diferente, eles curtem muito a música por ser dançante. Quando a gente convida pra fazer roda eles fazem e dançam ciranda.

EPUFS: Qual o público que freqüenta o show de vocês?

Aragão: Aqui em Aracaju o público é jovem. Já o de fora é mais velho. A gente começou com o público mais universitário, mas como não queremos fazer uma música de gueto, e sim atingir todo mundo, tocamos músicas dançantes, com letras curtas, que parecem música eletrônica.

EPUFS: O público dos outros estados conhece as músicas de vocês?

Aragão: Conhece. Isso é surpreendente pra gente e é ótimo. Obviamente não somos grandes artistas e não temos essa exposição toda, mas é algo que vamos construindo.

EPUFS: Porque a Naurêa não tocou esse ano no Forró Caju?

Aragão: Eu não sei por quê. Foi uma decisão de quem organiza a parte de eventos que optou por não convidar. A informação que a gente teve é que com a redução dos dias do forró, cortaram o dia de apresentação nosso e de outras bandas.

EPUFS: Como acontece a divulgação do trabalho da banda?

Aragão: A internet é a principal ferramenta. A gente investe muito nisso. É algo que pra gente é muito importante, até porque o nosso diálogo com pessoas que estão fora do estado é através da internet. A gente tem diálogos com grupos da Alemanha, do México, da Argentina, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

EPUFS: Como é realizada a escolha do repertório?

Aragão: A gente tem 4 blocos de repertório. Geralmente no primeiro bloco são tocadas as músicas mais alegres, mais dançantes e próximas dos ritmos latinos, ai tem desde álcool ou acetona até casa de preto, ai a outra parte é mais é mais ligada ao forró, tem fé e umbigada, você toda, que são músicas pra dançar junto, mas não é exatamente um forró tradicional, é um forró do jeito naurêa de fazer. Depois chega um momento em que tocamos músicas do mundo; é um espaço que fica já do meio pro final do show. Pra terminar a gente toca bomfim, pra galera fazer a roda, e 007, que são músicas animadas e a galera canta junto no final. No DVD ficou lindo isso, todo mundo cantando.

Já tem um tempo que a gente quer mudar o repertório. Nessa última viagem a gente experimentou algumas coisas que eu acho que a gente vai preparar pro projeto verão, mas não vou falar. É segredo.

EPUFS: Tem alguma música que o público prefere?

Aragão: Olha, se não tocar bomfim e álcool ou acetona a gente é linxado. Acho que sexta-feira também é música que o pessoal pede bastante.

EPUFS: E os planos para o próximo ano?

Aragão: Quando a gente voltou de viagem, avaliamos se valeria a pena ir de novo pra Europa no próximo ano, porque essa última turnê foi muito complicada; a verba foi pouca e reduziram a quantidade de shows.

Há muito tempo a gente ta querendo ficar uma temporada no Sudeste, pois todo mundo fala que pra você conseguir entrar no Rio e em São Paulo tem que ficar um mês ou dois meses por lá. Pra gente ficar um mês fora de Aracaju, além do que a gente já fica na Europa é muito difícil, porque a gente pega exatamente o período de férias daqui, já que o pessoal trabalha.

EPUFS: Porque vocês se vestem sempre com roupas coloridas?

Aragão: Sabe essa coisa do artista se arrumar pra se apresentar? É uma coisa muito bonita do folguedo. Então o

Márcio Foto: Monique Garcez

figurino da gente é um pouco dessa coisa do folguedo, de botar uma blusa colorida, que você se diferencia dos outros; especialmente as roupas de forrozeiro ou sanfoneiro, que são aquelas que possuem estampa de flor.

Eu fujo um pouco mais dessa linha, mas Márcio e Alex se vestem assim. Alex mesmo tem roupa de cortina de bebê, com carrinho, são camisas músicas muito engraçadas.

EPUFS: Qual a situação mais inusitada ou apreensiva que a banda já passou?

Aragão: Uma vez a gente chegou no guichê da TAM com os instrumentos  e uma mulher muito simpática disse que eles não poderiam embarcar no vôo, pois tinham que ser enviados como carga, só que o tempo previsto de chegada deles era de 48 horas e a gente ia tocar no mesmo dia a noite, então entramos em pânico. A mulher pegou no nosso pé e a área de cargas não estava aberta. Então a gente teve que esperar o encarregado chegar, e quando o cara chegou, embarcamos os instrumentos. Pagamos uma fortuna pelo embarque. Quando a gente chegou em Fortaleza, nada de instrumento, aí a gente ligou pra produtora e conseguiram localizar os instrumentos. Deram um jeito de embarcar-los num outro vôo, que foi pra Natal e chegando lá, trocaram e botaram pra ir pra Fortaleza. A gente chegou no camarim ainda sem eles. Quando a banda que tava tocando no show tava meio que terminando, chegou o cara com a carga no carro, encostou, depois tirou os instrumentos, botou no camarim e a gente pegou e colocou tudo em cima do palco.

 A outra foi quando a gente saiu com a vã na Alemanha, pois era um dia de lazer da banda. Eu fui dirigindo na ida e o GPS mostrou um caminho muito louco. A gente foi pelo meio de uma floresta e mesmo achando o caminho muito estranho eu fui. A pista era muito pequenininha e quase só dava pra passar um carro. Porém, na hora da volta o GPS mudou a rota, eu lembrei quando a gente tava chegando perto da floresta por onde eu tinha vindo e disse pra Anselmo, que tava no volante, mas ele disse que o GPS tava mandando a gente ir direto, então a gente foi. Um pouco mais a frente uns policiais mandaram parar a vã. Já era de noite e pediram pra gente descer. Nós saímos, abrimos a vã e começaram a revistar tudo, enquanto isso a gente tava batendo os dentes porque tava muito frio fora do carro. A vistoria durou de 40 minutos à 1 hora. Revistaram, perguntaram umas coisas pra gente, pediram a carteira de motorista, o documento do carro e depois que a gente tava lá já congelando, fomos liberados. Foi o maior baculejo da minha vida.

Uma resposta

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  1. fronteiradigital said, on 23/11/2009 at 3:21 am

    Boa entrevista, Monique. Nunca ouvi falar nessa banda e agora passo a conhecer e a me interessar pelo trabalho deles.
    Bom trabalho.

    Beijos


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