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Cobertura Jornalística Sobre a Transposição do Rio São Francisco é Tema de Subprojeto

Posted in Ciência e Tecnologia, Utilidade Pública by micheletavares on 25/11/2009

A abordagem midiática sobre a transposição do Rio São Francisco, feitas pelos sites dos estados da Bahia e Sergipe, é tema de um subprojeto desenvolvido pela professora Sonia Aguiar.

Por Júnior Santos

Se a transposição do Rio São Francisco já é um tema que envolve bastante polêmica, imagine estudar o que é noticiado pela mídia sobre o assunto. Esse é justamente o tema de um subprojeto, desenvolvido pela professora doutora da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Sonia Aguiar Lopes, que pretende estudar como vem sendo abordada a questão da transposição em sites de notícias da Bahia e Sergipe.

 Alocado no projeto denominado de “Jornalismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional: interfaces e conflitos”, a pesquisa faz parte de um dos estudos desenvolvido pelo Laboratório de Interdisciplinar de Comunicação Ambiental, o LICA.

Em entrevista ao EmpautaUFS, a coordenadora do projeto esclarece melhor a linha de desenvolvimento da pesquisa e os resultados que se espera alcançar.

Coordenadora do Subprojeto, Sonia Aguiar, esclarece a linha de pesquisa.

EmpautaUFS – O estudo da transposição do Rio São Francisco faz parte do projeto “Jornalismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional: interfaces e conflitos”. Qual é a questão central de abordagem do mesmo?

Sonia Aguiar – A pesquisa sobre como os sites de notícias de Sergipe e Bahia vêm cobrindo a transposição do Rio São Francisco desde 2004 visa estabelecer um contraponto aos veículos que fazem parte do Pool de Jornais de Nordeste, formado por Jornal do Commercio, Correio da Paraíba, Tribuna do Norte, Diário do Nordeste, Gazeta de Alagoas e O Estado do Maranhão, do qual não fazem parte os referidos estados. Embora o Pool tenha sido criado bem antes da retomada do projeto da transposição no Governo Lula, há claros indicadores de articulação entre as empresas do grupo em defesa da obra. Por outro lado, os meios de comunicação e os políticos em geral dos dois estados do Nordeste que mais “doarão” águas do São Francisco não assumiram publicamente, até o momento, nenhuma posição em bloco, contra ou a favor do projeto.

EPUFS – A transposição do Rio São Francisco, no subprojeto, começa a ser estudada a partir de que ponto?

S.A. – A pesquisa nos jornais do Pool vem sendo realizada desde julho deste ano (2009), como projeto Pibic, inicialmente concentrada no Jornal do Commercio de Recife, pelo que este veículo representa na região, em termos de antiguidade, solidez empresarial, amplitude da cobertura e organização de conteúdos em bases de dados no seu site, o que facilita muito a localização de matérias antigas.

 

“A minha hipótese é que esses dois estados [Bahia e Sergipe] da questão ficaram numa posição muito delicada perante a problemática do rio, e a pesquisa vai verificar como que esses grupos de mídia estão lidando com isso.”

 

EPUFS – Por que explorar os estados da Bahia e de Sergipe?

S.A. – Porque ao verificar a composição dos jornais que participam do Pool, da região nordeste, não há nenhum do Piauí, da Bahia e de Sergipe. Como o Caderno do Nordeste que eles lançaram fazia referência explícita à transposição do Rio São Francisco favoravelmente, a hipótese que eu levanto é que o Pool foi criado com forte interesse em defender essa posição. Pode não ter sido a única razão, mas é muito significativo que o Piauí, que não vai ser beneficiado, e Sergipe e Bahia, que não se pronunciaram nem contra ou a favor, tenham ficado de fora. A minha hipótese é que esses dois estados da questão ficaram numa posição muito delicada perante a problemática do rio, e a pesquisa vai verificar como que esses grupos de mídia estão lidando com isso.

EPUFS – O que espera alcançar com os resultados obtidos?

S.A. – Nem toda pesquisa tem resultado imediato para uma comunidade. Mas acho que pode dar uma contribuição em vários aspectos. O primeiro deles é da uma visão geral de como está a aceitação ou não da transposição, os discursos que são tomados como unanimidades quando na verdade não são, o que não foi dito. E assim, quanto essa falta de informação, ou uma não esclarecedora, pode vir a afetar as comunidades que, de alguma forma, serão prejudicadas pela transposição. Espero trazer a tona essas questões, para que possam ser geradas mais pesquisas que venham agir no papel de alerta para com a população.

 EPUFS – O subprojeto faz parte do Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental, o LICA. Quem participa desse laboratório?

S.A. – O LICA é um grupo de pesquisa certificado pela UFS e cadastrado no CNPQ, do qual fazem parte três outros professores do DAC: Ana Ângela Gomes, Matheus Felizolla e Jean Cerqueira. Os objetivos, as linhas de pesquisa e os projetos em andamento de cada pesquisador podem ser consultados no site do grupo (em formato de blog): http://licaufs.blogspot.com/

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