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Religião e Universidade convivem há muito tempo

Posted in Educação, Reflexão, Uncategorized by micheletavares on 25/11/2009

“Fé e razão não são excludentes”. “Religião na universidade não dá, cada uma tem seu lugar”. “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia”. Estas são as falas de três pessoas que vivem diariamente essa relação entre religião e universidade.

por Eloy Vieira

Essa discussão não é recente, começou na primeira universidade do mundo, a Universidade Al-Azhar, no Cairo, fundada em 998 d.C. O califa queria instruir os jovens da mesquita centrando-se no ensino da Teologia a fim de instruir os jovens para que pudessem resolver os recorrentes problemas entre a ciência e a religião. Poucos séculos depois surge as primeiras universidades européias, muitas ainda vinculadas a grupos religiosos, sobretudo à Igreja Católica, ainda sim, a questão entre religião e a ciência continuava pendente. De lá pra cá, não mudou tanto, apesar da laicização de vários países, ainda surgem instituições de ensino vinculadas a diversas religiões, como também surgem grupos religiosos dentro do ambiente acadêmico.

Somos mais uma voz na universidade

Thiago Roozevelt, estudante de Administração e membro da ABU. Foto: Eloy Vieira

Em várias universidades do mundo é possível notar a atuação da Aliança Bíblica Universitária (ABU), ela já está presente em mais de 100 países e visa difundir os evangelhos dentre os estudantes: “Nós somos um movimento estudantil que leva a palavra de Deus. Somos mais uma voz na universidade, que, afinal, é democrática”, defende Thiago Roozevelt. Ele, estudante de Administração, ainda acrescenta que nunca sofreu preconceito no âmbito acadêmico, mas reconhece o que ele mesmo chamou de ‘cientificismo’. “Não entendo essa rivalidade, há fé na razão… fé e razão não são excludentes, não precisa haver esse cientificismo tão presente na universidade”, defende.

Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!

Marcelo Primo, professor de Filosofia. Foto: Arquivo pessoal

Diferentemente do jovem estudante, o também jovem e professor de filosofia, Marcelo Primo é taxativo: “Fé e razão são coisas diferentes, cada uma tem seu lugar. Se quer rezar, vá rezar… fora da universidade!” Essa frase era recorrente em suas aulas, alegam alguns alunos, que, por muitas vezes ficavam atônitos com a ação do professor. Mas esta reação não é surpreendente, pois, segundo pesquisa feita com jovens de 21 países pela instituição alemã Bertelsmann Stiftung, os jovens brasileiros, de faixa etária entre 18 e 29 anos, estão em 3º lugar no ranking de religiosidade. A pesquisa constatou que 95% dos jovens do Brasil dizem ser religiosos; 65% definem-se “profundamente religiosos” e apenas 4% afirmam não possuir religião.

Para ajudar a compreender essas estatísticas, o professor Rodorval Carvalho, chefe do Departamento de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe e membro do Grupo de Ciências da Religião na mesma universidade. “Esses números expressam bem o equívoco de algumas teorias sociais que afirmam (ou afirmavam) o fim do sagrado, a falência das religiões. O que está acontecendo com o fenômeno religioso é o que acontece com todo e qualquer fenômeno social, mudanças”; esclarece. E é compreender essas mudanças é um dos propósitos do Grupo de Ciências da Religião. “O fenômeno religioso é também um fenômeno social e, sendo assim pode ser apreendido, pelo menos em parte, pelos métodos científicos e filosóficos. As abordagens são muitas, desde a história comparada das religiões até a fenomenologia religiosa, passando pelas etnografias”, argumenta o professor. Ele ainda acrescenta que o grupo se tornou importante a partir do momento em que tentou estabelecer um novo campo disciplinar, tanto na graduação como na pós-graduação.

Apesar de cientista e pesquisador, o professor Rodorval é sintético ao discordar de seu colega de profissão: “O antagonismo entre fé e razão é uma falácia repetida por muita gente até os dias de hoje. São formas distintas de conhecimento, cada uma com seu âmbito de ação, mas com possibilidades de diálogos profundos”, argumentou quando questionado sobre a convivência entre Fé e Razão. E ainda fez questão de destacar o papel da religião na produção científica ocidental: “Veja, por exemplo, o caso da Igreja Católica. Não há na história do Ocidente uma instituição que mais tenha contribuído para avanço das ciências; seja através da ação dos seus sacerdotes ou pelos seus princípios teológicos”. Além de antiga, a polêmica religião-ciência (Fé-Razão), é pertinente, sobretudo num país como o Brasil, o maior país católico do mundo, E este assunto deve seguir assim, instigando a mente humana a resolver seus conflitos mais primários.

Saiba mais:

Livro: “Iglesia y Ciencia ao largo da la história” de Francesc Nicolau Pous

Livro: “Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental” de Thomas Woods Jr.

Blog: http://gpcrufs.blogspot.com/

Site: http://www.abub.org.br/

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