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DAC: um departamento em estado preocupante

Posted in Educação by micheletavares on 26/11/2009

“UFS dá oportunidade, mas não dá infra-estrutura”, diz chefe do departamento.

Por Anne Samara Torres*

O DAC por trás do tapume. (foto:Daniel Nascimento)

O Departamento de Artes e Comunicação Social (DAC) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) existe há 16 anos. Durante esse período, ocorreram obras nas suas estruturas física e educacional, mas tais estruturas ainda não são adequadas às demandas. Além disso, novas habilitações no curso de comunicação foram criadas em 2009, a exemplo de Publicidade e Propaganda e Áudio Visual (este ultimo substitui a habilitação em Rádio e TV, que está em processo de encerramento). Em 2010, outro curso passa a compor o departamento: Design Gráfico /Noturno.

Há alguns anos o departamento sofreu um incêndio. As obras de recuperação foram abandonadas pela empresa licitada, deixando grande parte das instalações inoperantes. Entretanto, há um esforço por parte dos professores e da chefia do DAC para manter aulas laboratoriais e cursos de verão.

A professora doutora Messiluce da Rocha Hansen aos seus 35 anos de idade, sendo 14 dedicados à universidade, é a atual chefe do DAC. Esta, sempre de salto, bem vestida e maquiada, recebeu atenciosamente o EmPautaUFS para uma cordial entrevista sobre esse e outros temas.

Prof.ª Dr.ª Messiluce da Rocha Hansen (foto: Anne Samara)

EmPautaUFS: Como é a rotina da chefe do DAC?

Messiluce da Rocha Hansen (MRH): É uma rotina, digamos, um pouco dura, exatamente pelo acúmulo de funções. Uma das primeiras coisas que eu fiz ao assumir a chefia foi instituir um horário de atendimento ao público que está fixado na porta da secretaria. Uma das minhas rotinas, quando eu chego, é checar os e-mails, porque as informações que eu passo aos professores é via e-mail, e esse é também um canal de contato do aluno com o presidente do colegiado. A outra rotina é a observância do calendário acadêmico da UFS. Uma outra coisa é receber a portaria, os documentos, e dar andamento (aos processos). Outro dado fundamental é acompanhar as tarefas dos funcionários locados nesse departamento, que são poucos, e isso agrava muito o problema porque nós temos um quadro técnico insuficiente para as demandas do DAC. A partir do ano que vem, o departamento, com o início das aulas de design, terá que abrir também à noite. Então vai ser muito difícil manter a secretaria, por exemplo, aberta nos turnos manhã, tarde e noite. Um outra atribuição é fazer as convocações para as reuniões.

EmPautaUFS: Quais os projetos de melhorias para o DAC?

Sala 16 (foto: Anne Samara)

MRH: Dois pontos que eu coloquei como prioridade foi intra-estrutura para as disciplinas laboratoriais e também a organização das rotinas quanto à entrega das cadernetas e dos programas de disciplinas. Uma das minhas medidas foi tentar equipar a sala 16 (localizada no DAC), transformá-la num laboratório. Atualmente nós temos 12 computadores lá, a estrutura de rede já foi montada, mas o laboratório ainda não está operacional porque falta tomada para ligar os computadores. E essas tomadas ainda não puderam ser compradas porque elas precisam passar por licitação.

“o laboratório ainda não está operacional porque falta tomada”

EmPautaUFS: Além do laboratório, há outros projetos de melhorias na estrutura do departamento?

MRH: Há o projeto da construção do Complexo de Comunicação Social, sendo que a informação que nós temos é de que muito embora já tenha sido licitado o projeto da obra, pelo menos o arquitetônico, ainda estava faltando fazer a licitação para o projeto elétrico-hidráulico da obra. Mas um dado preocupante foi que o Complexo de Comunicação não constou no hall de obras para serem realizadas, executadas, pela Universidade Federal de Sergipe no período de 2010-2014, que foi o período do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional). E isso é preocupante! É preocupante porque no momento nós não temos nenhuma garantia de que o Complexo de Comunicação vá ser realmente construído no prazo de 2010 à 2014! E isso irá inviabilizar as disciplinas laboratoriais, principalmente dos cursos de

Laboratório de Fotografia (foto: Anne Samara)

Jornalismo, de Áudio Visual e de Publicidade e Propaganda, porque não se pode negar que são disciplinas que precisam de laboratórios específicos. Então nós, no momento, não dispomos da infra-estrutura para cumprir com as atribuições didáticas das disciplinas laboratoriais. A situação não está mais precária, no momento, porque nós podemos contar com o apoio fundamental do professor Luciano, que é o diretor do CESAD (Centro de Ensino Superior à Distancia), que liberou o acesso de um dos laboratórios de informática da UAB (Universidade Aberta Brasil) para disciplinas do DAC. Sem essa colaboração a nossa situação estaria muito pior, mas nós não podemos depender de ações isoladas, nós precisamos contar com uma infra-estrutura própria que permita uma rotineirização dessas atividades laboratoriais.

EmPautaUFS: Chegou alguma informação à senhora de quais motivos poderiam ter levado ao projeto não constar no PDI?
MRH:
A informação que eu tive da pró-reitora foi que deve ter ocorrido algum equívoco, mas que a obra estaria prevista. Então eu acho que o indicado seria procurar a COGEPLAN (Coordenadoria Geral de Planejamento).

EmPautaUFS: Na opinião da senhora, que conhece o curso há tantos anos, o que vem melhorando ou piorando?

MRH: O que eu posso dizer é que já foi muito pior. Nós não possuímos equipamentos suficientes para os alunos, nem equipamentos necessários como, por exemplo, equipamentos de fotografia. O aluno que precisar utilizar na aula de fotografia uma de nossas câmeras, não vai contar com câmeras digitais adequadas, inclusive para dar uma visão do

Sanitário? Só a porta diz! (foto: Anne Samara)

equipamento que é utilizado pelo mercado. O número de computadores com acesso à internet e com capacidade de processamento de dados é insuficiente. Nós temos uma grande dificuldade nesse aspecto. Mas quando eu entrei aqui como aluna, nós tínhamos apenas duas máquinas de datilografar, uma das máquinas não tinha o “Ç”, então era extremamente precário. O “Bonde Zero”, que foi o primeiro produto laboratorial, era na verdade um fanzine. Hoje nós temos um jornal que atende aos padrões um jornal universitário com periodicidade, que é o “Contexto”. Hoje nós temos a Rádio UFS, também, que é um laboratório para os estudantes de Radialismo, de Jornalismo e de Audio-Visual e que também traz uma contribuição significativa não apenas para a comunidade acadêmica da UFS, mas também para a comunidade aracajuana. Temos também nossos produtos laboratoriais digitais, objetos da disciplina de Jornalismo Online. Isso tem sido reflexo do significativo aumento do corpo docente efetivo, mas que ainda é insuficiente.

EmPautaUFS: Como a senhora se tornou chefe do Departamento de Artes e Comunicação (DAC)?

MRH: É uma eleição uma aberta. A pessoa se candidata à chefia, mas, na verdade, eu recebi o convite da professora Francisca Argentina, que foi a minha vice-chefe, mas que posteriormente renunciou. Ela era chefe de departamento na época e ela perguntou, em meio aos demais professores, da minha possibilidade de assumir essa chefia, então eu refleti se teria condições de assumir e desde o início eu interpretei esse exercício de chefia de departamento como uma obrigação que todo professor do departamento deve cumprir em algum momento de sua carreira. Tenho muito orgulho de ter sido aluna, muito orgulho de ser professora efetiva dessa instituição, e é com muito orgulho que exerço no momento a chefia.

EmPautaUFS: Qual a importância do Exame Nacional de Avaliação de Desempenho Estudantil (ENADE)  para o curso?

MRH: Eu tive a preocupação de conversar com os alunos, de tornar claro o papel fundamental da contribuição do aluno para a universidade. Eu vou dar um exemplo do curso de Publicidade e Propaganda: ele está autorizado, mas não está reconhecido. Os alunos participaram do ENADE como ingressantes. A nota deles vai funcionar como nota de partida para o reconhecimento do curso. Então, na possibilidade extrema dos alunos de Publicidade e Propaganda terem feito o boicote ao ENADE, isso poderia trazer graves implicações para o reconhecimento do curso.

EmPautaUFS: E a proposta de boicote feita pelo movimento estudantil?

MRH: No caso do movimento estudantil, eu acho lícito, acho democraticamente saudável que as pessoas defendam suas idéias, suas bandeiras. Mas a questão de fato é que o ENADE é utilizado pelo MEC (Ministério da Educação) para a avaliação dos cursos e para decisões fundamentais, como alocação de verbas e também para o credenciamento do curso e a própria manutenção do curso. Quando os alunos boicotam o ENADE, eles colocam em risco a sobrevivência do curso. Então, é preciso notar duas posições muito diferentes daqueles alunos que boicotam: por motivos político-ideológicos, que são justos, e por indiferença, descaso para com a instituição que os acolheu e que lhes oferece uma educação para a vida e uma educação profissional. Eu vejo com muito pesar a situação destes alunos.

EmPautaUFS: Em relação aos cursos de verão, como funcionam?

MRH: Pela primeira vez, nós vamos ter as condições plenas de realizar um curso de verão, que vai dispor de tempo para que o curso seja ministrado com qualidade que se espera de uma instituição de ensino como a UFS é. O semestre de 2010/1 vai iniciar em primeiro de março. A expectativa é de que o curso de verão funcione de quatro de janeiro à quatro de fevereiro e o método é o seguinte: o conselho do departamento avalia a demanda, então os alunos apresentam a demanda. Eles preenchem fichas de requerimento requisitando a disciplina, dando um abaixo assinado dos alunos. Então o conselho avalia se há condições para a oferta ou não da disciplina de verão.

EmPautaUFS: Sobre o fim da exigência do diploma de Jornalismo, o que a senhora tem a dizer àqueles universitários que se sentem desmotivados e para aqueles vestibulandos que se sentem intimidados em fazer o curso por isso?

MRH: Uma questão que deve ficar bem clara é de que trabalhar na área de comunicação social requer habilidades específicas, tanto para escrever para os variados suportes, conhecer o mercado, ter uma noção contextualizada dos processos comunicacionais, como também um conhecimento mais extensivo na parte de ética e de deontologia da comunicação e do jornalismo. Os nossos cursos de comunicação social têm oferecido essa educação e tem formado os estudantes para desempenhar essa atividades, que são complexas. Um elemento fundamental é que a maioria das empresas vão continuar contratando egressos do curso de comunicação social, porque é muito mais fácil para eles contratarem um profissional que já sabe o que fazer do que um indivíduo que terá que aprender na redação. Essa já é uma realidade. É claro que houve uma situação de medo e de insegurança por parte das pessoas que tinham a intenção de se inscrever no vestibular para o curso de jornalismo. Mas, na média, as inscrições para o vestibular continuaram na sua trajetória histórica, inclusive aqui, na Universidade Federal de Sergipe, nós não notamos um diferencial muito grande na concorrência.

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*Agradecimentos a Daniel Nascimento

Uma resposta

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  1. Eloy said, on 28/11/2009 at 12:59 am

    Anne… qual técnica vc usou pra conseguir revelar a idade dela? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    conte-nos seu método!


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