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“Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão”

Posted in Perfil by micheletavares on 26/11/2009
por Manoela Veloso
  

retirado de carva1.wordpress.com

Cazuza era várias personalidades em uma pessoa só, e ele mostrava todas elas. Ou quase todas, pois não chorava na frente de ninguém. Com isso, ele podia ser tão normal quanto eu, como tão peculiar que só podemos entender por partes. Até na música ele mostrou várias caras, começou com o rock, na Barão Vermelho, e terminou em diversos ritmos, na sua carreira solo ele experimentou o quanto pôde.

Era visto sempre sorrindo, até ele mesmo via um ânimo inacabável para fazer qualquer coisa. Da vida dele, como ele disse, o que fica é a grande busca pela felicidade. E, afinal, o que mais importa?

E as estrelas ainda vão nos mostrar
Que o amor não é inviável
Num mundo inacreditável
Dois homens apaixonados

Ele pode ser simplesmente taxado com gay e nunca escondeu sua bissexualidade. Sua visão de prazer dependia muito da inocência. O prazer é resposta da pureza, sobrevivendo somente em corpos livres de preconceitos ou preocupações. Estranhamente, teve sua sexualidade iniciada tarde, se comparado a seus amigos, aos quinze anos, pois via o sexo de forma diferente. Era muito preocupado com o lado romântico da coisa.

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver

Sua visão da política era bem ingênua e também romântica. Já quis não falar sobre o assunto, mas foi convencido que a maioria da população sabia tanto quanto ele. Assumia-se socialista, defendia que era a única opção para um país do terceiro mundo se desenvolver, mas admitia: “talvez eu seja mais burguês que minhas músicas”.

Você tem que entender
Que eu sou filho único
Que os filhos são seres infelizes
Eu tento mudar
Eu tento provar que me importo
Com os outros
Mas é tudo mentira

“Quando eu tinha 3 anos, meu pai me deu uma bola. Eu a peguei no colo e a ninei como a uma boneca.”Essa foi a primeira decepção que causou ao seu pai. A relação familiar foi muito conflituosa, era filho único, era rock’n’roll, no entanto, uma relação conturbada de amor e ódio, seus pais eram as pessoas que mais amou. “Minha mãe me batia mesmo e não era de mão, não. O primeiro objeto que ela via pela frente atirava em mim. Depois ia chorando no quarto pedir desculpas…”. Seu pai foi um dos últimos a conhecer o talento de Cazuza, talvez tenha sofrido um misto de lamento, surpresa, e até prazer. Seu filho era bom naquilo que fazia.

Quando estiver cantando
Fique em silêncio
Porque o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação
Porque o meu canto redime o meu lado mau
Porque o meu canto é o que me mantém vivo
É o que me mantém vivo

“Estou ótimo, segundo todos os meus exames. Mas posso morrer amanhã.” Tinha medo de morrer, às vezes. A doença foi um momento de metamorfose, mudou tanta coisa, os seus depoimentos nos meios de comunicação mostravam essa inconstância. “Quando eu estava no hospital de Boston, pensei muito e acabei descobrindo que ficar calado me deixava ainda mais traumatizado. […] Mostrar aos outros que com AIDS pode-se continuar vivendo, trabalhando, produzindo, me pareceu o caminho mais certo.” Por certo mudou a sua idéia de vida, até lhe deu uma base de felicidade diferente para viver, mudou sua música. “O meu amor agora está perigoso. Mas não faz mal, eu morro, mas morro amando.”

retirado de oglobo.globo.com

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