Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Candelária: nunca é tarde para fazer um novo começo.

Posted in Perfil by micheletavares on 11/12/2009

Por Mariana Viana

Fonte: Arquivo pessoal

Na Rua Curitiba, Bairro industrial, eu fui recebida por uma senhora franzina de camisola rosa claro, feição melancólica e olhos verdes. Esta senhora atende pelo apelido de Candelária, uma figura mítica de Aracaju.

Entretanto esta mesma senhora,na década de 60,foi a prostituta mais famosa e requisitada da capital. Ela foi uma exceção entre as prostitutas, pois conseguiu desfrutar de certo glamour, tal qual assistimos nos filmes. Hoje, reclusa das badalações, ela é presidente Associação Sergipana de Prostitutas (ASP) onde luta pela cidadania das profissionais da área.

Antes de ser Candelária, Maria Niziana Castelino, ainda muito pequena, vivia só com a mãe que logo foi vítima de tuberculose, fato que ela relata sob lágrimas. Desse tempo em diante passou por um orfanato e de lá foi adotada por uma família. A mulher que a adotou agredia-lhe bastante. “Ela não me batia, ela me espancava e depois me dava banho de água de sal. Me colocava pra dormir no quintal com os cachorros”. Não agüentando tal condição de vida, foi morar nas ruas onde passou por muitas privações. “Na igreja tinha um lugarzinho onde eu me protegia de sol, de chuva, mas as beatas me expulsavam. Dormir debaixo dos bancos das praças era muito frio”.

Ela saiu das ruas para trabalhar numa casa como doméstica e num teatro, onde aprendeu a dançar. “Dançava mambo, strip-tease, e a dança dos sete véus, mas não é o strip-tease de hoje não”, afirma candelária demonstrando que rosas cobriam seus seios e partes íntimas (um pouco mais comportado do que hoje se vê). Foi no teatro que recebeu o apelido, na verdade seu nome artístico, Candelária, por ser bonita e imponente como a igreja da Candelária.

Aos 16 anos começou a trabalhar na casa de prostituição mais elegante da capital, Miramar. Candelária relata que o começo de sua vida na prostituição foi de forma ingênua, pois como era muito nova, tinha medo dos homens que recebia no quarto. Irenilde Santos, sua amiga e parceira na ASP, explica “Ela era tão linda, tão linda que nem precisa fazer nada, que o homem só de olhar, conseguia o que queria.”

Em relação aos casos e amores da época, ela afirma que não teve nenhum de grande importância, apenas um que quando ainda muito jovem prometeu-lhe casamento. Mas foram muitos os apaixonados pela jovem de corpo esguio e olhos verdes. “Teve um que se apaixonou por ela, mas ele teve que viajar para estudar fora, pois aqui em Aracaju não tinha muito recurso para ele se formar. Ele voltou faz cinco anos, mas disse que não quer ver a Candelária hoje, porque quer ficar com a última lembrança que ele tem dela, com um vestido azul que ele mais gostava. Ele não quer ver a Candelária de hoje, quer manter aquela imagem.” Irenilde comprova a visão que Candelária causou no imaginário masculino.

Durante toda a sua vida na prostituição Candelária afirma que teve todos os seus sonhos de consumo supridos, pois tudo que queria seus clientes lhe davam, desde jóias até viagens. Alega que seu maior sonho mesmo era ter uma grande família, como ela assistia no filme “A noviça rebelde”, para preencher seus vazios na época, que até hoje não foram preenchidos, segundo a própria.

Quando o assunto é família e filhos, Candelária se emociona muito, pois seu primeiro filho ficou com ela só o período de amamentação, logo após foi retirado, pelo fato de ser prostituta. Esse fato foi determinante para gerar revolta e uma certa anarquia em Candelária que afrontou a sociedade (ainda mais) moralista da época. Foi presa diversas vezes, e deportada pra seu estado de origem (PE). Por duas vezes, ainda na estrada, fugiu de volta para Aracaju. Num tempo onde a sociedade cobrava da policia que as prostitutas andassem nas ruas depois das 10 da noite para não se misturarem com mulheres de família, Candelária, à luz do dia, ousava freqüentar casas de chás e sorveterias, mas ao não ser atendida, virava as mesas. Ia presa mais uma vez, no entanto os seus clientes a soltavam.

Símbolo da ASP

Aos 23 anos Candelária larga a prostituição e dá um novo rumo à sua vida. “È uma lutadora. Ela realmente procura lutar pelos direitos das prostitutas. Eu vibro muito quando vejo candelária atuando nessa luta.” Essa frase foi como o médico e porta-voz do que se diz respeito a AIDS no Estado, Almir Santana, definiu Candelária. Pelo fato dela servir de intermediaria entre a secretaria de saúde e as prostitutas, por facilitar o acesso e compreender a linguagem e o cotidiano das profissionais do sexo. Essa parceria entre Almir e Candelária, visa distribuir preservativos e fazer campanhas de prevenção entre as profissionais, para que assim sejam melhor atendidas.

 O trabalho da ASP não se restringe apenas a prevenção. Também oferece cursos de artesanato, culinária, informática entre outros. Planejamento familiar e apoio psicológico também estão inclusos no projeto. Não apenas as prostitutas são beneficiadas pela ASP, mas seus filhos também, acolhendo de forma ampla toda a família, o que auxilia na construção de uma base.

Cursos oferecidos pela ASP

Através do seu trabalho, a associação foi premiada pela revista Claúdia e pela UNDP (sigla em inglês para o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas) pelo trabalho de redução de danos em drogas. Esses foram alguns dos reconhecimentos que obteve ao longo do seu trajeto.

Recebendo o premio Claudia ao lado da atriz Marília Pêra. Fonte: http://www.editoraabril.com.br

Vale ressaltar que nem a ASP nem Candelária fazem apologia à prostituição, apenas querem garantir o direito à cidadania, saindo em defesa destas mulheres marginalizadas pela sociedade.

Ao perguntar se Candelária se considerava a ‘fada madrinha’ das prostitutas, antes mesmo da própria responder, Irenilde interrompe e dá a resposta emocionada “Mãe! Eu to dizendo isso porque é o que eu sinto por ela. Ela é a minha mãe porque o que ela faz por mim é coisa de mãe. É o que eu sempre digo: eu perdi uma mãe, mas ganhei outra.”

Candelária tem o espírito materno aflorado, e coloca esse sentimento em tudo que faz. Ela é alma da ASP e vice-versa. É de onde esta mulher de saúde debilitada tira as suas forças para viver. Com uma grande trajetória de vida, Candelária é prova viva de que nunca é tarde para fazer um novo começo.

Prêmios recebidos pela ASP

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Muito além do heavy

Posted in Perfil by micheletavares on 07/12/2009

Por Cida Marinho

 

Andreas Kisser am ação. Foto retirada do andreaskisser.com.br

Nascido em 1968, desde os 19 anos de idade, Andreas Kisser é guitarrista do Sepultura, ainda hoje uma das maiores bandas brasileiras com grande representação internacional.

Apesar de não ser o vocalista, a figura de Andreas é tão importante para a banda que ele é facilmente percebido como o líder do grupo. Com certeza não foi fácil manter o Sepultura sem os irmãos Cavalera (Max saiu em 1997 e Igor em 2006) mas a figura carismática e o talento do Alemão seguram bem a responsabilidade.

A nova fase da banda, com a formação atual começou muito bem e com um lançamento inusitado. Foi de Andreas a ideia de fazer um disco baseado no livro ‘A Divina Comédia’ de Dante Alighieri. Dante XXI, lançado em Julho de 2006; o lançamento mostra que headbanger também tem cultura, é uma viagem musical que passa pelo inferno, purgatório e céu. E não foi difícil encontrar, por essa época, fans da banda procurando um exemplar da obra nas livrarias.

O papel de levar o Sepultura a patamares elevados é de Andreas desde que ele juntou-se à banda. Com sua entrada, a molecada de Belo Horizonte deixou de fazer traduções absurdas e começou a fazer composições já em inglês. A formação clássica do músico também “abriu a cabeça” daqueles rapazes que até então aprenderem a tocar na prática, por insistência, sem ter tido acesso a aulas, noções de teoria musical ou partituras. Finalmente o Sepultura saía das listas de músicos mais bonitos da revista Capricho, para as listas de melhores músicos das revistas especializadas.

Se bem que Andreas pode permanecer nas duas listas até hoje.

Em carreira paralela, o músico também manteve outros projetos, fazendo trilhas para filmes nacionais, tocando blues e jazz e com as famosas jams, juntando músicos de todas as tribos. De Jason Newsted a Júnior Lima (aquele da Sandy), muitos foram os músicos parceiros do Alemão.

Também foram muitas as experimentações com instrumentos, além de já ter assinado alguns modelos de guitarra, ele trouxe de uma turnê do Sepultura pela África, uma guitarra feita de lata de óleo diesel. Quem disse que a peça ficou encostada como obra de arte?

Aos 41 anos, o senhor respeitável, casado e pai de três crianças é o único dos companheiros de início do Sepultura a manter os cabelos longos – de fazer inveja às mulheres mais vaidosas. Passeia naturalmente sustentando o estereótipo visual do heavy, está sempre de roupa escura (ou com a camisa do São Paulo), bermudas largas, all star e um copo de cerveja.

Tem sempre um sorriso aberto e opiniões a respeito de tudo, música, literatura, política. Mais que um músico completo, aparenta ser um ser humano completo.

Quem sabe ele não arrisca e não aparece em algum carnaval tocando em um trio elétrico. Talvez só falte isso. Se bem que ele já tocou com a Timbalada. Talvez não falte mais nada!

Religião: fé e vocação

Posted in Religião by micheletavares on 07/12/2009

Por Cida Marinho

Com jeito simples, voz suave e paciente, percebe-se que Mônica Matos Santos é uma moça religiosa, mas é difícil acreditar que a jovem seja uma freira. Frente à freira e à jovem mulher, difícil foi decidir se deveria chamá-la de senhora ou você.

Mônica faz parte da Congregação de Santa Terezinha e na paróquia que leva o nome da Santa, localizada no bairro do Robalo, ajuda a comunidade no que é preciso, levando fé e solidariedade. Ela aceitou falar um pouco de sua vida e dos processos percorridos por uma jovem que tenha vocação para tornar-se freira.

(empautaufs): A senhora é de onde? E qual a sua idade?

Mônica Santos com a imagem de Santa Terezinha. Foto: Cida Marinho

(mms): Sou natural de Vitória, Espírito Santo. Tenho 26 anos.

(empautaufs): Há quanto tempo a senhora está nessa casa?

(mms): Há menos de um ano, cheguei entre janeiro e fevereiro (de2009).

(empautaufs): Como acontece a escolha da casa onde a freira vai residir?

(mms): Depende da congregação. Em algumas as irmãs fazem voto de estabilidade ou seja, elas são mandadas para algum lugar e lá ficam até morrer. Na nossa congregação temos um conselho geral formado por cinco irmãs que fazem as transferências a cada final de ano de acordo com as necessidades de cada comunidade.

Após cinco ou seis anos, as superioras solicitam a mudança por entenderem que as irmãs estão muito acostumadas. Se a gente fica muito tempo em um lugar, a gente começa a desfazer aquilo que fez, então é importante mudar.

Nossa congregação (Santa Terezinha) tem um trabalho pastoral — trabalhamos com as igrejas, paróquias e comunidades de base, e com educação. Então somos enviadas para algumas paróquias ou escolas de nossa congregação.

(empautaufs): As irmãs podem trabalhar fora? Não tem que fazer só trabalhos voluntários (sem remuneração)?

(mms): Pode trabalhar com a licença da superiora. Na maioria das vezes são trabalhos voluntários mas se alguma irmão tiver interesse em trabalhar ou estudar, isso pode ser conversado e negociado com a superiora.

(empautaufs): A senhora é bem jovem, há quanto tempo é freira?

(mms): Tem sete anos que estou na congregação mas estou perto dos três anos de professa. Que sou freira mesmo, tem dois anos e alguns meses.

(empautaufs): Quais são todos os passos para tornar-se freira?

(mms): Também varia entre as congregações. Na nossa, começamos com os encontros vocacionais. Quando a jovem sente algum desejo de fazer alguns encontros, de participar, de ficar mais próxima de Deus de forma radical, ela participa dos encontros que fazemos mensalmente.

Caso ela realmente decida optar por esse caminho, há uma casa chamada Cirantado, onde ela passará de um ano a seis meses, fazendo essa primeira experiência. A segunda etapa é o Postulantado e depois o Noviciado, que são dois anos — um ano canônico e outro nas comunidades, ou seja, um ano dentro da casa de formação e outro já nas comunidades trabalhando como as outras irmãs.

(empautaufs): Quanto tempo leva todo o processo?

(mms): De quatro a cinco anos. Depende de cada jovem, algumas são mais lentas no processo; algumas demonstram o desejo de forma mais espontânea, outras não.

(empautaufs): Pela sua experiência, muitas desistem nesse início?

(mms): Nem tanto no início, mas muitas desistem conforme vão percebendo que aquela não é a real vocação. Algumas optaram pelo caminho errado, outras se decepcionaram e não conseguiram superar. Depende de cada pessoa.

(empautaufs):  A senhora encontra-se em que posição no momento?

(mms): Estou no segundo ano de Juniorato. Ainda não sou professa perpétua.

(empautaufs): Há alguma obrigação específica para essa posição?

(mms): Não há obrigações específicas e sim regras que devem ser seguidas de acordo com a congregação, que são as regras de fidelidade e participar dos encontros da congregação. Não existem regras específicas para cada período.

Depois do segundo ano do Noviciado a moça já professa os primeiros votos, já é freira. São votos simples. Após cinco anos, professa para sempre.

(empautaufs): Quais são os votos?

(mms): São três votos: castidade, pobreza e obediência. Um pouco diferente dos padres que fazem apenas o de obediência, não fazem o de pobreza nem de castidade.

(empautaufs): Como descobriu sua vocação?

(mms): É uma longa história (risos). Eu nuca fui santa, sempre fui muito danada, sempre gostei de brincar, trabalhar, me divertir, trabalhar, namorar… tudo isso.

Sempre tive uma base religiosa muito forte na minha família. Eles não eram praticantes mas mandavam que eu praticasse, como aquele ditado faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Aos poucos, fui crescendo com o pessoal da igreja; eu me sentia bem onde estava porque meus amigos estavam ali, mas eu não sentia gosto pela igreja.

Na Igreja, eles foram percebendo que eu era muito comunicativa e tinha jeito para liderança, então me tornei coordenadora de grupos… Fui percebendo que não era coerente porque eu gostava de estar na igreja mas não gostava do que ela me proporcionava, por isso procurei ajuda. Seria uma incoerência de minha parte, eu era líder de grupo mas não achava que tinha capacidade para isso. Procurei um padre pedindo ajuda e de fato ele disse que esse comportamento não estava certo.

Mas pelo fato de eu ir me aprofundando na igreja por causa desse meu jeito de ver que eu não estava sendo coerente, estava sendo uma farisaica, fui me aprofundando nas coisas da igreja e fui tomando gosto, fui gostando das coisas de Deus. Foi um processo natural e lento, não foi de uma hora para outra.

Como fui tomando gosto pela igreja, já fui percebendo algo diferente em mim, agora quero estar mais na igreja do que em casa, alguma coisa tem de errado. Então procurei uma freira para conversar e ela disse que talvez fosse o surgimento de uma vocação e eu fui analisando com ela e com a ajuda de um padre, e fui vendo que realmente esse era o meu caminho; fui fazendo um discernimento vocacional.

E estou aqui, há sete anos nessa luta diária.

(empautaufs): Sua família nunca foi praticante da igreja. Eles aceitaram bem sua escolha?

(mms): Até hoje eles não aceitam muito bem (risos). Eles concordam porque se eu me sinto feliz, eles ficam felizes. Mas concordar, achar legal, não. Porque tem isso que de que você nunca mais vai namorar, nunca mais vai trabalhar como uma pessoa normal, seu trabalho não vai ser remunerado, e isso é, aparentemente, loucura para o mundo. Todas as pessoas acham que é meio por aí e minha família não é diferente, eles pensam assim também; mas se sentem felizes por eu estar feliz.

(empautaufs): E com seus amigos do passado, sofreu algum tipo de preconceito?

(mms): Com certeza! Tenho amigos que não quiseram que eu viesse. Outros não, outros me apoiaram, sabem como é essa vida. Os que não são de igreja (principalmente) acharam uma loucura, disseram que isso não era vida para mim. Até hoje tem uma ou duas pessoas que ainda dizem a mesma coisa, mas sabem que não tem como mudar porque realmente é isso o que eu quero.

(empautaufs): Existe alguma idade mínima para iniciar a preparação para ser freira?

(mms): Não existe uma idade mínima estipulada, mas a congregação tem preferência por jovens adolescente pelo fato de que uma pessoa mais adulta seja difícil de se trabalhar.

(empautaufs): Além dos votos, de que mais a moça deve abrir mão? Existe algum período de reclusão ou afastamento familiar?

(mms): Tem sim, no primeiro ano de Noviciato, o chamado ano canônico. O contato com as nossas famílias é restringido; poucas idas em casa e contato por telefone algumas vezes. Não é que nós tenhamos que nos separar de nossas famílias, e sim nos acostumarmos com a nossa nova vida. Então a congregação ( e toda a situação) pede que fiquemos um pouco mais afastadas, mas não que nos desliguemos totalmente.

(empautaufs): Há algumas freiras que usam uma aliança, há algum significado?

(mms): Tem sim, em algumas congregações a aliança é símbolo da profissão. Na nossa congregação, o símbolo da profissão perpétua é o cristo crucificado, o qual eu não tenho por ainda não ser professa perpétua, eu tenho apenas uma medalha, um distintivo que mostra a qual congregação eu pertenço.

Cada congregação tem seu distintivo. Na profissão simples eu recebo as constituições de nossa congregação (as regras que devemos seguir) e a medalha que é o símbolo distintivo.

(empautaufs): O hábito já não se usa mais? Qual o significado?

(mms): Hoje em dia a gente não usa mais. Ao longo do tempo, a gente foi percebendo que as freiras ficavam distante das pessoas e por causa da roupa foram recebendo certos privilégios por exemplo, se eu pegar um ônibus de hábito, todo mundo dá o lugar. Então para ficar mais perto das pessoas e mais acessível, a gente só usa em ocasiões especiais, grandes solenidades, festas da congregação. Não perdemos essa tradição.

(empautaufs): Quais as virtudes necessárias para quem quiser tornar-se freira?

(mms): O principal é o amor a Jesus Cristo e a igreja, é o que move tudo; o resto vem por conseqüência, é a opção que a gente faz pelos pobres, pela vida casta, pela obediência… tudo é conseqüência do amor a Jesus Cristo.

(empautaufs): A Igreja de Santa Terezinha é bastante ativa na comunidade, quais são as ações?

(mms): Aqui a gente trabalha com a pastoral da criança, com visitas domiciliares a famílias carentes, catequeses, grupos de oração e outras ações que vão surgindo conforme a necessidade.

(empautaufs): Conforme a senhora mencionou anteriormente, os padres não fazem voto de castidade. A Igreja Católica vem sofrendo bastante com escândalos de pedofilia e mesmo padres que mantem famílias.

Alguns católicos acreditam que os padres, a exemplo de outros lideres religiosos, poderiam ser casados diminuindo os escândalos e sem que isso os atrapalhasse em sua função. A senhora tem alguma opinião a respeito?

(mms): Tenho sim. Veja bem, o fato de que eles não possam casar não é um voto como o que nós fazemos solenemente, é uma opção. Mas há uma história por trás, eles não podem se casar pelo fato de que não poderiam se dedicar totalmente à Igreja e totalmente a uma família.

Pode acontecer de um padre estar celebrando e a família estar precisando dele em casa. A pessoa deve estar de forma integral no que opta, tanto na família quanto na Igreja. Se o padre casa, fica mais difícil ter uma vida disponível aos paroquianos.

Quanto aos escândalos, não podemos generalizar. A gente sabe que alguns padres fazem isso, não toda a Igreja. Muitos padres e freiras são corretos, outros não. Os padres que fazem isso não conseguiram superar um momento de fraqueza ou procurar ajuda, mas isso não pode ser generalizado. Se eles não conseguem seguir em frente com sua opção tem que desistir. Mas alguns são teimosos. São seres humanos!

(empautaufs):  A senhora está plenamente satisfeita com sua escolha?

(mms): Com certeza! A gente tem que ser fiel àquilo que a gente escolhe. Foi uma coisa medida e pensada, não foi algo momentâneo; isso faz com que eu tenha certeza daquilo que eu quero e que eu seja feliz naquilo que eu escolhi.

Se eu tivesse optado pelo casamento, procuraria ser fiel ao meu casamento, como optei pela vida religiosa, busco ser fiel à vida religiosa. E estou muito feliz!

Os jovens e os livros

Posted in Cultura by micheletavares on 07/12/2009

Por Cida Marinho

 

Com um mercado literário preparado para atendê-los, crianças e adolescentes deixam os clássicos da escola de lado e embarcam na onda das obras fantásticas e cinematográficas

 

Totem promocional do filme Lua Nova. Foto: Cida Marinho

No último dia 20 de novembro estreiou nos cinemas de todo o mundo ‘Lua Nova’. Baseado na obra da americana Stephenie Meyer, o título é o segundo da série Crepúsculo, um romance sobre vampirismo moderno. Campeão de vendas nas livrarias, repete o feito de seu antecessor e é também sucesso nas bilheterias.

Não é de agora que o mercado literário está de olho no público infanto-juvenil. A adaptação das obras para o cinema contribui para que aumente o número de leitores. Cláudia Nascimento que trabalha há pouco mais de um ano em uma livraria localizada em um dos shoppings da cidade, faz uma estimativa sobre a vendagem desses títulos: “Acredito que representam 30%, porque (os livros) de auto-ajuda e os científicos vendem bastante também”.

Com a o lançamento do filme ‘Lua Nova’, a simples colocação de um totem onde os fãs podem tirar fotos como se fossem as personagens, atrai clientes e aumenta a vendagem.

E não é de agora que esse mercado cresce. Antes mesmo das histórias fantásticas de ‘Harry Potter’ e ‘O Senhor dos Anéis’, a autora Meg Cabot já havia escrito a maioria dos dez livros da série O diário da Princesa. As angústias, descobertas e aventuras da princesa Mia foram adaptadas pela Disney em dois longas, o primeiro lançado em 2001 e o segundo em 2004.

“Harry Potter e Meg Cabot a gente sempre tem que ter aqui. Ainda são muito procurados” afirma Cláudia.

 

O QUE ACONTECE COM OS CLÁSSICOS?

A literatura infanto-juvenil faz com que crianças e adolescentes leiam mais, é verdade. Mas o interesse pelos livros não é nada diversificado.

Estudante do 1º ano do ensino médio de uma escola particular, Adriana Silva gosta muito dos livros de Meyer, Harry Potter e da brasileira Thalita Rebouças. Adriana diz gostar de ler, mas não demonstra grande apreço pelos clássicos literários, obrigatórios na vida escolar. “Na escola eu já li Machado de Assis e outras coisas… acho difícil de entender”, diz Adriana.

Os pais da garota a incentivam a procurar outros livros que não os direcionados a adolescentes mas como a maioria dos seus colegas, a jovem lê os clássicos por orientação apenas, e os outros por diversão.

Não se pode dizer que, por não elegerem os clássicos, os jovens não gostam de ler, afinal os livros adolescentes chegam a ter 500 páginas e as histórias são continuadas em mais outras três edições, pelo menos.

 MADE IN BRASIL

Capa do Livro de Thalita Rebouças. Fonte: http://www.thalitareboucas.com.br

Thalita Rebouças vem despontando na cena literária brasileira. Com linguagem divertida, Thalita que já é considerada a “queridinha das meninas”, trata de temas cotidianos como o relacionamento de uma adolescente com os pais, amigos, professores e das necessidades supremas na vida de uma garota – conquistar um namorado ou curtir um feriado.

Os livros de Thalita, por possuir características educativas e didáticas, são comumente indicados por professores, ao lado dos clássicos. Parece que a escolha de leitura tende a mudar também nas escolas.

O primeiro de livro de Thalita foi ‘Fala sério, mãe!’. Após o sucesso do livro, a autora, que também é colunista da revista teen ‘Atrevida’ escreveu outros nove. Os livros de Thalita ainda não alcançaram as telas de cinema, não parece ser ainda uma tendência nacional, mas quem sabe um dia?

 

PÚBLICO INFANTO-JUVENIL-ADULTO

O público dos romances adolescentes mantem-se fiéis mesmo após chegarem à fase adulta. Ana Paula Oliveira tem 21 anos e adora os livros de Stephenie Meyer, antes disso ela já leu todos os de Harry Potter. “Eu gosto de ler esses livros porque as histórias são interessantes e eles são agradáveis… Não acho que tenha passado da idade.”, explica a universitária.

Aos 21 anos, Ana mantem a opinião de Adriana, que aos 14 anos também confessa-se atraída pelos romances, sonhos e fantasias.

A velha discussão do que seria a leitura boa e a ruim renderia outra discussão. A literatura infanto-juvenil tem suas qualidades inquestionáveis, seus autores tem se mostrado mais eficientes que os já mortos pais dos clássicos, no sentido de atrair novos públicos. Quem lê, seja lá o que for, descobre um novo mundo, novas possibilidades; não saberia dizer se pelo incentivo correto ou por mera questão de tempo, os vorazes leitores jovens em breve diversificarão seus interesses e com o hábito da leitura já latente, será mais fácil encarar e admirar os clássicos.

A Rainha do Xaxado : Marinês

Posted in Perfil by micheletavares on 07/12/2009
*Marinês * foto: www.maisacao.net

*Marinês* (foto: http://www.maisacao.net)

Por Verlane Estácio

Considerada a versão feminina de Luiz Gonzaga, a Maria bonita do baião logo conquistou o rei do baião e por ele foi lançada como a Rainha do xaxado.

Marinês “A rainha do xaxado”. Assim era conhecida Inês Caetano de Oliveira, filha do ex-caganceiro do bando de Lampião Manoel Caetano de Oliveira e da cantora de igreja Josefa Maria de Oliveira. Nascida em 16 de novembro de 1935, na cidade de São Vicente do Férrer- PE, Marinês ainda pequena se muda para Campina Grande na Paraíba e lá dá os seus primeiros passos em direção ao sucesso.

Desde pequena Marinês se encantou com a música de Luiz Gonzaga e ainda muito nova decidiu se inscrever em concursos de calouros. Seu nome artístico foi criado a partir de um erro de um locutor que ao invés de anunciar Maria Inês (que ela usava para despistar os pais), acabou anunciando Marinês. Esse foi o nome artístico adotado até o fim de sua vida. A cantora logo teve que largar os estudos por falta de dinheiro e apostando em sua experiência de participação em concurso musicais, ela se lançou nas rádios “Voz da Democracia”, A Voz de Campina Grande, Rádio Cariri e rádio Borborema.

Marinês conheceu o sanfoneiro Abdias Farias e casou-se com ele.  Juntos numa viagem ao Ceará conheceram o zabumbeiro Cacau e com ele formaram a Patrulha de choque do Rei do baião. Viajavam o nordeste cantando sucesso de grandes nomes da música regional. E foi aqui em Sergipe, num show na cidade de Propriá que ela teve o primeiro contato com seu grande ídolo Luiz Gonzaga. Segundo a cantora o Reio do baião já sabia do sucesso do trio e assim falou que a ensinaria a dançar xaxado, pois precisava de uma rainha. A partir daí o trio passou a se apresentar em muitos lugares do Brasil juntamente com Luiz Gonzaga e seus cabras da peste.

O primeiro CD : Marinês e sua gente (foto:www.maisacao.net)

Em 1957 Marinês gravou seu primeiro disco intitulado “Marinês e sua gente”.Músicas como os baiões “Aquarela Nordestina”, “Perigo de Morte” e “Saudade de Campina Grande”; o xaxado “História de Lampião”; a polca “Chegou São João”; os cocos “Gírias do Norte fizeram muito sucesso e conquistaram platéias de todo o Brasil. Na década de 60 e 70 a rainha do xaxado continua em pleno auge e se consagra com participações em filmes e prêmios importantes, foi também nessa época que ela teve contato com outros ritmos mais ecléticos. Nos anos 80 Marinês fez parcerias com artistas como Zé Ramalho e Gilberto Gil e na década seguinte lançou seu disco- tributo “Marinês e sua gente” onde ela comemora seus 50 anos de carreira, o cd conta com a produção de Elba Ramalho e reúne duetos com 13 grandes artistas brasileiros, como Dominguinhos, Ney Matogrosso, Lenine, Chico César, Genival Lacerda, Margareth Menezes, Alceu Valença e Moraes Moreira. No ano de 2005 o governo da Paraíba patrocinou um grande projeto chamado “Marinês Canta a Paraíba” que continha músicas com a participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba e um livro com imagens e relatos de famosos.

Em maio de 2007, aos 71 anos Marinês falece no hospital real português em Recife (PE) devido a complicações causadas por um acidente vascular cerebral (AVC). Artistas dos mais diversos gêneros lastimaram a perda, o governo da Paraíba e a Prefeitura de Campina Grande decretaram luto oficial por três dias. Foi para o céu o último mito da música nordestina.

Tiranossauro Rex: O predador da tristeza

Posted in Perfil by micheletavares on 05/12/2009
 

     

 

   

Fotos: 1. Renato Maia 2. Jornal a tarde 3. Fã-Clube Chicletemetal 4. Fotolog Chicleteiros 5. André Quiribamba 6. Chiclete com Banana 7. Fã-Clube Chicletemetal

Por Danilo Trindade    

Quem já foi atrás do caminhão da Banda Chiclete com Banana em Salvador e em algumas micaretas fora de época, já percebeu que o trio do grupo vai muito além de um simples carro com caixas de som na sua lateral.     

O “Rex”, como o trio elétrico é conhecido entre os Chicleteiros – fãs da banda – foi criado no ano 2000 pelo engenheiro de som Wilson Marques, que batizou o trio com o nome de “Tiranossauro Rex”. Logo os comparativos com o dinossauro de 165 milhões anos atrás começou a ser feito no mundo dos Chicleteiros. E o Rex do passado que ficou conhecido como predador, hoje abre espaço para outro predador, “o predador da tristeza”.     

E, realmente, quem não gosta da banda e está com a sua cara triste, logo esquece a tristeza e começa a admirar a tamanha qualidade sonora, de iluminação e de efeitos que ele tem. Inclusive, os fãs mais realistas do Asa de Águia, que se orgulham em ter o maior trio elétrico – Dragão – em extensão do planeta. Mas sentem uma ponta de inveja em não ter o som e os efeitos que o trio dos Chicleteiros tem.     

O que realmente faz o Rex merecer tal título? Antes de 2000 o Chiclete com Banana tocava em um carro com 10 metros de extensão e 3,5 metros de altura. Hoje com o Rex são 27 metros de extensão por 5,10 metros de altura. O que permitiu o engenheiro de som Wilson Marques utilizar quase 10 metros de caixas de som nas laterais. E fora isso, a parte interna do trio tem camarim, com TV, ar-condicionado, vídeo e computadores ligados à internet.     

Externamente com um visual moderno, os fãs e admiradores desfrutam de um trio elétrico com som de última geração (o que rendeu o fim da categoria do “melhor som de trio do carnaval” no troféu Dodô e Osmar, pois antes mesmo do Rex o prêmio já era entregue todos os anos a Wilson Marques) e iluminação que foge dos padrões convencionais, com laser, refletores de luz, leds e lâmpadas fortes, que sincronizam-se com a batida da música.     

Uma outra inovação, a qual os foliões não ligam muito. É que as caixas de som frontal estão acopladas com o cavalinho de força – cabine do caminhão – o que permite em uma curva o som chegar juntamente com o movimento do cavalo de força.     

Mas a grande sensação do Rex é a plataforma que permite que o cantor Bell Marques chegue próximo ao público. Tanto dos camarotes como dos foliões que acompanham lá de baixo a banda.     

Agora toda essa estrutura é alimentada por dois geradores que garantem energia para horas e horas de desfile. Juntos, possuem 360 kVA, o suficiente para iluminar uma cidade de 180 mil habitantes.     

Próximo ano a invenção de Dodô e Osmar completará 60 anos e o Tiranossauro Rex uma década. Mudanças já são esperadas para o trio elétrico no próximo ano, que entrou em reforma desde abril de 2009, logo após a Micarana – micareta de Itabaiana. Muitas são as especulações, porém, em entrevistas que a banda dá na impressa, nenhuma foi comprovada pelos mesmos, que apenas garantem mudanças.     

       

 

Ela quebra o barraco

Posted in Perfil, Uncategorized by micheletavares on 05/12/2009

Por Gustavo Carvalho

Nasceu em 20 de setembro do ano de 1979 na Cidade de Deus, CDD, uma das principais fundadores do funk carioca, tem como inspiração musical a cantora pop americana Christina Aguilera. Foi detida duas vezes, uma por suposto uso de maconha e outra por dirigir sem habilitação. Ganhou o prêmio “DVD de Ouro” do programa Domingo Legal, e não para por aí, a diva do funk também faz sucesso e diversos shows internacionais. Neste ano, sua filha de apenas 15 anos deu a luz, tornando assim a contora avó pela primeira vez. Já sabe de quem estou falando? Ela mesmo, Tatiana dos Santos Lourenço, a Tati quebra-barraco.

Conhecida por sua autênticidade, a criadora dos clássicos “Me chama de cachorra” e “Dako é bom” conseguiu alcançar um grande números de seguidores, porém, ao mesmo tempo carrega grandes críticas, mas nada que abale seu bom humor. Desde 1997, onde começou a fazer música brincando, singles que sempre foram marcadas com palavrões e versos com dulpo sentindo, como “Desce Glamurosa”, “Boladona” e “Dako é bom” esconderam a Tatiana dos Santos e fizeram nascer a Tati quebra-barraco. Para o crítico musical, Régis Tadeu, ex Rede Tv, Tati não faz e nunca fez música, e o que ela canta de maneira alguma pode ser considerado Funk. Críticas assim afetam qualquer cantor, menos a quebra-barraco, “dou com o microfone na cabeça, sou pavio curto” afirma a funkeira, segundo a mesma, nunca levou desaforo para casa e sua música escuta quem quer.

As críticas não param de surguir, sejam das polêmicas músicas ou do seu visual. A quebra-barraco já fez aproximadamente 20 cirurgias plásticas, incluindo implante de silicone nos seios, lipo, nariz, etc. Um dos seus últimos retoques “básicos” foi a quebra das duas costelas com o intuito de afinar a cintura, apesar de muitas pessoas acharem o ato incorreto, a cantora não se sente nem um pouco mal falando no assunto, “ Pô, eu botei três filhos para fora, não vou tirar as costelas?”.

Mesmo envolvida em tanta polêmica e com um jeito ímpar e considerado por muitos julgar, seus shows sempre estão lotados e seus discos muito bem vendidos. Mister Catra, um dos rei do funk carioca, é um grande admirador da cantora. “Curti o som dela logo no primeiro instante, e falei de cara : Negona tú vai longe! Mas ela não acreditava, por que o estereótipo dela não era igual das cantoras de funk da época, mas pô, graças a Deus, ela se tornou o fenômeno que é hoje, é aquela coisa : Sou feia, mas tô na moda” enfatizou Catra.

A blogueira Renata Costa em sua web página pessoal, afirma Fergie é nada mais que uma Tati Quebra Barraco americana e bonitona.“Ambas gostam de rebolar até o chão nos seus shows, ambas gostam de letras depravas, ambas gostam de estar cercadas de homens, a diferença está só no corpão e belos olhos da Fergie versus o corpo robusto e as letras mal trabalhadas da Tati”, relatou Renata Costa. A rádio FM Last de East London tem outro conceito para a quebra-barraco, o de ousadia, determinação e estilo irreverente, é a mulher do século XXI.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Tati vive muito bem, morando em luxuoso apartamento e gastando muito, “gasto uns R$ 200 por semana com cabelo e unha, sapatos nem sei quantos tenho, e calças, são umas 1.300, depois que a Gang me patrocinou dando 40% de desconto, aí aumentou muito. Pus também o aparelho de dente folheado a outro, mas a dentista não cobrou para colocar. Bom ser a Tati quebra-barraco, que a gente não paga quase nada” relatou a funkeira. Mesmo com tanto luxo, ela não para de frequentar, amar, respeitar e defender todo o povo da CDD.

O mais novo boato sobre a contora surguiu em Setembro de 2009, a novidade era que Tati mesmo sendo tão “descolada e desbocada” teria se tornado evangélica. Mas como sempre a cantora não demorou para responder claremente as irônias, “ninguém tem nada a ver com as roupas que eu uso, com a bebida que eu bebo, nem com a igreja que eu vou”. Tati explicou que precisava se “agarrar a algo” e foi pro esse motivo passou a frequentar os cultos da Igreja Nova Vida de Jacarepaguá. E quem pensa que isso afetará sua carreira se enagana, a quebra barraco não vai deixar de beber amarula, sua bebida favorita, durante os shows, ela acredita que o fato de ter “virado crente” não afetará em nada.

É possível sim afirmar que boa parte da classe feminina admira Tati quebra-barraco, por falar o que pensa, aceitar as críticas e acima de qualquer coisa respeitar quem a respeita. Para a jornalista Sônia Abrão que adora funk , Tati é uma mulher de fibra e de fé, que tem uma energia enorme não só na vida, mas também no palco.

Extrovertida, barraqueira, glamurosa, desbocada, admirada por muitos, elogios, fãs, amores. Mas críticas também existem, fofocas, brigas, mentiras. E assim vai vivendo Tati quebra-barraco, cantando bem ou não, fazendo festas, recebendo beijos, abraços e também tropeções, mas nunca deixando de lado sua personalidade irreverente.

Ricardo Saquarema um pianista diferente

Posted in Cultura by micheletavares on 05/12/2009

Por: Gustavo Carvalho

Reconhecido por dominar o instrumento e por tamanha explosão de expressões ao tocar, o pianista Ricardo Saquarema rouba a cena no palco e se destaca por sentir a música e se jogar literalmente dentro dela. No momento Ricardo toca em festas particulares e em barzinhos como o Tribus e o restaurante Família Santana. O grande artista deixa de ser apenas um grande pianista ao quebrar a imagem do piano com clássico e erudito, interagir com o público e chega a cair no chão tocando seu piano. Saquarema é bastante eclético e com ele um instrumental de piano pode fazer todos cantar, dançar e cair na gargalhada.


Empautaufs:  Como começou a sua história com a música?

Ricardo Saquarema : Eu Nasci em Pernambuco, no ano de 1984 e a minha história com a música praticamente começou de berço. Meus pais são músicos, minha mãe nem tanto, mas meu pai é um verdadeiro músico nato, toca de ouvido, já tocou com grandes artistas nacionais, e foram eles dois que sempre me deram o incentivo para a música. Então eu sempre tive essa proximidade com a música, brincava muito com meu pai e quando eu tinha aproximadamente oito anos, fui a uma loja de instrumentos, e de cara o teclado já me atraiu, comecei a mexer mais nas teclas do que em bateria e violão, que são mais tradicionais. E ai eu comprei meu primeiro instrumento, um Cássio 110, o instrumento da minha vida.

E.P: Quais instrumentos você toca? ]

RS: Além do piano, toco teclado, acordeom e tenho um pouco de conhecimento de violão.

E.P: Como aprendeu a tocá-los?

RS: Comecei sozinho, recebendo sempre parte do grande conhecimento do meu pai. Ao contrário de minha mãe, preferi fugir do tipo de música sempre baseado em partituras, música para mim vem da criação interior. E algo que tem muito na minha música é o improviso. Cheguei a fazer aula, aproximadamente 2 meses com o professor Jonas, mas me considero autodidata aprendi muito com leituras e interagindo com grandes músicos.

E.P: Com quantos anos você começou a tocar profissionalmente?

RS:  Aos 14 anos comecei a subir em palco e ganhar cachê, passei a viver da música.

E.P: Aonde foi o primeiro lugar que você tocou pra um grande público?

RS: Minha primeira apresentação, fora das festas familiares, foi com uma banda de Axé, no Iate Clube de Aracaju

E.P: Pra você o que é a música e o que ela te proporciona?

RS: Sinceramente, é tudo. Todo amor, carinho. Música me tira do mundo de coisas ruins que não levam a nada. Música traz recordações e coisas boas, as coisas mais simples da vida são proporcionadas aqueles que fazem música

E.P: Quais as suas principais influências musicais?

RS: Atualmente, uma grande influência para mim é Jorge Vercilo, mas sou influenciado por muita gente. Ivan Lins, Guilherme Arantes, etc.

E.P: Existe explicação para o que você sente ao tocar piano?

RS: Pura emoção, carinho, e existe uma coisa que eu acho interessante, ela faz com que eu saia da terra e faça uma viagem que ninguém faz, vou a Júpiter e volto enquanto estou tocando. Na música quando você não é verdadeiro, você não consegue passar nada. O que eu sinto é um verdadeiro orgasmo.

E.P: Que vertente musical prefere tocar?

RS: Jazz, Blues e MPB

E.P: Da onde vem sua inspiração?

RS: Na hora que eu estou improvisando, tocando, eu começo a pensar em tudo aquilo que coloca o músico para baixo. Coisas como: ser músico não leva a nada, não dá dinheiro, entre outros, isso em dá forças para tocar mais e mais.  Mas uma grande inspiração que tenho no momento que estou me apresentando é minha mãe, penso muito nela, que sempre foi uma grande pessoa, penso também em amigos e pessoas especiais que já passaram pela minha vida.

E.P: Como você começou sentir necessidade de fazer grandes expressões ao tocar?

Ricardo Saquarema

RS: Eu comecei naturalmente, eu via que quando eu soltava as emoções, parecia uma “coisa louca” e as pessoas gostavam, já quando eu tocava sério, parado, muitas vezes eu passava despercebido. É muito bom poder prender a atenção de quem me assiste por minha expressão e emoção ao tocar.

E.P: Quais suas experiências com isso?

RS: Quando você “dá a cara para bater” você estar sujeito a receber críticas e elogios, isso é normal, faz parte da vida. Sempre quis fazer minha marca, as pessoas poderem falar do meu trabalho pelo meu jeito de tocar, é muito bom ter experiências boas, sempre tenho. Mas, claro, que já tive alguns ruins, uma delas foi no Shopping Jardins, onde um diretor de marketing chegou para reclamar do meu trabalho, preferi me retirar. As experiências boas superam e muito as ruins.

E.P: Já tocou fora do estado? Aonde?

RS: Muitas vezes. Já me apresentei em Maceió, Minas Gerais, São Paulo, Salvador, Recife, etc. Tenho uma grande vontade de tocar em Blumenau e Santa Catarina, mas fora esses, já toquei em todo o Brasil. Fora do país, toquei na Argentina.

E.P: Quais os seus projetos?

RS: Tenho vários projetos, inclusive já estou terminando de gravar um CD instrumental em parceria com o Banese com músicas brasileiras, alguns jazz e blues. Tenho também um trabalho com Felipe André, que é de MPB cantada, é o projeto Felipe & Ricardo, e um projeto que já venho desenvolvendo é com a banda D’Bandê, que já é outro tipo de música, o axé. Atualmente me dedico bastante nesses três projetos.

15.  Qual o momento musical, ou apresentação que mais marcou sua vida?

RS: Foi uma apresentação, uma das melhores da minha vida, no Teatro em Maceió. Me emocionei bastante por todos me aplaudirem de pé. Senti uma energia única.

E.P: Você exerce alguma profissão além de músico?

RS:  Atualmente estou trabalhando como representante de vendas, mas o que me sustenta mesmo é a música.

E.P:  Já gravou algum cd?

RS: Vários, além de gravar, já produzir também, como da banda Atrevidos do Forró, Otto e D’Bandê.

E.P: Ministra aulas de música?

RS: Sim, aulas particulares para todos os tipos de pessoas, crianças, adolescentes e adultos também.

E.P:  Prefere tocar pra algum tipo público?

RS: Não. Em qualquer lugar eu faço a festa.

E.P:  Planos para o futuro?

RS:  Continuar fazendo música, pois é o que amo, mesmo que a maré esteja ruim, jamais pretendo deixar a música. Mas um projeto futuro é de entrar para televisão, mostrar para todos o projeto Felipe & Ricardo ou até mesmo o instrumental. Também tem o projeto Banese, que se der certo, eu vou poder tocar e ser reconhecido fora do Estado.

E.P: Se pudesse escolher um local pra tocar qual seria?

RS:  Nova  York.

E.P:  Quais seus sonhos?

RS: É ser reconhecido na música e passar tudo que eu sinto aqueles que me assistem. Não quero no sucesso, apenas o reconhecimento maior.

E.P:  A música mudou sua vida?

RS:  Não mudou, mas me revelou um cara sensível, um ser não machista e cheio de sentimentos.

E.P:  O que você diria para aqueles que estão começando a se relacionar com a música?

RS: Para os músicos iniciantes eu digo para sempre ir em frente, não pensando apenas no dinheiro, mas a música é uma coisa que você vai ter para a vida toda. O relacionamento com a música virá uma terapia e também se torna um local de fuga, não só os músicos, mas quem pinta, quem desenha, quem trabalha com arte. O sentimento do músico nunca poderá ser comprado. Recomendo a todos os pais que querem explorar o lado sentimental dos seus filhos que os façam ter experiências com a música.

E.P:  Quem é Ricardo Saquarema hoje?

RS: È um cara bastante realizado, por fazer o que gosta, por ter amigos verdadeiros e ser muito feliz. Uma pessoa que se sente abraçado pelo mundo.

Fábio Ribeiro, estudante e musico

Posted in Perfil by micheletavares on 04/12/2009

Por Daniel Nascimento

Fábio Ribeiro - Foto diculgação

Fábio Ribeiro - Foto Divulgação - Fonte Flickr

Barba por fazer, cabelos sempre bagunçados, cara de nosso, é impossível conhecer Fábio Rogério e não atribuir-lhe essas características. 24 anos, músico, compositor, universitário, ele se divide entre a carreira musical, a licenciatura na Universidade Federal de Sergipe (UFS), a família e a namorada. Natural da cidade de Frei Paulo e morando em Ribeirópolis, ambas no interior de Sergipe, ele cursa licenciatura em Educação Física na UFS no campus de São Cristovão.

Quantos de vocês estariam dispostos à acordar as 4 horas da manhã, caminhar até a Secretaria Municipal de Transporte e Obras (Ribeirópolis), viajar em um transporte fornecido pela dita secretaria, viajar mais de 70 quilômetros para passar o dia na universidade e só retornar à sua casa à meia noite? Poucos, ou quase nenhum. Mas é essa sua rotina quase que diária. Quando não, Fábio depende da boa vontade de amigos e conhecidos em Aracaju para passar a noite.

Estudante de manhã, músico à noite

“Um doido” é assim que seus amigos o descrevem. Fábio Rogério, ou Fábio Ribeiro, como ele mesmo gosta de se apresentar nos shows, é vocalista da banda Teoria de Base, que toca um POP/ROCK vindo direto do município de Lagarto (SE). Vocalista há mais de 5 anos, ele faz parte também de uma banda que canta MPB em um renomado restaurante da Orla de Aracaju. Sem falar que também faz pequenas apresentações, acompanhado por seu irmão Robson ao baixo e mais um ou dois amigos no violão e/ou guitarra.

Há alguns meses ele lançou seu primeiro videoclipe. Produzido de forma artesanal com a ajuda de amigos: um emprestou a câmera, outro a garagem, um terceiro fez a edição e por ai vai. O vídeo da música intitulada “Recomeço” conta de forma muito engraçada a história dele e de sua namorada. O clipe tem trechos feitos em animação e foi idealizado e produzido por um dos seus amigos.

Sempre com cara de sono e falando uma besteira ele faz todo mundo rir. E quando se junta com Thaisa, sua namorada, é risada na certa. Se existe algum casal que possa exemplificar a expressão “Alma Gemia”, é esse. Eles são idênticos, brincalhões, bobões e engraçados. Conhecer um e não conhecer o outro não é a mesma coisa.

Diego Cunha: o menino da vila.

Posted in Esporte by micheletavares on 03/12/2009

por Bruna Guimarães

Diego Ribas da Cunha nasceu no dia 28 de fevereiro, na cidade de Ribeirão Preto/SP. Hoje com  24 anos, 1,75m de altura e  75 kg, Diego é um dos muitos jovens jogadores brasileiros que jogam na Europa e são reconhecidos mundialmente. Desde pequeno demonstrou talento pelo futebol. Aos 11 anos fez o teste para a escola de base do Santos FC, onde foi aprovado.

Diego foi promovido ao elenco profissional do Santos F.C. em 2001 (aos 16 anos de idade), pelo técnico Celso Rott e dando continuidade, após sua saída, com o professor Émerson Leão. A reformulação no time principal prestigiava as pratas da casa, e, de todas elas, a mais reluzente era o meia de Ribeirão Preto. E, logo que participou de seu primeiro campeonato como profissional, Diego faturou o troféu de Campeão Brasileiro. Em apenas 27 partidas o líder da equipe marcou 10 gols, entre eles o que eliminou o São Paulo, em pleno Morumbi, nas quartas-de-final. O menino formado na Vila Belmiro começava a encantar o país.

No ano seguinte, o camisa 10 santista teria novos desafios e de certo passaria a sofrer maior carga de cobrança. Afinal de contas, já ostentava, aos 17 anos, um título nacional. Jogando a Taça Libertadores, Diego colaborou para que a equipe da Vila Belmiro chegasse à final ao anotar quatro gols em 14 jogos, além de dar aos companheiros inúmeras assistências, as quais lhe renderam o prêmio de jogador mais criativo da competição.
Corria à época o Campeonato Brasileiro e depois de um início instável na competição, o Santos foi aos poucos se recuperando, apoiado em seu camisa 10. Embora na metade da competição o bi-brasileiro parecesse um desejo inatingível, o Santos conseguiu reduzir a diferença em relação ao líder a ponto de chegar com chances reais de título nas últimas rodadas. Terminou em segundo. Diego, naquele momento, já era presença certa nas listas de convocação da Seleção Brasileira.

Em 2004, Diego participou novamente de uma edição da taça Libertadores. Marcou quatro gols em nove jogos e ajudou o Santos a atingir as quartas-de-final. No Campeonato Nacional, sob orientação do técnico Vanderlei Luxemburgo, foi elevado ao posto de capitão da equipe. Disputou nove jogos e balançou as redes em quatro oportunidades antes de, em agosto, transferir-se para o Futebol Clube do Porto, de Portugal.

Nem bem havia chegado à terrinha assumiu a condição de titular do Porto, então campeão nacional e europeu. Recebido como a grande contratação da temporada, era o meia jovem, talentoso e decisivo que chegaria para ocupar o lugar de Deco, ídolo portista de outrora.

Em um de seus primeiros jogos com a nova camisa, na partida em que seu time venceu o arqui-rival Benfica, conquistou a Super Taça de Portugal. Por conta de suas boas atuações no Português e na Copa dos Campeões foi agraciado pelos torcedores do Porto com o “Troféu Dragão”.» Ainda em 2004, Diego disputou a partida que definiu o Mundial Interclubes, que reuniu o campeão europeu, o Porto FC, e o campeão da América do Sul, representado pelo Once Caldas, da Colômbia, sagrando-se Campeão pela Copa Toyota. No Campeonato Português, o meia ajudou ao clube conquistar o vice-campeonato em 2005 e torna-se campeão em 2006. Neste mesmo ano, Diego foi homenageado pelo clube que o revelou, o Santos FC, inaugurando o CT Meninos da Vila, destinado às categorias de base. Um dos dois campos de treinamento recebeu o nome do craque. Em apenas duas temporadas do Português, Diego marcou sete vezes pelo Porto, já sendo alvo de interesse de outros clubes da Europa, como o SV Werder Bremen, no qual fechou contrato para atuar durante quatro anos.

Em sua primeira temporada no Werder Bremen, Diego mostrou a que veio. Foi campeão da Copa da Alemanha, ganhou o título de melhor jogador do primeiro turno e melhor jogador da Bundesliga da temporada 2006/2007. Fez 13 gols e 13 assistências e tornou-se o principal jogador do clube alemão, sendo peça chave nos planos do técnico Thomas Schaaf.

Diego pelo Werder Bremen/ Foto Google.com

Os números do meia-armador brasileiro impressionam. Diego jogou 33 das 34 partidas disputadas pelo Werder no Campeonato Alemão, sendo titular absoluto em todas elas. Era o cérebro do time e as principais jogadas quase sempre nasciam de seus pés. Na temporada 2007/2008, Diego continuou sendo destaque nos gramados alemães e seu nome passou a figurar nas listas de pretensão dos principais clubes europeus.

Após duas temporadas de muita especulação, o Juventus FC anunciou a sua contratação em maio de  2009. Onde se encontra até agora, jogando com a camisa 28, que possui dois significados para ele: um é a data do aniversário dele e o segundo, ao somar dois mais oito, obtem-se o número 10, número que o consagrou.

Na Seleção Brasileira, Diego foi convocado pela primeira vez para um amistoso contra o México no dia 30 de abril de 2003. A partir de então, o meia passou a ser sempre cotado para integrar a lista de relacionados para servir o Brasil. Na final da Copa América de 2004, Diego iniciou a jogada que resultou no gol de empate do Brasil e levou a partida para a decisão nos pênaltis contra a Argentina. Diego converteu a terceira cobrança da seleção, que venceu a disputa por 4 a 2, conquistando assim a Copa América de 2004. No amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção Inglesa, Diego marcou o gol de empate no final do jogo, evitando a derrota brasileira na inauguração do novo Estádio de Wembley. Em 2007, na Copa América, Diego atuou apenas um jogo como títular, sendo pouco aproveitado pelo técnico Dunga. Diego também foi convocado pelo técnico Dunga para ajudar a Seleção Brasileira a se classificar para a Copa do Mundo de 2010.

Aos 24 anos, Diego já tem uma carreira de muitos títulos e vitórias importantes. Valendo frisar que ele ainda é jovem, tem muito tempo pela frente e um grande caminho a prosseguir. Talvez um dia ele volte a jogar em terras brasileiras, ou talvez continue encantando os europeus. Quem sabe ele até venha a ser o Pelé dos tempos atuais!

Diego pelo Juventus/ Foto Google.com