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DE SERGIPE PARA O MUNDO

Posted in Cultura by micheletavares on 02/12/2009

Por Verlane Estácio

Se você é daqueles que acha que música de qualidade só tem lá fora, saiba que está totalmente equivocado. Pois, daqui de Sergipe vêm surgindo talentosos artistas que cada vez mais ganham destaque no cenário musical e conquistam platéias de diferentes lugares. Só para citar já tem banda sergipana que tem trilha em telenovela, aparições em programas de alcance nacional e participações em importantes festivais de música. Engana-se quem pensa que nosso estado só exporta forró, saem daqui ritmos como o rock, reggae, samba, MPB e baião. Tudo isso numa mistura alucinante que caracteriza a chamada música sergipana.

Nos anos 70 e 80, a música local se limitava a algo já produzido e de grande sucesso no eixo Rio-São Paulo. Poucos eram os artistas que se diferenciavam, Rogério foi um deles e chegou a levar seu forró ao programa da Xuxa. Foi graças aos festivais promovidos em todo o estado que a música se consolidou e houve um maior incentivo à produção local. Dessa época revelaram-se artistas como Nino Karva, e a dupla Antônio Rogério e Chico Queiroga, importantes descobertas da produção local. De lá pra cá surgem nomes como Amorosa, Erivaldo de Carira, Clemilda, Gerson filho, Sena e Sergival, Minho San Liver, Patrícia Polayne, Passarada do Ritmo, Antônio Carlos do Aracaju e mais recentemente Naurêa, Alapada, The Baggios, Plástico Lunar, A Fábrica, Guerreiros Revolucionários, Maria Scombona, Calcinha Preta, Trio Juriti, Reação e etc. Enfim, poderíamos listar aqui uma infinidade de bandas e seus respectivos trabalhos.

Principais bandas

Atualmente Calcinha preta, Alapada, Reação e Naurêa são bandas que estão em maior evidência para o público massivo. A banda de forró Calcinha Preta, formada há quase 20 anos, é bastante conhecida nacionalmente e já realiza turnês internacionais. O grupo teve uma de suas músicas “Você não vale nada mais eu gosto de você” como tema de uma personagem da novela Caminho das Índias da rede Globo de TV.

Em 2001, surgiu a banda de Rock Alapada, o nome escolhido se deu por conta da semelhança do seu significado “bofetada” com o forte impacto sonoro causado pelo rock. As letras falam do universo vivido pelos integrantes e da impressão que eles têm do mundo. Foi com essas músicas que eles alcançaram o sucesso e passaram a se projetar nacionalmente. A banda já se apresentou no Programa do Jô e no Altas Horas, ambos da rede Globo. Uma de suas músicas foi tema da abertura da telenovela Alta Estação (Rede Record), levando-os a uma aparição nacional e internacional. Seus integrantes mudaram-se para São Paulo se aproximar desse novo público expandir o rock sergipano para todo o Brasil.

O reggae da banda Reação que se formou há nove anos, conquistou todo o público sergipano. Segundo seus integrantes, no começo foi difícil, pois o público esperava algo mais cover, mas aos poucos as letras da Reação que falam das injustiças sociais foram ganhando espaço. O reggae sergipano atraiu os olhares de grandes músicos e por conta disso a banda gravou seu cd num estúdio do Rio.

A Naurêa formada em 2001 caracteriza-se por suas músicas dançantes que misturam samba, baião, forró, ritmos latinos e até cuduro. Com três CDs e um DVD lançados, a banda participou de importantes festivais de música alternativa e independente, apresentou-se na abertura do Pan do Rio 2007 e já fez duas turnês pela Europa. Entre os próximos projetos estão a conquista do mercado do sudeste e uma nova turnê pela Europa.

Aragão (integrante da Naurêa) Foto: Marcelinho Hora

Em entrevista concedida a equipe do Empautaufs, Aragão (integrante da Naurêa) dá sua opinião sobre a música da terra. Para ele existem duas divisões, a primeira delas separa de um lado a música folclórica produzida tanto na capital como no interior e do outro uma música voltada para o mercado e a indústria cultural. A segunda divisão expõe uma primeira geração de músicos formada lá nas décadas de 70 e 80 por artistas a exemplo de Cataluzes, Amorosa, Erivaldo de Carira Antônio Rogério e Chico Queiroga e a segunda geração representada por Maria Scombona, Naurêa, Alapada, Reação, Trio Juriti, entre outras. “Em geral a música sergipana é muito rica e interessante. Porém, a produção urbana muitas vezes acaba presa em um gargalo. A Bahia tem um mercado muito forte e conta com uma superestrutura, tudo isso tão próximo de um mercado fraco acaba sufocando-o. Teve uma época em que as bandas ou imitavam o que já e sucesso para poderem entrar no nicho do mercado e terem suas músicas na rádio ou escolhiam fazer uma coisa própria e independente, sem apoio das rádios. Os meios seriam esses gargalos.” diz o músico.

As bandas Plástico Lunar e The Baggios são destaque no rock sergipano. Recentemente elas participaram do “Festival do Sol” realizado anualmente no Rio Grande do Norte e a partir disso fizeram uma turnê pelo nordeste. A Plástico Lunar faz um rock meio anos 60, misturando um pouco da música negra norte-americana e a psicodelia brasileira. Já a The Baggios, nascida em São Cristovão e influenciada por artistas como Jimi Hendrix, Robert Jhonson e The Black Keys, com apenas dois integrantes, mistura blues e rock’n roll.

Dj Shalom ( ex- integrante da Alapada)   Foto:Arquivo pessoal

“Para mim a cada dia a música sergipana surpreende cada vez mais, dentro e fora do Brasil. Com o desenvolvimento de Aracaju, do seu potencial turístico e com a ajuda da internet, as bandas sergipanas conseguiram atrair os olhares para o seu trabalho, seja ele qual for o ritmo. Bandas como Mensagenegra (hip-hop), Trindade (reggae) e Alapada são ótimas referências para o estado de Sergipe. Inclusive a ex- banda Java participou do Festival Sunsplash realizado anualmente na Jamaica e teve uma de suas músicas incluída na trilha sonora do festival.” Comenta o DJ Shalom, ex-integrante das bandas Bronka&Cia, Mensagenegra e Alapada.

Apesar de ser o menor estado da federação, Sergipe mostra seu amplo potencial musical. Passando um olhar sobre a produção local, nota-se facilmente a presença de diversos gêneros e isso se reflete na grande visibilidade que nossos artistas vêm adquirindo nacionalmente e na produção que amadurece sempre mais. Chega daquela idéia de que Sergipe é o país do forró, o que verdadeiramente caracteriza nossa música é a diversidade cultual, a mistura de ritmos e a inovação.

Uma resposta

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  1. Daniel said, on 25/01/2010 at 3:13 pm

    Esse eh meu mano… Muito responsável e talentoso… Carioca sergipano…


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