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TV Pública no Brasil enfrenta dificuldades, mas as perspectivas são boas.

Posted in Educação by micheletavares on 02/12/2009

Jornalista e Professora Dra. Ana Ângela Farias Gomes, do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe

Por Taylane Cruz

Quando o assunto é TV Pública, o Brasil ainda está longe dos modelos europeus, que oferecem à população um conteúdo de difusão da cultura. São raras as emissoras que oferecem uma programação na qual o principal objetivo seja o fomento à cultura e à formação educacional e cidadã das pessoas.

Muito se confunde em relação aos objetivos e propostas das TV’s Estatais e das TV’s Públicas.  Há, porém, uma enorme diferença entre as duas. E quem explica isso é a jornalista e professora Dra. Ana Ângela Farias Gomes, do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe, que atualmente leciona as disciplinas de História do Audiovisual e Argumento e Roteiro e desenvolve, em parceria com alunos, produção de vídeos e curtas na área do audiovisual.

 

Empautaufs: Qual a principal diferença entre uma TV Pública e uma TV Estatal?

Ana Ângela: O ideal seria que não existisse diferença entre TV Pública e TV Estatal. O ideal seria que uma TV Estatal tivesse uma função pública, porque, qual a lógica da TV Pública? É a prestação de serviço público através de uma grande mídia, que é a televisão. A TV Pública se baseia no conteúdo educativo, de difusão cultural, não é paga por propaganda, não tem como objetivo a audiência, o lucro.  Pois bem, sendo assim, uma TV ligada ao Estado deveria ter total apoio e financiamento para difundir essa prestação de serviço. O Estado deveria atuar como investidor da TV Pública.

 EMP.UFS: Num país como o Brasil, qual a importância de uma TV Pública?

AA: Enorme. Porém relegada. Infelizmente, no Brasil, as pessoas não têm noção dos seus próprios direitos porque, se elas tivessem , fariam uma movimentação contra a programação das TV’s abertas que trabalham com concessões públicas e fazem as barbaridades que fazem. Uma TV Pública tem um papel fundamental porque a vida de todo indivíduo hoje em dia é ligada pelos meios de comunicação, ela faz parte da nossa vida vinte e quatro horas por dia. Mesmo que eu não assista TV, ainda assim, sou fortemente influenciado por ela. A TV constrói opinião, transforma gostos, multiplica ou faz aparecer culturas, tem muito poder. Então a TV Pública é a possibilidade de se construir algo em favor do país, e não em favor do lucro, dos donos das grandes TV’s. É a possibilidade de fazer uma programação voltada para o cidadão, programas que falem sobre a saúde, sobre os direitos de cada um, sobre o meio-ambiente. A TV Pública é um passo muito importante, mas que está sendo pouco visto.

 EMP.UFS: De que forma a população pode estar ligada à TV Pública?

AA: Seria muito interessante se houvesse mais divulgação, mais investimento na questão tecnológica para que as pessoas pudessem receber esse canal com mais facilidade, não precisando pagar por isso (lembrando que a maioria das TV’s Públicas só tem acesso aquelas pessoas que possuem sinal por satélite ou TV a cabo). Para aproximar mais as pessoas da TV Pública o essencial seria uma maior divulgação da programação, fazer com que o telespectador conheça melhor o conteúdo, divulgar as suas propostas.

 EMP.UFS: O que impede essa divulgação?

AA: Eu acho que o governo tem outras prioridades.

 EMP.UFS: A senhora acha que, em Sergipe, há condições de se difundir a TV Pública?

AA: Eu acho que todo lugar tem. Só é preciso uma estratégia de marketing e alimentar nas pessoas a necessidade de uma TV Pública. Por exemplo, fazer com que os sergipanos entendam que a TV Aperipê é nossa, que a programação é voltada para as produções locais, que as pessoas devem assistir. Mostrar que a TV Pública vai refletir a realidade de todos, explorar nossas manifestações culturais.

 EMP.UFS: De que forma a universidade está envolvida com a TV Pública, aqui em Sergipe?

AA: É algo muito salutar e que nós vamos tentar desenvolver. Há uma boa-vontade enorme da TV Aperipê em abrir espaço para a universidade. Ano que vem nós estamos com um projeto para tentar uma parceria. Vamos ver.

 EMP.UFS: Quanto ao audiovisual, a produção de documentários, qual o espaço que ocupam na TV Pública?

AA: A TV Pública é o lugar. Em termos de TV aberta, o lugar que o audiovisual tem para tentar atuar, tentar se mostrar é na TV Pública. É ela que incentiva a produção independente, a produção local. Ela estimula uma produção além do eixo RIO-SÃO PAULO. Então é na TV Pública que as manifestações audiovisuais locais têm seu espaço.

 

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