Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Por trás de uma menina má…

Posted in Perfil by micheletavares on 03/12/2009

Por Elaine Casado

 Cássia Regina Eller: nome conhecido. Senão um dos mais conhecidos da música popular brasileira. Polêmica, homossexual e mãe, Cássia se tornou o símbolo do universo pop rock dos anos 90. Em seus trabalhos, demonstrava a atitude e irreverência que a timidez nas horas pessoais não deixava transparecer. A mesma mulher que podia xingar e cuspir no chão quando subia aos palcos, ao deixá-los, voltava a ser apenas a mãe tímida e simples de Chicão.

Cássia não era uma menina má. Era apenas uma garotinha.

Cássia nunca teve nada que a revelasse como a menina prodígio da família. Nunca foi boa nos estudos, como ela mesma dizia. Tanto que não completou o ensino médio para seguir a carreira na música, que sempre foi seu sonho. Apesar da educação rígida que se supõe que tivesse tido, por seu pai ser um militar, Cássia fez questão de se tornar mais que diferente: irreverente. Era genial ao cantar suas músicas, que, em sua grande maioria, revelavam seu estilo ousado e simples de ser. Aos entendedores do estilo Cássia, sua música não era somente melodia e letra, mas a composição perfeita de emoção, poesia e devoção. Cássia amava o que fazia e o fazia bem, senão divinamente.

A música sempre foi uma paixão, mas parecia que a jovem não queria se prender a nenhum estilo. No início, Cássia fez de tudo um pouco no mundo musical. Ela participou de um espetáculo de Oswaldo Montenegro, tocou em trio elétrico, cantou ópera, frevo e tocou surdo num grupo de samba. Além disso, mostrava sua voz única na noite brasiliense com um repertório centrado no blues e no rock.  Apesar de não gostar de se denominar eclética, Cássia conseguiu cativar um público altamente heterogêneo, que ia desde jovens universitários ligados no rock pesado da cantora aos admiradores da música suave e romântica, expressa em canções como Por Enquanto, composta por Renato Russo.

Com uma carreira meteórica de 11 anos, sete discos e uma legião de fãs, a companheira de Eugênia e mãe de Francisco, o “Chicão”, foi aplaudida e reverenciada pelos maiores nomes da música popular brasileira. A garotinha que se tornava um mulherão nos palcos teve a chance de conhecer de perto e ficar amiga de ídolos como Renato Russo, que ao vê-la pela primeira vez, como ela mesma descreveu em entrevista ao jornalista Olímpio Cruz Neto, “Ele chegou para mim e disse: Foi você que gravou Por Enquanto? Tremi nas bases. Sabia da fama de que ele era exigente e não gostara de algumas regravações. Falei: Foi. Ele disse: Ficou bonitinha”, lembrava Cássia, entre risos. Além de Renato, Cássia foi reverenciada também por ícones como Nando Reis, Cazuza e Arnaldo Antunes.

  Em 30 de dezembro de 2001, porém a estrela Cássia Eller deixa de iluminar de vida de sua companheira Eugênia, seu filho Chicão e milhares de fãs espalhados pelo Brasil e pelo mundo. A menina má e extremamente genial deixava os palcos e uma carreira em plena ascensão. Uma vida do jeitinho que Cássia havia escolhido. Vítima de parada cardíaca, rumores davam conta de que o fato foi conseqüência de uma overdose de drogas.

Polêmica, homossexual e mãe: Cássia Eller nos deixou não por ser uma menina má, mas por ser apenas uma garotinha.

Uma resposta

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  1. dNemo said, on 04/12/2009 at 7:07 pm

    Muito bom.


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