Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Muito além do heavy

Posted in Perfil by micheletavares on 07/12/2009

Por Cida Marinho

 

Andreas Kisser am ação. Foto retirada do andreaskisser.com.br

Nascido em 1968, desde os 19 anos de idade, Andreas Kisser é guitarrista do Sepultura, ainda hoje uma das maiores bandas brasileiras com grande representação internacional.

Apesar de não ser o vocalista, a figura de Andreas é tão importante para a banda que ele é facilmente percebido como o líder do grupo. Com certeza não foi fácil manter o Sepultura sem os irmãos Cavalera (Max saiu em 1997 e Igor em 2006) mas a figura carismática e o talento do Alemão seguram bem a responsabilidade.

A nova fase da banda, com a formação atual começou muito bem e com um lançamento inusitado. Foi de Andreas a ideia de fazer um disco baseado no livro ‘A Divina Comédia’ de Dante Alighieri. Dante XXI, lançado em Julho de 2006; o lançamento mostra que headbanger também tem cultura, é uma viagem musical que passa pelo inferno, purgatório e céu. E não foi difícil encontrar, por essa época, fans da banda procurando um exemplar da obra nas livrarias.

O papel de levar o Sepultura a patamares elevados é de Andreas desde que ele juntou-se à banda. Com sua entrada, a molecada de Belo Horizonte deixou de fazer traduções absurdas e começou a fazer composições já em inglês. A formação clássica do músico também “abriu a cabeça” daqueles rapazes que até então aprenderem a tocar na prática, por insistência, sem ter tido acesso a aulas, noções de teoria musical ou partituras. Finalmente o Sepultura saía das listas de músicos mais bonitos da revista Capricho, para as listas de melhores músicos das revistas especializadas.

Se bem que Andreas pode permanecer nas duas listas até hoje.

Em carreira paralela, o músico também manteve outros projetos, fazendo trilhas para filmes nacionais, tocando blues e jazz e com as famosas jams, juntando músicos de todas as tribos. De Jason Newsted a Júnior Lima (aquele da Sandy), muitos foram os músicos parceiros do Alemão.

Também foram muitas as experimentações com instrumentos, além de já ter assinado alguns modelos de guitarra, ele trouxe de uma turnê do Sepultura pela África, uma guitarra feita de lata de óleo diesel. Quem disse que a peça ficou encostada como obra de arte?

Aos 41 anos, o senhor respeitável, casado e pai de três crianças é o único dos companheiros de início do Sepultura a manter os cabelos longos – de fazer inveja às mulheres mais vaidosas. Passeia naturalmente sustentando o estereótipo visual do heavy, está sempre de roupa escura (ou com a camisa do São Paulo), bermudas largas, all star e um copo de cerveja.

Tem sempre um sorriso aberto e opiniões a respeito de tudo, música, literatura, política. Mais que um músico completo, aparenta ser um ser humano completo.

Quem sabe ele não arrisca e não aparece em algum carnaval tocando em um trio elétrico. Talvez só falte isso. Se bem que ele já tocou com a Timbalada. Talvez não falte mais nada!

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