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Os jovens e os livros

Posted in Cultura by micheletavares on 07/12/2009

Por Cida Marinho

 

Com um mercado literário preparado para atendê-los, crianças e adolescentes deixam os clássicos da escola de lado e embarcam na onda das obras fantásticas e cinematográficas

 

Totem promocional do filme Lua Nova. Foto: Cida Marinho

No último dia 20 de novembro estreiou nos cinemas de todo o mundo ‘Lua Nova’. Baseado na obra da americana Stephenie Meyer, o título é o segundo da série Crepúsculo, um romance sobre vampirismo moderno. Campeão de vendas nas livrarias, repete o feito de seu antecessor e é também sucesso nas bilheterias.

Não é de agora que o mercado literário está de olho no público infanto-juvenil. A adaptação das obras para o cinema contribui para que aumente o número de leitores. Cláudia Nascimento que trabalha há pouco mais de um ano em uma livraria localizada em um dos shoppings da cidade, faz uma estimativa sobre a vendagem desses títulos: “Acredito que representam 30%, porque (os livros) de auto-ajuda e os científicos vendem bastante também”.

Com a o lançamento do filme ‘Lua Nova’, a simples colocação de um totem onde os fãs podem tirar fotos como se fossem as personagens, atrai clientes e aumenta a vendagem.

E não é de agora que esse mercado cresce. Antes mesmo das histórias fantásticas de ‘Harry Potter’ e ‘O Senhor dos Anéis’, a autora Meg Cabot já havia escrito a maioria dos dez livros da série O diário da Princesa. As angústias, descobertas e aventuras da princesa Mia foram adaptadas pela Disney em dois longas, o primeiro lançado em 2001 e o segundo em 2004.

“Harry Potter e Meg Cabot a gente sempre tem que ter aqui. Ainda são muito procurados” afirma Cláudia.

 

O QUE ACONTECE COM OS CLÁSSICOS?

A literatura infanto-juvenil faz com que crianças e adolescentes leiam mais, é verdade. Mas o interesse pelos livros não é nada diversificado.

Estudante do 1º ano do ensino médio de uma escola particular, Adriana Silva gosta muito dos livros de Meyer, Harry Potter e da brasileira Thalita Rebouças. Adriana diz gostar de ler, mas não demonstra grande apreço pelos clássicos literários, obrigatórios na vida escolar. “Na escola eu já li Machado de Assis e outras coisas… acho difícil de entender”, diz Adriana.

Os pais da garota a incentivam a procurar outros livros que não os direcionados a adolescentes mas como a maioria dos seus colegas, a jovem lê os clássicos por orientação apenas, e os outros por diversão.

Não se pode dizer que, por não elegerem os clássicos, os jovens não gostam de ler, afinal os livros adolescentes chegam a ter 500 páginas e as histórias são continuadas em mais outras três edições, pelo menos.

 MADE IN BRASIL

Capa do Livro de Thalita Rebouças. Fonte: http://www.thalitareboucas.com.br

Thalita Rebouças vem despontando na cena literária brasileira. Com linguagem divertida, Thalita que já é considerada a “queridinha das meninas”, trata de temas cotidianos como o relacionamento de uma adolescente com os pais, amigos, professores e das necessidades supremas na vida de uma garota – conquistar um namorado ou curtir um feriado.

Os livros de Thalita, por possuir características educativas e didáticas, são comumente indicados por professores, ao lado dos clássicos. Parece que a escolha de leitura tende a mudar também nas escolas.

O primeiro de livro de Thalita foi ‘Fala sério, mãe!’. Após o sucesso do livro, a autora, que também é colunista da revista teen ‘Atrevida’ escreveu outros nove. Os livros de Thalita ainda não alcançaram as telas de cinema, não parece ser ainda uma tendência nacional, mas quem sabe um dia?

 

PÚBLICO INFANTO-JUVENIL-ADULTO

O público dos romances adolescentes mantem-se fiéis mesmo após chegarem à fase adulta. Ana Paula Oliveira tem 21 anos e adora os livros de Stephenie Meyer, antes disso ela já leu todos os de Harry Potter. “Eu gosto de ler esses livros porque as histórias são interessantes e eles são agradáveis… Não acho que tenha passado da idade.”, explica a universitária.

Aos 21 anos, Ana mantem a opinião de Adriana, que aos 14 anos também confessa-se atraída pelos romances, sonhos e fantasias.

A velha discussão do que seria a leitura boa e a ruim renderia outra discussão. A literatura infanto-juvenil tem suas qualidades inquestionáveis, seus autores tem se mostrado mais eficientes que os já mortos pais dos clássicos, no sentido de atrair novos públicos. Quem lê, seja lá o que for, descobre um novo mundo, novas possibilidades; não saberia dizer se pelo incentivo correto ou por mera questão de tempo, os vorazes leitores jovens em breve diversificarão seus interesses e com o hábito da leitura já latente, será mais fácil encarar e admirar os clássicos.

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