Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

É VERÃO ABAIXO DOS TRÓPICOS

Posted in Economia, Saúde by micheletavares on 28/01/2010

A temporada de férias escolares, dias longos e temperaturas altas atrai muita gente às praias, criando um comércio característico, variado e perigoso.

Por Cida Marinho

 

Não há espaço mais democrático que as areias das praias. Gente de toda classe social se rende ao mar na busca de um refresco durante o verão. Em Aracaju, como na maioria das cidades litorâneas, é possível aproveitar o dia nas mesas de um restaurante à beira-mar ou jogado na areia. O comércio informal nesse período é muito forte e diversificado, serve a quem quer matar a fome, a quem esqueceu os óculos ou protetor e até a quem quer comprar uma lembrancinha de verão.

Entre 1998 e 2008, o DIEESE- Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos constatou que o emprego com carteira assinada no país cresceu, apesar das crises econômicas atravessadas durante o período.

Sr. Durval prestes a encarar mais uma jornada de trabalho na praia de Atalaia. Foto: Cida Marinho.

 Entretanto esse crescimento não impede o aumento de assalariados sem carteira assinada. Estima-se que 20% dos assalariados não desfrutem dos benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Esse estudo realizado pela DIEESE não identifica um aumento anual, sem destaque para a temporada de verão, entretanto, é possível perceber o impacto que essa temporada tem na pesquisa.

Trabalhar por conta própria sem ter a carteira assinada, além de necessidade, acaba sendo a opção de muitos

brasileiros, como o Sr. Durval Moisés dos Santos, de 46 anos. Há 12 anos Durval vende amendoim nas praias de Aracaju, ele garante que trabalhar de forma autônoma é uma opção “Tem muitos empregos por aí que nem valem à pena, é melhor ficar assim mesmo”. Durval fala baseado em experiências alheias, já que ele próprio nunca teve um emprego formal. Fernando Dias de 32 anos já teve empregos formais e há pouco mais de dois anos optou pela informalidade, vendendo óculos de sol nas praias “Eu trabalhava no comércio e vendia coisas na praia com minha mãe no domingo. Depois eu fui demitido e vivo só disso aqui”.

Óculos e amendoins são só alguns produtos comercializados nas praias. VER QUADRO 1 ABAIXO. Apesar da procura pelos produtos nas areias ser mais forte no verão, o aumento na lucratividade não é tão alto “Pra quem tem família pra sustentar, não sobra muita coisa” garante Durval que já pensa no inverno, quando a procura diminui e ele tem que partir para vender o produto em outras praças.

 

RISCOS

O comércio informal de produtos falsificados mantem-se durante todo o ano graças ao interesse que as pessoas tem em adquirir produtos com etiquetas de marcas importadas (mesmo sabendo que são falsas). Durante o verão os óculos de sol falsificados tem procura ainda maior, especialmente pela facilidade de serem adquiridos nas praias; o produto certo no local certo.

Quem adquire esses produtos pensa no baixo custo e na estética, esquecendo-se da qualidade. O perigo no uso contínuo de lentes sem proteção aos raios ultravioletas agrava-se nessa época do ano. Ao estarem cobertas por lentes escuras, as pupilas dilatam-se, permitindo a entrada de mais raios solares, prejudiciais à saúde da visão, como explicou o oftalmologista Joel Carvalho em entrevista recente ao Portal Infonet.

A não comprovação da qualidade de produtos pode ser identificada também no comércio de descolorantes, bronzeadores e protetores solares. Muitos desses produtos são contrabandeados ou manipulados. Não há ambulante que admita, mas há quem coloque produtos genéricos em frascos de marcas conhecidas e bem posicionadas no mercado. Mais uma vez a clientela é atraída pelo baixo custo, mas e a qualidade?

A comerciante Marly do Nascimento de 42 anos, é freqüentadora da praia de Atalaia e consumidora assídua de todo tipo de comércio ambulante, principalmente dos descolorantes. “A gente compra sempre e nunca teve problema de nada”. Na verdade a Sra. Marly apresenta algumas manchas de sol “Praia, né? É normal”.

ALIMENTAÇÃO

Para os produtos alimentícios, os riscos à saúde são ainda mais graves. O calor do sol, por si só, já é capaz de interferir na química dos alimentos e alterar a qualidade do produto a ser ingerido. Além disso, a preparação ou armazenagem dos alimentos não passa por qualquer vistoria da vigilância sanitária, não há como garantir a boa procedência dos produtos. O Sr. Durval, vendedor de amendoim não prepara o produto “Já compro preparado, mas é sequinho, de boa qualidade”.

Entre os anos de 1999 e 2007, o Ministério da Saúde constatou, através de pesquisa, que 114 mil brasileiros tiveram algum tipo de contaminação alimentar. Não é mera coincidência a constatação de que a maior parte das contaminações ocorreu entre os meses de Janeiro e Março. Não coloquemos toda a culpa nos vendedores ambulantes, contaminações alimentares ocorrem pela manipulação e armazenamentos incorretos de alimentos, o que bem pode acontecer dentro de casa.

Mas é fato que os alimentos comercializados livremente nas praias vão de encontro a alguns princípios que o Ministério da Saúde apresenta para a manutenção de uma alimentação saudável, como demonstrado abaixo.

  • Reduza o consumo de alimentos e bebidas concentrados em gorduras, açúcar e sal. Consulte a tabela de informação nutricional dos rótulos dos alimentos e compare-os para ajudar na escolha de alimentos mais saudáveis. Escolha aqueles com menores percentuais de gorduras, açúcar e sódio.
  • Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar. Prefira formas de preparo que utilizam pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados, grelhados. Evite frituras.
    Use água tratada ou fervida e filtrada para beber e para preparar refeições e sucos ou outras bebidas.
  • Ao manipular os alimentos, siga as normas básicas de higiene na hora da compra, da preparação, da conservação e do consumo de alimentos.

 

 Os produtos comercializados durante o verão são feitos em residências por pessoas de classe baixa, sem qualquer conhecimento em nutrição e muitas vezes sem acesso a água própria para consumo. Nem mesmo as pequenas fábricas de picolés e sorvetes apresentam essa importante informação. Como esperar que esses produtos apresentem embalagens com tabelas nutricionais ou que tenham alguma garantia de salubridade?

 SALMONELLA

As bactérias são responsáveis por quase 85% das contaminações alimentares, a salmonela é a mais conhecida.

Cada alimento possui um tempo e temperatura de cocção adequados, após o preparo, os alimentos devem ser bem armazenados e mantidos em temperatura adequada para que as bactérias não se proliferem. Nas praias, sobre o sol forte, a temperatura adequada de cada alimento raramente é respeitada.

A salmonela é comum em ovos, peixes, leite e maionese caseira, produtos facilmente encontrados para consumo nas praias. Água contaminada também está na lista.

Previna-se! É possível aproveitar o verão de forma saudável sem gastar muito. A responsabilidade pela sua saúde é sua.

Faça chuva ou faça sol, o aeroporto de Aracaju passa por problemas

Posted in Uncategorized, Utilidade Pública by micheletavares on 19/01/2010

Se o céu está aberto, o clima do saguão do aeroporto Santa Maria fica insuportável devido à falta de climatização. Se fica nublado, é possível que vôos sejam cancelados.

Por Etienne Fonseca/ Edição: Júnior Santos

Pista de vôo do aeroporto de Aracaju. Foto: Etienne Fonseca

O que seria de uma cidade turística sem os turistas? Essa pergunta pode até parecer sem sentido, mas isso quase aconteceu em Aracaju, nessas férias. Em meados de dezembro de 2009, a Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC) informou nota dizendo que talvez fosse preciso cancelar a venda de passagens aéreas e até fechar o aeroporto da cidade caso chovesse. O motivo: a pista de pouso e decolagem não atendia aos padrões de segurança estabelecidos pela ANAC, o que poderia por a vida dos passageiros em risco. No dia 30 do mesmo mês, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária(Infraero) finaliza as obras na pista, normalizando a situação no aeroporto. As empresas aéreas estavam enfim liberadas a vender suas passagens sem restrição. Resumindo: o problema maior foi resolvido, por enquanto.
A Infraero realiza o desemborrachamento uma vez por ano na pista de pouso. Esse processo consiste em fazer a retirada da borracha que fica presa ao asfalto e é de extrema importância para a segurança dos usuários. A presença de borracha na pista diminui o atrito e o chão fica mais escorregadio, podendo causar derrapagens.
Segundo a Infraero, esse trabalho de manutenção da pista é realizado todo mês de março. Mesmo assim, foi preciso realizar outros dois processos da mesma natureza no mês de dezembro. Fazemos o desemborrachamento uma vez por ano, no mês de março. Mesmo assim, a ANAC achou melhor que antecipássemos o processo e foi o que aconteceu”, explica o superintendente do aeroporto, Luiz Alberto Bittencourt.

Pela manhã o saguão do aeroporto fica praticamente vazio. Foto: Etienne Fonseca

Essa medida de emergência foi tomada devido a uma mudança que aconteceu na legislação em maio de 2009. A nova resolução prevê que caso a pista apresente atrito abaixo do nível estipulado, os vôos sejam proibidos. A medição de atrito foi feita pela Infraero em março do ano passado e a ANAC foi notificada de que o nível estava abaixo do normal. “Agora, eles proíbem os vôos. Antes, só era para tomar mais cautela”, completa o superintendente.
Algumas reclamações
O aeroporto de Aracaju não possui um posto de primeiros socorros, destinado ao atendimento médico. Segundo a Infraero, não há necessidade em implantar uma unidade de saúde no local devido ao pequeno fluxo de pessoas. A legislação prevê postos de atendimento em aeroportos com mais de 1 milhão de passageiros por ano, o que não é o caso de Aracaju. “Isso acontece até mesmo em aeroportos internacionais, caso apresentem pouco movimento”, argumento o superintendente do aeroporto.
Entretanto, uma ambulância fica disponível no pátio interno do aeroporto. Ela serve para o deslocamento de pessoas que venham apresentar alguma anormalidade clínica. “A pessoa é conduzida a uma unidade de saúde do Estado”, explica Idelfonso Brás Bonfim Neto, chefe da Agência de Vigilância Sanitária(Anvisa). O órgão também tem um plano de contingência para controle de endemias, que são doenças típicas da região.
Na época em que teve o surto de gripe suína, por exemplo, foram desenvolvidas atividades especiais por parte da Anvisa. O órgão teve que se adequar a essa nova situação e tomar medidas para controle da epidemia. Primeiramente, era preciso fazer uma notificação à Anvisa sobre casos suspeitos, que poderia ser feita por meio de comissários de bordo ou diretamente aos fiscais do órgão. Depois, o indivíduo era encaminhado à sala da Anvisa, onde preenchia um termo de controle de viajante, contendo os sintomas apresentados e os seus dados pessoais(endereço, nome completo). Essas pessoas eram encaminhadas para o Hospital João Alves e ficavam em uma área isolada. “Tivemos dois casos, mas não foram confirmados”, afirma o chefe da Anvisa.
No tocante ao fornecimento das máscaras e do álcool fel como equipamento de proteção individual(EPI), a Anvisa afirma que isso é de responsabilidade das empresas aéreas.

Serviço de informação de vôo, que é mantido pela taxa de embarque. Foto: Etienne Fonseca

Outra queixa constante por parte dos passageiros e usuários do aeroporto é referente à climatização do local. Não existe ar-condicionado no saguão, um problema que se agrava ainda mais nessa época do ano, em pleno verão. “Imagina ficar esperado o vôo nesse calor”, comenta Delúcia dos Santos Barbosa supervisora da cafeteria.
A falta de policiamento também é um problema. Quando há policiais no local, eles geralmente ficam em salas da Infraero. “A Polícia Militar não tem um posto fixo no aeroporto”, diz Bittencourt. Mas, mesmo assim, a Infraero considera o local seguro. O circuito de TV e os vigilantes contratados pelo órgão dão ao mesmo a certeza de que o aeroporto é um local seguro. Só que esses vigilantes apenas verificam as condições de segurança, não podem agir em caso de assalto, por exemplo, e não andam armados.
O aeroporto é carente também no quesito prestação de serviços. Há poucos locais para se alimentar, apenas uma banca de revista e nenhuma farmácia. “O turista também reclama da falta de lanchonetes”, explica Raquel Ferreira da Silva, empresária. As poucas lojas existentes no local não atendem à demanda dos usuários. Quem precisa comprar créditos para celular, só tem como opção o posto do Correio. Mesmo assim, a venda de recarga é feita apenas para duas operadoras. Se o turista for cliente dessas empresas, sorte dele. Caso contrário, ele fica sem realizar ligações.
Aracaju vem ganhando importância como ponto turístico. Prova disso é a vinda de uma nova empresa aérea à Aracaju, a Noar, que já fechou contrato com o aeroporto, mas ainda não começou a atuar. Atualmente, três empresas operam no aeroporto Santa Maria: a Gol, a Tam e a Oceanair. Para acompanhar esse crescimento, o governo do estado em parceria com a administração do aeroporto, Infraero e ANAC, estão planejando ampliar a pista de pouso. “ O projeto ficará pronto até metade desse ano”, garante o supervisor do aeroporto. O pátio para aeronaves passará de 2.200 m para 2.970, previsto para 2011. O chefe da ANAC, Emanuel Caio de Góis, foi procurado pela equipe de reportagem do blog para falar sobre o assunto, mas não quis dar entrevista.

Uma das salas da Infraero, localizada no piso superior do aeroporto. Foto: Etienne fonseca

“Nosso aeroporto tem uma estrutura adequada à nossa realidade”, afirma o superintendente do aeroporto. Com o turismo em desenvolvimento, Aracaju vem sofrendo mudanças, configurando uma nova realidade, que deveria ser refletida na estrutura do aeroporto também.

Curiosidades sobre o aeroporto Santa Maria

As duas faces de Aracaju

Posted in Uncategorized, Utilidade Pública by micheletavares on 19/01/2010

No período do Pré-caju quem canta é a discrepância 

por Karina Garcia

         Os hotéis da Orla de Atalaia, em Aracaju, são verdadeiros palácios se comparados a outros bairros da cidade. Nesta região, todas as problemáticas de saneamento básico, de falta de estrutura, de segurança, de postos de saúde, entre outros, parecem ser até ficção. É a verdadeira Paris no menor Estado do Brasil.

      A bipolarização das camadas sociais intensifica-se ainda mais no período da prévia carnavalesca, de codinome  Pré-Caju, uma vez que estes castelos juntamente com as autoridades do Estado mobilizam-se e preparam-se para receber turistas de âmbito nacional e quiçá internacional.

            Daí, dinheiro para aparelhar e equipar a cidade é igual a lucro para os hoteleiros. Claro, não deve-se restringir o campo de visão e diagnosticar somente máculas nesse fluxo vertical. O setor de turismo gera emprego, fortalece o setor informal, enaltece a economia.

Os hoteleiros investem na qualificação dos membros internos ou contratam novos trabalhadores, que desde já necessitam estar em sintonia com o segmento turístico. E isso exige que o candidato seja pelo menos bilíngüe (com fluência e conhecimento em inglês e espanhol), que conheça as cordialidades dos tratamentos pessoais, para deste modo, garantir o intercâmbio cultural e o retorno do hóspede. 

Elício Lima, 34 anos, supervisor operacional do Hotel Real Classic, afirma que há pouco tempo eles abriram vagas para quem estivesse interessado em trabalhar. “Nós criamos um site e anúnciamos no Cinform, e as pessoas foram enviando seus currículos. Marcamos o dia das entrevistas e logo selecionamos as pessoas. Todas as escolhidas tinham potenciais direcionados à área pretendida, sabiam falar ao menos duas línguas e tinham feito curso preparatório no SENAC”.

Gabriela Santos, 32, gerente do Aquários Praia Hotel, mostra-se otimista quanto ao turismo local. “É nessa época que os hotéis estão lotados de pessoas vindas de fora, e isso é bom para nós e para os que se alimentam do turismo de Aracaju”, afirma. Mas, isso é bom para quem? Para o Estado, que com a renda arrecadada planeja apoiar os segmentos marginais? Ou para os donos dos Hotéis, que acumulam mais capitais financeiros e simbólicos?

            Todos os anos, emissoras de TV e Jornal impresso abordam o Verão e o Pré-caju de maneira repetitiva e prolixa. As entrevistas cedidas por todos que estão envolvidos com o mercado turístico são sempre positivistas.

De acordo com informações cedidas pelo Secretário-adjunto do Estado do setor de Turismo, José Roberto Lima, à Agência Sergipana de Notícias (ASN) em média, o turista deixa R$ 100 por dia no destino. “Juntando com a compra dos abadás, contratação de serviços para o turista e mercadorias, isso gera, ao final do mês cerca de R$ 30 milhões”, ratifica. Enquanto estes festejam  a oba-oba da prévia carnavalesca, no  Bairro Santa Maria, por exemplo, pessoas ligadas ao tráfico de drogas  arquitetam armas caseiras e espalham mais terror para a comunidade. Por isso, cabe perguntar outra vez: O Pré-Caju é bom para quem?

“O que é verdadeiramente sergipano na culinária?”

Posted in Cultura by micheletavares on 19/01/2010

O questionamento feito por um gerente de Alimentos e Bebidas, com formação no Instituto Argentino de Gastronomia, é rebatido por cozinheiras de Sergipe

Por Júnior Santos / Edição: Thiago Vieira

 A cidade de São Cristóvão não abriga somente patrimônios históricos, lá também é possível encontrar preciosidades da culinária típica sergipana. No bar da Dona Edileide Brota, localizado na Praça da Matriz, há uma variedade de caldinhos de mariscos típicos da região litorânea do nordeste que ganham um toque especialmente sergipano nas mãos da proprietária do local. Porém, um dos seus pratos mais elogiados, que ela não fornece aos clientes, somente aos amigos (e eu tenho a sorte de estar nesse grupo), é a ostra com mamão verde. Passado de mãe para filha, a modesta cozinheira afirma: “A idéia de unir o marisco a fruta é originária de minha mãe, uma mulher sergipana. Essa receita tem raiz.”

Como afirmou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, a culinária sergipana é encontrada nas cozinhas dos lares, praticada por donas de casas que se dedicam ao hobby e unem os mais diversos alimentos, provenientes do Estado, para a composição dos seus pratos.

Rita Alves faz uma mariscada com pitada sergipana. Fonte: Site Clica Brasilia.

A funcionária do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Sergipe, o CREA, Rita Alves, de 42 anos, nas horas vagas dedica-se a cozinhar para o seu filho, seus familiares e amigos, e confessa que adora reunir as pessoas que gosta ao redor da mesa, na companhia de um bom alimento, para jogar conversa fora. “Cozinhar é um prazer. Reúno a família, amigos, para apreciarem meus pratos e conversamos”. Um dos pratos que mais é elogiado por quem prova é mariscada, um mistura das carnes de caranguejo, siri, guaiamum, no leite de coco e óleo de dendê, além da adição do camarão e outros elementos que são segredos da autora da delícia culinária. “O prato, mesmo com o dendê e o leite de coco, não fica tão forte, porque faço o equilíbrio com outros alimentos que não posso falar, senão conto o meu segredo. (risos)”.

A culinária sergipana é rica por temperos específicos que diversificam o sabor dos alimentos, entre eles, o uso do coentro em grande parte dos pratos culinários. Dentre as suas especialidades estão as comidas relacionadas às espécies litorâneas, fáceis de serem encontradas devido ao ativo movimento da atividade pesqueira. Mesmo estando presente nos estados litorâneos do nordeste, o caranguejo, o guaiamum e o pitu, ganham um sabor único e especial no Estado de Sergipe, devido a diversidade dos elementos que compõem o prato.

Leda Vieira reúne a família com a sua torta de macaxeira.

Outro grande atrativo da culinária sergipana são os pratos que levam raízes na sua composição. Por ser fácil de encontrar e ter um baixo custo, a diversidade no uso das raízes vai desde bolos, como o de macaxeira, a tortas recheadas. A professora aposentada Leda Vieira, 61 anos, costuma agradar seus filhos e netos com um dos pratos mais disputados de sua casa, a torta de macaxeira recheada com carne de charque e calabresa. “Quando digo que vou fazer a torta, todos querem vir comer. Costumo usar sempre os alimentos provenientes do Estado, já que o preço é menor e é mais fácil de ser encontrado. Além de estar valorizando a culinária local.”, explica.

Por volta do mês de junho, Sergipe se torna palco de um dos maiores eventos do Nordeste, os festejos juninos. Com uma dimensão nacional, a festa atrai milhares de pessoas para as cidades que dispõem de uma programação cultural. A culinária se adapta as celebrações, e ganha variações alimentícias, em sua grande parte, tendo o milho como ingrediente principal, a exemplos do bolo, canjica e mungunzá.  A moradora da cidade de Capela, Maria Rita, 63 anos, uma cozinheira de “mão-cheia”, como é conhecida na vizinhança, aproveita o ensejo das festas para conseguir um dinheiro extra. “Cozinhar pra mim é um prazer. E, como posso aliar o útil ao agradável, fico mais feliz ainda.”. Maria também vende doces, como a cocada branca, e outros pratos típicos como o beijú de tapioca.

Contudo, mesmo com uma enorme variedade de alimentos e temperos típicos do Estado, a maior parte dos turistas acaba não conhecendo essas especificidades locais. Os grandes hotéis, localizados na Praia de Atalaia, não dispõem de um cardápio que englobe as comidas típicas de Sergipe, a exceção do café-da-manhã que é onde se encontra o cuscuz, o beijú e sucos de frutas, como o de mangaba, fruta muito consumida pelos sergipanos. No mais, são servidos alguns petiscos, como a casquinha de caranguejo ou de siri, e alguns drink’s com frutas regionais.

Um dos mariscos mais procurados em Sergipe, o caranguejo. Fonte: MondoBelem.wordpress.

Em conversa com o gerente de Alimentos e Bebidas do Hotel Mercure, da rede Accor, Cleiton Bernades, 36 anos, especializado na área pelo Instituto Argentino de Gastronomia, nota-se que essa não disponibilização de comidas típicas se deve a falta de procura dos turistas por esses alimentos dos hotéis. “Geralmente quando querem (os turistas) comer algo típico como o caranguejo, pirão, carne do sol, eles vão aos bares da praia. Aqui somente procuram por petiscos e drink’s”. E ainda questiona: “O que é verdadeiramente sergipano na culinária?”. Já os grandes restaurantes, também localizados à beira mar, em sua maioria fornecem comidas de outras nacionalidades, como a japonesa e italiana, ou então, limitam-se aos alimentos regionais, dispensando o uso de temperos locais. Um dos poucos que faz jus a comida típica de Sergipe é o restaurante Pirão da Eliane. Com um cardápio predominantemente local, traz os mais variados mariscos do litoral acompanhado de um pirão, temperado de uma “forma sergipana”. Já foi aprovado até pela cantora Isabella Taviani, que fez uma visita a Sergipe no início do mês de janeiro deste ano e relatou na sua página do Twitter: “… comemos Pitu com Pirão da Eliane, e o caldinho de Sururu daqui barrou o de Salvador! Campeão!”.

O caldinho de sururu sergipano foi aprovado pela cantora Isabella Taviani. Fonte: 1.bp.blogspot.

A questão levantada pelo gerente de alimentos e bebidas Cleiton Bernades, sobre a questão da autenticidade da culinária sergipana pode ser respondida pelo exemplo das três mulheres do início do texto, que mesmo com elementos regionais, presentes em outros Estados, são capazes de dar um toque sergipano aos alimentos. Como disse o ministro Gilmar Mendes, não é necessário ser um profissional diplomado para cozinhar bem e capacitar a culinária, fornecendo um sabor local.

SER BELO, SAUDÁVEL OU OS DOIS?

Posted in Comportamento, Saúde by micheletavares on 18/01/2010

Com a chegada do verão aumenta a procura por academias e clínicas de estéticas. Tudo isso sem orientação médica. Quem paga o preço?

Foto: Larissa Regina

Por Larissa Regina
Será que vale a pena colocar sua saúde em risco para alcançar o corpo perfeito? Essa é a pergunta que muitos médicos fazem a seus pacientes quando estes perdem o controle diante de academias, salões de beleza, regimes mirabolantes entre tantos outros tipos de comportamento que extrapolam os limites e provocam autodestruição.

Foto: Larissa Regina

Com a chegada da estação mais quente do ano, a capital sergipana fica repleta de jovens e adultos que procuram ficar “em forma” e obter o que eles costumam chamar de “corpo sarado”, ou seja, um corpo definido sem as temidas gorduras localizadas, estrias ou celulites. Eles recorrem a tudo: academias, dietas, spar’s, tudo que lhes prometa um emagrecimento rápido e músculos bem definidos. O grande problema é quando há exagero, descontrole e principalmente falta de orientação médica. É o que afirma a especialista em medicina estética, Dr.ª Claudia Maria Queiroz Santa Rosa Palon, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.

Já a dona de casa Carmem dos Santos Farias, 38 anos, que freqüenta academia há 2 anos e meio, alega que mesmo sem orientação médica se sente melhor ao praticar duas horas de bicicleta por dia, além de malhar mais 2 horas diárias, cinco vezes por semana. “Não me sinto nem um pouco mal, minha auto-estima melhorou bastante. Depois de duas filhas e um casamento tenho que manter em forma, já estou com uma certa idade e acredito que mesmo sem orientação médica estou indo pelo caminho correto, pois me sinto muito feliz.”

Os especialistas afirmam que exercícios físicos e mudanças alimentares devem ser acompanhas por profissionais capacitados. Uma dieta pode fazer bem a uma pessoa, mas trazer prejuízos a outra, pois cada organismo funciona de um jeito diferente. O mesmo acontece com a atividade física, que se

praticada de qualquer maneira pode sobrecarregar o organismo do indivíduo, provocando a formação de radicais livres e a morte das células. A maioria das pessoas acredita, por falta de informação ou por simples ignorância, que a quantidade de exercícios praticados ou a pouca quantidade de alimentos ingeridos é decisivo para o sucesso de um emagrecimento, porém segundo endocrinologistas a questão é bem mais complexa, pois varia de acordo com o metabolismo de cada indivíduo, por isso a importância da orientação médica.

Nesta época do ano, dentre os meses de outubro e março, há uma procura maior por centros de estética e academias em contrapartida com a minimização da procura por médicos por se tratar de um período geralmente de férias infantis onde há um recuo nas consultas. “Não tenho tempo de ir ao médico, pois tenho duas filhas em idade escolar, não consigo conciliar tudo. Eu até vou ao médico, mas para fazer exames de rotina, nunca vou a especialistas”, diz Carmem.

Mas não é só em academias que se cometem esses tipos de exageros. Há uma grande procura por clínicas de estéticas e salões de beleza nesta época do ano. Milhares de sergipanos se dirigem a esses tipos de estabelecimentos com a esperança e a promessa de conseguir não só o corpo perfeito, mas a aparência perfeita, algo que somente nestes locais há como se alcançar, afirmam muitos deles.

Pessoas como Jéssica Azevedo, uma jovem de 22 anos, se submetem a tratamentos estéticos a base de formol, mesmo sabendo que esse tipo de substância química, em grande quantidade, pode causar sérios danos à saúde. “Não me importo em correr um pequeno risco para ficar bonita, meu cabelo é difícil de ser tratado, é volumoso, tenho que utilizar essas técnicas para torná-los mais tratáveis”, diz Jéssica que afirma não haver perigo nenhum em utilizar pequenas quantidades de formol, além de ser uma assídua frequentadora de academia sem orientação médica.

Na visão da Dr.ª Cláudia Palon essas pessoas, (que podem ser de qualquer idade), só alcançarão um equilíbrio entre saúde e estética quando tiverem um autoconhecimento e um equilíbrio psicológico e emocional.

Por fim, é preciso salientar que a conscientização e a responsabilidade com o próprio corpo é o fator mais importante ao deparar com uma insatisfação na aparência, afinal o nosso corpo é quem sofrerá com as consequências de seu mau uso.

TRANSTORNOS ALIMENTARES

ANOREXIA X BULIMIA

Fonte: Google

Para algumas pessoas conviver com a própria aparência não é nada fácil. Às vezes ser baixo demais, magro demais, alto demais ou gordo demais incomoda. Raramente as pessoas se consideram adequadas aos padrões de beleza impostos pela sociedade ou pela mídia. Muitas pessoas convivem e aceitam isso normalmente, mas para uma parte da população jovem é impossível viver sem ter o padrão de beleza da modelo Gisele Bünchen.

Menina com trantornos alimentares.

Menina que sofre com a anorexia.

Na lista dos transtornos alimentares mais comuns está a bulimia e a anorexia. Tanto no sexo masculino quanto no feminino, geralmente na adolescência, esses transtornos se desenvolvem de forma parecida. A anorexia caracteriza-se por uma sensação de estar gordo, mesmo que o indivíduo esteja em ótimas condições físicas, consumindo-se em dietas mirabolantes chegando a parar de comer, por isso pode tornar-se uma doença fatal. Na bulimia, o indivíduo sente extrema culpa por comer, forçando o vômito após as refeições, tomando diuréticos e laxantes para expulsar toda e qualquer comida que haja em seu organismo, gerando queda de pressão, problemas dermatológicos, suspensão da menstruação (em casos femininos), entre outras consequências.

Na busca pela cura da anorexia os resultados são preocupantes: apenas 30% conseguem a cura total, 35% voltam a engordar e tem recaídas e, infelizmente, apenas 10% nunca acham cura para sua patologia, morrendo por sua extrema magreza ou cometendo suicídio. Na bulimia os resultados são mais animadores, pelo menos metade dos pacientes tem uma recuperação absoluta. Psicólogos afirmam que a companhia e apoio familiar são imprescindíveis para a recuperação do paciente.

Sintomas comuns anorexia e bulimia
anorexia bulimia
a. recusa em manter o peso na proporção normal para idade e estatura x x
b. medo intenso de engordar, mesmo que com peso abaixo do normal x x
c. auto-avaliação alterada do peso e forma do corpo x x
d. amenorréia x .
e. episódios recorrentes de comer-compulsivo . x
f. comportamento compensatório inadequado: vômitos, laxantes, diuréticos, jejum, exercícios . x
g. episódios com ocorrência média de ao menos 2 x / semana, por 3 meses x x
h. auto-estima influenciada pelo peso e forma corpo x x

Tabela adaptada do site http://gballone.sites.uol.com.br


Acima de 2009!

Posted in Uncategorized by micheletavares on 18/01/2010

Com o crescimento do turismo em Aracaju, o setor hoteleiro adquire nova visão na tentativa de se adequar às necessidades do mercado.

Por Tainah Quintela

Editado por Etienne Fonseca

“Jô Soares, o magro”. Foi assim que se apresentou o senhor João Soares, 75 anos disfarçados por tamanha energia. Desde 1968, o baiano vem à Aracaju a cada quinze dias para dançar. “Danço de tudo: bolero, forró, samba, o que tocar!”. O simpático senhor afirma que nesses mais de quarenta anos que vem à cidade acompanhou mudanças intensas tanto no ramo de hotéis e pousadas como nos restaurantes e no comércio em si. A orla que antigamente só dispunha de um restaurante como referência de ótimos serviços, o Tropeiro, hoje não deixa a desejar com a variedade de novos e distintos empreendimentos. As falhas, ressalta, concentram-se na precariedade dos transportes públicos e na distância entre o calçadão e o mar. Ademais, tudo muito bom e a prefeitura está trabalhando magnificamente bem! “Se você puser um regular, bom ou ótimo… Eu vou optar pelo ótimo”, comenta o Jô.

Unânime. Há uma pontinha de esperança em relação ao ano de 2010 no que diz respeito a progressos econômicos. No ramo hoteleiro não é diferente. Não é só o senhor João que enxerga pontos positivos no ano que se inicia. A imagem que se tem a respeito dos hotéis e pousadas de Aracaju é vaga. Imagina-se que uma cidade de pequeno porte não seja adaptada à recepção de um grande contingente de turistas diariamente e que o que há de ocupação deve-se ao turismo de lazer somente. “O turismo empresarial, no entanto, é o principal gerador de receita na hotelaria local”, declara Tereza Sobral, do Departamento de Reservas do Quality Hotel Aracaju. Ainda que passem um tanto despercebidas, empresas como a Vale, a Votorantim, a Petrobras e suas terceirizadas representam grande porcentagem da ocupação semanal. O turismo de lazer ganha seu destaque em fins de semana, feriados e mais ainda em temporadas com grandes eventos proporcionados em geral pelo Estado.

Durante o período de férias compreendido entre o final de novembro de 2009 e janeiro de 2010 houve uma acentuada procura pela tranqüilidade  e pelo calendário festivo da cidade. É aí que entram os investimentos governamentais em projetos culturais, prévias carnavalescas, festas municipais e passeios turísticos por todo o Estado. A superlotação no ramo hoteleiro não tira o perfil de negócio que apresenta a hotelaria da cidade, mas obviamente representa toda uma mudança na rotina diária. Apesar das atrações da festa de Reveillon 2010 não terem aglomerado um público tão extenso desta vez na orla, os principais hotéis apostaram mais uma vez em confraternizações particulares. A exemplo disso, Parque dos Coqueiros, Real Classic, Quality, Bello Mar, Radisson, Mercure, dentre outros obtiveram lucros à parte com festas fechadas para hóspedes e passantes (clientes interessados apenas na festa).

Em entrevista ao Aracatinet.com, o ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis secção Sergipe (ABIH/SE), Diego Costa, afirma que a expectativa é de que haja um aumento no índice de ocupação na capital sergipana para toda esta temporada. “Estamos nos preparando para utilizar de 8 a 10 mil leitos diariamente, afinal tem crescido a procura por nosso município como destino turístico, pois ele se desenvolve com boas condições de limpeza e organização”, declara Costa.

Em parceria com o Governo de Sergipe, a prefeitura de Aracaju trabalhou no recapeamento das avenidas, na reconstrução e reforma de pontos turísticos e na revitalização de bares a fim de melhorar a estadia das pessoas que vêm à cidade. Essas e outras medidas certamente contribuem para a circulação do capital em variados setores, dentre eles o hoteleiro, indispensável para acomodação daqueles que são atraídos à capital.

O perfil do turista que vem a Aracaju é de famílias e casais em busca de lazer e descanso nas altas temporadas. Todavia, a cidade assume uma posição empresarial durante todo o ano, principalmente de segunda à sexta. Como prova disso, nota-se que os hotéis têm investido cada vez mais em espaços e serviços para eventos, solicitados por grandes empresas que passam por aqui. O gerente do Aruanã Eco Praia Hotel, Gustavo Barreto, lembra que há três anos, antes dos novos empreendimentos, o mercado turístico era melhor. Houve um nivelamento das tarifas, ocasionado pela acirrada concorrência. “Atualmente, hotéis classificados como quatro estrelas chegam a concorrer em valores com hotéis considerados de luxo, cinco estrelas”, explica.

Há vários fatores que influenciam nos rumos que as redes hoteleiras tomam. O aeroporto de Aracaju era pra ser internacional, mas o espaço não é aproveitado e ainda deixa a desejar no que diz respeito a infraestrutura e conforto. Talvez tal deficiência passe despercebida pelo fato do maior fluxo de vôos se concentrar durante a madrugada, mas é inegável o quanto Aracaju perde por falhas como essa. Gustavo afirma ainda que, mesmo com certas carências na estrutura, a perspectiva para 2010 é de crescimento e superação em relação aos últimos dois anos. A assistente de gerência do IBIS Hotel, Larissa Bertolini, confirma: “É no período que vai de novembro a meados de fevereiro que a procura dos turistas por lazer aumenta”.

Para o proprietário da Pousada Atalaia, Jorge Roberto, a divulgação tem sido um impulso indispensável por parte do governo. “O pessoal vem de fora já com uma noção da cidade, dos pontos turísticos”. No entanto, ele chama ainda atenção para o fato de que mais importante que trazer gente para a cidade, é reparar detalhes tais como água (que é barrenta) e energia (que sofre quedas constantemente) na principal área que recebe esse grande contingente: o bairro Atalaia. Jorge era da Petrobras e há dez anos voltou-se para o ramo turístico, conseguindo nesse tempo transformar uma casa numa pousada das mais recomendadas na cidade e símbolo de hospitalidade. O paulista dá a fórmula para tamanho progresso: “Trabalho aliado ao bom atendimento e jogo de cintura.” E reforça: “A divulgação é tudo!”.

Washington Bill, recepcionista do Bello Mar Hotel, informa que a maior parte dos turistas é formada por baianos que vêm para prestigiar a cidade portadora da mais bela orla do Brasil, segundo tantos apreciadores. E os atrativos não se limitam à Aracaju, conta também com outros pontos espalhados pelo Estado, como os Canyons de Xingó, obra humana que chega a ser confundida com obra da natureza.

Segundo o jovem, o governo apóia a rede hoteleira indiretamente, atuando na área trabalhista (através do sindicato), promovendo eventos e desenvolvendo projetos culturais. “O que atrai mesmo são os eventos do governo”, ressalta. Ele diz ainda que proporcionalmente, comparada às metrópoles brasileira, como Rio de Janeiro e São Paulo, Aracaju dispõe de uma boa estrutura. Questionado sobre a perspectiva, ele afirma com ênfase: “Acima de 2009”.

As cariocas Conceição Alves e Erondina Rodrigues chegaram aqui no último sábado, 16, numa excursão pelo Nordeste e aprovaram a cidade e todo o atendimento dos profissionais. Conceição veio pela primeira vez e elogia: “A cidade é limpa…É o tipo de lugar que, se eu tivesse um poder aquisitivo maior, viria todos os anos a passeio.” Erondina também não esconde a satisfação: “Aqui é tranqüilo, voltamos da rua tarde para o hotel e até agora não vi perigo nenhum, o pessoal aqui é cordial, o tratamento é muito bom!”. Assim como o senhor João, ela também reclama da distância do mar, no entanto expressa, satisfeita: “Pretendo voltar”.

Apesar das divergências em relação à estrutura que Aracaju tem a oferecer, gerentes, funcionários e turistas concordam num ponto: o ano de 2010 surge com uma margem para investimentos e apostas em geral no mercado hoteleiro. Entre falhas e acertos, o Estado vem trabalhando na geração de renda para a população. Obviamente é necessário melhorar em muitos aspectos, mas o clima de instabilidade que permeou o País entre 2008 e meados de 2009 vem sendo superado por uma nova visão empreendedora.