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As duas faces de Aracaju

Posted in Uncategorized, Utilidade Pública by micheletavares on 19/01/2010

No período do Pré-caju quem canta é a discrepância 

por Karina Garcia

         Os hotéis da Orla de Atalaia, em Aracaju, são verdadeiros palácios se comparados a outros bairros da cidade. Nesta região, todas as problemáticas de saneamento básico, de falta de estrutura, de segurança, de postos de saúde, entre outros, parecem ser até ficção. É a verdadeira Paris no menor Estado do Brasil.

      A bipolarização das camadas sociais intensifica-se ainda mais no período da prévia carnavalesca, de codinome  Pré-Caju, uma vez que estes castelos juntamente com as autoridades do Estado mobilizam-se e preparam-se para receber turistas de âmbito nacional e quiçá internacional.

            Daí, dinheiro para aparelhar e equipar a cidade é igual a lucro para os hoteleiros. Claro, não deve-se restringir o campo de visão e diagnosticar somente máculas nesse fluxo vertical. O setor de turismo gera emprego, fortalece o setor informal, enaltece a economia.

Os hoteleiros investem na qualificação dos membros internos ou contratam novos trabalhadores, que desde já necessitam estar em sintonia com o segmento turístico. E isso exige que o candidato seja pelo menos bilíngüe (com fluência e conhecimento em inglês e espanhol), que conheça as cordialidades dos tratamentos pessoais, para deste modo, garantir o intercâmbio cultural e o retorno do hóspede. 

Elício Lima, 34 anos, supervisor operacional do Hotel Real Classic, afirma que há pouco tempo eles abriram vagas para quem estivesse interessado em trabalhar. “Nós criamos um site e anúnciamos no Cinform, e as pessoas foram enviando seus currículos. Marcamos o dia das entrevistas e logo selecionamos as pessoas. Todas as escolhidas tinham potenciais direcionados à área pretendida, sabiam falar ao menos duas línguas e tinham feito curso preparatório no SENAC”.

Gabriela Santos, 32, gerente do Aquários Praia Hotel, mostra-se otimista quanto ao turismo local. “É nessa época que os hotéis estão lotados de pessoas vindas de fora, e isso é bom para nós e para os que se alimentam do turismo de Aracaju”, afirma. Mas, isso é bom para quem? Para o Estado, que com a renda arrecadada planeja apoiar os segmentos marginais? Ou para os donos dos Hotéis, que acumulam mais capitais financeiros e simbólicos?

            Todos os anos, emissoras de TV e Jornal impresso abordam o Verão e o Pré-caju de maneira repetitiva e prolixa. As entrevistas cedidas por todos que estão envolvidos com o mercado turístico são sempre positivistas.

De acordo com informações cedidas pelo Secretário-adjunto do Estado do setor de Turismo, José Roberto Lima, à Agência Sergipana de Notícias (ASN) em média, o turista deixa R$ 100 por dia no destino. “Juntando com a compra dos abadás, contratação de serviços para o turista e mercadorias, isso gera, ao final do mês cerca de R$ 30 milhões”, ratifica. Enquanto estes festejam  a oba-oba da prévia carnavalesca, no  Bairro Santa Maria, por exemplo, pessoas ligadas ao tráfico de drogas  arquitetam armas caseiras e espalham mais terror para a comunidade. Por isso, cabe perguntar outra vez: O Pré-Caju é bom para quem?

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