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Faça chuva ou faça sol, o aeroporto de Aracaju passa por problemas

Posted in Uncategorized, Utilidade Pública by micheletavares on 19/01/2010

Se o céu está aberto, o clima do saguão do aeroporto Santa Maria fica insuportável devido à falta de climatização. Se fica nublado, é possível que vôos sejam cancelados.

Por Etienne Fonseca/ Edição: Júnior Santos

Pista de vôo do aeroporto de Aracaju. Foto: Etienne Fonseca

O que seria de uma cidade turística sem os turistas? Essa pergunta pode até parecer sem sentido, mas isso quase aconteceu em Aracaju, nessas férias. Em meados de dezembro de 2009, a Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC) informou nota dizendo que talvez fosse preciso cancelar a venda de passagens aéreas e até fechar o aeroporto da cidade caso chovesse. O motivo: a pista de pouso e decolagem não atendia aos padrões de segurança estabelecidos pela ANAC, o que poderia por a vida dos passageiros em risco. No dia 30 do mesmo mês, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária(Infraero) finaliza as obras na pista, normalizando a situação no aeroporto. As empresas aéreas estavam enfim liberadas a vender suas passagens sem restrição. Resumindo: o problema maior foi resolvido, por enquanto.
A Infraero realiza o desemborrachamento uma vez por ano na pista de pouso. Esse processo consiste em fazer a retirada da borracha que fica presa ao asfalto e é de extrema importância para a segurança dos usuários. A presença de borracha na pista diminui o atrito e o chão fica mais escorregadio, podendo causar derrapagens.
Segundo a Infraero, esse trabalho de manutenção da pista é realizado todo mês de março. Mesmo assim, foi preciso realizar outros dois processos da mesma natureza no mês de dezembro. Fazemos o desemborrachamento uma vez por ano, no mês de março. Mesmo assim, a ANAC achou melhor que antecipássemos o processo e foi o que aconteceu”, explica o superintendente do aeroporto, Luiz Alberto Bittencourt.

Pela manhã o saguão do aeroporto fica praticamente vazio. Foto: Etienne Fonseca

Essa medida de emergência foi tomada devido a uma mudança que aconteceu na legislação em maio de 2009. A nova resolução prevê que caso a pista apresente atrito abaixo do nível estipulado, os vôos sejam proibidos. A medição de atrito foi feita pela Infraero em março do ano passado e a ANAC foi notificada de que o nível estava abaixo do normal. “Agora, eles proíbem os vôos. Antes, só era para tomar mais cautela”, completa o superintendente.
Algumas reclamações
O aeroporto de Aracaju não possui um posto de primeiros socorros, destinado ao atendimento médico. Segundo a Infraero, não há necessidade em implantar uma unidade de saúde no local devido ao pequeno fluxo de pessoas. A legislação prevê postos de atendimento em aeroportos com mais de 1 milhão de passageiros por ano, o que não é o caso de Aracaju. “Isso acontece até mesmo em aeroportos internacionais, caso apresentem pouco movimento”, argumento o superintendente do aeroporto.
Entretanto, uma ambulância fica disponível no pátio interno do aeroporto. Ela serve para o deslocamento de pessoas que venham apresentar alguma anormalidade clínica. “A pessoa é conduzida a uma unidade de saúde do Estado”, explica Idelfonso Brás Bonfim Neto, chefe da Agência de Vigilância Sanitária(Anvisa). O órgão também tem um plano de contingência para controle de endemias, que são doenças típicas da região.
Na época em que teve o surto de gripe suína, por exemplo, foram desenvolvidas atividades especiais por parte da Anvisa. O órgão teve que se adequar a essa nova situação e tomar medidas para controle da epidemia. Primeiramente, era preciso fazer uma notificação à Anvisa sobre casos suspeitos, que poderia ser feita por meio de comissários de bordo ou diretamente aos fiscais do órgão. Depois, o indivíduo era encaminhado à sala da Anvisa, onde preenchia um termo de controle de viajante, contendo os sintomas apresentados e os seus dados pessoais(endereço, nome completo). Essas pessoas eram encaminhadas para o Hospital João Alves e ficavam em uma área isolada. “Tivemos dois casos, mas não foram confirmados”, afirma o chefe da Anvisa.
No tocante ao fornecimento das máscaras e do álcool fel como equipamento de proteção individual(EPI), a Anvisa afirma que isso é de responsabilidade das empresas aéreas.

Serviço de informação de vôo, que é mantido pela taxa de embarque. Foto: Etienne Fonseca

Outra queixa constante por parte dos passageiros e usuários do aeroporto é referente à climatização do local. Não existe ar-condicionado no saguão, um problema que se agrava ainda mais nessa época do ano, em pleno verão. “Imagina ficar esperado o vôo nesse calor”, comenta Delúcia dos Santos Barbosa supervisora da cafeteria.
A falta de policiamento também é um problema. Quando há policiais no local, eles geralmente ficam em salas da Infraero. “A Polícia Militar não tem um posto fixo no aeroporto”, diz Bittencourt. Mas, mesmo assim, a Infraero considera o local seguro. O circuito de TV e os vigilantes contratados pelo órgão dão ao mesmo a certeza de que o aeroporto é um local seguro. Só que esses vigilantes apenas verificam as condições de segurança, não podem agir em caso de assalto, por exemplo, e não andam armados.
O aeroporto é carente também no quesito prestação de serviços. Há poucos locais para se alimentar, apenas uma banca de revista e nenhuma farmácia. “O turista também reclama da falta de lanchonetes”, explica Raquel Ferreira da Silva, empresária. As poucas lojas existentes no local não atendem à demanda dos usuários. Quem precisa comprar créditos para celular, só tem como opção o posto do Correio. Mesmo assim, a venda de recarga é feita apenas para duas operadoras. Se o turista for cliente dessas empresas, sorte dele. Caso contrário, ele fica sem realizar ligações.
Aracaju vem ganhando importância como ponto turístico. Prova disso é a vinda de uma nova empresa aérea à Aracaju, a Noar, que já fechou contrato com o aeroporto, mas ainda não começou a atuar. Atualmente, três empresas operam no aeroporto Santa Maria: a Gol, a Tam e a Oceanair. Para acompanhar esse crescimento, o governo do estado em parceria com a administração do aeroporto, Infraero e ANAC, estão planejando ampliar a pista de pouso. “ O projeto ficará pronto até metade desse ano”, garante o supervisor do aeroporto. O pátio para aeronaves passará de 2.200 m para 2.970, previsto para 2011. O chefe da ANAC, Emanuel Caio de Góis, foi procurado pela equipe de reportagem do blog para falar sobre o assunto, mas não quis dar entrevista.

Uma das salas da Infraero, localizada no piso superior do aeroporto. Foto: Etienne fonseca

“Nosso aeroporto tem uma estrutura adequada à nossa realidade”, afirma o superintendente do aeroporto. Com o turismo em desenvolvimento, Aracaju vem sofrendo mudanças, configurando uma nova realidade, que deveria ser refletida na estrutura do aeroporto também.

Curiosidades sobre o aeroporto Santa Maria

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