Técnica de Produção, Reportagem e Redação Jornalística

Câncer de pele: Como se previnir desse mal?

Posted in Saúde by micheletavares on 07/02/2010

Por Mayana Macedo

“Nunca deixem de usar filtro solar! Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro, seria esta: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência; já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante”.

(Trecho da canção: Filtro Solar-Pedro Bial/composição: Mary Schimch)

 

O uso de protetores solares é imprescindível em qualquer época do ano, mas o verão é a estação do ano que mais coloca as pessoas em alerta para os perigos eminentes que as mesmas correm ao se exporem demasiadamente ao sol sem fazer uso de protetores solares. Recentemente, a Pro-Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) realizou testes para analisar a eficiência de 10 marcas de protetores solares fator 30 (Sundown, Natura Fotoequilíbrio, Nívea, Avon, Hélioblock da La Roche-Posay, Cenoura & Bronze, L’ Oréal Expertise, Banana Boat, Episol Loção Oil Free e Coopertone Loção ).

Os testes avaliaram a quantidade de informações nos rótulos, a qualidade das substâncias em sua composição, a chance de causar irritabilidade, o grau de proteção, a resistência à água e sua textura. Os resultados não agradaram a maioria dos fabricantes dos produtos analisados já que oito das 10 marcas analisadas foram reprovadas. Há quem se surpreenda: em quase todas as marcas foi encontrada a substância benzophenone-3 que é altamente cancerígena, exceto no Hélio Block da La Roche, Cenoura & Bronze e L’ Oréal Expertise, essas duas últimas marcas citadas anteriormente foram as únicas aprovadas pela Pro- Teste.

O sol faz bem a saúde quando se respeita os seus limites. O sol é essencial para a produção e absorção da vitamina D pelo organismo. E a vitamina D, por sua vez, está envolvida na formação do cálcio, responsável pela estrutura dos ossos. Mas, o sol pode se tornar vilão quando há exposições das 10h às 16h. A exposição em excesso pode causar danos irreversíveis à pele, que vão desde o fotoenvelhecimento até um câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, (INCA), estima-se que em 2010 no Brasil cerca de 114.000 novos casos de câncer de pele venham a surgir. Esse número se subdivide em 53.210 homens e 60.440 mulheres.

O câncer de pele é um tumor maligno formado por células da pele que sofreram uma transformação e multiplicaram-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). O melanoma é originado das células que produzem o pigmento da pele (melanócitos), é o câncer de pele mais perigoso. Frequentemente envia metástases para outros órgãos, sendo de extrema importância o diagnóstico precoce para a sua cura. O melanoma pode surgir a partir da pele sadia ou a partir de “sinais” escuros (os nevos pigmentados) que se transformam.

Apesar de ser mais frequente nas áreas da pele comumente expostas ao sol, o melanoma também pode ocorrer em áreas de pele não expostas. Por isso, pessoas que possuem sinais escuros na pele devem se proteger dos raios ultra violeta do sol, que podem estimular a sua transformação. Além disso, qualquer alteração em sinais antigos, como mudança da cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação, surgimento de áreas pigmentadas ao redor do sinal justifica uma consulta ao dermatologista para avaliação da lesão.

Dona Elvira de Freitas, 76 anos, sente literalmente na pele os malefícios causados pelo sol. Há dois anos vive numa luta diária contra um câncer de pele, mas as incalculáveis  sessões de radioterapia trazem esperanças de cura. O histórico de vida dessa senhora foi de uma vida marcada de dificuldades, desde os nove anos quando começou a trabalhar na lavoura para ajudar no sustento da família. “Naquele tempo, a gente nunca tinha ouvido falar em protetor solar se é que isso já existia, a gente ficava o dia todo trabalhando no sol. Hoje, eu sinto os efeitos na pele, tem dias que nem consigo dormir direito”, finaliza Dona Elvira.

Algumas características dos sinais podem recomendar o exame e a maioria dos casos de câncer de pele é fácil de ser detectado já que grande parte dos tumores se desenvolve na superfície da pele, a epiderme. As pessoas mais vulneráveis a apresentarem câncer de pele, são as pessoas de pele branca, olhos claros e que realizam as atividades no sol, por exemplo, garis, agricultores, entre outros profissionais com intensa exposição a luz solar.

Conheça o ABCD do melanoma:

Assimetria- formato irregular

Bordas irregulares- limites externos irregulares

Coloração- variada (diferentes tonalidades de cor)

Diâmetro- maior que seis milímetros

Um bom melodrama!

Posted in Uncategorized by micheletavares on 05/02/2010

Por Tainah Quintela

Resenha de filme: Lula, o Filho do Brasil. 2009, cor, 128 min, drama. Direção: Fábio Barreto; Roteiro: Denise Pará, Fábio Barreto, Daniel Tendler e Fernando Bonassi.

“Lula, o Filho do Brasil é um filme sobre um homem comum, um brasileiro que sai do nada, e se transforma em um homem extraordinário.” Fábio Barreto, diretor.

Um brasileiro comum, acredito, não chega ao cargo de presidente da república sem travar severas batalhas políticas. Tal verdade não foi retratada na produção de cinema brasileiro mais cara, afinal a obra consistiu em contar a história de Luís Inácio (nosso Lula) muito superficialmente, detendo-se a narrar fatos de sua infância, adolescência e até ser preso durante a ditadura militar. A vida política de Lula foi deixada de lado desde este episódio à sua posse no ano de 2003.

Há cenas que vão de encontro ao que é exposto da vida do atual presidente brasileiro, como por exemplo, a existência de Miriam Cordeiro, antiga namorada de Lula que supostamente foi abandonada grávida pelo mesmo. Outra discordância remete à cena em que durante uma greve em 1962, Lula (ainda sem qualquer indício de participação sindical) ao ver os operários jogando o proprietário da fábrica do alto do prédio se revolta. No livro que inspirou o filme, ao contrário, ele diz que se estava “fazendo justiça”.

Entre discordâncias e filmagens que contrariam a verdadeira histórica do presidente, há suspeitas de que toda a produção tenha um propósito óbvio: político. Este ano de 2010 é de eleições e a cada dia que passa a competição, a luta pela presidência se itensifica. O filme emociona demasiadamente, o que de certa forma conquista “o povo” e confere a Lula uma imagem mitificada, de confiança.

O elenco, que contou com as atrizes Glória Pires, Cléo pires e Juliana Baroni, dentre outros profissionais, não deixou a desejar. Filmagem e reprodução fiel no que diz respeito à vida sofrida do brasileiro que vê-se obrigado a migrar em busca de melhores condições de vida, também fizeram jus aos investimentos. O ator Rui Ricardo Diaz reforça o empenho da produção em assemelhar bem a obra a Lula: “Mais do que buscar a voz exata, eu tinha que encontrar o olhar, construir um personagem verdadeiro, sem exagerar. E para isso, eu tinha que ser sincero.” Como “melodrama épico” a obra encaixa perfeitamente. Assim o diretor Fábio Barreto definiu sua ideia em relação ao filme, despreocupado com o possível uso de sua produção como instrumento de campanha política.

É realmente para emocionar, para fazer refletir as condições em que sobrevive uma parcela acentuada da população. Até porque no contexto histórico, podemos atribuir vários ocorridos ao que se passava no país na época. A morte da primeira esposa de Lula, que teria contraído hepatite, refletiu o momento em que o Brasil detinha alto índice de morte no parto; a migração da família dele também reforça um tema recorrente no país. Em geral, em termos de drama e cinema brasileiro, Fábio e produção acertaram em cheio. Mas a luta de Luís Inácio para chegar ao cargo de presidente da República poderia ter sido mais exposta, melhor detalhada. “Lula, o filho do Brasil”, tinha tudo para mostrar mais que alguns minutos de apoio aos metalúrgicos e conflitos internos.

Para os interessados  em entender ao menos a origem do nosso governante, vale a pena! É mesmo um bom, ótimo melodrama.

 

(Trailler Oficial do Filme.)

Big Brother Baixarias!

Posted in Uncategorized by micheletavares on 05/02/2010

Por Tainah Quintela 

Há até três anos considerei interessante acompanhar a forma como cada pessoa pode reagir diante de um confinamento entre outras totalmente diferentes, sem qualquer tipo de laço afetivo de origem.

Embora sempre tenha achado uma jogada de marketing manipulada e manipuladora, considerei o Big Brother Brasil. Ela é a versão brasileira do reality show Big Brother, cuja primeira temporada foi realizada em 1999 nos países Baixos. No Brasil foi ao ar pela primeira vez em 2001, tudo muito novo, digno de análises. A rede Globo investiu pesado (milhões!) e lucrou um pouco mais pesado ainda.

Se tudo se resumisse a tais análises do comportamento humano nesse tipo de confinamento, estaria ótimo. Ainda que a cada saída toda sister recebesse sua propostinha para posar na Playboy tudo estaria na mais perfeita harmonia. O grande problema é: os brothers estão se tornando mais ousados e perdendo a essência do simples jogar. Jogar, formar as famosas panelinhas (complôs) e articular saídas, até armar barracos! Tudo bem até aí. Mas os artistas de 15 minutos (ou mais) de cada temporada estão perdendo a noção do que é moral. O edredom não esconde mais nada e já não se precisa esperar pela noite para usá-lo. Luzes, câmeras, ação: as simples pessoas lá confinadas (que nunca têm queixas pessoais, apenas não possuem afinidades – acredite se quiser) já não se importam em ocultar mais nada. E as cenas a seguir, senhores, contêm nudez, violência e sexo! Horário nobre.

Se é ser antiquado ver nessa transparência toda um abuso explícito, o mundo televisivo hoje está precoce. Demais. Está tirando qualquer possibilidade de conteúdo, já não há mais o que guardar, esconder, ocultar nos bastidores. Hoje só os discursos do grande jornalista Pedro Bial ainda me fariam sentar à frente da telinha depois que termina a novela das oito, e olhe lá!

Sendo mais específica, o Big Brother Brasil 10 surgiu com uma proposta nova e eu diria até tão interessante quanto a proposta inicial: a introdução mais intensa da homossexualidade. Tinha tudo para ser uma iniciativa bem aceita e aos poucos, os tabus poderiam ser vencidos. Mas convenhamos! Alguns brothers estão banalizando demasiadamente. Houve recentemente a ousadia de se tirar a cueca em público e pior: a edição da Globo permitiu que tal ocorrido fosse exposto em rede nacional. Inaceitável, uma afronta a qualquer tipo de respeito ou moral.

A César o que é de César, há quem goste, há quem concorde que a liberdade deve ser priorizada acima de tudo. Liberdade ou libertinagem? Fica no ar. O youtube já não terá novidades para postar em 2011 se a brodagem continuar nesse ritmo.

Inacesso à Cultura

Posted in Opinião by micheletavares on 05/02/2010

Karina Garcia

 

                                                

No Estado de Sergipe são poucos os movimentos pró-culturais, e quando isso acontece, o acesso centra-se numa parcela minoritária da sociedade civil. Recentemente, no dia 19 deste mês, o Projeto TAMAR reservou um espaço, denominado Casco Acústico, no Oceanário  de Aracaju, para a realização de Evento Artístico e ao mesmo tempo de conscientização ambiental, com bandas nordestinas e participação especial de Lenine e Patrícia Polaine.

    Os  interessados em desfrutar da boa música em local agradável, teriam que dispor de uma quantia de R$ 20, com  exceção do estudante, que pagou a metade do custo sugerido. Refletimos nós então em estado pleno da consciência: Que segmento social desse município, toda vez que sentir a necessidade humana de assistir  a bons shows, irá pagar com conforto esse preço? A resposta é simples. São os privilegiados economicamente, pois os setores marginais utilizarão esse dinheiro para aplicar em necessidades de cunho biológico, abandonando, deste modo, o desejo de contemplar culturas mais lapidadas. E, certamente, terão de contentar-se com certas atrações artisticamente pobres e de naturalidade baiana.

Este fato é somente  uma mostra diante extensão  da problemática fincada desde a fragmentação da humanidade e da força imbatível do capitalismo. 

No período do Pré-caju, todo o leque de produtos culturais e efervescência  da cultura de massa restringem-se ainda mais, uma vez que os teatros, os cinemas de sessão noturna e as manifestações de raiz, simplesmente param para dar espaço à prévia carnavalesca. Não obstante, muitos artistas realizam suas obras, e o mínimo destes consegue distribuí-las para atingir  todos os públicos. Baixar preços, ampliar a diversidade  das produções, fazer valer a acessibilidade, não é favor nenhum e sim uma obrigação que os grandes representantes, como os políticos desse país, têm conosco, seres com imensa sede e gigantesca fome de Arte.

*Imagem retirada do site:susanacosta.wordpress.com

O triunfo do anti-herói

Posted in Opinião by micheletavares on 05/02/2010

Por Karina Garcia

Em novo longa de Christopher Nolan, quem dita as regras é o Coringa.

“Batman: o cavaleiro das trevas”, é o filme número 6 do herói da DC Comics nos cinemas e segundo a cargo do diretor Christopher Nolan. A performance do ator Ledger, o Coringa, que morreu por overdose de medicamentos, arrancou arrepios e elogios da crítica especializada.
             O longa tem 142 minutos  de duração, e mostra que Ledger foi o pior dos arquiinimigos de Batman, desde Cesar Romero a Jack Nicholson.  No filme, ele é colocado no meio de um prélio, o qual o bem e o mal disputavam por meio de suas forças no Gotham City.

Coringa tem características exóticas: Cabelos desgrenhados, olhos sem brilho, maquiagem assombrosa. No filme ele faz o papel de esquizofrênico, psicopata e, além disso, não é nada simpático.  O sucesso do Coringa deve  muito à atuação de  Christian Bale, o Batman, que ao contrário do que se esperava, perdera espaço para o vilão inteligente e áspero. O triunfo do Coringa quebra os tabus dos filmes de heróis ao fazer do inimigo o ser mais poderoso.

Até o promotor público, Harvey Dent (Aaron Eckhart), afirma crer numa nova  Gotham City, e sugere ao Batman que ou ele morre como herói, ou vive o suficiente para se tornar vilão. Este longa preserva um a visão de mundo mais anárquica, e faz até o “salvador da pátria” refletir acerca de alguns valores mais humanos. Pode ser considerado também contraproducente pois preserva a figura de um vilão em plena acidez.

 Da mesma forma que as Histórias(HQ’s) em Quadrinhos da década de 80 como “O cavaleiro  das Trevas”, “Watchmen” e “Sandman” (a graphic novel de Frank Miller) foram essenciais para inaugurar uma nova era de HQ’s de temática apropriada para adultos nas bancas, o filme de Nolan certamente pode desempenhar papel semelhante no cinema e se transformar em um bem-vindo marco da maioridade na seara infanto-juvenil das adaptações de super-heróis das telonas.

Imagem retirada do site:roliude.wordpress.com

UMA PROVA DE AMOR

Posted in Uncategorized by micheletavares on 05/02/2010

Por Larissa Regina

Edição em DVD do filme "Uma prova de Amor".

Neste mês será lançado em DVD o filme Uma prova de amor. Este drama é o sexto filme na carreira do diretor Nick Cassavetes, baseado no romance de Jodi Picoult e estrelado por Camaron Diaz, Abigail Breslin, Sofia Vasssilieva, Evan Ellingson e Jason Patric. Além de ser co-estrelar figuras já conhecidas no cenário Hollywoodiano como Alec Baldwin e Joan Cusack. Contando com a direção de fotografia de Caleb Deschanel, sendo produzido numa parceria entre a New Line e Warner Bros, distribuído no Brasil pela Playarte.

Este filme inicia com profundas reflexões sobre nascimentos, indagações feitas por Anna Fitzgerald (Abigail Breslin), sobre os motivos reais de nossa vinda a terra, se viemos por simples acaso ou com uma missão pré-estabelecida. Anna é a terceira filha de um casal que descobre antes de seu nascimento que sua filha do meio Kate (Sofia Vasssilieva) tem leucemia. O médico que diagnostica Kate sugere que, para ajudar na recuperação da filha, o casal tenha outro bebê feito in vitro, com cem por cento de chances de compatibilidade com Katie, já que, nem os pais (interpretados por Camaron Diaz e Jason Patric), nem seu irmão mais velho Jesse (Evan Ellingson) são compatíveis.

Nos dias hoje, Anna tem 11 anos e cansada de doar partes de seu corpo a sua irmã, ela decide procurar o advogado Campbell Alexander (Alec Baldwin), não muito prestigiado entre seus colegas de profissão, inclusive pela mãe de Anna: Sara Fitzgerald, uma renomada advogada, que para de trabalhar para cuidar de sua filha doente. Anna quer conseguir judicialmente uma “emancipação médica”, com o objetivo de não ser mais obrigada a doar sangue, tecido ou qualquer tipo de órgão a sua irmã.

Está aberta uma briga judicial pela “emancipação médica” de Anna: de um lado Dr. Campbell Alexander, lutando para que Anna possa decidir se quer ou não continuar doando pequenas partes dela para irmã, e do outro uma mãe desesperada, porém determinada a anular este pedido, para que Anna possa doar um rim para Kate, que está com falência renal avançada.

O filme é inspirador, pois instiga os telespectadores a analisar antes de opinar, ele nos faz “mudar de lado” a todo instante: às vezes ficamos horrorizados com a total falta de sensibilidade de Anna, outrora nos deparamos com os problemas que Anna terá que enfrentar se doar o rim a irmã, sem as menores garantias que este rim salvará a vida dela.

Preste atenção na pequena participação da juíza De Salvo (Joan Cusack), embora curta, sua participação é interessante, pois a audiência de conciliação marca sua volta aos tribunais depois de seis meses de licença pela morte repentina e trágica de sua filha de 12 anos. Aprecie também o personagem Jesse, o irmão mais velho de Anna, esquecido e isolado da família, Jesse, por muitas vezes é ignorado e despercebido ao ponto de não perceberem sua dislexia, descoberta muito depois.

Cena do filme "Uma prova de Amor".

E finalmente observem a emocionante trilha sonora feita por Aaeron Zigman na cena feita na praia: onde, em um dia comum, a família Fitzgerald pega Kate no Hospital durante uma de suas piores crises, e a leva para passar o dia na praia, aproveitando uns aos outros como se aquele fosse o último dia de suas vidas.

REALITY SHOW

Posted in Comportamento, Crítica, Cultura, Opinião by micheletavares on 05/02/2010

O show da vida real?

 

Por Larissa Regina 

Na última década, um novo termo vem ganhando visibilidade no cenário nacional. O termo reality show, que traduzido ao pé da letra significa: show da realidade. Mas não é de hoje que esse tipo de programa vem conquistando as massas. Desde a década de 70 nos Estados Unidos, um programa que retratava a realidade de uma família em processo de divórcio, paralelamente a descoberta da homossexualidade do filho ganhou grande destaque, transformando-se em fenômeno nacional copiado por muitos países da Europa. Porém o que atrai uma pessoa ou uma família a se submeter a tanta exposição? Serão os prêmios ou o atrativo é a própria exposição? Não hácomo negar que todos querem seus quinze minutos de fama. Mas depois disso o que fica?

Milhares de pessoas inscrevem-se para participar de programas deste gênero, passam por vários testes de seleção, participam de maratonas cansativas, enfrentam longas filas. E para quê? Para ficarem expostos como roupas em uma vitrine de uma loja cara, onde os “mortais” nunca poderão comprar, ou melhor, entrar.

Jurados do programa "Astros", exibido pelo SBT

Emissoras televisivas produzem reality shows, pois são programas baratos proporcionalmente ao retorno concedido, retorno este, que será novamente reinvestido para encher a programação de eventos fantasiosos e inalcançáveis para a maioria da população mundial, uns porque não se encaixam no perfil psicológico do programa e outros, principalmente, por não se encaixarem no perfil estético.

Participantes do BBB10 no "castigo do monstro".

Alguns projetos como: American Idol (versão americana do programa Ìdolos, exibido pela rede Record), Fama, Qual é o seu talento? e O aprendiz, mascaram-se atrás de uma falsa proposta de “realizações de sonhos” através do talento dos candidatos participantes. O que é uma realidade inexistente, já que esses mesmos programas expõem, por diversas vezes, seus candidatos ao ridículo e a humilhações que variam de acordo com o humor dos jurados que, geralmente, são figuras que incorporam personagens e se sentem acima do bem e do mal. Já outros programas como Big Brother Brasil, Solitários, A Fazenda, Troca de Família, entre outros, não escondem sua verdadeira intenção: colocar um grupo de indivíduos desconhecidos entre si e de personalidades diferentes em um local fechado, sem interferência externa, sujeitos a situações embaraçosas e por muitas vezes conflitantes.

Provas do reality show "A Fazenda".

Por muitas vezes procuramos culpados para essa realidade tão marcante em nosso cotidiano, porém se observarmos bem esse ciclo vicioso, veremos que o mais engraçado é que ao mesmo tempo em que criticamos, compactuamos diretamente com essa situação, pois somos telespectadores embora não admitamos, somos consumidores deste tipo de produto. Afinal, todos nós não só queremos como gostamos de dar aquela espiadinha.     

Depois da fama, o monstro

Posted in Cultura by micheletavares on 05/02/2010

Mais um CD, mais um sucesso

Por Etienne Fonseca

Lady Gaga vestida de morcego em apresentação da música Bad Romance. Foto: Site Contigo

A polêmica e extravagante Lady Gaga lançou oficialmente o seu segundo CD no dia 24 de novembro de 2009, intitulado The Fame Monster (O Monstro da Fama, em português). Mas já era possível ouvir todas as faixas do novo álbum bem antes dessa data, já que o trabalho da cantora vazou na net.  Na verdade, esse CD  não é considerado o segundo álbum da Gaga e sim uma reedição do The Fame(A Fama, em português), o seu primeiro trabalho, já que, fora as músicas já conhecidas pelos fãs,  são apresentadas apenas 8 músicas inéditas.

O estilo que a Lady Gaga seguiu na produção desse novo CD é muito diferente daquele utilizado no seu antigo trabalho. O The Fame Monster trás músicas mais lentas, com letras mais românticas, às vezes tristes. A cantora faz uma reflexão sobre romances não correspondidos, sobre namorados, fala um pouco sobre o seu lado bissexual.  Essas experiências são narradas ao som de um ritmo pop que lembra muito as músicas dance do final dos anos 80 e início dos anos 90, como em So happy I could Die ou em Dance in the dark. Lady Gaga também trabalha com elementos da música country em Teeth e mostra a sua potencia vocal em Speechless, canção em que as batidas eletrônicas ficam em segundo plano.

A cantora chama a atenção pelo estilo extravagante de se vestir. Foto: Site da MTV.

O carro-chefe do The Fame Monster é a canção Bad Romance, que já bateu recordes de execução em todo o mundo, inclusive no Brasil. Segundo a Billboard, a música foi tocada mais de 10.859 vezes em apenas uma semana nas rádios dos Estados Unidos. Essa é a canção que mais se aproxima do primeiro trabalho da cantora, por ter batidas mais fortes e aceleradas,  diferindo das demais músicas apresentadas no The Fame Monster.

O Monstro da Fama trás ao público um lado pouco explorado pela cantora. Até então, as letras de suas músicas mostravam uma Gaga auto-confiante e debochada, como em Poker Face ou em Love Game. Nessa segunda fase, as músicas da cantora estão mais maduras, mais realistas, beirando ao pessimismo. Gaga apresenta a sua visão de mundo a partir de uma nova perspectiva, nada mais natural, já que ela passou do anonimato ao sucesso mundial no seu CD de estréia. Só resta saber se os seus admiradores vão aprovar a mudança.

Capa do CD The Fame Monster. Foto: Divulgação

O clipe de Bad Romance

The Bubble: Uma emocionante bolha de amor

Posted in Crítica, Opinião by micheletavares on 04/02/2010

Do cineasta Eytan Fox, “The Bubble” narra a história de quatro jovens que buscam o amor em meio ao caos da guerra

Por Júnior Santos

Não tem como não gostar do filme “The Bubble”, seja pelo carisma dos atores, pela sutileza na qual é abordada a questão principal da película, é uma daquelas histórias que permanecem na mente por muito tempo. O cineasta Eytan Fox consegue narrar perfeitamente uma história de amor homossexual entre um palestino e um israelense.

O diretor Eytan Fox conta a estória de um amor em meio a guerra. Fonte: kaosgl.com

Nascido na cidade de Nova York em 21 de agosto de 1964, mas mudando-se para Israel com os pais quando tinha dois anos, Eytan Fox é um dos principais cineastas israelenses, e responsável por um dos filmes mais bem sucedidos da história do país, o Walk on Water (Caminhando sobre a Água). Gay assumido, Fox é reconhecido pela abordagem de temas polêmico, sobretudo envolvendo a homossexualidade, transformando a imagem e a representação social da comunidade GLBT local. Seu filme mais conhecido aqui no Brasil, onde já foi homenageado pelo Festival de Cinema Judaico em 2007, é “Delicada Relação”, onde narra a relação íntima de dois soldados que descobrem o homossexualismo.

Em uma das suas mais recentes produções, “The Bubble” (ou “A Bolha”), Eytan Fox relata os conflitos existentes entre árabes e judeus, através da vida de quatro jovens que buscam a felicidade e amor, apesar de viverem entre a guerra.

O filme se passa na cidade de Tel Aviv, mais conhecida como A Bolha, onde as pessoas procuram viver distante da realidade fria da guerra entre a Palestina e Israel. Três jovens israelenses, Noam (Ohad Knoller), Yelli (Alon Friedman) e Lulu (Daniela Virtzer), dividem um apartamento e levam uma vida normal, sem se preocupar com os conflitos do país. Porém, após Noam conhecer Ashraf (Yousef “Joe” Sweid), um palestino, e se apaixonar por ele, o destino desses quatros jovens acabam se entrelaçando e sendo mudado para sempre.

Apesar de não assumir uma visão sobre a guerra existente entre os dois países, o filme demonstra situações típicas enfrentadas pelas pessoas que moram na linha de combate entre Israel e Palestina, como o momento de humilhação pelos quais passam os palestinos ao atravessarem a fronteira, mostrado nas cenas iniciais. Porém, o que ganha destaque na história é amor homossexual entre os principais personagens, Noam e Ashraf, e as dificuldades enfrentadas para concretizar essa união, já que a família do segundo é totalmente homofóbica e tem um casamento arranjado para o rapaz.

"The Bubble" retrata o dilema cotidiano de quatro jovens. Fonte: nytheatre-wire.com

A trilha sonora também é outro ponto forte no filme, servido para amenizar a tensão existente por causa da guerra. Com músicas de Bebel Gilberto, e do roqueiro homossexual Ivri Lider, a descontração se faz presente.

Vencedor da Mostra Panorama do Festival de Berlim, como melhor filme pela opinão do público, e participante das seleções oficiais do Festival de Toronto de 2006 e do Festival de Tribeca, em 2007, The Bubble é uma ótima indicação para quem quer ver um bom filme relacionado a temática homossexual, sem fazer dela uma espetáculo. O grande problema é ser encontrado nas locadoras, mas o download na internet é fácil e prático de se fazer.

Mídia explora diversidade sexual de forma democrática?

Posted in Opinião, Reflexão by micheletavares on 04/02/2010

Por Júnior Santos

A mídia nunca esteve tão “democrática”, com relação à abordagem do homossexualismo, como está agora. Parece até uma obrigação que qualquer produto midiático tenha tratar de tal questão. É reality-show, telenovela, filmes, edições especiais de programas televisivos, entre outros. Mas será que quantidade anda junto com qualidade?

Uma das mais famosas redes de comunicação, a empresa Globo ganha um notório destaque nesse ponto de abordagem da homossexualidade. O mais famoso reality-show do país, o Big Brother Brasil, chega a sua décima edição se vangloriando de ser um programa aberto à diversidade, sem nenhum tipo de preconceito. A presença de três participantes gays, que pertencem a tribo dos Coloridos, reforça a idéia de um produto gay friendly, isento de qualquer homofobia. Porém, Angélica, Dicesar e Sérgio, são quase que forçados, a todo o momento, a falar na preferência sexual que têm, seja pela divisão dos grupos ou pelas perguntas, indiscretas e cheias de malícias, do apresentador Pedro Bial.

A "Tribo dos Coloridos", formados por homossexuais, no BBB 10. Fonte: TVNortao.com.br

Os temas referentes à diversidade sexual vêm sendo muito explorado também nas telenovelas da mesma emissora. Do ano de 2003 até o momento atual é difícil não encontrar personagens homossexuais presentes nos enredos dramatúrgicos, principalmente, no horário nobre da programação, a partir das 21h.

Na novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas, foram abordados os dilemas sofridos pelas adolescentes Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) por viver um amor gay, que era bastante recriminado pela mãe da primeira. Logo após, na trama escrita por Aguinaldo Silva, teve o romance entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges), que sofreu inúmeras dificuldades quando tentaram adotar uma criança. Na mesma ficção, teve ainda o casal formado por Turcão (Marco Vilela) e Ubiracy (Luiz Henrique), pertencentes a parte de comédia do núcleo, e mostrava as discrepâncias entre o machão e o homossexual afetado. Já na história da novela América, de Glória Perez, o personagem Júnior (Bruno Gagliasso) vivia metido em confusões tentando esconder a sua preferência sexual da mãe.

Contudo, o que a empresa Globo traz em comum em todas as abordagens do homossexualismo, vinculado nos mais diversos tipos de programas, é a notória tentativa de se declarar como uma emissora aberta a todo tipo de diversidade, sem nenhum preconceito. Para tanto, não há uma preocupação em como abordar o tema, se os personagens estão sendo alvo de chacotas, ou se o que está sendo demonstrado é apenas o lado negativo da questão, os problemas e dificuldades pelas quais passam as pessoas que gostam de outras do mesmo sexo. O beijo gay já foi proibido várias vezes, qualquer demonstração mais apimentada de carinho é retirada, os momentos de trocas de juras de amor são imperceptíveis.

Além do mais, há uma descoberta de que o público gay consome bem, e até mais, os produtos midiáticos quando percebe a abordagem de temas relacionados ao homossexualismo, acredito que trará a tona uma série de debates e discussões a respeito do assunto. Um exemplo bem claro é o filme “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abranches, que mesmo antes de estrear nas telas dos cinemas, já fez o maior sucesso no meio GLS, devido a um vídeo-promo que acabou caindo na internet, seis meses antes de ficar pronto. Bastou fazer menção a diversidade sexual, para se criar uma polêmica, e uma grande procura pelos telespectadores.

Incesto homossexual é abordado no filme "Do Começo ao Fim". Fonte: babadocerto.wordpress.com

Todavia, quantidade não anda acompanhada de qualidade. A cobertura midiática referente à abordagem homossexual está longe de ser isenta de preconceito e de contribuir para um debate e para uma reflexão aberta, que demonstre que as diferenças existem e que, no mínimo, devem ser respeitadas. Porém, o respeito só virá quando a mídia deixar de espetacularizar a diversidade sexual e passá-la de uma forma imparcial.